Acabou o Halloween, passou o Dia de Finados, mas parece que o clima de horror não vai voltar pra tumba tão cedo. Por que não sei se vocês perceberam, mas além de rock'n'roll, a moda anda passando por uma fase meio ZUMBI-CHIC.
É um tal de roupas rasgadas e maquiagem pálida pra tudo que é lado, que de repente ter um lado DARK virou COOL de novo.
Coincidência ou não, vários designers e labels andam se arremesando nas referências macabras.
E as rainhas do horror fashion são as irmãs californianas Kate e Laura Mulleavy do label Rodarte. Depois de se formarem (em artes plásticas e literatura - nenhuma estudou moda), as duas passaram um ano dentro de casa assistindo filmes de terror, até o dia em que resolveram vender sua coleção enorme de discos pra bancar os primeiros vestidos (que história ótima não?). Enquanto as primeiras coleções foram uma série de longos românticos e diáfanos, não demorou muito pras influências tenebrosas vagarosamente se infiltrarem nos desenhos das meninas, e no inverno de 2008, Rodarte explodiu no universo fashion com uma coleção inspirada em filmes de terror japoneses. Vestidos flutuantes pareciam manchados de sangue, meias e tricôs apareceram desfeitos e puídos como se a mocinha (ou monstrengo) tivesse corrido no meio de uma floresta assombrada.
O que veio depois só continuou no caminho do sinistro - mas absolutamente original - culminando com a brilhante coleção de primavera-verão 2010 (abaixo): uma fábula obscura onde as mulheres Rodarte ressurgem de uma guerra no Vale da Morte e reconstroem as próprias roupas com sobras e ruínas - uma coisa destruição-glamour.

Por aqui, o moleque Gareth Pugh despontou no cenário fashion com a fúria de um hellraiser em 2005, criando looks mais apropriados para uma cena de Alien ou Resident Evil do que butiques de madames (de fato, até recentemente, Pugh não tinha vendido uma peça sequer, e foi obrigado a a maneirar no teatro a favor do sucesso comercial). Muito preto e monocromático, formas futuristicas e ao mesmo tempo góticas, Pugh é o mais novo queridinho britânico a tomar conta das passarelas parisienses, consequentemente influenciando o resto do mundo.



E acabando de sair do forno (ou do fogo dos infernos, se é pra continuar com o tema) é a a assistente de Pugh, Gemma Slack, que acabou seguindo os passos de seu chefe fazendo seu debut cheio de couro dark em formas de vértebras. Também a holandesa Iris Van Herpen, com criações intricadas que lembram de múmias e Jason de Sexta-Feira 13 ao mesmo tempo.


E claro, tem ainda os vampiros que dominaram todas as artes esse ano - e a moda não escapou intacta. Mas isso fica pro próximo post. Por enquanto, deixo com vocês a mais nova capa da Vogue Nippon de dezembro, que fala por si mesma. Apavorou?
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Parece que fakes, quem diria, continuam tendo seu momento fashion esse ano. Depois dos logos DIY, cool mesmo agora é ter fake tattoos - só que em vez de sair das ruas, esse micro-trend vem direto das passarelas.
Nessa última temporada Rodarte desenhou a caneta tattoos Maori nos braços das modelos, Gaultier se inspirou nas culturas de rua e Chanel - ah, Chanel - botou decalques das icônicas correntes e pérolas típicas da marca nas pernas e pulsos das modelos.
O The Clash, sempre na frente CLARO, teve seu momento fake tattoo de canetinha a alguns meses atrás, e já estamos devidamente nostálgicos pelos *tatuadores de rua* que costumavam desfalcar turistas em cidades de praia. Marcas de chiclete que tenham decalques interessantes também são bem-vindas. Será que a Ping-Pong envia pra Europa? :P
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.













