The Clash
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Rapidinha: GORROS
04.02.12 19:261 comentário

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E já que o tema é sportswear no post abaixo, não custa fazer uma rapidinha sobre o meu acessório favorito do momento - o gorro MANO. O esquema nas ruas de Dalston é usar assim mesmo, sobrando pano, bem hip-hop anos 90, "high-rise".

 

Aí Brasil: eu sei que nesse exato momento deve ta fazendo o MAIOR CALOR, mas quando bater aquela semana de frio ANUAL, já fica preparado. Quanto mais alto, melhor. 

 

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 Thais Mendes (glittah)
Thais Mendes (glittah) (glittah @ gmail.com)
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O retorno do SPORTSWEAR de verdade
30.01.12 20:292 comentários

Eu não sei se tem a ver como fato de eu ter virado mãe recentemente, ou se é influência dos habitantes que circulam a minha vizinhança, Dalston e Shoreditch, mas ando numa vibe STREETWEAR. Não, pra ser mais precisa, ando numa vibe SPORTSWEAR. Mas não aquele sportswear fajuto que apareceu nas passarelas nas últimas seasons, aquela versão clean de bermudinha, bomber jacket e salto alto adotada pelos Alexander Wangs da vida - não. A minha fascinação tem sido pela COISA EM SI: de tênis Nikes a gorros do New York Yankees e casacos-uniforme do Chicago Bulls, passando por jaquetas de ski da North Face e obviamente, OBVIAMENTE, tudo o que vem do universo SKATEBOARD.

 

Claro que não e' coincidência: vários websites já chamaram a atenção pro fato de que desde os anos 90 não se vê marcas de skate sendo TÃO desejadas. A Supreme, por exemplo, que andava mal das pernas década passada, de uns tempos pra cá anda dominando o inconsciente fashion. Tudo que é nome de respeito na indústria anda vestindo a camisa, inclusive pop-stars. Ou vai dizer que você não viu aquela foto da Lady Gaga (ela de novo... preciso parar de falar dessa moça) usando nada mais do que uma camiseta molhada da Supreme e um óculos Cutler & Gross? O hype é tanto que levou ao deal mega-lucrativo com o grupo Gucci, e a marca está expandindo que nem fumaça dentro de formigueiro.

 

 

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E não é só a Supreme que anda passando por um mega-revival: o Air-Max da Nike é o tênis mais HOT do dia, qualquer coisa com logos de times de baskete e baseball é ouro, gorros altos na cabeça, casacos de ski, mochilas da Eastpak, moletom de capuz, e por aí vai. (ainda não vi camisetas de futebol circulando entre os trendinistas... taí uma oportunidade, hein torcedores do Flamengo?)

 

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O retorno do hip-hop em formato menos bling e mais cool, graças ao moleque maconheiro A$AP Rocky (ícone do momento - só ele merece um post), e Tyler the Creator, dono do label Odd Future, tem também ajudado a levantar o apelo de street e sportswear (e quem lê o blog, sabe que quando tem música no meio, a gente se interessa). Os dois são interessados em moda, mas passam longe de Gucci, Dior e Dolce & Gabbana. Pra eles, mais exclusividade, s'il vous plait: quando não é o label francês Pigalle, Y-3 e colaborações da Supreme, eles criam os próprios panos.

 

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Toda essa revolução tem sido mais do que bem-vinda pra mim que, como eu mencionei no começo do post, virei mãe recentemente - afinal, não dá pra manobrar um Bugaboo no transporte público de Londres com plataformas nos pés, nem sentar no chão com a criaturinha vestindo saia de cintura alta. Eu jamais pensei que fosse virar tão PRÓ-COMFORTO, mas sim: MOLETONS, AQUI ME TENS DE REGRESSO. 

 

É claro, se eu estou escrevendo isso agora, significa que MUITO em breve vamos ver os camelôs estocando bolsas com o logo avermelhado da Supreme e dos Lakers (de novo, claro. Hoje em dia tem até revival de falsificação). Lembra o que aconteceu com os bonés da Von-Dutch? Poisé. Corra enquanto é tempo.

tempo.



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 Thais Mendes (glittah)
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#SEAPUNK: Life is a Beach
03.12.11 11:422 comentários

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Tendência e' uma coisa engraçada né? Uma hora elas surgem da rua, outras vezes da passarela, e quem realmente e' aficcionado nunca deixa de checar os 4578432 blogs no seu Google reader. Mas blogs são uma coisa tão 2010, né? Quem e' FASHUN mesmo agora tá no tumblr reblogando 30 posts por segundo de fotos roubadas. 

 

E é no tumblr, domínio de teenagers com extrema deficiência de atenção, que tem se criado alguns trends interessantes, especialmente um que me chamou a atenção por ter origens musicais e ser praticamente um derivado da minha querida cena rave dos anos 90. 

 

Depois da New Rave, ladies & gentleman, conheçam o #SEAPUNK. Em vez de aliens, Sheeva, OHM, e as nossas queridas referências Indianas, agora o esquema e' New Wave e tudo que vem da facção mais cafona desse gênero: fantasy art, golfinhos, baleias, céus e mares fluorescentes e muito, mas muito Ying Yang. Misture a isso couro, jeans rasgado, botas plataformas, cabelo colorido, adesivinhos com glitter e pulseiras de acrilico, e você tem a estética marítima-rebelde desse micro-movimento.

 

Uma coisa cyber-punk-meets-Mad-Max-meets-rave, é praticamente um revival daqueles personagens comicamente futuristas de filmes dos anos 80, só que agora realmente surgindo daquele mundo virtual que só existia na nossa imaginação a duas décadas atrás.

 

Outros termos pra definir o gênero são Tidal Rave e TropicCult (o que me fez pensar na imagen de uma Carmem Miranda Gótica), que também são títulos dos próprios EPs lançados pelos criadores do gênero. A trilha sonora é outro big revival que mistura trance, garage, música Caribenha e dubstep (AFFF), e tem como carros-chefe o escocês  Unicorn Kid, e os LA kids Zombelle (na foto inicial), Teams,e  Fire For Effects.

 

E pra completar tem até REVIVAL DA PROPRIA INTERNET EM SI, com .gif animado, imagens pixeladas, design e fontes toscas a la Hackers, e PA' - it's 1995 AGAIN !

 

 

YOU LOOK SO WET ≈ BUKKAKE IS A FEELING ≈ by ZOMBELLE

 

 

 

 

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Como Lulu Santos já dizia, tudo muda o tempo todo no mundo - só que continua tudo igual. Como uma onda no mar. 

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 Thais Mendes (glittah)
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O Apocalipse Hipster
26.08.11 12:2714 comentários

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Eu sou fã de ironias. Ironias fazem o meu dia ser mais divertido. E eu acredito que não há nada como uma boa ironia pra animar a torcida, ainda mais quando elas vem dos lugares mais PROVÁVEIS. Como um fumante que fica surpreso quando descobre que tem câncer. De pulmão. Depois de 30 anos fumando.

 

Anyway.

 

A ironia de hoje vem cortesia de um texto publicado na edição de agosto da bíblia hipster, Dazed & Confused. Segundo a revista, o apocalipse estaria próximo, e a morte em massa de seu discípulo maior – aquela figura magrela/ de bigode / boné New Era / que toca synth / posa em fotos de festa com o queixo abaixado e ventinho no olho/ (insira aqui o seu atributo hipster favorito), mais conhecida como o HIPSTER EM SI –  não só está próxima, como será muito bem-vinda.

 

 

AHN?

 

“Ahn,” indeed. Parece que até aqueles que dependem dessa criatura pra se manter em business andam cansados da existência lomografada característica de tal figura.

Essa conversa sobre a extinção do hipster não é nova. Lá pelos idos de 2008, vários bloggers e colunistas já previam a catástrofe que um “movimento” como esse, baseado no simples consumo de novidades, ia causar.

 

A matemática, por mais que pareça complicada, é na verdade muito simples: o problema do hipster é que ele acredita profundamente que consumir o novo, ou a tendência-antes-da-tendência, é uma forma de CRIATIVIDADE. Pior: uma forma de REBELDIA, como se freqüentar festas do momento usando mega-cílios postiços da MAC e posar topless no banheiro pro fotógrafo-blogueiro do momento (ou pro Instagram do teu próprio iPhone) fosse um ato comparável ao do punk que passou três meses comendo feijão enlatado pra bancar a guitarra de segunda mão com a qual ele pretende compor a nova “Anarchy in The UK”.

 

Ele/ela esquece que uma rede global de agências, blogs, marcas, redes sociais estão capturando cada novo hábito de consumo desenfreado dessa pseudo sub-cultura, na sequência empacotando e revendendo tudo de novo para eles mesmos, os próprios pseudo-criadores de tendências culturais. Só que a partir do momento que a novidade se espalha – e em tempos de redes sociais, isso acontece na velocidade da luz – o hispter passa a desdenhar tal tendência e procurar a próxima,  se enfiando assim num ciclo infinito de tédio e vazio existencial. Expressar entusiasmo é expressamente proibido, já que realmente AMAR ALGO DE PAIXÃO significa se AFILIAR a esse algo mais do que os 5 minutos que o hispter está acostumado a dedicar pra cada moda/música/obra-de-arte. E isso é o HORROR, porque no fim das contas, deslumbre é para os fracos, ou pros que chegaram atrasados. Assim, sempre histericamente a frente de todos, o hipster pra se manter hipster precisa exalar um ar constante de indiferença, apatia, tédio.

 

Mas pensa: como é que vamos criar qualquer coisa de significância nesse mundo se não há motivação significativa pra isso? O que fazer quando o nosso objetivo maior é ganhar o maior numero de “LIKES” na rede social, assim validando nossos esforços temporariamente - na sequência, sendo deixados pra trás pela próxima novidade a ser “postada”? Em tempos de gratificação instantânea, ser relevante e ser efêmero praticamente viraram sinônimos.

 

Todos os movimentos jovens antes da vinda do hipster surgiram como uma reação a um status-quo, uma alternativa ao que era ditado pelo establishment.  Os Mods, os Hippies, os Punks, os New Romantics, os B-boys, e por aí vai, tinham objetivos claros na cabeça quando decidiram se vestir orgulhosamente da maneira que se vestiam: protestar, usando o estilo pra chamar atenção pra ideia em si. Hoje em dia os únicos protestos em que existem em sociedades consumistas como as nossas são adolescentes quebrando as vidraças de lojas da vizinhança pra roubar os tênis e celulares do momento, simplesmente por roubar – depois culpando o governo por isso. O estilo em si virou a ideia final, a causa.   

 

Hoje, te desafio a encontrar um indivíduo que bata no peito com orgulho ao se auto-proclamar um Hipster. Ele próprio sabe o quão pejorativo e sinônimo de vazio o termo é.

 

Infelizmente, enquanto os próprios criadores, como a Dazed, continuarem cultivando a existência da própria criatura, a morte do hipster tá longe de acontecer. No máximo, esse monstro cultural só vai se transmutar em outro tão consumista quanto, indefinidamente, até sermos todos engolidos pelo próprio excesso material.

 

Salve-se quem puder. 

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 Thais Mendes (glittah)
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O Ataque dos Clones
23.05.11 08:307 comentários

Voltei.

 

Longos hiatos as vezes são necessários pra que cheguemos a certas conclusões, meus caros. Afinal, nos dias de hoje em que ninguém mais tem tempo de pensar sobre determinado assunto quanto mais chegar a conclusões – muda-se de assunto como se muda de roupa! – só mesmo se afastando uns bocados pra get the big Picture.


E como os poucos que aqui se aventuram devem ter notado, esse não é um blog de looks do dia, certo? Que fique claro: aqui são registradas opiniões subversivas e esporádicas sobre o fascinante e frívolo mondo fashion, e assim se manterá até minha eventual expulsão pelos donos do rraurl, cansados de blogueiros que desaparecem.

 

Mas então.

 

Estive no Brasil por dois meses recentemente, e well, well, well, vejam só se esse não é um país em ascensão? Quase irreconhecível, nosso Brasil, com seus ares de Dubai, no centro das atenções mundiais, e cheio das pretensões típicas dos emergentes. Muitas cifras por pouco valor,  muita atenção dispensada no indigno e injustificado, ou como diria o velho Bardo, much ado about nothing!


Mais tais são os perigos do capitalismo desenfreado.

 

Aí esses dias caí nesse blog post na FFW, onde a autora Bia Granja celebra a relação positiva da internet com fashionistas em geral, o quanto tem sido LIBERTADORA (caixa alta de autoria dela.)

 

Não concordei, imediatamente. Simplesmente porque a conclusão da Bia é típica de uma cultura que está em ascensão e ainda otimista – e portanto CEGA – em relação aos perigos do excesso. 

 

Por aqui, já deu tempo do fascínio com blogs de moda/revistas/fast-fashion gerar um repercussão negativa. Guarda-roupas abarrotados de peças descartáveis e sem sentido, legiões de “It-girls” pré-fabricadas e clonadas, e milhares de editoriais mostrando o mesmo sapato Prada (ou cópia dele), deixando um gosto amargo na boca de quem curte moda como forma de auto-expressão.

 

Claro que a internet virou, de uma forma positiva, uma terra de ninguém onde todo mundo tem voz e liberdade pra contribuir da maneira que quiser (olha eu aqui fazendo exatamente isso). Só que pouquíssimas pessoas estão fazendo isso, expressando a própria opinião ou visão. Pelo contrario, a internet só trouxe pra um plano mais visível uma “boiada” de supostos fashionistas que nada mais são do que os velhos seguidores de tendências. Uma massa homogênea e sem senso-crítico.

 

"É bom para o público consumidor e a indústria" – dizem os otimistas. O problema é quando “players” da própria indústria enxergam seus trabalhos como uma forma de expressão artística, mas ao invés de trabalhar na criatividade, apenas regurgitam versões e mais versões medíocres do trabalho de outros. Por que a internet abriu as portas de um mundo até não muito tempo limitado, o que se chama de “pesquisa” e “inspiração” hoje em dia nada mais é que reprodução descarada. Nunca pipocaram tantas revistas de moda como agora (pra não falar das revistas online), e é extremamente difícil diferenciar o conteúdo de uma pra outra! 

 

Do ponto de vista do consumidor, se é bom ter acesso e dinheiro pra comprar as roupas que até pouco tempo era privilégio dos que viajavam e moravam fora? Lógico que é.  É maravilhoso. Mas o perigo, como sempre, está na preguiça mental que a disponibilidade em massa causa, ainda mais quando esse tal consumidor só filtra suas escolhas através do twitter/blogs/revistas de moda. O resultado? Todo mundo vestindo a mesma coisa.


Quer uma prova?  Essas fotos foram tiradas de 3 street-style blogs diferentes, de 3 países diferentes. Dá pra dizer quem vem de onde? Então.            

 

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E não são apenas meninas. Aqui mais 5, de Seoul a Califórnia, passando por Amsterdam e hm, Brasil.

 

 

 

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Se achamos o look deles legal? Achamos. Se é necessário ver 5 milhões de versões online do mesmo look todo santo dia? Definitivamente não.

 

Volto a bater na mesma tecla: estilo verdadeiro não está no consumo desenfreado de fast-fashion, no look do dia, na obsessão pelo tendência, tendência, tendência. O “fashionista” verdadeiro leva anos pra afinar sua identidade, seu look, se deixando influenciar por todos os âmbitos da cultura e pelo ambiente que se vive.  Pode vir das bandas que escutava na adolescência, dos romances que lia na faculdade e os filmes que via a tarde depois da escola, pode vir de uma tia que praticava hipismo ou pela avó que tricotava suéteres pra família toda. Ou pode vir daquela lojinha da esquina de uniformes que vende camisas brancas que caem como uma luva. Referências únicas que não vão virar uma fórmula a ser seguida no twitter ou ditadas por uma personal stylist. Qualquer lugar, menos o óbvio.

 

Como disse Oscar Wilde (eu sei, eu sei, citar Wilde é o extremo do óbvio), “Eu vivo apavorado de não ser incompreendido.” #Ficaadica. 

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 Thais Mendes (glittah)
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Conclusões Tiradas do Guia de Estilo Inglês de Luella Bartley
22.01.11 20:572 comentários

Esse post (LONGO) vem cortesia de outro livro que eu li nessa virada do ano, e foi inspirador: Luella's Guide to English Style - um guia de estilo inglês compilado por uma das designers mais legais que apareceram, e infelizmente quebraram, na Inglaterra nos últimos tempos, Luella Bartley.

 

 

São vários os tópicos que deixaram minhas papilas gustativas fashion salivando (só no top 10 de maiores estilosas inglesas da moça tem PJ Harvey, Poly StYrene e Justine Frischmann do Elastica... \m/), mas um que ficou martelando na minha cabeça foi o capítulo sobre classes sociais.

 

Ah. O elemento existencial e metafórico (leia-se status) que difere, e ao mesmo tempo une, o Reino Unido ao Brasil.

 

Aqui na Britânia, fazer parte de uma determinada classe é algo que não depende de dinheiro, e raramente aquele que pertence a uma mudará pra outra. A teoria é que uma vez working class, always working class, não interessa o quão profundo seus bolsos se tornaram. O mesmo vale pra aristocracia, que pode ficar pobre de uma hora pra outra, mas terá o mesmo senso despreocupado de tradição e apatia.

 

Mas existem três fatores que conseguem derrubar as paredes sociais: criatividade, talento, e, AHAM, estilo. As escolhas do seu guarda-roupa são a maneira mais imediata de mostrar suas influências culturais, e por direta associação, seu faro criativo, aquele que eventualmente te desliga de qualquer conexão social, seja ela inferior ou superior. Exemplos diretos disso? Alexander McQueen (filho de taxista), Vivienne Westwood (professora primária), David Bowie (filho de proletários), Amy Winehouse (também filha de taxista), e por aí vai.

 

Já no Brasil, mobilidade social parece ser a última tendência: em tudo que é matéria sobre economia só se fala da classe E que virou D, que virou C, que até 2015 vai virar A++. O que obviamente é excelente pra um país com um histórico de crises financeiras.

 

Mas quando o assunto é imagem (ou estilo, moda, aparência), toda essa mobilidade acaba fazendo um desserviço as classes que podem se dar ao luxo de pensar no assunto. Conseguir avistar no horizonte a possibilidade de uma vida diferente daquela que se vive gera também a vontade de ser visto como alguém que pode pertencer, ou já pertence, àquela classe almejada. Ao invés de se criar a própria persona com o intuito de fugir da condição  que se vive, prefere-se seguir o padrão e tentar se encaixar no molde. A consequência? Insegurança permanente e um complexo de inferioridade embutido que acabam se refletindo em todos os aspectos, inclusive no estilo.

 

A classe média brasileira, em especial, tem o hábito irritante de fazer um esforço absurdo pra parecer aquilo que não é por medo do julgamento alheio. Além de tentar eternamente parecer que é financeiramente mais confortável do que realmente é (cabelo liso e escovado! unhas perfeitas! cirurgia plástica! o jeans que custa mais de mil reais! tudo isso em 197453729 parcelas de R$2.99), os "medianos" estão sempre buscando *inspiração* no que vem de fora pra validar as próprias escolhas, como se ser fiel ás próprias raízes fosse motivo de vergonha. O resultado disso tudo é um enorme carrossel de mediocridade, rodando num eterno loop de deja-vus, disfarçado de estilo. Toda compra - do tênis Nike ao Iphone - vem com uma placa de aviso imaginária com os dizeres "Eu sou MELHOR que você." E nunca é verdade, já que todas essas escolhas similares acabam por criar uma enorme massa homogênia de consumistas entediantes e entediados.

 

Assim no Brasil uma pessoa com estilo de verdade, com criatividade e caráter pra se vestir da maneira que melhor interpreta seus interesses e estado de espírito, vira uma em um milhão.

 

 

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todo bairro classe média brasileiro tem um grupinho de "estilosas" como esse.

 

 

 

 

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um encontro de "blogueiras" fashion brasileiras

 

 

A classe média britânica também sofre do mesmo problema de insegurança que a brasileira hoje em dia, e por isso vemos por aqui também muito mais mediocridade do que originalidade, em termos de moda. Consume-se demais, do mesmo, e cria-se de menos. Nessa era de internet e informação ampla, de redes sociais e bordas entre países praticamente invisíveis, todo mundo está mais preocupado em ser aceito pelo establishment (ganhar aquele "LIKE" no facebook é essencial), do que ficar alienado por ser verdadeiramente original. O mais interessante é que exatamente o fato de se ser alienado, rejeitado, mal-visto, ignorado, são fatores que mais contribuem pra gerar talentos e ícones, já que tornando-se diferente é a maneira mais rápida de se fugir do julgamento social.

 

E essa é a diferença entre uma nação e outra: ser diferente e original é algo a ser celebrado na Inglaterra. No Brasil, é motivo pra ser ridicularizado.

 

Luella resume bem em uma frase aquilo que falta a todos nós medianos: ter classe - ou ser cool - está diretamente ligado com a falta de preocupação e esforço que se faz por obtê-los. Como ela diz na página 301, "Individualidade é o que importa no fim das contas. Caráter (no sentido de personalidade) sempre supera classe social. Na Inglaterra, pode-se conseguir qualquer coisa desde que se tenha um personalidade, um personagem extremamente único, e facilmente identificável, quaisquer que sejam as raízes sociais. Ser lúdico, irreverente, notável, são mantras úteis."  

 

 

TO BE CONTINUED... (no próximo post, a diferença GRITANTE entre os símbolos de status sociais entre o Brasil e a Inglaterra).

 

 Thais Mendes (glittah)
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As Dicas de Moda de John Waters
09.01.11 14:002 comentários

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Confesso: essa virada de ano foi meio broxante em termos de moda. Todo mundo sabe/viu/falou sobre/tem uma opinião a respeito da última colaboração entre estilista so-and-so e marca yadda-yadda, ou a nomeação da editora whatsherface pra edição da super revista francesa "Shmogue" (um dia desses boto aqui uma print-screen da minha timeline no twitter. DULL.)

 

Anda difícil manter o tesão - e desculpe o uso excessivo de terminologias sexuais - mas conversas, matérias, e blog posts intermináveis sobre new faces do momento, a volta da pantalona, e qual tom de bege é o ideal (caramelo? cappucino? camelo?) têm aniquilado a minha vontade de viver. CADÊ aquela conexão com a música, com a cultura jovem, com hormônios adolescentes, e com movimentos e tribos, onde roupas são mais do que tendências, são a tradução mais imediata da identidade de alguém? 

 

Eu devia estar procurando nos lugares errados, porque enfim descobri que não há nada mais animador do que ouvir dicas de moda de alguém que não está envolvido no meio. Assim, nesse Natal, me dei de presente o último livro do diretor de cinema John Waters, Role Models, inteiro sobre as pessoas que serviram como exemplo de inspiração em sua vida.

 

E quem diria, lá no meio tinha todo um capítulo dedicado a Rei Kawakubo, aka Commes des Garçons, aka a japonesa mais influente e inteligente a pisar no fantástico mundo frívolo da moda. Entre elogios a genialidade de Rei e númeras anedotas sobre a causação que foi ter usado um de seus terno CDG esfarrapado (de propósito) naquele bar cheio de Hells Angels, Waters também listou uma série de dicas pra quem quer parar de seguir moda e sim, inventá-la. 

 

 

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Então, fiz uma seleção dos melhores trechos que eu gostaria de ter lido aos 12 anos. São idéias simples, quase bobas, mas que nesses tempos de seriedade fashion, servem como boas fontes de inspiração em 2011. Enjoy:

 

1. Eu faço compras ao contrário. Se eu tiver dinheiro pra comprar uma roupa nova, alguma coisa tem que estar errada com ela. De propósito.

 

2. Você também pode ter uma assinatura icônica. Não tem nada a ver com dinheiro e sim com o look!

 

3. Você não precisa de estilistas quando você é novo. Tenha fé no seu próprio mal-gosto.

 

4. Compre as roupas mais baratas na sua loja de caridade local - aquelas roupas que acabaram de ficar fora de moda, inclusive pras pessoas que são um pouco mais velhas que você.

 

5. (MINHA FAVORITA) Incomode os seus colegas e seus amigos, não os seus pais - essa é a chave da verdadeira liderança fashion. 

 

6. Roupas que não servem são sempre mais estilosas. Mas seja mais creativo que isso - vista-as ao contrário, de trás pra frente, de dentro pra fora. 

 

7. Jogue água sanitária na máquina quando estiver lavando roupas coloridas. 

 

8. Siga exatamente o oposto das instruções de lavagem na etiqueta das roupas que custaram mais caro na loja de caridade.

 

9. Não use jóias. Cole Band-Aids no pulso ou faça um colar com eles. 

 

10. Use fita adesiva nos lados do rosto como uma tentativa de face-lift.

 

11. Use um pé de sapato diferente do outro.

 

12. Vá as lojas de caridade logo depois do Halloween, quando as fantasias de criança estão em liquidação, compre um e use-o como seu uniforme do desafio.

 

 

 

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 Thais Mendes (glittah)
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Depois da Lady Gaga...
22.11.10 18:004 comentários

 

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So. YEAH. Pois parece que nenhuma cantora pop aspirante a mega-star que queria um minuto de atenção da geração Y - a.k.a. a geração mais desatenta da história EVER -  pode pensar em subir num palco sem usar a Lady Gaga como referência féshion. Ou a Cher, se você quiser ter mais substância.

 

Vejamos: de uns tempos pra cá apareceu a Ke$ha (acima e abaixo), que adora um neonzão e pintar a cara

(e no finde apareceu no American Music Awards com tachinhas na sobrancelha).

 

 

 

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E lançando álbum essa semana aqui no UK, tem a Nicki Minaj, que colaborou com tudo que e' big name do hip hop, de Will.i.am a Lil Wayne. Assim como as outras (incluindo Rihanna, Beyonça e etc), ela também adora (ou começou agora a adorar) um estilista maluquenho em começo de carreira e usar cores do arco-íris na cabeça.

 

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e por fim, lançando o single feminista (ou lesbico) "DO IT LIKE A DUDE" direto dos guetos de East London, a nossa querida Jessie J. A atitude é punkete, mas o estilo, por enquanto, é menos maluquete: cabelo chanel-meio-katie-perrie + dourado hiphop + maquiagem forte.

 

 

 

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todo mundo mutcho macho, e cheia das atitudes boludas. Agora, se vc me perguntar sobre a música, vou responder a mesma coisa que eu costumava dizer em relação á Gaga:

 

WHO CARES?

 

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