O Surfluz é uma mesa que permite desenhar no telão usando luz infravermelha. As imagens são animadas e aparecem no telão em tempo real, podendo ser mixadas às imagens do VJ e permitindo a participação do público.
O aparato foi construído pelo VJ pixel, no estilo "Criei, tive como" (alusão ao Creative Commons), utilizando apenas ferramentas open source.
pixel, assim com letra minúscula, é apenas um pedacinho de um jpeg, como ele mesmo diz. Ou seja, um componente de uma cena formada por diversos outros elementos. Esta metáfora também traduz a filosofia de seu trabalho, onde a criatividade é agregativa, ou seja, realizada em conjunto por diversas pessoas, colaborativamente, visando sempre o avanço das ferramentas e as disponibilizando para que a comunidade possa dar continuidade à evolução do conhecimento.
Desta maneira, ficam à disposição da criatividade livre, diversos recursos, desde softwares até hardware, como o Arduino. E já há muita gente construindo coisas bem divertidas com estes.
O VJ pixel está presente em diversos eventos esta semana na Campus Party. Quem se interessa em aprender mais sobre edição de vídeo e Vjing em software livre pode colar lá nesta sexta, às 14h00, para uma oficina sobre o LiVES, ministrada por ele e por Garbiel Salsaman.
Na sexta-feira ele faz palestra sobre o software. Aqui, ele explica de onde veio e como funciona toda essa história da mesa na entrevista abaixo, feita por gtalk, levemente adaptada ao estilo blog.
Bete: Quando você começou a fazer o Surfluz?
pixel: Comecei há aproximadamente três meses. Na verdade, ela ainda não está terminada. Estou testando várias possibilidades. A intenção é fazer um instrumento que permita que um VJ faça uma performance 'habitual', e ao mesmo tempo tenha mais flexibilidade de criação. Esse vídeo foi feito em outubro, logo quando comecei as experiências.
Bete: Você desenvolveu sozinho ou com mais alguém?
pixel: A pesquisa foi desenvolvida com ajuda de algumas pessoas. O Tiago Pimentel, com quem trabalhei no Casa Brasil (projeto de inclusão digital), e o Caio Luna (VJ do Desconstrução). Foi o Tiago que teve a sacada de usar aplicações em Processing. Eu estava pesquisando interfaces há uns meses e conversei bastante sobre o assunto.
A proposta é pensar em interfaces inusitadas, como usar um joystick de Playstation para controlar um software de edição de vídeo. Não é grande novidade, a diferença é que esse recurso poderá ser utilizado por milhares de pessoas assim que for incorporado ao LiVES. Acho que vai ser o primeiro programa de VJ que terá um recurso interno para utilização de joystick como controlador, mas não tenho certeza. Durante a pesquisa, acabei me deparando com o Wii e passei a pesquisar várias possibilidades de interfaces mediadas pelo Wiimote.
Inclusive, quando estava pesquisando essas interfaces mediadas pelo Wiimote, me deparei com a Linux Electronic Whiteboard, que é uma versão livre pro projeto do Johnny Chung Lee, e passei a fazer experiências com ele usando vários softwares. O Tiago me mostrou que era interessante fazer com Processing e como ficava bom com o Yellowtail. Então devo a ele um grande salto na pesquisa. O Caio me chamou pra levar a instalação pra uma festa que ele estava produzindo em Brasília e me ajudou construir a interface pra apresentar. Foi onde saiu esse vídeo.
Bete: Então, me explica a caixa. O que tem nela?
pixel: Caixa? Tela?
Bete: Sim, onde as pessoas passam o dedo pra desenhar, como chama?
pixel: Não é desenhado com o dedo, e sim com uma luz infravermelha.
Bete: A luz pega o movimento? Como faz?
pixel: Já viu sobre led throwing? Eu construí uns LEDs como aqueles.
Deixa eu pegar um link: http://vercodigofonte.blogspot.com/2006/02/led-throwing-action.html.
Eu me inspirei na maneira que eles constrõem os LEDs para arremessar. Tem gente que adapta canetas de verdade, como aqueles hidrocores Piloto, utilizando uma bateria, LED e um interruptor. Mas eu simplifiquei fazendo o interruptor rusticamente e utilizando apenas a bateria e o LED.
Bete: Teve que programar alguma coisa? No Processing ou outro?
pixel: Eu fiz modificações no Yellowtail pequenas, beeeeem pequenas.
Bete: Esse Yellowtail, o que é?
pixel: É um software escrito em Processing. Atualmente, a Surfluz usa só ele no Processing, mas já pesquisei outros softwares. A intenção é criar alguns também.
Bete: :)
pixel: Mas quero ver o que já existe primeiro. Uma das grandes vantagens do software livre é não ter que reinventar a roda. Além disso, é interessante. No lugar de ficar criando projetos novos, fortalecer outros já existentes, o que prefiro fazer. Tem gente que cria projetos do zero, parecidos com outros, para poder ter autoria, dizer que fez. Não é meu caso.
As pessoas normalmente perguntam: foi você que fez? O que você fez daí? Eu gosto de dizer que apenas juntei as peças. No Surfluz foi o que fiz. Juntei diversos softwares, fiz modificações e o mais importante, vou distribuir minhas modificações (avanços?) para a comunidade de volta. O controlador do LiVES com joystick veio do Surfluz. Eu o fiz junto com o Salsaman e testei, ainda testo, exaustivamente. Ele faz parte do Surfluz, na verdade, talvez não esteja funcionando bem, pois as pessoas correm pra tela e esquecem o controle, e olha que é beeeem divertido brincar com ele.
Bete: Mas o que faz o controle? A luz surfa. E o controle?
pixel: uhauhauhauauha
Bete: ahisuhaiushau
pixel: O Surfluz é composto de três elementos. Um deles é um computador com o LiVES, que é um software livre de VJing com o qual colaboro no desenvolvimento (testando, propondo recursos e traduzindo). O controle serve para controlar o LiVES. O LiVES dá a textura da imagem ou do fundo. O outro elemento é um computador que roda o Linux Whiteboard e o Processing. Ele é responsável por captar os movimentos do mouse e transformar em imagem. O terceiro elemento é um mixer de vídeo que junta as imagens dos dois, que são duas fontes de vídeo que podem criar uma composição de qualquer maneira que o mixer permitir. As maneiras que acho mais interessante são: A) usar a imagem que vem do LiVES como textura nos desenhos dentro deles. B) usar as imagens do LiVES como fundo dos desenhos.
Bete: Aí o público pode mexer? Como é a usabilidade? As pessoas pegam fácil?
pixel: Podem mexer no joystick, desenhar na tela, ou operar o mixer, como preferirem.
Olha o Yellowtail: http://processing.org/exhibition/works/yellowtail/index.html. Aí risca ele com o mouse apertando o botão esquerdo. Eu fiz modificações pra parecer melhor numa resolução maior em tela fullscreen. As pessoas pegam fácil a usabilidade. O joystick é um instrumento já conhecido e fácil de usar, então as pessoas vão mexendo aleatoriamente até entenderem o que os botões fazem. Na tela, a maior dificuldade, é entenderem que precisam apertar o fundo dos LEDs. Mas isso faz uma coisa legal, cria uma rede social, as pessoas vão ensinando umas às outras a usar. Estou pensando em fazer canetas "tradicionais" pra ajudar as pessoas a entenderem o que fazer. Tira um pouco da simplicidade, adicionando mais elementos. Gosto de fazer as coisas simples, para que as pessoas saibam que elas podem fazer em casa, desmistificar a metodologia. Por isso, essa pesquisa toda faz parte da MetaReciclagem.
Bete: O que dá pra controlar com os botões?
pixel: O joystick tem botões pra mudar de vídeo. Um pra "subir" o vídeo, outro pra "descer". Tem um botão pra pausar e despausar o vídeo, um pra limpar todos os efeitos, pra correr o vídeo pra "frente" e "trás", pra aumentar e diminuir a velocidade e botões de efeitos (finalmente descobri uma utilidade pra todos aqueles botões do controle do Playstation). Tem gente que fica brincando só um minutinho, tem gente que fica 10 minutos e volta. Teve um cara que ficou mais de meia hora. Ele ia e voltava o tempo todo. Tirou várias fotos e filmou um monte. Minhas 'canetas' parecem com essa só que com luz infravermelha:
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Bete: A luzinhaaaaaaaaa, que fofa. Dá pra fazer com mais de uma luzinha ao mesmo tempo?
pixel: No momento não porque a luz funciona como mouse, mas quero escrever um programa que faça com toque. Aí podem ser usados vários dedos de uma vez e várias mãos, várias pessoas, pés, também nariz... Com cuidado, rola até com cotovelo. Viu o primeiro vídeo que mandei? Que é na parede?
pixel: Tiago é o cara que passa entre os segundos 23 e 25 do vídeo.

Neste sábado, 18.10, às 17h00, acontece a abertura da exposição "I/Legítimo: Dentro e fora do circuito", no MIS, em São Paulo, com a instalação-performance Digital Spray.
A criação, do artista multimídia Charlie e do artista plástico Highraff, promove uma interação entre a linguagem do grafite e do VJ.
Para a abertura, a entrada é gratuita e não precisa de convite.
"I/Legítimo" tem dois segmentos, um no MIS, chamado "Espaço em Movimento", e o outro, "Zonas de Ação", no Paço das Artes. A exposição traz a diversidade da arte que não se vê nos museus, com animação, arte digital, grafite, fotografia, vídeo, performance, hackerativismo, música e outros.
São trabalhos e ações de 42 artistas de diversos países como Daniel Lisboa, David Blandy, Desirée Holman, Gabriel Acevedo Velarde, Leandro Lima, Gisela Motta, Marcelo Cidade, Monsieur Chat, Nicolás Robbio, Peaches, Ricardo Zuniga, Roberto Bellini, Shaun Gladwell, Tiago Judas e Diego Tiradentes.
O MIS fica na Avenida Europa, 158, e o Paço da Artes fica na USP.
Veja mais infos nos sites: www.mis-sp.org.br e www.pacodasartes.org.br.



