Tá, o que aconteceu foi o seguinte. Eu lá, no Vegas, dançando feliz, afinal, era anivesário do meu querido amigo Luca Lauri, que estava no som, e em seguida iam tocar o Bruno e a Eli, do Tetine, duplinha que eu amo, quando senti "aquilo".

Entenda-se por "aquilo" uma forte presença do velho carão. Se você é bem novinho, felizmente não conhece esse expediente, então eu vou explicar: nos anos 90, quem era alguém na cena normalmente fazia cara de paisagem para os outros mortais, mesmo que os conhecessem de vista. Resumindo: mostrar-se simpático, fofo, receptivo com estranhos era bem por fora.
Não tô falando que as pessoas não eram afetuosas entre si - ainda estamos falando da tal "cena"-, ao contrário, lembra, com o ecstasy chegando, a fofura era intensa entre os grupinhos.
Agora voltando ao Vegas, sexta.
Fazia um tempo que eu não ia à Strip Poker, a noite do Luca e da Liana. E foi lá, na pista, que eu senti a volta do carão. Gente conhecida fazendo a egípcia eu não aguento. Uma dessas pessoas eu até fui falar: "ué, você não lembra de mim?" ( o que é bem normal na noite, ninguém magoa). E a pessoa falou, "lógico, Claudia", e só faltou me cumprimentar com aquela mão mole tão comum à gente blasé.
Eu até chequei com outro amigo que tava lá, o Vitor Angelo, e ele também sentiu uma estranha e desagradável presença do mal clubber da década de 90.
Será esse um caso isolado ou estamos dando uma ré no quibe agora? Só faltava...
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.





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