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Conclusões Tiradas do Guia de Estilo Inglês de Luella Bartley
22.01.11 20:572 comentários

Esse post (LONGO) vem cortesia de outro livro que eu li nessa virada do ano, e foi inspirador: Luella's Guide to English Style - um guia de estilo inglês compilado por uma das designers mais legais que apareceram, e infelizmente quebraram, na Inglaterra nos últimos tempos, Luella Bartley.

 

 

São vários os tópicos que deixaram minhas papilas gustativas fashion salivando (só no top 10 de maiores estilosas inglesas da moça tem PJ Harvey, Poly StYrene e Justine Frischmann do Elastica... \m/), mas um que ficou martelando na minha cabeça foi o capítulo sobre classes sociais.

 

Ah. O elemento existencial e metafórico (leia-se status) que difere, e ao mesmo tempo une, o Reino Unido ao Brasil.

 

Aqui na Britânia, fazer parte de uma determinada classe é algo que não depende de dinheiro, e raramente aquele que pertence a uma mudará pra outra. A teoria é que uma vez working class, always working class, não interessa o quão profundo seus bolsos se tornaram. O mesmo vale pra aristocracia, que pode ficar pobre de uma hora pra outra, mas terá o mesmo senso despreocupado de tradição e apatia.

 

Mas existem três fatores que conseguem derrubar as paredes sociais: criatividade, talento, e, AHAM, estilo. As escolhas do seu guarda-roupa são a maneira mais imediata de mostrar suas influências culturais, e por direta associação, seu faro criativo, aquele que eventualmente te desliga de qualquer conexão social, seja ela inferior ou superior. Exemplos diretos disso? Alexander McQueen (filho de taxista), Vivienne Westwood (professora primária), David Bowie (filho de proletários), Amy Winehouse (também filha de taxista), e por aí vai.

 

Já no Brasil, mobilidade social parece ser a última tendência: em tudo que é matéria sobre economia só se fala da classe E que virou D, que virou C, que até 2015 vai virar A++. O que obviamente é excelente pra um país com um histórico de crises financeiras.

 

Mas quando o assunto é imagem (ou estilo, moda, aparência), toda essa mobilidade acaba fazendo um desserviço as classes que podem se dar ao luxo de pensar no assunto. Conseguir avistar no horizonte a possibilidade de uma vida diferente daquela que se vive gera também a vontade de ser visto como alguém que pode pertencer, ou já pertence, àquela classe almejada. Ao invés de se criar a própria persona com o intuito de fugir da condição  que se vive, prefere-se seguir o padrão e tentar se encaixar no molde. A consequência? Insegurança permanente e um complexo de inferioridade embutido que acabam se refletindo em todos os aspectos, inclusive no estilo.

 

A classe média brasileira, em especial, tem o hábito irritante de fazer um esforço absurdo pra parecer aquilo que não é por medo do julgamento alheio. Além de tentar eternamente parecer que é financeiramente mais confortável do que realmente é (cabelo liso e escovado! unhas perfeitas! cirurgia plástica! o jeans que custa mais de mil reais! tudo isso em 197453729 parcelas de R$2.99), os "medianos" estão sempre buscando *inspiração* no que vem de fora pra validar as próprias escolhas, como se ser fiel ás próprias raízes fosse motivo de vergonha. O resultado disso tudo é um enorme carrossel de mediocridade, rodando num eterno loop de deja-vus, disfarçado de estilo. Toda compra - do tênis Nike ao Iphone - vem com uma placa de aviso imaginária com os dizeres "Eu sou MELHOR que você." E nunca é verdade, já que todas essas escolhas similares acabam por criar uma enorme massa homogênia de consumistas entediantes e entediados.

 

Assim no Brasil uma pessoa com estilo de verdade, com criatividade e caráter pra se vestir da maneira que melhor interpreta seus interesses e estado de espírito, vira uma em um milhão.

 

 

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todo bairro classe média brasileiro tem um grupinho de "estilosas" como esse.

 

 

 

 

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um encontro de "blogueiras" fashion brasileiras

 

 

A classe média britânica também sofre do mesmo problema de insegurança que a brasileira hoje em dia, e por isso vemos por aqui também muito mais mediocridade do que originalidade, em termos de moda. Consume-se demais, do mesmo, e cria-se de menos. Nessa era de internet e informação ampla, de redes sociais e bordas entre países praticamente invisíveis, todo mundo está mais preocupado em ser aceito pelo establishment (ganhar aquele "LIKE" no facebook é essencial), do que ficar alienado por ser verdadeiramente original. O mais interessante é que exatamente o fato de se ser alienado, rejeitado, mal-visto, ignorado, são fatores que mais contribuem pra gerar talentos e ícones, já que tornando-se diferente é a maneira mais rápida de se fugir do julgamento social.

 

E essa é a diferença entre uma nação e outra: ser diferente e original é algo a ser celebrado na Inglaterra. No Brasil, é motivo pra ser ridicularizado.

 

Luella resume bem em uma frase aquilo que falta a todos nós medianos: ter classe - ou ser cool - está diretamente ligado com a falta de preocupação e esforço que se faz por obtê-los. Como ela diz na página 301, "Individualidade é o que importa no fim das contas. Caráter (no sentido de personalidade) sempre supera classe social. Na Inglaterra, pode-se conseguir qualquer coisa desde que se tenha um personalidade, um personagem extremamente único, e facilmente identificável, quaisquer que sejam as raízes sociais. Ser lúdico, irreverente, notável, são mantras úteis."  

 

 

TO BE CONTINUED... (no próximo post, a diferença GRITANTE entre os símbolos de status sociais entre o Brasil e a Inglaterra).

 

 Thais Mendes (glittah)
Thais Mendes (glittah) (glittah @ gmail.com)
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.