Salve, companheiros do rraurl! A titia aqui some, mas sempre dá um jeito de ressurgir das cinzas, hein? E desta vez, comecei esse post direto de terras verde-amarelas, ainda que no final de outra curta estadia – vim a trabalho, e já estou na gringa outra vez, ansiosa pela temporada de festivais que começa agora em junho. Afinal, quer desculpa melhor pra mandar ver no modelón do que ver bandas debaixo de chuva, vento, lama e cerveja quente? Ah, as delícias do verão britânico....
Mas enquanto eu não chego lá, as coisas andam pegando fogo no Braseew! Semana passada teve Casa dos Criadores, cabou de acabar o Fashion Rio, esquentam os tamborins da SPFW... que aliás, não foi, tipo, ONTEM em janeiro? Coitado dos estilistas que tem que aprontar coleções nesse prazo bondoso (o que explica certos resultados, néam?) Mas nem vou falar sobre desfiles porque tem blogs e sites suficientes fazendo isso a exaustão (apesar de que nem todo mundo fala a VERDADE – como bem apontou o estilista curitibano Jefferson Kulig , e nós dizemos AMÉN.)
O que eu queria falar MESMO é que existe esperança no Brasil - gente talentosa, espirituosa e com atitude rock’n’roll.
Felipe Caprestano é um desses seres iluminados (HALLELUYA). Daqueles que cria, com as próprias mãos, outfits absurdos em casa horas antes de tocar em uma festa no interior de Santa Catarina, simplesmente porque NÃO EXISTE a mais remota possibilidade de diversão sair de jeans e camiseta. Daqueles que busca um saco de roupas doadas em uma loja de caridade em Londres, reforma tudo e devolve, pra sorte de algum felizardo fashion. Daqueles que rema contra a maré só pelo prazer de chacoalhar o establishment.
Depois de uma recente temporada em Londres, Felipe voltou - claramente insatisfeito com a falta de criatividade nacional – e resolveu aplicar seus dotes ao projeto Face Couture. A idéia é criar uma coleção de máscaras inspirada em roupas e documentar todo o processo criativo através do blog, das referencias ao sample final – e ele ainda transmite ao vivo por vídeo-streaming toda a action, incluindo os editoriais pós-criação. Até agora, o resultado é no mínimo mind-blowing – questão de tempo até Karen O encomendar as suas.
Em entrevistinha rápida, Felipe fala com exclusividade sobre desordem, desapego e desconstrução.
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Primeiro, conta um pouco sobre sua história. Como e quando você começou a criar / costurar?
Minha família tem uma confecção, então desde sempre eu estive inserido nesse ambiente. Aos 18 anos comecei minha própria marca, a Dizhum, com a qual trabalhei por cinco anos e acabou me abrindo diversas portas, me levando a trabalhar com outras marcas e estilistas. Recentemente trabalhei com a Romeo Pires, que desfila na London Fashion Week.
Como surgiu a ideia do projeto? quantas máscaras serão feitas?
Fazia muito tempo que tinha vontade de fazer uma coleção de máscaras, desde que peguei algumas camisetas há uns três anos atrás e construí duas máscaras com elas. No início desse ano voltando de uma temporada em Londres achei que seria o momento certo de começar. Queria as máscaras e queria falar de roupas/exercitar ao mesmo tempo, então foi uma maneira que encontrei de unir as duas coisas. O blog documentando o desenvolvimento da coleção foi uma consequência. Sabe quando você está trabalhando sozinho e fica falando consigo mesmo só pra se escutar e tudo fazer mais sentido? O blog é uma versão pública e de longo alcance disso. No início não sabia qual o tamanho da coleção, mas agora estou pensando entre 20 e 30 máscaras.
Você comenta em um post que fica nervoso em relação a dividir informações e
referências (eu tb sinto isso). Como tem sido a experiência até agora?
Fico muito. É um exercício de desapego conceitual todos os dias! Mas tem sido ótimo porque com isso estou conseguindo, de certa forma, prolongar a vida útil dessas idéias. Hoje você passa meses trabalhando em um projeto e quando apresenta pro mundo as pessoas não perdem mais que cinco minutos olhando e já partem pro próximo. Abrindo o meu processo criativo eu estou começando a receber uma reação em troca desde já.
Suas inspirações são bastante rock'n'roll. Música influencia muito o seu trabalho?
Demais. Acho que todo trabalho visual é influenciado, em mais ou menos intensidade, pelo que você esta ouvindo enquanto cria. Nem que seja pelo silêncio.
Você fez um editorial e transmitiu ao vivo pela internet. Quais as próximas
cartadas? Vai rolar outro?
Certamente irei fazer outros. Esse primeiro foi ótimo, mas não sabia muito o que esperar. Quero explorar mais esse recurso!
Tem a intenção de criar um projeto similar com outros tipos de peças?
Tenho sim. Pretendo levar esse conceito work in progress a diversos trabalhos que eu fizer daqui pra frente, em escalas diferentes é claro.
Qual sua máscara favorita até agora?
The Clowny Mask! Consegui ali uma boa síntese entre máscara e roupas e comecei a ver muito mais possibilidades. E também devido a minha queda por palhaços.
Vai ser possível comprar suas máscaras at some point? ou vc tem a intenção de criar pra comercializar?
Não pretendo comercializar não. É um projeto totalmente conceitual e todas as peças são únicas. Até porque não acho que máscaras serão o hit da próxima estação (rs). Mas se houver interesse em compra, será possível sim.
E eu sei que vc tb e' DJ, então, faz um playlist pra gente do que vc anda escutando pra inspirar essa coleção!
Depois da overdose de Joy Division que eu tive, preparando a produção do último editorial "Disorder", tenho ouvido direto o "Daydream Nation" do Sonic Youth. Para costurar adoro Ssion, Chicks on Speed e Klaus Nomi.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.



