É estranho falar a palavra tradicional para algo ligado à música eletrônica, mas é isso que o Winter Music Conference (WMC) representa em termos de festival. Ele acontece há 25 anos nos Estados Unidos, com participantes do mundo inteiro, entre DJs, selos e fabricantes.
Ano passado o evento inovou introduzindo o VJ Challenge, uma competição de imagens ao vivo com duas categorias, Video Mix para performances em vídeo e A/V Mix para mixes audiovisuais.
O Winter Music Conference abriga expositores, workshops de remixagem e edição, palestras, festas em clubes, o International Dance Music Awards e a gigantesca festa Ultra Music Fest, que apresentou mais de 200 artistas em 2 dias e 10 palcos, para um público estimado de 40 mil pessoas.
A edição 2010 do WMC, que aconteceu em Miami, terminou na semana passada e deu ao brasileiro VJ Leo o segundo lugar na competição de imagens ao vivo, o VJ Challenge.
Ao som do DJ Michael Burian, cada participante teve seis minutos para mostrar seu talento aos juízes, que julgaram quesitos como habilidade técnica, timing, criatividade e efeitos.
O primeiro lugar na categoria VJ Mix ficou com o norte-americano VJ Aeon Child, que trabalhava em bases generativas, alimentadas por som. VJ Leo levou o estilo brasileiro, com imagens de significados reais e grafismos. A VJ Automattic, também dos EUA, tirou terceiro lugar mostrando um estilo mais gráfico.
Na categoria A/V Mix, o primeiro lugar foi para o consagrado grupo Eclectic Method (EUA), seguido do DJ Crime (EUA) e dos russos Happy DVJs.
Foram cerca de 100 inscritos, e apenas oito selecionados para competir na categoria VJ Mix e 12 na categoria A/V MIX - a maioria vinda dos EUA.
A primeira parte do desafio da competição foi a montagem dos equipamentos. “Todos estávamos nervosos pois eram só seis minutos. Tinha que montar e desmontar correndo e não se tinha muita idéia do que o DJ ia tocar”, disse Leo. “Eu tive sorte. Teve gente que pegou muito break e intro de músicas, daí ia comendo o tempo sem ter possibilidade de mostrar coisas diferentes. Mas é como na vida real... nunca sabemos exatamente o que o DJ vai fazer. Peguei umas duas mixagens e foi bem dinâmico”.
Para completar, o concorrente anterior a ele, VJ Fader, acabou esquecendo de remover seus equipamentos depois de terminar seu set. “Eram dois praticáveis. O Fader tocou, daí o sinal foi para o próximo VJ, só que o Fader saiu do palco e não desmontou, e nos EUA ninguém mexe no que não é seu. Então eu tive que catar ele para desmontar. Tive dois minutos para montar”. Para começar, o VJ Leo precisou pedir à organização para segurar o começo duas vezes até conseguir montar seu set up. Sufoco é pouco, mas valeu a colocação final.
Compreendendo o contexto do episódio, o VJ Leo relevou a situação e conheceu melhor o trabalho de Fader, de origem chinesa, baseado em Los Angeles, que acabou sendo um dos destaques entre os visual jóqueis que se apresentaram. Ele desenvolveu uma interface de toque para realizar performances e a levou para o evento. Neste link é possível ver a construção. No vídeo abaixo tem a interface em funcionamento.
A segunda parte no desafio do VJ Challenge foi a tela e o projetor, que não favoreciam. “O projetor era meio fraco e a tela, uma retroprojeção utilizada como frontal. O trabalho do Fader ficou muito prejudicado nesse formato de tela. Pude ver no Beatport o job dele, e é espetacular”, explicou Leo.
A festa do Beatport, que aconteceu no domingo, dia 28.03, onde Leo também projetou, serviu para ver mais detalhadamente o trabalho dos VJs concorrentes, numa tela de LEDs. Veja um pouco da festa:
O VJ Leo conta que a maioria dos trabalhos eram muito bons, performances utilizando mais gráficos, algo mais abstrato, diferente do que é feito pelos brasileiros.
Quanto ao estilo das apresentações A/V, Leo diz que nos EUA está bastante forte, porém, muito baseado em scratch, precisando evoluir mais nos truques e modo de apresentar. “Depois de alguns shows cansa, pois não tem novidade na apresentação. O som era mais para comercial e hiphop, mais estilo mashup. Era um bombardeio intenso de referências pop americanas, que nem sempre tinham graça”.
Além da Beatport, o VJ Leo foi convidado a projetar na festa mais badalada da Winter Music Conference, a Ultra, mostrando que sua apresentação repercutiu positivamente.
Como próximos passos o VJ Leo quer desenvolver mais seu projeto audiovisual, o MIND, e quem sabe concorrer ano que vem na categoria A/V do WMC.
O VJ também ministra um curso para VJs na AIMEC, em Porto Alegre. São turmas intensivas de verão e inverno, com 120 horas/aula onde os alunos podem aprender edição, principais softwares, conceitos de MIDI e podem instalar e testar diversas interfaces.
Crédito das fotos: VJ Leo e VJ Rei (Reinaldo Torres).





