Ai ai ai. Faz tempo que eu não dou as caras por aqui, huh?
E um mês no calendário fashion é algo como, let's see, 1 ano-luz no calendário mortal. Foi o Natal, o Ano-novo, Janeiro inteiro e com eles o Rio Fashion, São Paulo Fashion Week, as coleções Resort ou pré-Outono, a Alta-Costura na França e as coleções masculinas em Milão. AJA CAPACIDADE MENTAL pra tanta informação sartorial hein? E mal vai dar pra respirar, porque esse fim de semana já começa a New York Fashion Week, dando a largada a um mês interminável de desfiles em Londres, Paris e Milão... phew!
Mas obviamente no Brasil ninguém vai estar nem aí pra roupas (até porque ouvi falar que tá fazendo um calor EGÍPCIO por aí), porque é nesse finde também que se dá início ao abuso-hedonístico-sequencial-sem-culpa (merece itálico, negrito e sublinhado) ou aquela atividade mais tradicionalmente conhecida como Carnaval. E você já pensou... com que roupa você vai?
"WHO CARES?", você me responde, calculando que altas tempreraturas + uma semana de festa = pele á mostra². Mas eu retruco "calma lá meu querido", porque, believe it or not, moda tá TÃO na moda esses tempos que até virou tema de samba-enredo.
Como ninguém pensou nisso antes vai além das minhas próprias sinapses, mas esse ano a escola de samba Porto da Pedra pensou tanto com que roupa ir que resolveu dedicar um desfile inteiro a história fashion - com direito a figurinos bafíssimos criados por ninguém menos que os todo-poderosos da moda brazuca Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura, e Oskar Metsavath aka Mr Osklen. As fotos já saíram num editorial fantástico da revista Mag! mês passado, e o styling é tão bom que se ninguém tivesse me explicado que tais criações são fantasias de carnaval, eu aceitaria sem pestanejar que elas saíram do projeto final de algum formando da Central Saint Martins (e estariam em breve a caminho do guarda-roupa de Lady Gaga...ou Bat For Lashes, if you know what I mean).
F-A-N-T-A-BO-L-O-U-S, não? Mais ainda é a sinopse publicada no site da escola, onde se lê a seguinte pérola:
"Quando falamos em moda na pré-história a primeira imagem que nos vem à mente são os Flintstones, que nos leva a fantasiar que naquela época tudo era “fashion”, divertido."
Ah, brilhante.
Se você, ó querido fashion fan, estiver como eu bodeado em casa (ou de ressaca) na segunda que vem as 10 da noite e não se deixar afetar pelo fato de que Max Fivelinha estará representando um Luís XIV versão drag no carro BARROCO (decorado com páginas de EDITORIAIS - how genius is THAT), então esse desfile vai ser um ótimo entretenimento. E um break do excesso de silicone que certamente vai dominar a sua televisão nos dias que seguem.
Divirtam-se por mim.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Perdão pelo sumiço, queridos, mas estamos em preparação pra uma temporada de 40 dias na terra do samba (yes \o/), e compromissos se acumulam.
Mas enquanto as malas continuam por fazer, estive passeando por blogs brazucas e vi alguém dizendo por aí que "correntes são as novas tachinhas." Well, well, pode ser que sim, mas se é pra continuar nesse ritmo rebelde-chic, então vamos já dar um passo a frente e prever o próximo trend. Aí vai:
CABELOS são as novas correntes. Cabelos Humanos, no less.
Já até consigo ouvir os gritinhos de asco reverberando entre os círculos non-fashion (e as piadinhas do tipo "esqueceu a depilação, gata!"), mas como em tudo nessa vida que entra e sai de moda, não há nada a ser feito a não ser se acostumar com a idéia.
O que me leva a pergunta, e provavelmente á *RAÍZ* da questão: se podemos nos adornar em peles e pêlos de animais sortidos sem contorcer nossas feições em rejeição, por que raios o aspecto de cabelo humano nos trás aversão? Afinal, fios de gente não são lá tão mais distintos do que uma crina de cavalo (apesar de quê ainda não avistei ninguém vestindo rabos de cavalo DE VERDADE, mas hey, não deve faltar muito), e quem nesse mundo não adora passar os dedos em madeixas SEDOSAS? A diferença é que em vez de estar na cabeça, as melenas estão costuradas em ombros, sapatos e barras de saias. Diferença nenhuma de colar extensões no couro cabeludo - ou não?
É assim, acho eu, que deve estar funcionando o cérebro de designers mais conceituais que estão a algumas temporadas experimentando com cabelos-de-vestir. A maison francesa Martin Margiela, sempre anos-luz a frente de nós meros mortais, fez ano passado, um casaco de perucas loiras que foi parar, entre outros lugares, nas capas das bíblias fashion V e Purple do verão 2009, e nos ombros do ícone fashion com a maior longevidade ever, a Barbie.
Na mesma época, outra cabeluda francesa, a dama Sonia Rykiel, repetiu a façanha em um desfile bem-humorado celebrando 40 anos de sua marca registrada ruiva. Duas idéias iguais na passarela fazem uma tendência? Talvez.
Obviamente, nem todo mundo têm a manha de bancar a macaca por aí, e outros designers foram mais sutis. A russa Alena Akhmadulina (também na foto que abre esse post) foi mais chic colocando aqui e ali mechas coloridas em sua coleção ss09, assim como o participante da sexta temporada do Project Runway (que eu não vi) Chris March, que aparentemente causou a maior polêmica quando usou cabelo como - literalmente - franjas nas roupas.
Tem que ter uma certa veia dark pra gostar desse tipo de ornamento. Se como eu você acha que as criaturas cabeludas dos filmes "O Chamado" e "O Grito" têm um certo, ahm, charme, então provavelmente você não vai desconsiderar acessórios como esse colar de caveiras e cabelo do japonês Aoi Kotsuhiroi, nem o (LINDO) sapato cabeludo do gênio Nicholas Kirkwood. É quase como usar... penas?
Mas ei, ninguém está dizendo que brasileiros vão sair por aí colando as sobras daquela ida ao salão nos ombros. Mas se como minha amiga D., que disse "desculpa aí, mas não me APETECE", você também têm ojeriza a idéia, ainda pode pelo menos apreciar a audácia de gente como o cabelereiro francês Charlie Le Mindu. Estourando nas duas últimas London Fashion Weeks, o moço têm transformado cabelo em criações estupendas (e bastante perturbadoras) que têm feito o maior sucesso como figurinos em palcos e vídeo clips por aê, inclusive no último da sempre controversa Peaches, abaixo.
Então, vou ali brincar com a tesoura. Wish me luck.
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Eu juro que eu tento não ser uma daquelas pessoas que moram fora e acha que tudo o que acontece no Brasil é ruim. JURO. Mas fica difícil manter o espírito fraternal quando um dos eventos fashion mais interessantes do mundo vai pro Rio de Janeiro e vira uma ODE ao mau-gosto.
A começar pelo line-up de artistas, que mais parece uma paródia de uma premiação americana de 10 anos atrás: Mariah Carey, Sean P. Puff Daddy Combs (é assim que ele se chama agora, não?), Ja Rule, Ciara, Estelle... O povo do RnB continua essa luta fervorosa pra conseguir a aprovação do universo fashion - e sem a presença dos mais disciplinados deles, Kanye West e Rihanna, o evento virou um desfile de estereótipos cansados.
As provas?
Mariah Carey, estourando dentro um vestido dois tamanhos menores e QUASE dando uma de Janet Jackson no Super Bowl, foi a trilha sonora do desfile da Calvin Klein, uma marca famosa pelo minimalismo sofisticado. Não seria mais apropriado unir a diva do RnB com o templo da opulência fashion que é a Versace? Não - nesse caso, o escolhido foi o multi-talentoso Daddy Combs.
E olha que inteligente: Sean Puff resolveu RESSUCITAR seu hit mais famoso (eu não podia usar outra palavra), aquele em homenagem ao rapper assassinado Notorious B.I.G., pra honrar outro assassinado injustamente, o estilista Giani Versace. Que bonito né? Donatella deve ter chorado cristais Swarovsky.
A preguiça criativa se espalhou pra tudo que é lado, até em quem a gente sempre mantém a fé: Marc Jacobs mandou pra passarela sua coleção retrasada, a de outono/inverno baseada nos anos 80 que todo mundo vestiu e já cansou (agora o último grito é os anos 90 lembra?), e Grace Jones, a única esperança de emprestar um resquício de credenciais COOL ao evento, nem se deu ao trabalho de mudar a performance que fez na versão britânica do evento em...2003!
No red carpet, as celebs brazucas reforçaram aquela imagem de Hollywood de terceiro mundo, sem o benefício de uma stylist: muita pele a mostra, curvas e bronzeados em excesso. Nem Alessandra Ambrósio, que mora em LA e já frequentou eventos suficientes pra saber como as coisam funcionam, escapou da maldição carioca e posou em look off-duty de barriga de fora. As que OUSARAM não parecer excessivamente sexy, foram TÃO comportadas que pareciam ter 20 anos a mais. Narcisa Tamborideguy, Mariana Ximenes, Carolina Ferraz, e Princesa Paola usaram modelitos mais apropriados pra uma reunião de senhoras de condomínio.
E isso é SÓ o que eu consegui ver na cobertura fantástica que rolou online - NOT. No site oficial do evento os vídeos travam, as fotos distorcem, e tem mais ênfase no Latino e uma tal de Mirela (é homem ou mulher?) do que nos desfiles e nas roupas em si. Pobre dos estilistas brasileiros, que esperavam uma divulgação internacional maior (afinal Jacobs, Donatella e Ricardo Tisci devem estar se lixando; eles já tem mídia suficiente).
Tenho certeza que os desfiles brasileiros foram excelentes - do pouco que eu vi teve arranjos de pena fenomenais nas cabeças das modelos da Lenny, que mostrou swimwear moderna e sexy sem ser apelativa ou vulgar, e coordenações de cores vivas no show do André Lima. O resto, só Deus sabe.
Então a gente fica no aguardo. Ou não. Deixa pra Katylene se divertir, porque ela vai ter material aí pra uma semana de posts.
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E isso agora é culpa da Louis Vuitton. Pois a tradicional maison francesa, quem diria, mostrando grande senso de humor desde que o atrevido Marc Jacobs tomou-lhe as rédeas (afinal, só ele pra PIXAR em cores neon as famosas bolsas com monogramas duas estações atrás), botou suas modelos desfilando de orelhas de coelho na passarela de outono/inverno 2009.
"Rá-rá, esse povo fashion é engraçado mesmo," pensamos com nossos botões, certos de que tal acessório é apenas um artifício de passarela e jamais vai sair de lá.
Daí Madonna resolve comparecer ao MET Costume Institute Ball (a.k.a. o evento de moda mais importante do ano) portando as tais orelhas.
"Putz, mas é a Madonna né. Ela pode usar tudo, mesmo que com esse outfit pareça uma cougar", continuamos nosso raciocínio sartorial, certos de que tal acessório jamais sairá de tais eventos.
Daí, uma certa chapelaria francesa, Maison Michel, produz dois singelos par de orelhas rendados, um de coelho e outro a la mickey mouse. E a tal das orelhas foram parar em tudo que é editorial e capa, pra não falar na cabeça de meio Hollywood e MTV (adivinha se Lady Gaga não iria ser uma das primeiras a adotar).
Foi o suficiente pras tais orelhas pipocarem em festas, blogs e ruas aleatórias.
Depois de lingerie a mostra, botas na altura da coxa e transparências em geral, o que isso significa? Que o mundo está finalmente pegando dicas de moda de strip-clubs e capas de revista masculinas? Hugh Hefner deve estar rindo a toa.
Esse blog obviamente prefere ter referências mais culturais do que coelhinhas da Playboy, e tirando a dica do filmes apocalípticos e nihilistas Donnie Darko e Gummo (e fazendo homenagem a Tim Burton e sua nova versão de Alice no País das Maravilhas), resolvemos experimentar um par de orelhas de pelúcia emprestados da minha amiga D. (sobra de uma festa de despedida de solteiro) e sair pelas ruas de Londres em plena hora do rush.

É claro, que sem o glamour das rendas francesas, nossas referências culturais foram pouco compreendidas - e após a foto, as orelhas voltaram para o limbo dos acessórios sem sentido, de onde dificilmente sairão tão cedo.
Será que uma da Mickey Mouse funcionaria?
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Esse blog tentou, tentou e tentou ignorar a furacão de latex que é a Lady Gaga, mas ela foi mais forte. Depois de SANGRAR no palco em pleno VMAs, e aparecer semi-nua dentro um macacão de renda na festa pós-show do Marc Jacobs, ficou IMPOSSÍVEL não comentar sobre as vestimentas da moça.
Lady Gaga faz o conceito de "escolha arriscada" parecer um mero eufemismo pra quando você não sabe qual marca de feijão comprar no mercado. É um nível muuuito além do imaginável no mundo de Swarovskys beges das celebridades que pisam em tapete vermelho - é um tipo de egocentrismo que talvez nem Demi Moore consiga entender. E como esse blog se especializa em escolhas arriscadas, não nos resta nada mais a não ser aplaudir a bravura dessa cantora, cujo ícone fashion é Donatella Versace e cuja ambição é ser o próximo David Bowie. (Nunca pensei que fosse unir esses dois nomes numa frase só. Mas tá escrito aqui ó).
Bizarro, retardado, fora-da-casinha, ou não, alguém aí tem coragem de dizer que não é original? Pena que ela não gasta o mesmo tempo e energia pensando na música também né? Ninguém é perfeito.





Por que a falta de originalidade leva a isso:

(pobres Pink e Shakira, ambas usando o "label do momento" Balmain. Até a brazuca Uanessa Camargo usa Balmain, negas). Como se não existisse gente suficiente nesse mundo produzindo moda. Argh.
Agora fica a pergunta: será Lady Gaga a nossa próxima Madonna (já que não Bowie :P)? Se a diva do pop continuar aparecendo em premiações vestida assim, só nos resta erguer as mãos pro céu que Gaga surgiu.

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Agora, eu tava BRINCANDO no post anterior que a loira era responsável pelo retorno do maiô (ou bodysuit), mas de repente o universo resolveu conspirar a favor. Ou meus olhos me enganam (afinal, estou sem meus óculos esses dias - as palavras na tela não são mais que manchinhas pretas), ou essa é mesmo a LILY ALLEN de body branco no Bestival? A gente já se acostumou com Beyonça e Madonna de pernas e bunda de fora, mas Lily Allen? Who's next, Beth Ditto? (ops acho que essa já foi também).


Lady Gaga, é claro, é a rainha do look "esqueci as calças". Só esperamos que isso não vá parar nas ruas - como fez a modelo Daisy Lowe a não muito tempo (abaixo). As dificuldades práticas de um look desse são ENORMES.



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Sou só eu, ou parece que a modéstia feminina vai finalmente sair do armário?
Acho que desde a época da fase Blonde Ambition de Madonna não se via tanta lingerie a mostra. Menos teatrais e pontudas que as versões de Jean-Paul Gaultier pra cantora, tenho visto aqui e ali inúmeros corseletes, bodys, sutiãs, camisolas e nada mais, nada menos que cinta-ligas perambulando pelo mundo virtual e pelas ruas - e tirando um ou outro pervertido de plantão, quase ninguém pisca o olho em aversão.
Essa é provavelmente' a primeira vez que a cinta-liga deixa de ser território de strippers, góticos, noivas e mulheres com intenções óbvias (além de um item de praticidade pra quem usa meia 7/8 embaixo do vestido), e virando uma espécie de acessório como um cinto. Sempre relegada a situações mais, ahm, específicas, pelo apelo altamente sexual, isso é certamente umas das novidades sartoriais urbanas mais interessantes a surgir nos últimos tempo.
Esse blog, claro, é absolutamente fã da exposição dos suspenciórios de perna (é, não é?) e outros items cheios de renda e armações, puramente pelo fato de que ainda existe um tabu que associa lingerie aparente com inúmeros pré-conceitos machistas (pra não dizer convites a cantadas e piadas xulas) - e me parece inaceitável hoje em dia uma mulher limitar suas escolhas de trajes por medo de provocar aproximações inadequadas de estranhos. Como disse Madonna a mil anos-luz em 1985 quando criou a célebre combinação de corselete branco e saia rodada pro vídeo Like a Virgin, "não preste atenção nas roupas - na lingerie - que eu estou usando. A afirmação que eu estou fazendo é que é possível ser sexy e forte ao mesmo tempo."
Enquanto designers sempre dão um jeito de incorporar a underwear feminina em suas coleções (ninguém foi mais genial que o inglês Richard Nicoll com sua pallete nude da coleção AW09, fotos abaixo), marcas mais independentes como a australiana Black Milk aos poucos tem se antenado e já se vê leggings com fake ligas e corpetes estruturados a venda.
Mas como sempre, a blogolândia tem sido fantástica quando a idéia é misturar lingerie com outras peças do guarda-roupa, e o resultado, por mais sexy que seja, tem um lado rock'n'roll, cheio de atitude, que é a intenção por trás de uma escolha tão risqué. Por que, querendo ou não, tem que ter BOLAS pra ser tão feminina.
Sendo assim, resolvi fuçar na minha gaveta de, ahm, underwear, e fazer uma teste com as peças que NUNCA viram a cor do sol. A cinta-liga virou um suspensório de botas...
A camisola virou um top comprido semi-transparente, pra tirar a seriedade do blazer.
Outra idéia mais grunge pro corpete com ligas, com camisa de flanela do namorado...
E outra idéia pra camisola, com casaco militar e leggings.
E essa foi a minha combinação favorita, com body de renda mais corset de armação por cima de uma calça masculina e um bolero infantil
(fotos da queen michele, luxirare, foxyman, blackmilk)
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Eu não sei vocês, mas eu tenho pena de jogar roupas fora. Obviamente roupas enjoam, e de uns tempos pra cá, toda a vez que eu olhava pro meu armário (ou mehor, arara - eu não tenho guarda-roupa, gosto de ter tudo á vista) eu via um número enorme de peças que eu carrego a anos por sentimental value e nunca uso. Até o dia que eu tive uma crise e resolvi fazer uma limpa, separando todas essas peças em duas pilhas : pra doar e pra atualizar. Sem pena, sem medo de ser feliz.
Assim as que não foram parar na lojinha de caridade, entraram na faca - ou melhor, no alvo do seam ripper (não sei o nome em português. Algo como rasgador de costura. O google traduziu como "estripador de costura." Achei o máximo. Foi mais ou menos esse o espírito que usei nas peças abaixo.) Resolvi copiar alguns dos meus designers favoritos, e apesar de não ter sido a idéia mais simples e rápida do mundo, foi fácil de sentar na frente de um filme ou no odioso transporte público Londrino e cometer homicídio fashion.
DIY 1: Tricô desfiado.
A inspiração pra esse veio da californiana Rodarte, da coleção inspirada em filmes de terror japonês. Muito apropriado pra essa tarefa. Simplesmente peguei o *estripador" e desfiz uma fileira perto da barra. Daí é só ir puxando com a mão até abrir tudo em várias direções.
E na foto ele foi usado de trás pra frente (clique nas fotos pra ver o detalhe)
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DIY 2: Jeans patchwork
Esse obviamente não foi só no *estripador,* teve um pouco mais de trabalho. Inspirado na coleção que nem saiu ainda da estilista Ann-Sofie Back pra marca sueca Cheap Monday, foi outra idéia boa pra dar uso aos retalhos vintage que ficam espalhados pela casa. Dá pra fazer tudo na mão - mas rasgar "bonito" daquele jeito leva umas boas horas.
DIY 3: Regata slashed
E essa veio da Topshop, que anda com as antenas ligadíssimas no lance punk de picotar as próprias roupas. Mas por que comprar a coisa pronta quando se pode roubar a regata velha do namorado (ou irmão, tio, avô, whatever) e tesourar sem medo? Só passar uma costura no meio pra dar o efeito de esqueleto, e BAM, você está pronta pra assustar o povo nas ruas. :)
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SIM, você está enxergando direito. Isso aí do lado é uma gola palhaço removível. Ou assim ela foi nomeada, a hora que ficou pronta. Esse é um dos primeiros projetos DIY (um hábito que a blogolândia fashion emprestou dos punks e nunca mais devolveu) que eu resolvi me engajar a uns meses atrás, e que vai virar mais regra do que excessão nesse blog.
E por que eu escolhi fazer uma coisa assim, tão... estrambólico?
Seguinte: a maior parte do meu tempo eu trabalho com roupas vintage, vendendo numa boutique virtual e pra clientes particulares, ou alugando/cedendo pra stylists. Mas sabe como é: por mais que a moda vai e volta e "faz releituras" de outras décadas, um vestido ou jaqueta de 20, 30 anos as vezes tem um shape que não se encaixa exatamente nos padrões de hoje, e, como a gente aqui te
m que pagar as contas, eu cato a tesoura e dou uma *atualizada* na peça em questão. De tanto eu fazer isso, acabou que eu comecei a acumular pilhas e pilhas de tecidos, todos com estampas e texturas fenomenais - e eu não podia ser louca de jogar fora.
Daí um dia folheando uma dessas Grazias da vida, me deparei com essa imagem. Póin! Que idéia brilhante! Uma gola removível que pode ser usada de MIL E UMA maneiras! E que deve consumir VÁRIAS sobras de tecido! Achei uma solução! \o/
Well, não saiu exatamente como o esperado por vários motivos, entre eles a falta de mobilidade dos tecidos usados (esse ai' do lado e' feito de chiffon, fininho, e o meu foi feito com vários tipos de polyester vagabundo) e a total incompetência da minha parte em termos técnicos (eu nunca estudei costura. Me deixa). Mas, overall, acho que dá pra brincar com os looks e jogar em cima de camisetas, vestidos, qualquer (arrãm) babado. Ou no mínimo, vai dar um ótimo cachecol quando bater o frio.
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