Tá, o que aconteceu foi o seguinte. Eu lá, no Vegas, dançando feliz, afinal, era anivesário do meu querido amigo Luca Lauri, que estava no som, e em seguida iam tocar o Bruno e a Eli, do Tetine, duplinha que eu amo, quando senti "aquilo".

Entenda-se por "aquilo" uma forte presença do velho carão. Se você é bem novinho, felizmente não conhece esse expediente, então eu vou explicar: nos anos 90, quem era alguém na cena normalmente fazia cara de paisagem para os outros mortais, mesmo que os conhecessem de vista. Resumindo: mostrar-se simpático, fofo, receptivo com estranhos era bem por fora.
Não tô falando que as pessoas não eram afetuosas entre si - ainda estamos falando da tal "cena"-, ao contrário, lembra, com o ecstasy chegando, a fofura era intensa entre os grupinhos.
Agora voltando ao Vegas, sexta.
Fazia um tempo que eu não ia à Strip Poker, a noite do Luca e da Liana. E foi lá, na pista, que eu senti a volta do carão. Gente conhecida fazendo a egípcia eu não aguento. Uma dessas pessoas eu até fui falar: "ué, você não lembra de mim?" ( o que é bem normal na noite, ninguém magoa). E a pessoa falou, "lógico, Claudia", e só faltou me cumprimentar com aquela mão mole tão comum à gente blasé.
Eu até chequei com outro amigo que tava lá, o Vitor Angelo, e ele também sentiu uma estranha e desagradável presença do mal clubber da década de 90.
Será esse um caso isolado ou estamos dando uma ré no quibe agora? Só faltava...
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.

Oliveros compilou em livreto dicas que aprendeu numa rave no Monte Sinai
Quem conhece o Ricardo Oliveros sabe a figura engraçada e cativante que ele é. Sabe também dos chochos de que ele é capaz. E quem não o conhece, mas frequenta as boates deste Brasilzão há anos, certamente já parou pra vê-lo dançar, sempre muito bem, bailarino que foi.
Na sexta-feira 7 de dezembro ele lança, com festa no D-Edge, o "Pista Chic", versão clubber dos manuais de estilo e comportamento. Ele não é a Gloria Kalil, mas quando o assunto é finesse na pista de dança, ah, não tem pra ninguém. Pudera. No lançamento de "Pista Chic" ele aproveita pra celebrar seus 43 anos de vida... e 30 anos de pista de dança. Aproveitei a troca de emails - ele me chamou pra tocar no coquetel, que honra! - pra fazer a seguinte entrevistinha:
Como surgiu a idéia de criar um manual clubber?
Pista Chic começou de brincadeira, em 2005, na época que eu tinha fotolog. Comecei a homenagear um monte de gente da cena, cada um representava fundamentos que eu acho importantes e que estavam se perdendo. Pode até parecer meio xiita, saudosista, meio pedante, mas não é. Regrinhas básicas de convivência bem-humoradas. É uma versão clubber dos manuais de estilo e comportamento. A versão que vou lançar na Freak Chic é pocket, com 10 fundamentos para carregar no bolso. Aproveitem porque estas dicas eu recebi numa rave no Monte Sinai.
Qual a gafe de clubbers desavisados que mais te incomoda. Lista outras top 5, por favor.
Gente sem noção de qualquer ordem: de educação, de convivência, de espaço. A partir disso temos os tipos mais conhecidos:
1. Repetentes do ensino básico: gente que se esquece das 3 palavras mágicas: por favor, me desculpe e obrigado. Elas também servem para noite. Da porta do clube à porta do banheiro.
2. Militantes do Movimento Sem Chapelaria : você está lá na pista e de repente, vem aquela bolsa e começa a bater em você. Mochila, então? Geralmente nunca estão sozinhos (as), vêm junto dos cabelos-chicotes, dos que queimam você com cigarro, dos que pisam em você com patas-de-bode.
3. Imigrantes: freqüentaram muitas raves em espaços livres e acham que o espaço no club é o mesmo e começam a pular, saltar e usar seus malabares imaginários. Surpresa: a pista de club é menor que um rave.
4. Íntimas da Silva: você está geralmente no bar ou no banheiro, e vem uma pessoa que você nunca viu na vida (ou não se lembra, porque clubber que é clubber tem memória curta) te abraça, te beija, e começa ficar íntima do seu drink. Um "oi, tudo bem? Sou fulano", ajuda muito. Esqueça a frase: "lembra de mim?"
5. Lexotans: o pior de tudo: dormir no clube. Sempre penso: antes do vexame completo, antes da queda, vaza. Tá com sono? Vai para casa. Gente que dorme na buati, é como um ralo por onde a vibe escoa. Não dá.
Como o pessoal vai estar podendo adquirir uma cópia do manual?
Ligando para 0800-69240-110 e digitando 1 se você é um youngster, 2 se você é véio de guerra... Brincadeira. A primeira edição vai ser distribuída gratuitamente (eba!) no dia 7 de dezembro na Freak Chic, na festa no meu aniversário. Com a lei Kassab que proíbe a distruição de flyers, não vamos conseguir distribuir em outros lugares, infelizmente. Então, a melhor coisa a fazer é ir lá no D-Edge (ou na Diédi, para os íntimos), e conseguir o seu. Vai ser uma festa daquelas! Convidei meus queridos amigos DJs e eles toparam tocar. Vai ter um coquetel para lançar o "Pista Chic" e assim inauguramos o verão oficialmente na Freak Chic. Eles vão fazer um back2back e têm projetos memoráveis na cena paulistana. No coquetel, tem a Claudia Assef (conhece?) da Discology X Daniel Cozta (Motronic), depois Pareto, Marcos Morcef (Freak Chic), da Máfia vem André Juliani x Paula, e encerrando a noite (dia?) Neue, com Spavieri x Atum.
Do jazz contemporâneo ao pula-corda das raves, que danças te chamaram mais atenção neste tempo todo?
Eu fico sempre impressionado com qualquer dancinha de pista. Mesmo antes do videoclipe reparou como de repente todo mundo passa a dançar parecido, seja aqui, em NY, Paris ou Tokio? Mas temos os clássicos como os funks originais da época do Chic Show, com toda pista dançando com os mesmos passos coreografados. Nos anos 80 tivemos várias, desde os desolados que dançavam contra a parede ao som dos Smiths, The Cure até dancinha meio robótica da new rave com Devo. Tem os B-boys de dança street, que para quem não sabe, Mau Mau era um expert no assunto. E o pogo? Todo mundo se batendo e incrível sem se machucar, no começo do Madame Satã? Tem o começo das almôndegas incentivadas pelo Mauro Borges e Bebete Indarte tanto na Nation quanto no Massivo. Gostava da energia do drum'n'bass, mas confesso que hoje já não tenho mais pernas para tanto. Eu adoro Vogue, que a Madonna espalhou, mas ver o Will Ninja considerado o pai da modalidade e que pertencia do clã do The House of Grace, é incrível. Numa noite destas o Gil Barbara me fez o desafio de dançar Nu Rave, e lá fui eu. Para cada vertente da música eletrônica sempre tem um passinho junto.
Qual é o tipo de DJ que te faz ficar definitivamente longe da pista?
Eu tive o privilégio de dançar para a maioria de DJs que amo nestes 30 anos. Quem me conhece sabe que eu entendo pouco de música, mas adoro uma pista. Sei dançando se o cara errou na virada. Agora, não é tanto a técnica que me atrai, mas odeio quando DJ cozinha o galo, segura a pista e não explode. Não estou falando de BPMs. É de DJ que não olha para pista, não se comunica com o público, que fica tocando para ele mesmo... Afe, fica tocando em casa, então!
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.



