Imagina a cena: um tiozinho, vestindo short elite (lembra?), camiseta e um avental de cozinha por cima, manuseia altos produtos químicos numa espécie de tanque de lavar roupa, com as mãos protegidas por uma luva destas amarelas, domésticas.
Não, ele não está tentando tirar uma mancha de molho de tomate da camisa. Ele é o galvonoplasta da Poly Som, guerreira fábrica de vinis em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. Ele é o responsável por banhar de químicos a madre - a matriz que mais tarde servirá de molde para a prensagem dos vinis.
Ninguém me contou, eu vi a cena. Estive lá em 2001, fazendo uma matéria pra Ilustrada. Esta cena grudou de volta na minha retina hoje, quando vi a notícia no G1: "Ministério da Cultura estuda dar incentivos tributários da Lei Rouanet à Poly Som".
Tá aqui um trecho da notícia:
"Um projeto do Ministério da Cultura pode evitar que a única fábrica de vinil do Brasil - a Poly Som, de Belford Roxo, na Baixa Fluminense - feche as portas. Enfrentando dificuldades financeiras, a empresa pode receber incentivos fiscais da Lei Rouanet para evitar que a produção do LP não desapareça de vez do país."
Bom demais se for verdade. Porque eu nunca vi gente tão guerreira na minha vida. Primeiro que a fábrica tá instalada num dos locais mais remotos da baixada fluminense. Sério, foi difícil conseguir um taxi que topasse me levar até lá.
Segundo que eles realmente trabalham em condições muito precárias. Além do galvonoplasta, só há mais dois funcionários: o William, mocinho responsável pelo corte, e uma secretária.
Tô torcendo pra que este filme termine com final feliz :-)

Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.



