
Os 80 minutos do documentário Favela On Blast não passam, voam. O filme sobre funk carioca que o DJ americano Diplo produziu e co-dirigiu, com direção do mineiro Leandro Hbl, estreou na Mostra de Cinema de São Paulo para pouca gente. Mas, certamente, quem viu não só se divertiu muito como saiu da sala com uma mensagem: o funk carioca independe de modinhas para sobreviver.
Passa longe de Favela On Blast a glamurização da pobreza ou da violência, clichê recorrente em documentários que retratam gente pobre. O filme adentra os morros cariocas onde o funk é mais presente como um convidado bem-vindo e não um intruso e mostra, através de personagens fortes, como o som é feito, em que é baseado e, em seguida, como é consumido.
Como numa mixagem perfeita, com passagens suaves de um tema para o outro, você é apresentado a figuraças como o MC Pana, que conta a odisséia que foi produzir seu primeiro "cripe" - este, segundo ele, foi parar na internet e rendeu "não sei quantas mil cópias" (?).
Ou o MC Colibri, uma espécie de Don Juan do funk carioca, que migrou do samba para o batidão e subiu de vida, a ponto de ser proprietário de uma senhora casa. Ou ainda o MC Gorila, que mandou fazer uma corrente pesando 1,7 kg, em que pendura um pingente com "o corpo do Hulk e cabeça de macaco". E tem ainda entrevistas e trechos de shows com nomes mais conhecidos, como Deize Tigrona, Sanny Pitbull, DJ Marlboro e Mr. Catra.
O filme não se esquiva de temas pesados, como a violência policial, a banalização do sexo e o tráfico de drogas na favela. Mas mostra esse cotidiano com a mesma naturalidade com que os moradores a encaram - não deixa de ser assustadora essa tranquilidade diante do caos, mas esse não é o ponto aqui.
Costurando o filme todo estão crianças, muitas, magrelas e espertíssimas. Não dá pra não fazer um "nhóóó" vendo aquela molecada feliz da vida, cantando, celebrando a vida, mesmo descalças e usando shortinhos puídos.
Com edição esperta, sensibilidade, bom humor e incrível intimidade com o tema, Favela On Blast merece muito mais do que ser classificado apenas como "o filme do Diplo", como eu fiz logo acima no título. Se vai entrar no circuito comercial, eu duvido muito. Tomara que saia logo em DVD e faça uma bela carreira na gringa.
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.




Parabens Leandro HBL e Diplo. Valeu!!!
Ja deu vontade de assistir.