Tecnologia e interatividade. Duas palavras que definem bem o New Media Meeting 2008, que aconteceu dias 19 a 20.09, na cidade de Norrköping, na Suécia.
O evento ganhou em pouco tempo atenção da mídia e espaço na cena tornando-se um dos mais importantes do gênero entre os países nórdicos.
Foram apresentados trabalhos de diversas partes do mundo: Rússia, Alemanha, Itália, Japão, Inglaterra, EUA, Dinamarca, Espanha, Holanda, Austrália e Finlândia.
A programação ocupou os três andares do Flygeln, parte do complexo de entretenimento Louis De Geer, localizado no bairro industrial da cidade.
De dia, workshops, instalações e demonstrações de novíssimas e futuristas tecnologias prontas para o mercado.
À noite, do lado de fora, VJs e projeções recepcionavam o público. No térreo, pista com DJs e VJs (em duas telas), instalações e vários plasmas no ambiente. No subsolo, mais instalações, screenings, e a pista principal, com três telas decoradas embaixo e nas laterais por retângulos luminosos que mudavam de cor. Por último, mais embaixo, uma estreita pista tipo inferninho com mais apresentações de DJs.
O que mais chama atenção num evento como esses é a grande quantidade de interatividade, tanto nas instalações quanto nas próprias apresentações artísticas. Imagine-se de dia, num pátio, correndo de um lado para o outro, para que seus movimentos toquem música.
Destaques
Na sexta-feira, no palco principal, o VJ Union (Suécia) ficou encarregado das projeções a noite toda, com uma pausa para o Shaidon Effect (Dinamarca). A apresentação musical que mais bombou foi a de uns malucos chamados Slagsmålsklubben, clube da luta, em sueco. Uma banda composta por vários caras, sintetizadores, teclados, e seguidores ensandecidos - a é banda local, o que explica o sucesso.
O VJ Union não é um grupo de VJs, mas uma iniciativa para o coletivo, de cinco VJs, Mikael Wehner, Nino Strohecker, Mikael Prey, e os dois citados abaixo, para unir a cena do país numa tentativa de trocar idéias, experiências e fortalecer o conceito, mais ou menos como acontece aqui no Brasil com o VJBR.
Na noite, estavam representados por integrantes de diferentes coletivos, numa jam session: Mikael Wehner, Linnea Forslund (Morrsken) e Joel Dittrich. Veja abaixo algumas imagens, ao som do Slagsmålsklubben, em momento quase happy core.
Outro trabalho que chamou atenção foi o Shadoin Effect, que fez uma apresentação usando uma câmera para motion tracking dos movimentos de bailarinos no palco. Sobre as imagens captadas e projetadas, eram aplicados efeitos, em tempo real. Projeções, mixagem e baterista convidado fizeram sucesso.
No fim da apresentação o público dominou o palco, porque obviamente todo mundo queria ver sua sombrinha adquirindo formas loucas na tela. Bem interativo. Cairia bem numa parede de casa noturna, de espetáculos, o que a imaginação permitir.
Ainda no subsolo, perto do bar, a escultura da artista sueca Ida Selbin reluzia piscando em vermelho, numa espécie de pista de dança que parecia flutuar no meio do espaço.
Na saída do palco principal, a instalação "Reface", de Golan Levin e Zachary Lieberman, causava fila. Todos queriam fazer careta para a câmera e ver seus rostos segmentados e recombinados.
Um tracking facial dividia as faces em três partes, e estas iam revezando-se, causando um "refacement" bem divertido.
No andar térreo, a instalação "Ambient Licks" mostrava as condições ambientais da festa, em tempo real, utilizando uma interface web chamada Pachube, que permite compartilhar dados de objetos através de sensores, incluindo os dados alcoólicos (?).
O pessoal do DomeFest exibiu sua tecnologia de projeção 360° num ambiente tipo "domo", com uns quatro metros de altura, montado com lona inflável, onde se podia assistir projeções sentado ou deitado. Confortável, prático, agradável e factível.
Encerrada a primeira noite do New Media Meeting, e fechado o respectivo bar, todos queriam saber onde era a "after party". O pessoal tinha organizado um encontro numa antiga planta elétrica que alimentava uma fábrica de algodão, na beira de um rio. Lugar maravilhoso, música boa, até dar sede e todo mundo se perguntar: "Cadê a cerveja?" Não tinha.
Quando indagados se isso era normal na Suécia, os nativos disseram que não. Considerando que só é possível comprar bebidas alcoólicas fortes tipo vodka em lojas autorizadas do governo, e que cerveja no 24 horas só em Estocolmo, porque em Norrköping tudo estava fechado, nos vimos num dilema tipo "e agora, show de marionetes?" Tá, também não tinha água, nem banheiro. Deve ser por causa da globalização. Aliás, Norrköping pronuncia-se algo como Nôrxôpin.
No próximo post as atrações de sábado, incluindo a empolgante Huoratron x Xploitec VJs. Para saber mais sobre o evento: www.newmediameeting.se.
Continua...




O festival em 2007 foi bem interessante tb e haviam projetos bacanas como o do Laser Tag do Graphite Research Lab e outras interatividades do mundo todo! Realmente é um lugar onde projetos de interatividade e questionamento do ambiente urbano são apresentados e discutidos por todos.
Mas pelo que lembro havia cerveja :)