Mesmo num ano em que as moças foram tema de inspiração, o Sónar 2008 teve testosterona exalando da maioria de suas tendas (especialmente na parte noturna do festival), com DJs tocando músicas do Justice até rachar e uma estética Ed Banger se impondo em vários sets.
Ainda assim, a irlandesa Roisin Murphy colocou todo mundo no bolso e fez uma das apresentações mais impecáveis do Sónar. Profissional, seu show teve figurinos ótimos, banda afinada, duas backing vocals incríveis, repertório dançante e uma enorme presença de palco.
Marcado para sexta-feira às duas da manhã no palco SonarPark, o show de Roisin acontencia no mesmo horário das apresentações de Justice (no SonarClub) e Richie Hawtin + clã do Minus (SonarPub). Minha indecisão sobre o que assistir durou poucos segundos. Claro que Minus e Justice são legais, mas alguma coisa me dizia pra ir ver a irlandesa.
No dia seguinte, fiquei bem feliz quando ouvi que os próprios donos do Sónar estavam tratando Roisin, entre eles, de a "musa do Sónar", de tão bom que o show havia sido. Pena não ter visto Justice nem o showcase da Minus. Mas festival é assim, e quanto menos ansiosa por ver tudo eu vou me tornando, mais shows de qualidade eu acabo vendo. Ponto pra Roisin, fervida e muito profissa.
Agora, meninos, o grande "desce" desse Sónar foi mesmo o Hercules & Love Affair, né? O que era aquela banda? O que eram aqueles metais? Tinha um gato dentro abafando tudo? Ou de duas uma: 1) os músicos titulares perderam o vôo em Nova York e tiveram que ser substituídos às pressas por músicos ali das Ramblas 2) O Andy Butler está levando seu sucesso tão numa boa que dispensou músicos de verdade e recrutou amigos que tocavam na fanfarra da escola, na época do colegial.
Foi bem estranho ver a grande promessa do Sónar fazer tão feio. Fiquei pensando nas caras dos promotores de outros festivais que escalaram o Hercules como headliner neste verão europeu vendo aquilo. Mas, também, como adivinhar? H & LA fez o disco que todo mundo ouviu e dançou no início deste ano. E mesmo quando tocaram o mega-hit "Blind", nem os mais fritos conseguiam se empolgar, especialmente pela ausência do vocal de Antony.
Capítulo à parte eram as duas vocalistas. Sem dúvidas, elas devem ser boas DJs ou boas amigas. Mas cantoras, não, por favor. Cereja do bolo foi o figurino da vocalista mais alta, que parecia tirado de uma sátira da banda Calypso. Tudo bem que a Europa vive seu verão mais trash 80's dos últimos tempos, mas parecia que a moça ia começar uma aula de lamba-aeróbica, e não um show de um dos artistas mais falados de 2008.
Mais sobre o festival, nas fotos que você vê aí embaixo. É bom estar de volta :-)

Vários babies circularam pelo Sónar Dia com fones como este

Não faz a fashionista: usar sapato novo no festival custa caro

Drink de caneta Bic e a agradável grama do "Ibira" (aka Sónar Village)

Aqui não tem dogão: na saída do Sónar Noite, carnes não-identificadas

C-H-I-C: Roisin deviria ter escrito aquele livro

Efedemin: um DJ com nome de remédio, só pode ser ótimo!

Daedelus brilhou no showcase da Ninja Tune

A baixinha Goldfrapp vira gigante no palco

A-Track e DJ Mehdi: som de bofe muito bem mixado!

Eu gosto tanto de berinjela que virei uma

Roisin Murphy dá uma cabelada no line-up

Falando em cabelo, Alison Goldfrapp esqueceu a chapa
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.

Com lançamento marcado para 10 de março, mas já com o mundo das pistas a seus pés, Hercules & Love Affair faz 2008 rebolar como se estivéssemos em 1978.
O som é... disco music, claro.
Se você ouviu a coletânea do clube Fabric mixada pela dupla James Murphy e Pat Mohoney vai sacar por que os patrões do selo DFA apostaram logo suas fixas no Hercules & LA.
O som é incrivelmente suingado e dançante, quente e sexy. Um belíssimo exemplo é "Blind", escrita em 2003, mas lançada apenas agora - é o primeiro single do disco.
Dá uma ouvida:
Blind
H & LA foi criado pelo DJ Andrew Butler. Nascido em Denver, Andy começou a tocar house e tecno aos 15 anos, em boates gays locais. Depois de se mudar para Nova York, ele redescobriu a disco e começou a ficar conhecido por seus sets de faixas de disco underground obscuras. Na sua residência Cazzo Pazzo, ele não apenas toca suas músicas do fundo do case, como convida outros DJs para fazer o mesmo, um pouco como acontence na Discology.
Mas voltemos ao disco, que tem produção de Tim Goldsworthy. Entre as participações mais marcantes estão os vocais de Antony Hegarty, mais conhecido por seu Antony & The Johnsons (do álbum "I Am a Bird Now") e da DJ Kim Ann Foxman, parceira de noites de Andy, que aparece no disco cantando.
Gostou da música? Então se prepara, porque tá confirmado. Hercules & Love Affair toca dia 18 de abril no Rio (clube 69) e no dia seguinte, no Vegas.
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.



