Eu sou fã de ironias. Ironias fazem o meu dia ser mais divertido. E eu acredito que não há nada como uma boa ironia pra animar a torcida, ainda mais quando elas vem dos lugares mais PROVÁVEIS. Como um fumante que fica surpreso quando descobre que tem câncer. De pulmão. Depois de 30 anos fumando.
Anyway.
A ironia de hoje vem cortesia de um texto publicado na edição de agosto da bíblia hipster, Dazed & Confused. Segundo a revista, o apocalipse estaria próximo, e a morte em massa de seu discípulo maior – aquela figura magrela/ de bigode / boné New Era / que toca synth / posa em fotos de festa com o queixo abaixado e ventinho no olho/ (insira aqui o seu atributo hipster favorito), mais conhecida como o HIPSTER EM SI – não só está próxima, como será muito bem-vinda.
AHN?
“Ahn,” indeed. Parece que até aqueles que dependem dessa criatura pra se manter em business andam cansados da existência lomografada característica de tal figura.
Essa conversa sobre a extinção do hipster não é nova. Lá pelos idos de 2008, vários bloggers e colunistas já previam a catástrofe que um “movimento” como esse, baseado no simples consumo de novidades, ia causar.
A matemática, por mais que pareça complicada, é na verdade muito simples: o problema do hipster é que ele acredita profundamente que consumir o novo, ou a tendência-antes-da-tendência, é uma forma de CRIATIVIDADE. Pior: uma forma de REBELDIA, como se freqüentar festas do momento usando mega-cílios postiços da MAC e posar topless no banheiro pro fotógrafo-blogueiro do momento (ou pro Instagram do teu próprio iPhone) fosse um ato comparável ao do punk que passou três meses comendo feijão enlatado pra bancar a guitarra de segunda mão com a qual ele pretende compor a nova “Anarchy in The UK”.
Ele/ela esquece que uma rede global de agências, blogs, marcas, redes sociais estão capturando cada novo hábito de consumo desenfreado dessa pseudo sub-cultura, na sequência empacotando e revendendo tudo de novo para eles mesmos, os próprios pseudo-criadores de tendências culturais. Só que a partir do momento que a novidade se espalha – e em tempos de redes sociais, isso acontece na velocidade da luz – o hispter passa a desdenhar tal tendência e procurar a próxima, se enfiando assim num ciclo infinito de tédio e vazio existencial. Expressar entusiasmo é expressamente proibido, já que realmente AMAR ALGO DE PAIXÃO significa se AFILIAR a esse algo mais do que os 5 minutos que o hispter está acostumado a dedicar pra cada moda/música/obra-de-arte. E isso é o HORROR, porque no fim das contas, deslumbre é para os fracos, ou pros que chegaram atrasados. Assim, sempre histericamente a frente de todos, o hipster pra se manter hipster precisa exalar um ar constante de indiferença, apatia, tédio.
Mas pensa: como é que vamos criar qualquer coisa de significância nesse mundo se não há motivação significativa pra isso? O que fazer quando o nosso objetivo maior é ganhar o maior numero de “LIKES” na rede social, assim validando nossos esforços temporariamente - na sequência, sendo deixados pra trás pela próxima novidade a ser “postada”? Em tempos de gratificação instantânea, ser relevante e ser efêmero praticamente viraram sinônimos.
Todos os movimentos jovens antes da vinda do hipster surgiram como uma reação a um status-quo, uma alternativa ao que era ditado pelo establishment. Os Mods, os Hippies, os Punks, os New Romantics, os B-boys, e por aí vai, tinham objetivos claros na cabeça quando decidiram se vestir orgulhosamente da maneira que se vestiam: protestar, usando o estilo pra chamar atenção pra ideia em si. Hoje em dia os únicos protestos em que existem em sociedades consumistas como as nossas são adolescentes quebrando as vidraças de lojas da vizinhança pra roubar os tênis e celulares do momento, simplesmente por roubar – depois culpando o governo por isso. O estilo em si virou a ideia final, a causa.
Hoje, te desafio a encontrar um indivíduo que bata no peito com orgulho ao se auto-proclamar um Hipster. Ele próprio sabe o quão pejorativo e sinônimo de vazio o termo é.
Infelizmente, enquanto os próprios criadores, como a Dazed, continuarem cultivando a existência da própria criatura, a morte do hipster tá longe de acontecer. No máximo, esse monstro cultural só vai se transmutar em outro tão consumista quanto, indefinidamente, até sermos todos engolidos pelo próprio excesso material.
Salve-se quem puder.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Peeps do Brazeew! Depois de uma longa absência da minha parte, senti
saudades de vocês, e resolvi voltar. Por quanto tempo, WHO KNOWS, mas e
daí, né? O importante é aproveitar o momento. Carpe Diem.
Então, pra coisa ficar mais fácil pra você e pra mim, os posts de agora em diante vão ser mais rápidos, curtos e - por que não? - grossos. Afinal, quem que tem tempo pra ler blog hoje em dia? Eu que não.
Então, pra inaugurar a volta, eu não podia deixar passar um aniversário em branco: os 50 anos da Doctor Martens, uma instituição fashion britânica e as botinas favoritas de qualquer pessoa com um mínimo de gosto decente por moda e música (preferencialmente os dois juntos).
Pra comemorar, a DM está soltando na rede desde abril 10 hinos cult britânicos regravados por 10 artistas contemporâneos - e cada um ganhou um videoclip original dirigido por nomes de peso do mundo, ahm, videoclípitico.
. Veja em http://50.drmartens.com/
Escolhi os meus 4 favoritos, logo abaixo - mas ANTES, eu não podia deixar de postar as fotos da campanha de 2007 que causou a maior controvérsia. Um gênio da publicidade conseguiu ressuscitar, através dos poderes mágicos do photoshop, alguns dos maiores ídolos do rock - e botou os dito-cujos devidamente vestidos de Doc Martens no CÉU.
Gênio, não? Not.


Então é isso. Assistam:
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
O mundo dá voltas, hein? Ô, se dá. Ainda estou tentando traçar de onde surgiu essa revolução fashion, mas não sei exatamente put my finger on it.
É o seguinte: continuando o tema dos últimos posts,cheguei a conclusão que GENTE NORMAL TÁ NA MODA. Assim, que nem eu e você aí de casa, baixinho, gordinho, com vão nos dentes, quadril largo, rugas, idade, não interessa - é o último grito. Campanhas publicitárias de marcas high-fashion agora empregam "personalidades" e se elas têm como característica principal aquilo que até ontem era considerado um DEFEITO, então, melhor ainda. O importante é se distanciar do exército de clones do leste europeu que dominaram as passarelas na década passada.
Vejamos:
Tilda Swinton, 50 anos, rainha do cinema independente e mais conhecida pelos traços andróginos (até hoje não se sabe ao certo qual o sexo da atriz. Joking.), e' a musa da marca escocesa Pringle of Scotland.
Grau de normalidade (de 0 a 10): 6 - Tilda pelas qualidades acima não se encaixa lá muito na categoria NORMAL que eu e você estamos acostumados, mas o fato de ser cinquentona, ter rugas e cabelo de menino faz ela entrar pro nosso time, e não dos clones.
Mark Ronson, produtor musical mais conhecido por trabalhar com Lilys e Amys e todo mundo que é alguém no mundo pop atual, estrela a marca francesa Zadig & Voltaire ao lado da namorada Josephine de La Baume.
grau de normalidade: 8 - Mark é good-looking, mas tem toda a pinta de menino que trabalha com música (vide leitores do rraurl.) Talvez com um guarda-roupa mais sofisticado que os leitores do rraurl, por motivos óbvios.
Antes dele, Sean Lennon, mais conhecido por ser, well, um filho famoso, também estrelou a campanha ao lado da namorada Kemp Muhl (ela modelo de verdade, o que quase ZERA o grau de normalidade).
Falando em filhos famosos, sobrenomes musicais famosos agregam um nível de MOJO maior a pretensos modelos NORMAIS. Exemplo maior não que as irmãs GELDOF, Pixie e Peaches, filhas do filantrópico Live-AID man Bob Geldof.
Pixie, 18, baixinha e como irmã, dona de uma ARCADA DENTÁRIA PECULIAR, tem desfilado pra deus e o mundo incluindo Viv Westwood e Henry Holland, e feito campanhas pra Prada e Diesel.
grau de normalidade: 8 - Pixie consegue ainda consegue modelar mais por de fato CABER nas peças-piloto. O que não é o caso da irmã.
Peaches, 21, manequim 40, cheia de tatuagens toscas, têm estrelado editorias da W magazine e Nylon, e campanhas da Agent Provocateur e Ultimo.
grau de normalidade: 10. Peaches é definitivamente do times dos normais. Pontos pra ela por mostrar o corpitcho sem medo de ser feliz.
Mas o que pega mesmo (no pun intended) e' a presença oficial de modelos gordinhas em revistas que antes franziam a sobrancelha pra qualquer tamanho maior que o de uma criança de 8 anos.
A Ella francesa, essa semana, causou um furor ao colocar a americana Tara Lynn não só na capa, como nas páginas editoriais, vestida e despida com o mínimo de retoque possível. É claro, a revista trás um especial para moças RONDES, ou curvilíneas, e a revista foi criticada - como sempre - por usar a modelo mais como um golpe publicitário do que realmente promover mudanças.
Grau de normalidade: 7 - com esse rostinho de Angelina, Tara dificilmente se encaixaria no nosso time se tivesse tamanho de clone.
E por último, a Vogue Italiana inaugurou recentemente uma sessão chamada Vogue Curvy online, dedicada especialmente pra suas leitoras "normais", com dicas e photoshoots e discussões. No shoot abaixo, Crystal Renn, a top mais top das plus-sizes e a frente da batalha pelo direito de mulheres normais nas páginas de revistas de moda.
grau de normalidade: 7, o mesmo de Tara, pelo mesmo motivo.
E aí, já se identificou? Porque agora eu vou ali levar minhas fotos pra uma agência e ver se faço um extra.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Se existe um lugar no mundo onde pessoas interessadas em tendências devem olhar, esse lugar e' Paris durante a semana de moda. Não há lugar no mundo onde todos os aspectos relacionados a ela são levados mais a sério em termos COMERCIAIS, e assim o que for eleito como aceitável ali, será aceito ao redor do mundo.
Assim, como eu havia previsto na retrospectiva de dezembro, a MULHER COMO ELA É está de volta no mundo aristocrático da high-fashion. Ou como disse style.com, "isso e' moda que até HOMEM HETERO vai entender."
Então, homens desse mundo, celebrem O RETORNO DAS CURVAS, e agradeçam Marc Jacobs e Louis Vuitton por decretarem tal lei. Agradeçam a eles também (e outros designers que também pularam no vagão rapidim) por botar no casting as anjas brazucas da Victoria Secret's Alessandra Ambrósio e Ana Beatriz Barros, além da modelo curvilínia do momento, Lara Stone, que não podia faltar dejeitonenhum.
E o mais surpreendente de tudo: o retorno do sorriso! Sabe aquelas imagens de desfiles de 30, 40 anos atrás, quando a modelo tinha que parecer GRACIOSA, e não um robô temperamental? Pois Stella McCartney e de novo Louis Vuitton PERMITIRAM aquilo que em inglês chama-se de SMIRK - ou o sorrisenho debochado que fez de George Bush sinônimo da palavra. Okay, nada gracioso, mas um avanço imenso na civilização alienígena que é esse mondo da moda, huh?
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Hoje a London Fashion Week deu seu primeiro pontapé em direção a um futuro inverno fashion (sorry, essa foi horrível... tô cansada), mas antes de eu me jogar de cabeça em falatório de estilistas e acessórios e gentchi do meio, posso fazer um resumão rápido dos melhores figurinos dessa semana de Carnaval e Brit Awards? Por que ultimamente o povo da moda tem andado TANTO de braço dado com o povo da música que dá gosto de ver. Principalmente no Brasil e no Reino Unido.
Então, obviamente eu não pulei Carnaval esse ano (aliás, eu não lembro a última vez que eu fiz tal coisa), mas graças as maravilhas tecnológicas de live video streaming, hoje em dia da' pra dar uma espiada na Globo entre um episódio de Mad Men ou outro. E antes de eu cair no sono na segunda, foram boas as surpresas fashion que apareceram na tela sofrida do meu Mac, quase tudo mérito da Porto da Pedra:
Geisy de Arruda LENDA vestindo uma versão monárquica DAQUELE vestidinho polêmico (que até hoje eu não entendo por que diabos aquele vestido causou TANTO alvoroço... alguém explica?)
As caveiras de Herchcovitch avançando no Sambódromo como um exército apocalíptico de...Alexander McQueen (é dele a influência, né não?).
Marília Pêra também LENDA (gente, restylene e botox é o novo hidratante das atrizes brasileiras hein? Que inveja) de Coco Chanel, pérolas e tudo (será que a bolsa é verdadeira?)
Eu não sei explicar direito o que é essa ala, mas achei que o conjunto visual da mensagem na ... o que é isso, uma bata? teve impacto bonito. Apesar de que se você parar pra pensar mesmo, "comer e beber roupa" pode resultar em distúrbios alimentares, e já basta esse meio da moda ser todo paranóico com peso... :P
Eliana (olha o restylene aí de novo minha gente) nem foi atrás de fantasia e optou instead por um look arara da hilária Neon. Fiquei doida imaginando como ficaria nela o look elefante ou o coruja do inverno 2010, nas fotos abaixo.
E Claudia Leite em Salvador, simplesmente pelo ESFORÇO que deve ter sido vestir um look desse, preso até o rabo de cavalo. Imagine a sessão que não deve ser ir no banheiro?
Agora, mais perto de casa, na terça-feira tive também ótimos momentos enquanto assistia ao Brit Awards - uma espécie de VMAs britânico menos engraçado, mas com quase tanto apelo fashion quanto o Carnaval.
E claro, VOCÊS ACHAM QUE EU IA DEIXAR ELA DE FORA? Dame of Gaga, presente em praticamente TODOS os meus posts nesse blog, destruiu mais uma vez, fazendo uma bela homenagem a McQueen.
Lily Allen fez várias APARIÇÕES (não há como usar outra palavra) usando uma série de perucas retiradas provavelmente do closet de Elizabeth Taylor nos anos 80. Não consigo pensar em uma explicação concreta pra ela ter escolhido tais penteados, mas de repente eu estou perdendo alguma mensagem subliminar ... ou tendência.
E Mel B das Spice Girls (leeembra dela? nada como ressucitar estrelas dasantiga quando a Beyonce tá no Brasil hein?) optou por fazer um Alice Dellal, o raspado escolhido por 9 entre 10 fashionistas em 2008 e 2009 (inclusive essa que vos fala... ainda estou amargando os longos meses que levam pra voltar a crescer).
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Esse blog está oficialmente de luto.
Um dos maiores gênios da moda britânica foi encontrado morto as 10 da manhã aqui em Londres, em seu apartamento, aparentemente enforcado.
Alexander McQueen, aos 40 anos, estava no topo de sua carreira e deixou pra trás um enorme legado fashion. Foram inúmeros os momentos de criatividade extraordinária e maestria fashion deixados ao caminho de uma trajetória brilhante e inspiradora.
Uma perda insubstituível. Faremos uma restrospectiva do gênio em breve - por enquanto, deixo o holograma de Kate Moss, desaparecendo como um fantasma no show de outono/inverno 2006, falar por si mesmo.
R.I.P, Lee.
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Continuando o tema sobre cabelos (ando num tal de reciclar temas, néam? sorry), tem um trend circulando por aqui que vai deixar o emo (ou clubber) dentro de cada um de nós muito feliz.
Lembra quando comprar um potinho de tinta azul (ou rosa, ou verde) da Manic Panic na Galeria Ouro Fino era o ÁPICE DO COOL há 10 anos atrás? Pois os tubinhos da cor do arco-íris estão a beira de um mega-revival, e dessa vez sem se anexar a nenhuma tribo teenager para tal.
Desde que Katie Shillingford, fashion editor de um dos nosso periódicos Londrinhos favoritos Dazed & Confused, apareceu nos últimos shows de Paris com as pontas dos cabelos mergulhadas em tons de azul-marinho e preto, a blogolândia pirou. Será que dá pra ser chic e ainda pintar o cabelo de uma cor impossível? Ô, se dá.
Pois a técnica desse estilo em inglês se chama Dip-Dye - exatamente isso, mergulhar na tinta - e em francês Ombré, que segundo o Google Translate significa "sombrear", uma técnica também usada em tecidos. A idéia é parecer assim mesmo, como se a tinta tivesse derretendo, desbotando, quase *sangrando* do cabelo (ih, lá vem as referências vampirescas...). Assim como cabelo com aparência de sujo, a idéia é parecer meio descuidado, despreocupado, meio tenho-mais-o-que-fazer-do-que-retocar-a-raíz.
E desde setembro, várias interpretações interessantes apareceram (prometo que não vou falar da Lady Gaga). Modeletes ao redor do mundo estão adotando o look fora do trabalho, incluindo as darlings do momento Lara Stone, Lily Donaldson, e Anastasija Kondratjeva que saiu direto da passarela de Proenza Schouler ss10 com o cabelo esfregado no roxo pálido e não tirou mais.
*Luigi Moreno pra A Magazine
Ah, e claro, uma hora ou outra as celebs adotam também, sendo a mais recente adepta Drew Barrymore, que estreou como diretora em Toronto usando estilo dois-tons, mais dividido - tipo SUPER "Take My Breath Away." Ou vai dizer que você não lembra do vídeo da trilha sonora do filme Top Gun? A vocalista da banda Berlin, Terri Nun, já tava ahazando com esse look dois tempos a duas décadas atrás. O que prova que existe uma linha tênue (literalmente) entre o cool e uó. Mas deixo isso pra vocês julgarem.
*foto do começo: Lazybones_Photography no flickr
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Perdão pelo sumiço, queridos, mas estamos em preparação pra uma temporada de 40 dias na terra do samba (yes \o/), e compromissos se acumulam.
Mas enquanto as malas continuam por fazer, estive passeando por blogs brazucas e vi alguém dizendo por aí que "correntes são as novas tachinhas." Well, well, pode ser que sim, mas se é pra continuar nesse ritmo rebelde-chic, então vamos já dar um passo a frente e prever o próximo trend. Aí vai:
CABELOS são as novas correntes. Cabelos Humanos, no less.
Já até consigo ouvir os gritinhos de asco reverberando entre os círculos non-fashion (e as piadinhas do tipo "esqueceu a depilação, gata!"), mas como em tudo nessa vida que entra e sai de moda, não há nada a ser feito a não ser se acostumar com a idéia.
O que me leva a pergunta, e provavelmente á *RAÍZ* da questão: se podemos nos adornar em peles e pêlos de animais sortidos sem contorcer nossas feições em rejeição, por que raios o aspecto de cabelo humano nos trás aversão? Afinal, fios de gente não são lá tão mais distintos do que uma crina de cavalo (apesar de quê ainda não avistei ninguém vestindo rabos de cavalo DE VERDADE, mas hey, não deve faltar muito), e quem nesse mundo não adora passar os dedos em madeixas SEDOSAS? A diferença é que em vez de estar na cabeça, as melenas estão costuradas em ombros, sapatos e barras de saias. Diferença nenhuma de colar extensões no couro cabeludo - ou não?
É assim, acho eu, que deve estar funcionando o cérebro de designers mais conceituais que estão a algumas temporadas experimentando com cabelos-de-vestir. A maison francesa Martin Margiela, sempre anos-luz a frente de nós meros mortais, fez ano passado, um casaco de perucas loiras que foi parar, entre outros lugares, nas capas das bíblias fashion V e Purple do verão 2009, e nos ombros do ícone fashion com a maior longevidade ever, a Barbie.
Na mesma época, outra cabeluda francesa, a dama Sonia Rykiel, repetiu a façanha em um desfile bem-humorado celebrando 40 anos de sua marca registrada ruiva. Duas idéias iguais na passarela fazem uma tendência? Talvez.
Obviamente, nem todo mundo têm a manha de bancar a macaca por aí, e outros designers foram mais sutis. A russa Alena Akhmadulina (também na foto que abre esse post) foi mais chic colocando aqui e ali mechas coloridas em sua coleção ss09, assim como o participante da sexta temporada do Project Runway (que eu não vi) Chris March, que aparentemente causou a maior polêmica quando usou cabelo como - literalmente - franjas nas roupas.
Tem que ter uma certa veia dark pra gostar desse tipo de ornamento. Se como eu você acha que as criaturas cabeludas dos filmes "O Chamado" e "O Grito" têm um certo, ahm, charme, então provavelmente você não vai desconsiderar acessórios como esse colar de caveiras e cabelo do japonês Aoi Kotsuhiroi, nem o (LINDO) sapato cabeludo do gênio Nicholas Kirkwood. É quase como usar... penas?
Mas ei, ninguém está dizendo que brasileiros vão sair por aí colando as sobras daquela ida ao salão nos ombros. Mas se como minha amiga D., que disse "desculpa aí, mas não me APETECE", você também têm ojeriza a idéia, ainda pode pelo menos apreciar a audácia de gente como o cabelereiro francês Charlie Le Mindu. Estourando nas duas últimas London Fashion Weeks, o moço têm transformado cabelo em criações estupendas (e bastante perturbadoras) que têm feito o maior sucesso como figurinos em palcos e vídeo clips por aê, inclusive no último da sempre controversa Peaches, abaixo.
Então, vou ali brincar com a tesoura. Wish me luck.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.







































