The Clash
Subversão fashion, direto da capital inglesa.
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
fãs
rss
Você pode assinar o feed desse blog pra saber assim que ele for atualizado.
Feed 
* copie e cole para assinar com outro reader
social bookmarks
Add to Technorati Favorites
O Apocalipse Hipster
26.08.11 12:27

frames

 

 

Eu sou fã de ironias. Ironias fazem o meu dia ser mais divertido. E eu acredito que não há nada como uma boa ironia pra animar a torcida, ainda mais quando elas vem dos lugares mais PROVÁVEIS. Como um fumante que fica surpreso quando descobre que tem câncer. De pulmão. Depois de 30 anos fumando.

 

Anyway.

 

A ironia de hoje vem cortesia de um texto publicado na edição de agosto da bíblia hipster, Dazed & Confused. Segundo a revista, o apocalipse estaria próximo, e a morte em massa de seu discípulo maior – aquela figura magrela/ de bigode / boné New Era / que toca synth / posa em fotos de festa com o queixo abaixado e ventinho no olho/ (insira aqui o seu atributo hipster favorito), mais conhecida como o HIPSTER EM SI –  não só está próxima, como será muito bem-vinda.

 

 

AHN?

 

“Ahn,” indeed. Parece que até aqueles que dependem dessa criatura pra se manter em business andam cansados da existência lomografada característica de tal figura.

Essa conversa sobre a extinção do hipster não é nova. Lá pelos idos de 2008, vários bloggers e colunistas já previam a catástrofe que um “movimento” como esse, baseado no simples consumo de novidades, ia causar.

 

A matemática, por mais que pareça complicada, é na verdade muito simples: o problema do hipster é que ele acredita profundamente que consumir o novo, ou a tendência-antes-da-tendência, é uma forma de CRIATIVIDADE. Pior: uma forma de REBELDIA, como se freqüentar festas do momento usando mega-cílios postiços da MAC e posar topless no banheiro pro fotógrafo-blogueiro do momento (ou pro Instagram do teu próprio iPhone) fosse um ato comparável ao do punk que passou três meses comendo feijão enlatado pra bancar a guitarra de segunda mão com a qual ele pretende compor a nova “Anarchy in The UK”.

 

Ele/ela esquece que uma rede global de agências, blogs, marcas, redes sociais estão capturando cada novo hábito de consumo desenfreado dessa pseudo sub-cultura, na sequência empacotando e revendendo tudo de novo para eles mesmos, os próprios pseudo-criadores de tendências culturais. Só que a partir do momento que a novidade se espalha – e em tempos de redes sociais, isso acontece na velocidade da luz – o hispter passa a desdenhar tal tendência e procurar a próxima,  se enfiando assim num ciclo infinito de tédio e vazio existencial. Expressar entusiasmo é expressamente proibido, já que realmente AMAR ALGO DE PAIXÃO significa se AFILIAR a esse algo mais do que os 5 minutos que o hispter está acostumado a dedicar pra cada moda/música/obra-de-arte. E isso é o HORROR, porque no fim das contas, deslumbre é para os fracos, ou pros que chegaram atrasados. Assim, sempre histericamente a frente de todos, o hipster pra se manter hipster precisa exalar um ar constante de indiferença, apatia, tédio.

 

Mas pensa: como é que vamos criar qualquer coisa de significância nesse mundo se não há motivação significativa pra isso? O que fazer quando o nosso objetivo maior é ganhar o maior numero de “LIKES” na rede social, assim validando nossos esforços temporariamente - na sequência, sendo deixados pra trás pela próxima novidade a ser “postada”? Em tempos de gratificação instantânea, ser relevante e ser efêmero praticamente viraram sinônimos.

 

Todos os movimentos jovens antes da vinda do hipster surgiram como uma reação a um status-quo, uma alternativa ao que era ditado pelo establishment.  Os Mods, os Hippies, os Punks, os New Romantics, os B-boys, e por aí vai, tinham objetivos claros na cabeça quando decidiram se vestir orgulhosamente da maneira que se vestiam: protestar, usando o estilo pra chamar atenção pra ideia em si. Hoje em dia os únicos protestos em que existem em sociedades consumistas como as nossas são adolescentes quebrando as vidraças de lojas da vizinhança pra roubar os tênis e celulares do momento, simplesmente por roubar – depois culpando o governo por isso. O estilo em si virou a ideia final, a causa.   

 

Hoje, te desafio a encontrar um indivíduo que bata no peito com orgulho ao se auto-proclamar um Hipster. Ele próprio sabe o quão pejorativo e sinônimo de vazio o termo é.

 

Infelizmente, enquanto os próprios criadores, como a Dazed, continuarem cultivando a existência da própria criatura, a morte do hipster tá longe de acontecer. No máximo, esse monstro cultural só vai se transmutar em outro tão consumista quanto, indefinidamente, até sermos todos engolidos pelo próprio excesso material.

 

Salve-se quem puder. 


 Thais Mendes (glittah)
Thais Mendes (glittah)
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
comentários
14 comentários
Ivan Ferreira
Ivan Ferreira(05.10.11)
0AprovadoQueima
Eu concordo com o texto em alguns pontos, e outros eu achei de certo modo pessímista... com o clichê de que a geração de jovens atuais é uma geração perdida.
Vale lembrar que a 'cultura de seguir tendencias', sempre existiu. O movimento Hippie, por exemplo, na sua excencia foi feito por um pequeno grupo de pessoas, já a grande maioria seguiu essa tendencia e consumiu a idéia que deixou de ser um movimento para um estilo de vida que se vendia nas principais grifes, e após o sexo e drogas voltou para sua vida ordinaria americana. O mesmo consta para o movimento Punk, que tirando seus alicerces em New York e Londres, grande parte dos seguidores pós-estouro punk seguiram o movimento pela moda / após aquilo se tornar um valor comercial.
bb verdoux
bb verdoux(05.10.11)
0AprovadoQueima
Continuando….
Os mods por exemplo o que eles queriam era andar de lambrete , beber e meter, dada a sua ligacão com os skins (que inicialmente tinham quase os mesmos interesses, troque lambreta por futebol) é que eles começaram a serem vistos como "uma reação a um status-quo" antes eles eram só arruaceiros.
Perguntinhas…..
1 Quais são as diretrizes socio-políticas dos headbangers ?
2 você acha que grupos como Anonimous são irrelevantes ?
3 Ser blasé é um defeito exclusivo daquela figura magrela/ de bigode / boné New Era / que toca synth / posa em fotos de festa com o queixo abaixado e ventinho no olho"?
4 a(o) garota(o) com cílios da mac não estaria mais próxima daquele punk com penteado à base de sabão fazendo pose na praça simplesmente tentando fazer parte da turma?
5 bater no peito com orgulho não é coisa de minoria em fase de aceitação ?
beijos bb
bb verdoux
bb verdoux(05.10.11)
0AprovadoQueima
Sobre a piada de abertura, irônico seria se ele passasse 30 anos combatendo o fumo e aí descobrisse que tem câncer
Bem, se está escrito na bíblia deve ser verdade.... Claro que o consumismo está em queda, (James Carville mode on) "It's the economy, stupid" (James Carville mode off)
Fugir do ponto central da crise é uma opção compreensível, mas rotular uma geração inteira como carente e um pouco injusto …a necessidade de aceitação e inerente ao ser humano e sempre se adequará a tecnologia vigente e concorrência..concorrência é bom.
É um absurdo dizer que "Todos os movimentos jovens antes da vinda do hipster surgiram como uma reação a um status-quo, uma alternativa ao que era ditado pelo establishment." Nenhum movimento jovem teve uma base política bem definida como voce tenta mostrar, seu suposto caráter politico se deve a uma análise externa e posterior do mesmo....
kaks
kaks(28.09.11)
0AprovadoQueima
escrevi artigo sobre o mesmo tema há alguns meses atrás http://www.molotovcultural.com/universaltraveler/2011/05/30/the-new-the-hype-and-the-ugly/
Daniel Babalin
Daniel Babalin(11.09.11)
1AprovadoQueima
ótimo texto! a última frase mata a pau... "até sermos todos engolidos pelo próprio excesso material."