Desculpa a obscenidade na foto de abertura, mas é que de repente eu acordei e vi que já estou a 2 semanas no Brasil, Natal é depois de amanhã, e BAM!, 2009 virou história! Naturalmente a primeira palavra que me veio na cabeça foi essa nos dedos da Queen Michelle, minha blogger favorita.
Sei que estive ausente mais do que devia, mas finalmente cheguei na terra do xurupita (pensa que eu não acompanho?), e well, são TANTAS as distrações que eu estou tendo sérias dificuldades pra me concentrar. E como poderia, quando na suposta Ibiza brasileira, Balneário Camboriú, ganha mais quem ostenta menos roupa (e mais plástica)? Rebelde, por esses lados, é quem OUSA esconder o corpo! E nem vou falar de preços - rebelde é quem compra vestido de 10 reais e carrega o bixo como se vestisse Chanel!
Mas calma que falaremos mais do Brasa na sequência. Antes, tenho que lembrar que 2009 está pracabar, e como segue a tradição, temos que dar uma rápida olhada pra trás antes de virar a página (e se acabar nas festas de fim-de-ano). Mas em vez de listas maçantes, vou seguir os critérios do blog e mostrar a seguir alguns dos nossos favoritos do ano.
Os looks mais BOLUDOS do ano:
1 - Lady Gaga - Já imagino que a Lady Gaga provavelmente não vai entrar pra nenhuma lista de melhores do ano dentro do rraurl quando o negócio - mas eu seria LOUCA de não incluir a moça na pódium fashion de 2009. O love affair de Gaga com figurinos e novos designers é tão intenso que fica impossível não admirá-la, nem que seja pelo esforço. Meu favorito é sem dúvida o look realeza feito de látex usado pra conhecer a rainha da Inglaterra.
2 - Daphne Guiness - faz anos que a socialiate inglesa ilustra páginas e mais páginas de revistas com seu guarda-roupa recheado de haute couture (só ela consegue bancar a etiqueta salgada, anyway), mas eis aqui um caso de que não basta ter dinheiro pra virar musa de estilista. Tem que ter BOLAS. E mais uma vez ela mandou bem usando os megalomaníacos sapatos-monstros de Alexander McQueen ss10. Quem dera...
3 - Madonna - Foi provavelmente o outfit da rainha que mais deu o que falar no ano. Pudera: de Louis Vuitton dos pés a cabeça para o Met Ball Gala 2009, ninguém sabia NEM por onde começar. Curto? Bufante? Botas de stripper? Luvinhas de cadimia? E, OH MY GOD, por acaso ela tá de ORELHAS DE COELHO? Poisé. Adoramos a atitude, claro.
4 - Amber Rose - ou a namorada-daquele-rapper-mané-que-sampleou-Daft-Punk-e-interrompe-o-discurso-dos-outros-no-palco-em-premiações-youknowho. Só vou dizer isso: lentes de contato e macacão prata. Well done.
5 - M.I.A. - Absolutamente explicável por si só. Menção honrosa por se apresentar durante o Grammys aos 9 meses de gestação. AJA balls.
Arrasou do ano:
A primeira dama mais famosa do mundo, Michelle Obama, vestindo top customisado do ultra-talentoso duo Anglo-Brasileiro Basso & Brooke - e por escolha própria, sem jabá. Yes, she can.
Revolução mais legal do ano: meninas maiores no mundo da high-fashion
A questão das modelos plus-size começou devagar ano passado, cheia de debates sérios depois da morte de modelos relacionada a anorexia. Mas o mundinho da moda não entende muita seriedade, e só quando encontrou uma maneira SEXY de mostrar que dá pra ser cool sendo maior que um cabide, é que a revolução finalmente começou. Primeiro veio a polêmica capa da revista LOVE com Beth Ditto. Depois o designer britânico Mark Fast botou na passarela três modelos desfilando seus famigerados e coladérrimos vestidos de tricô. Depois Lara Stone, a modelo sueca tão famosa pelos dentinhos separados quanto pelo tamanho dois números acima do que é de costume em passarela, foi eleita modelo do ano. E essa semana, a bíblia fashion V Magazine publica um editorial fotografado por Terry Richardson onde mostra que looks de desfile cabem sim em tamanho G (e ficam ixtaile).
Não há mais dúvidas: 2010 com certeza vai ser um GRANDE ano.
Quero Enjoar do Ano Mas Tá Difícil: Rock'n'Roll
Foi o trend mais over-exposed do ano. Todo entusiasta fashion pregou tachinha até na cara, rasgou a meia-calça e o jeans, adotou a jaqueta biker de couro como uniforme e sequestrou camisetas de banda heavy metal sem o menor pudor. E como todo modismo em excesso, obviamente em 2010 veremos uma exatamente o oposto, provavelmente uma explosão de looks cheios de flores e babados. Mas rebelde de coração é valentão por natureza, e todos essas referências e materiais de MACHO (metal, couro, preto, rasgado) sempre vai fazer parte do guarda-roupa de quem tem um lado mais, well, grosso. Assim sendo, entra ano, sai ano, continuaremos amando o look "pertenço a uma banda", por que quem se veste assim parece que se DIVERTE mais que todo mundo. Which is what we do best.
Vai se acostumando do ano (que vem): o retorno das TAMANCAS.
Chame do que quiser, babuchas, clogs, tamancos, whatever. Vai voltar com a força de um tornado em Santa Catarina, culpa da Chanel. E eu até que não tô achando ruim.
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Well, a lista é muito mais extensa, e sei que tá ficando MUITA coisa de fora, mas daremos uma parada por aqui porque senão esse post vai se estender até dia 1 de janeiro - e ninguém quer perder as festas pra ficar LENDO sobre roupas. O negócio é tirar a fantasia do armário e perder a cabeça.
Se você chegou até aqui, um super obrigado por ler nosso bloguinho em 2009, e que em 2010 a gente continue AINDA MAIS rebelde. Por que de conformismo, já basta todo o resto. E como resolução de ano-novo, prometo ser MUITO mais regular também. Até amanhã.
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BOAS FESTAS!
Continuando o tema sobre cabelos (ando num tal de reciclar temas, néam? sorry), tem um trend circulando por aqui que vai deixar o emo (ou clubber) dentro de cada um de nós muito feliz.
Lembra quando comprar um potinho de tinta azul (ou rosa, ou verde) da Manic Panic na Galeria Ouro Fino era o ÁPICE DO COOL há 10 anos atrás? Pois os tubinhos da cor do arco-íris estão a beira de um mega-revival, e dessa vez sem se anexar a nenhuma tribo teenager para tal.
Desde que Katie Shillingford, fashion editor de um dos nosso periódicos Londrinhos favoritos Dazed & Confused, apareceu nos últimos shows de Paris com as pontas dos cabelos mergulhadas em tons de azul-marinho e preto, a blogolândia pirou. Será que dá pra ser chic e ainda pintar o cabelo de uma cor impossível? Ô, se dá.
Pois a técnica desse estilo em inglês se chama Dip-Dye - exatamente isso, mergulhar na tinta - e em francês Ombré, que segundo o Google Translate significa "sombrear", uma técnica também usada em tecidos. A idéia é parecer assim mesmo, como se a tinta tivesse derretendo, desbotando, quase *sangrando* do cabelo (ih, lá vem as referências vampirescas...). Assim como cabelo com aparência de sujo, a idéia é parecer meio descuidado, despreocupado, meio tenho-mais-o-que-fazer-do-que-retocar-a-raíz.
E desde setembro, várias interpretações interessantes apareceram (prometo que não vou falar da Lady Gaga). Modeletes ao redor do mundo estão adotando o look fora do trabalho, incluindo as darlings do momento Lara Stone, Lily Donaldson, e Anastasija Kondratjeva que saiu direto da passarela de Proenza Schouler ss10 com o cabelo esfregado no roxo pálido e não tirou mais.
*Luigi Moreno pra A Magazine
Ah, e claro, uma hora ou outra as celebs adotam também, sendo a mais recente adepta Drew Barrymore, que estreou como diretora em Toronto usando estilo dois-tons, mais dividido - tipo SUPER "Take My Breath Away." Ou vai dizer que você não lembra do vídeo da trilha sonora do filme Top Gun? A vocalista da banda Berlin, Terri Nun, já tava ahazando com esse look dois tempos a duas décadas atrás. O que prova que existe uma linha tênue (literalmente) entre o cool e uó. Mas deixo isso pra vocês julgarem.
*foto do começo: Lazybones_Photography no flickr
Perdão pelo sumiço, queridos, mas estamos em preparação pra uma temporada de 40 dias na terra do samba (yes \o/), e compromissos se acumulam.
Mas enquanto as malas continuam por fazer, estive passeando por blogs brazucas e vi alguém dizendo por aí que "correntes são as novas tachinhas." Well, well, pode ser que sim, mas se é pra continuar nesse ritmo rebelde-chic, então vamos já dar um passo a frente e prever o próximo trend. Aí vai:
CABELOS são as novas correntes. Cabelos Humanos, no less.
Já até consigo ouvir os gritinhos de asco reverberando entre os círculos non-fashion (e as piadinhas do tipo "esqueceu a depilação, gata!"), mas como em tudo nessa vida que entra e sai de moda, não há nada a ser feito a não ser se acostumar com a idéia.
O que me leva a pergunta, e provavelmente á *RAÍZ* da questão: se podemos nos adornar em peles e pêlos de animais sortidos sem contorcer nossas feições em rejeição, por que raios o aspecto de cabelo humano nos trás aversão? Afinal, fios de gente não são lá tão mais distintos do que uma crina de cavalo (apesar de quê ainda não avistei ninguém vestindo rabos de cavalo DE VERDADE, mas hey, não deve faltar muito), e quem nesse mundo não adora passar os dedos em madeixas SEDOSAS? A diferença é que em vez de estar na cabeça, as melenas estão costuradas em ombros, sapatos e barras de saias. Diferença nenhuma de colar extensões no couro cabeludo - ou não?
É assim, acho eu, que deve estar funcionando o cérebro de designers mais conceituais que estão a algumas temporadas experimentando com cabelos-de-vestir. A maison francesa Martin Margiela, sempre anos-luz a frente de nós meros mortais, fez ano passado, um casaco de perucas loiras que foi parar, entre outros lugares, nas capas das bíblias fashion V e Purple do verão 2009, e nos ombros do ícone fashion com a maior longevidade ever, a Barbie.
Na mesma época, outra cabeluda francesa, a dama Sonia Rykiel, repetiu a façanha em um desfile bem-humorado celebrando 40 anos de sua marca registrada ruiva. Duas idéias iguais na passarela fazem uma tendência? Talvez.
Obviamente, nem todo mundo têm a manha de bancar a macaca por aí, e outros designers foram mais sutis. A russa Alena Akhmadulina (também na foto que abre esse post) foi mais chic colocando aqui e ali mechas coloridas em sua coleção ss09, assim como o participante da sexta temporada do Project Runway (que eu não vi) Chris March, que aparentemente causou a maior polêmica quando usou cabelo como - literalmente - franjas nas roupas.
Tem que ter uma certa veia dark pra gostar desse tipo de ornamento. Se como eu você acha que as criaturas cabeludas dos filmes "O Chamado" e "O Grito" têm um certo, ahm, charme, então provavelmente você não vai desconsiderar acessórios como esse colar de caveiras e cabelo do japonês Aoi Kotsuhiroi, nem o (LINDO) sapato cabeludo do gênio Nicholas Kirkwood. É quase como usar... penas?
Mas ei, ninguém está dizendo que brasileiros vão sair por aí colando as sobras daquela ida ao salão nos ombros. Mas se como minha amiga D., que disse "desculpa aí, mas não me APETECE", você também têm ojeriza a idéia, ainda pode pelo menos apreciar a audácia de gente como o cabelereiro francês Charlie Le Mindu. Estourando nas duas últimas London Fashion Weeks, o moço têm transformado cabelo em criações estupendas (e bastante perturbadoras) que têm feito o maior sucesso como figurinos em palcos e vídeo clips por aê, inclusive no último da sempre controversa Peaches, abaixo.
Então, vou ali brincar com a tesoura. Wish me luck.
Depois do Halloween, acabamos de atravessar outra sexta-feira maldita esse finde, e o tema assombração continua por aqui. Só que em vez de monstrengos, aproveitamos a deixa da estréia de New Moon essa semana, a segunda parte da saga Twilight, e esse post é sobre a mais chic das criaturas das trevas - vampiros.
Eles estão, tipo, em TUDO que é lugar não? Além de Twilight, tem True Blood, Deixe Ela Entrar, Thirst, The Vampire Diaries, e até The Lair (série de vampiros gays do canal Here!, I kid you not) . É pra, literalmente, todos os tipos sanguíneos. E nunca o look Vampiro Chic esteve tão em alta. Ou não desde os anos 80 com os New Romantics e Góticos.
É uma bela alternativa a todo aquela imagem bronzeado-Tang-laranja e madeixas iluminadas por tons de mel típico de stars de Hollywood e copiado ao redor do mundo. Então em vez de loiras saudáveis espremidas em tubinhos fluorescentes (*tédio*), o último grito é parecer morta-viva, com pele cadavérica, boca pintada de vermelho ou negro, e claro, muito couro e preto.
Desde o começo do ano os maiores labels tem apostado as fichas na tendência-morta-viva. A Topshop lançou a coleção Horror Girls com camisetas fazendo apologias vampirescas, coisa que a marca de camisetas californiana (poisé) WildFox Couture também fez, lançando um dos lookbooks mais sexy do ano: modelos vampiras se escondendo do sol em hotéis de estrada.
Mas ninguém ainda bateu a Vogue Paris, sempre maravilhosamente controversa, que em feveiro botou a modelo-du-jour Lara Stone em um menáge-a-troix sangrento, fotografado pelo mestre Steve Meisel.
Na passarela e nas lojas, Vivienne Westwood mandou sua musa Pam Anderson enrolada em véus negros no desfile de outono/inverno, a marca japonesa de menswear BlackBarret fez uma coleção especial baseada no filme cult de vampiros The Lost Boys, e pra quem se pergunta *comofas pra usar no verão?* conceitualíssima designer belga Ann Demeulemeester mostrou em outubro a maneira mais fresca e cool de usar couro e preto na estação fervida.
E porque nem todo mundo tema a manha de bancar a criatura das trevas, tem até opção pra quem prefere ser vítima. Que tal o look destruído, reproduzido em versão luxo pela Balmain em seu último show - uma coisa "escapando no meio da floresta?" Fácil e rápido de copiar, essa é a melhor alternativa pra quem tá pobre mas quer dar uma renovada no armário. Quem disse que a moda não é democrática?
Mas claro, como tudo nesse mundo que é em excesso, vampiros estão com os dias contados. A New York Magazine já deu início a uma campanha pra substituir a obsessão com vampiros por, ahm, SEREIAS, e o novo livro de Anne Rice, que entre outras grandes realizações nos trouxe Tom Cruise e Brad Pitt em forma sanguessuga, é sobre ANJOS. Hm. Aguarde cenas do próximo capítulo.
Acabou o Halloween, passou o Dia de Finados, mas parece que o clima de horror não vai voltar pra tumba tão cedo. Por que não sei se vocês perceberam, mas além de rock'n'roll, a moda anda passando por uma fase meio ZUMBI-CHIC.
É um tal de roupas rasgadas e maquiagem pálida pra tudo que é lado, que de repente ter um lado DARK virou COOL de novo.
Coincidência ou não, vários designers e labels andam se arremesando nas referências macabras.
E as rainhas do horror fashion são as irmãs californianas Kate e Laura Mulleavy do label Rodarte. Depois de se formarem (em artes plásticas e literatura - nenhuma estudou moda), as duas passaram um ano dentro de casa assistindo filmes de terror, até o dia em que resolveram vender sua coleção enorme de discos pra bancar os primeiros vestidos (que história ótima não?). Enquanto as primeiras coleções foram uma série de longos românticos e diáfanos, não demorou muito pras influências tenebrosas vagarosamente se infiltrarem nos desenhos das meninas, e no inverno de 2008, Rodarte explodiu no universo fashion com uma coleção inspirada em filmes de terror japoneses. Vestidos flutuantes pareciam manchados de sangue, meias e tricôs apareceram desfeitos e puídos como se a mocinha (ou monstrengo) tivesse corrido no meio de uma floresta assombrada.
O que veio depois só continuou no caminho do sinistro - mas absolutamente original - culminando com a brilhante coleção de primavera-verão 2010 (abaixo): uma fábula obscura onde as mulheres Rodarte ressurgem de uma guerra no Vale da Morte e reconstroem as próprias roupas com sobras e ruínas - uma coisa destruição-glamour.

Por aqui, o moleque Gareth Pugh despontou no cenário fashion com a fúria de um hellraiser em 2005, criando looks mais apropriados para uma cena de Alien ou Resident Evil do que butiques de madames (de fato, até recentemente, Pugh não tinha vendido uma peça sequer, e foi obrigado a a maneirar no teatro a favor do sucesso comercial). Muito preto e monocromático, formas futuristicas e ao mesmo tempo góticas, Pugh é o mais novo queridinho britânico a tomar conta das passarelas parisienses, consequentemente influenciando o resto do mundo.



E acabando de sair do forno (ou do fogo dos infernos, se é pra continuar com o tema) é a a assistente de Pugh, Gemma Slack, que acabou seguindo os passos de seu chefe fazendo seu debut cheio de couro dark em formas de vértebras. Também a holandesa Iris Van Herpen, com criações intricadas que lembram de múmias e Jason de Sexta-Feira 13 ao mesmo tempo.


E claro, tem ainda os vampiros que dominaram todas as artes esse ano - e a moda não escapou intacta. Mas isso fica pro próximo post. Por enquanto, deixo com vocês a mais nova capa da Vogue Nippon de dezembro, que fala por si mesma. Apavorou?
ATENÇÃO: O POST A SEGUIR É EXTREMAMENTE MULHERZINHA. NÃO NOS RESPONSABILIZAMOS POR EVENTUAIS CONSEQUÊNCIAS. OBRIGADO.
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Enquanto está todo mundo no Brasil aliviado (imagino eu) de poder arquivar aquela jaquetinha de inverno pelos próximos, ahm, 10 meses, aqui é ao contrário. É em outubro que todo mundo faz cara de resignado e começa a desenterrar os couros e as lãs pra usar por LONGOS 6 meses - isto é, a não ser que como eu, você seja um imigrante de um país tropical e programe suas férias na terra-natal pro meio do invernão.
Mas enquanto não fazemos o longo vôo migratório pro hemisfério sul, continuamos em winter mode, acalentando a idéia de passar dezembro e janeiro de havaianas nos pés e obcecando com dicas pra compensar a falta de cor e luz que nos atormenta nessa terra cinzenta.
Revirando minhas caixas de aviamentos (nunca pensei que fosse ter isso... "caixas de aviamentos"), achei rolos de lã rosa-choque comprados num inverno de outrora.
Eu não sei tricotar. Eu juro que tentei aprender, principalmente depois que a recessão desencadeou uma onda de "artesanato-cool" no país, fazendo com que todo mundo redescobrisse o prazer de FAZER coisas ao invés de comprar prontas. Mas, você vê, cada um com seus talentos, e se têm uma coisa que a experiência me ensinou, é que eu definitivamente não possuo os genes artísticos que fazem pessoas sentir PRAZER em tricotar ou, sei lá, cozinhar.
Então o que alguém com a paciência e atenção de uma criança de 5 anos com DDA pode fazer nesse caso? Simples: POM POMs.
Eu SEMPRE odiei pom-poms. Pom-poms são coisas fofas que avós, bebês e menininas que participam de feiras hippies adoram. Ou pelo menos era essa a minha impressão até fevereiro passado, quando o designer Indiano-inglês Ashish apresentou sua coleção ULTRA-colorida de outono-inverno 09/10, CHEIA de pom-poms. E aí as tais bolinhas felpudas grudaram no meu subconsciente.
De repente, POM-POMs perderam o status artesanato-de-senhora e ganharam TODA uma atitude rebelde! Ah,tá, assim vai.
Então, resolvi fazer os meus, seguindo esse videozinho aqui . Mas como dito anteriormente, paciência é um fator limitante e só consegui fazer quatro. Não foi o suficiente pra fazer uma versão do moletom Ashish, mas foi o suficiente pra decorar umas sandálias de lona velhas que eu comprei de um vendedor de rua por £1. Armada de tinta spray (que explodiu na minha mão depois e me deixou com unhas pretas por 4 dias), linha e agulha, o que era isso...
... virou isso!
Se vai dar pra usar isso no verão de 35 graus do Brasil sem correr o risco de desenvolver uma urticária no pé, é outra história.
Eu juro que eu tento não ser uma daquelas pessoas que moram fora e acha que tudo o que acontece no Brasil é ruim. JURO. Mas fica difícil manter o espírito fraternal quando um dos eventos fashion mais interessantes do mundo vai pro Rio de Janeiro e vira uma ODE ao mau-gosto.
A começar pelo line-up de artistas, que mais parece uma paródia de uma premiação americana de 10 anos atrás: Mariah Carey, Sean P. Puff Daddy Combs (é assim que ele se chama agora, não?), Ja Rule, Ciara, Estelle... O povo do RnB continua essa luta fervorosa pra conseguir a aprovação do universo fashion - e sem a presença dos mais disciplinados deles, Kanye West e Rihanna, o evento virou um desfile de estereótipos cansados.
As provas?
Mariah Carey, estourando dentro um vestido dois tamanhos menores e QUASE dando uma de Janet Jackson no Super Bowl, foi a trilha sonora do desfile da Calvin Klein, uma marca famosa pelo minimalismo sofisticado. Não seria mais apropriado unir a diva do RnB com o templo da opulência fashion que é a Versace? Não - nesse caso, o escolhido foi o multi-talentoso Daddy Combs.
E olha que inteligente: Sean Puff resolveu RESSUCITAR seu hit mais famoso (eu não podia usar outra palavra), aquele em homenagem ao rapper assassinado Notorious B.I.G., pra honrar outro assassinado injustamente, o estilista Giani Versace. Que bonito né? Donatella deve ter chorado cristais Swarovsky.
A preguiça criativa se espalhou pra tudo que é lado, até em quem a gente sempre mantém a fé: Marc Jacobs mandou pra passarela sua coleção retrasada, a de outono/inverno baseada nos anos 80 que todo mundo vestiu e já cansou (agora o último grito é os anos 90 lembra?), e Grace Jones, a única esperança de emprestar um resquício de credenciais COOL ao evento, nem se deu ao trabalho de mudar a performance que fez na versão britânica do evento em...2003!
No red carpet, as celebs brazucas reforçaram aquela imagem de Hollywood de terceiro mundo, sem o benefício de uma stylist: muita pele a mostra, curvas e bronzeados em excesso. Nem Alessandra Ambrósio, que mora em LA e já frequentou eventos suficientes pra saber como as coisam funcionam, escapou da maldição carioca e posou em look off-duty de barriga de fora. As que OUSARAM não parecer excessivamente sexy, foram TÃO comportadas que pareciam ter 20 anos a mais. Narcisa Tamborideguy, Mariana Ximenes, Carolina Ferraz, e Princesa Paola usaram modelitos mais apropriados pra uma reunião de senhoras de condomínio.
E isso é SÓ o que eu consegui ver na cobertura fantástica que rolou online - NOT. No site oficial do evento os vídeos travam, as fotos distorcem, e tem mais ênfase no Latino e uma tal de Mirela (é homem ou mulher?) do que nos desfiles e nas roupas em si. Pobre dos estilistas brasileiros, que esperavam uma divulgação internacional maior (afinal Jacobs, Donatella e Ricardo Tisci devem estar se lixando; eles já tem mídia suficiente).
Tenho certeza que os desfiles brasileiros foram excelentes - do pouco que eu vi teve arranjos de pena fenomenais nas cabeças das modelos da Lenny, que mostrou swimwear moderna e sexy sem ser apelativa ou vulgar, e coordenações de cores vivas no show do André Lima. O resto, só Deus sabe.
Então a gente fica no aguardo. Ou não. Deixa pra Katylene se divertir, porque ela vai ter material aí pra uma semana de posts.
Parece que fakes, quem diria, continuam tendo seu momento fashion esse ano. Depois dos logos DIY, cool mesmo agora é ter fake tattoos - só que em vez de sair das ruas, esse micro-trend vem direto das passarelas.
Nessa última temporada Rodarte desenhou a caneta tattoos Maori nos braços das modelos, Gaultier se inspirou nas culturas de rua e Chanel - ah, Chanel - botou decalques das icônicas correntes e pérolas típicas da marca nas pernas e pulsos das modelos.
O The Clash, sempre na frente CLARO, teve seu momento fake tattoo de canetinha a alguns meses atrás, e já estamos devidamente nostálgicos pelos *tatuadores de rua* que costumavam desfalcar turistas em cidades de praia. Marcas de chiclete que tenham decalques interessantes também são bem-vindas. Será que a Ping-Pong envia pra Europa? :P



































































