Hoje a London Fashion Week deu seu primeiro pontapé em direção a um futuro inverno fashion (sorry, essa foi horrível... tô cansada), mas antes de eu me jogar de cabeça em falatório de estilistas e acessórios e gentchi do meio, posso fazer um resumão rápido dos melhores figurinos dessa semana de Carnaval e Brit Awards? Por que ultimamente o povo da moda tem andado TANTO de braço dado com o povo da música que dá gosto de ver. Principalmente no Brasil e no Reino Unido.
Então, obviamente eu não pulei Carnaval esse ano (aliás, eu não lembro a última vez que eu fiz tal coisa), mas graças as maravilhas tecnológicas de live video streaming, hoje em dia da' pra dar uma espiada na Globo entre um episódio de Mad Men ou outro. E antes de eu cair no sono na segunda, foram boas as surpresas fashion que apareceram na tela sofrida do meu Mac, quase tudo mérito da Porto da Pedra:
Geisy de Arruda LENDA vestindo uma versão monárquica DAQUELE vestidinho polêmico (que até hoje eu não entendo por que diabos aquele vestido causou TANTO alvoroço... alguém explica?)
As caveiras de Herchcovitch avançando no Sambódromo como um exército apocalíptico de...Alexander McQueen (é dele a influência, né não?).
Marília Pêra também LENDA (gente, restylene e botox é o novo hidratante das atrizes brasileiras hein? Que inveja) de Coco Chanel, pérolas e tudo (será que a bolsa é verdadeira?)
Eu não sei explicar direito o que é essa ala, mas achei que o conjunto visual da mensagem na ... o que é isso, uma bata? teve impacto bonito. Apesar de que se você parar pra pensar mesmo, "comer e beber roupa" pode resultar em distúrbios alimentares, e já basta esse meio da moda ser todo paranóico com peso... :P
Eliana (olha o restylene aí de novo minha gente) nem foi atrás de fantasia e optou instead por um look arara da hilária Neon. Fiquei doida imaginando como ficaria nela o look elefante ou o coruja do inverno 2010, nas fotos abaixo.
E Claudia Leite em Salvador, simplesmente pelo ESFORÇO que deve ter sido vestir um look desse, preso até o rabo de cavalo. Imagine a sessão que não deve ser ir no banheiro?
Agora, mais perto de casa, na terça-feira tive também ótimos momentos enquanto assistia ao Brit Awards - uma espécie de VMAs britânico menos engraçado, mas com quase tanto apelo fashion quanto o Carnaval.
E claro, VOCÊS ACHAM QUE EU IA DEIXAR ELA DE FORA? Dame of Gaga, presente em praticamente TODOS os meus posts nesse blog, destruiu mais uma vez, fazendo uma bela homenagem a McQueen.
Lily Allen fez várias APARIÇÕES (não há como usar outra palavra) usando uma série de perucas retiradas provavelmente do closet de Elizabeth Taylor nos anos 80. Não consigo pensar em uma explicação concreta pra ela ter escolhido tais penteados, mas de repente eu estou perdendo alguma mensagem subliminar ... ou tendência.
E Mel B das Spice Girls (leeembra dela? nada como ressucitar estrelas dasantiga quando a Beyonce tá no Brasil hein?) optou por fazer um Alice Dellal, o raspado escolhido por 9 entre 10 fashionistas em 2008 e 2009 (inclusive essa que vos fala... ainda estou amargando os longos meses que levam pra voltar a crescer).
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Eu juro que eu tento não ser uma daquelas pessoas que moram fora e acha que tudo o que acontece no Brasil é ruim. JURO. Mas fica difícil manter o espírito fraternal quando um dos eventos fashion mais interessantes do mundo vai pro Rio de Janeiro e vira uma ODE ao mau-gosto.
A começar pelo line-up de artistas, que mais parece uma paródia de uma premiação americana de 10 anos atrás: Mariah Carey, Sean P. Puff Daddy Combs (é assim que ele se chama agora, não?), Ja Rule, Ciara, Estelle... O povo do RnB continua essa luta fervorosa pra conseguir a aprovação do universo fashion - e sem a presença dos mais disciplinados deles, Kanye West e Rihanna, o evento virou um desfile de estereótipos cansados.
As provas?
Mariah Carey, estourando dentro um vestido dois tamanhos menores e QUASE dando uma de Janet Jackson no Super Bowl, foi a trilha sonora do desfile da Calvin Klein, uma marca famosa pelo minimalismo sofisticado. Não seria mais apropriado unir a diva do RnB com o templo da opulência fashion que é a Versace? Não - nesse caso, o escolhido foi o multi-talentoso Daddy Combs.
E olha que inteligente: Sean Puff resolveu RESSUCITAR seu hit mais famoso (eu não podia usar outra palavra), aquele em homenagem ao rapper assassinado Notorious B.I.G., pra honrar outro assassinado injustamente, o estilista Giani Versace. Que bonito né? Donatella deve ter chorado cristais Swarovsky.
A preguiça criativa se espalhou pra tudo que é lado, até em quem a gente sempre mantém a fé: Marc Jacobs mandou pra passarela sua coleção retrasada, a de outono/inverno baseada nos anos 80 que todo mundo vestiu e já cansou (agora o último grito é os anos 90 lembra?), e Grace Jones, a única esperança de emprestar um resquício de credenciais COOL ao evento, nem se deu ao trabalho de mudar a performance que fez na versão britânica do evento em...2003!
No red carpet, as celebs brazucas reforçaram aquela imagem de Hollywood de terceiro mundo, sem o benefício de uma stylist: muita pele a mostra, curvas e bronzeados em excesso. Nem Alessandra Ambrósio, que mora em LA e já frequentou eventos suficientes pra saber como as coisam funcionam, escapou da maldição carioca e posou em look off-duty de barriga de fora. As que OUSARAM não parecer excessivamente sexy, foram TÃO comportadas que pareciam ter 20 anos a mais. Narcisa Tamborideguy, Mariana Ximenes, Carolina Ferraz, e Princesa Paola usaram modelitos mais apropriados pra uma reunião de senhoras de condomínio.
E isso é SÓ o que eu consegui ver na cobertura fantástica que rolou online - NOT. No site oficial do evento os vídeos travam, as fotos distorcem, e tem mais ênfase no Latino e uma tal de Mirela (é homem ou mulher?) do que nos desfiles e nas roupas em si. Pobre dos estilistas brasileiros, que esperavam uma divulgação internacional maior (afinal Jacobs, Donatella e Ricardo Tisci devem estar se lixando; eles já tem mídia suficiente).
Tenho certeza que os desfiles brasileiros foram excelentes - do pouco que eu vi teve arranjos de pena fenomenais nas cabeças das modelos da Lenny, que mostrou swimwear moderna e sexy sem ser apelativa ou vulgar, e coordenações de cores vivas no show do André Lima. O resto, só Deus sabe.
Então a gente fica no aguardo. Ou não. Deixa pra Katylene se divertir, porque ela vai ter material aí pra uma semana de posts.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Mesmo com a temporada de moda primavera-verão entrando em full-swing em Nova York desde ontem, decidi prontamente ignorar esse fato pra falar aqui sobre as roupas que agraciaram o Mercury Awards no começo da semana aqui em Londres (leia mais aqui no rraurl mesmo). Todo mundo concorda que esse foi o ano da mulher no mundo da música, e com elas veio uma onda maravilhosa de opulência e originalidade sartorial como a tempos não se via nos palcos da vida.
Natasha Khan, a Bat For Lashes, é uma que gerou toda uma demanda por penas, cocares, elásticos de testa (!) e muito glitter na maquiagem. Beth Ditto deu bandeira branca pras gordinhas vestirem qualquer diabo que elas quiserem, e, ahm, Lady Gaga têm sido sozinha responsável pelo retorno do latex e do maiô (essa foi forçada, eu sei).
Isso é apenas um exemplo de como música alimenta a moda, e vice-versa - mas como o tempo dentro de ambos os mundos passa de maneira MUITO mais veloz do que no nosso universo plebeu, as coisas mudam antes que dê tempo de você dizer "Siouxsie Sioux Saiu de Saia Cinza." Assim parece que a atmosfera do momento anda se debandando pro lado mais dark do rock - uma coisa meio gótica, meio New Romantics, meio Blade Runner, meio... you get the picture. Prova é que os usuais pinheirinhos musicais apareceram todos de preto, preto, preto (só Natasha deu uma variada e botou um vestidenho branco e sem graça depois. Oh, a decepção).






Mas a cobertura do bolo (sentiu a tradução literal né) e orgulho máximo desse blog foi La Roux, que, dando um tapa colorido na cara desse bando de góticos fashion, vestiu dois terninhos ABSURDOS do duo Basso & Brooke. Se alguém aí ainda não sabe, uma das metades da dupla que anda dominando a moda Londrina é BRAZUCA - Bruno Basso, junto com Chris Brooke, tem ano após ano se firmado com os reis da estampa e são, claro, tema pra um próximo post mais detalhado.


E que isso sirva de inspiração pra esse povo depressivo. Já não basta o verão ter acabado...
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.

















