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[.::musicness::.] Review: Moby em Curitiba
23.04.10 06:008 comentários

moby_curitiba

Foi com uma boa dose de expectativa e curiosidade que fui ao Curitiba Master Hall ver a volta de Moby à capital paranaense em 21/04, pleno feriado de Tiradentes. Na véspera a tour brasileira tinha abraçado Porto Alegre e, dias antes, Brasília. Mas... volta de Moby em Curitiba, como assim? Bem, há 17 anos atrás - maio de 1993 pra ser mais exato - ele fez uma apresentação naquela que foi a primeira rave da cidade com os mascarados do hardcore techno Altern 8 e os DJs Mark Kamins e Mau Mau, evento cujo nome era L&M Music / The Dance Party. E esse fato-quase-lenda vai render um post aqui em breve.

 

Provavelmente uma minoria daqueles que estiveram nessa rave num galpão no Jardim Social foram, como eu, rever o produtor novaiorquino. E essa foi uma percepção que tive já no começo da noite: o público que lá estava era de uma faixa etária mais alta (o show também era para maiores de 16 anos), além de muitos insiders e figuras carimbadas da noite curitibana estarem alí se reecontrando, haja vista que a noite local vive um momento de forte estagnação e segmentação. Também dava pra notar que haviam muitos rockers misturados a fãs de eletrônica.

 

Mas vamos ao show em si. Não houve nenhuma banda de abertura (e nem de encerramento), o DJ Richard Weber tocava enquanto as pessoas iam chegando e se espalhando pelo Master Hall. Um espaço à frente do palco foi separado aos que tinham comprado o ingresso "premium", naquela típica divisão elitista que tem assolado algumas festas e shows de uns anos pra cá.

 

Às 22:35hs apagam-se as luzes e eis que entra a climática e grandiloquente "A Seated Night", música instrumental quase sinfônica de seu último álbum. As luzes de palco fazem um balé enquanto assistimos a tudo já hipnotizados.

 

A Seated Night - Extreme Ways

 

 

Durante esta abertura entram ovacionados Moby e banda e já mandam ver "Extreme Ways" na sequência. Mais à frente entra "Bodyrock" e logo vem o hino clubber/raver "Go".

 

 

Dando sequência entra "Why Does My Heart...". Nesse momento a vocalista negra Joy Malcom da banda de apoio nos impressiona com seu belíssimo e afinado timbre de voz. E ela dá um show à parte em "In This World".

 

In This World

 

 

"Porcelain" se faz presente com a voz crua de Moby, sem os efeitos da original (e agora já posso ir feliz para casa).

 

Outros hits desfilam diante de nossos  olhos e ouvidos: "We Are All Made Of Stars", "Natural Blues" e, para surpresa de todos, "Walk On The Wild Side" de Lou Reed, como que nos lembrando as origens underground de ambos na Grande Maçã. "Disco Lies" é uma das que mais causa gritos e passos de dança, a vocalista negra quase roubando o show. "Lift Me Up" tem também a comoção esperada, afinal é um hit recente.

 

E eis que entra uma versão estranha de "Honey", mais acelerada e encorpada que a original e depois é emendada com "Whole Lotta Love" de Led Zeppelin (!!!). Momento hard rocker total. "Honey" volta, agora em sua versão normal, fechando a quase jam session. E pra contrabalançar e finalizar o show "Feeling So Real" traz toda a sua artilharia jungle/hardcore nos remetendo mais uma vez o início de carreira do produtor. A essas alturas ele consegue arrancar minhas últimas reservas de energia para relembrar como foram energéticos os primeiros anos da década de 90. Ave Altern 8! Ave Prodigy!

Acabou? Não. Como um epílogo, "Thousand" soa nas caixas explodindo nas suas 1000 bpms enquanto Moby faz a sua típica performance de levantar o corpo e os braços ameaçando um stage dive (que nunca acontece) de cima de uma caixa de som no meio do palco. Tive um déja vu total daquela rave jurássica de 1993.

 

Saldo da noite, 23 músicas, 1h40 de show, teve "diumtudo": ambient, house, techno, trance, hardcore techno, blues, rock, disco e downtempo. Uma aula de música e ecletismo. E apesar de Moby ter em muitas de suas composições uma típica melancolia, o show foi totalmente para cima, com muito punch roqueiro (com o ótimo sound system criando um bom wall of sound), o que deve ter agradado os fãs mais recentes. Aliás uma mistura única de rock com eletrônica e blues. Passados 20 anos de carreira, a situação da música vai por esse caminho da fusão após anos de segmentação e Moby é um sobrevivente mutante daquela época.

 

Chamaram minha atenção também o despojamente de luzes e recursos pirotécnicos, concentrando nossos sentidos nas músicas e perfomance irreprensível dos músicos: baterista, baixista, guitarrista, tecladista e uma violoncelista, além de Mr. Little Idiot. Outro detalhe que notei no palco foram a ausência de logos, anúncios ou banners de patrocinadores. E todos os músicos (Moby incluso) portavam roupa preta básica, passando um senso de igualdade e neutralidade. Muito interessante.

 

A única nota desafinada no evento foi o alto preço dos ingressos, R$90 meia de estudante, enquanto que em Porto Alegre a meia entrada chegou a custar R$40. Resultado: um terço do Curitiba Master Hall vazio, que pela lógica podia ter sido preenchido se os ingressos estivessem a preços mais acessíveis. Esse foi o único empecilho que impediu muita gente de ir certamente, uma vez que o espaço, acústica, estrutura e o localização do evento são perfeitos. E fãs de Moby não faltam por aqui também.

 

E daqui a tour segue rumo a São Paulo (23/04) e Rio de Janeiro (24/04). Paulistas e cariocas: se joguem MUITO.

 

Raul Aguilera
Raul Aguilera (djraulaguilera @ gmail.com)
www.twitter.com/raulaguilera
[.::musicness::.] Crossover track: Hale Bopp
27.11.09 05:319 comentários

Lembra de Hale Bopp?

 

 

Essa faixa lançada em 1998 pelos alemães do Der Dritte Raum tocou mesmo foi em 1999/2000 neste lado do hemisfério. Lembro que uma das primeiras vezes que ouví a track foi num set do (ultra eclético) Laurent Garnier via internet discada (alta era paleozóica da rede) e o arranjo do sequenciador, a quase ausência da caixa (ou snare como dizem meus amigos produtores fanáticos), o bumbo e baixo gordos gritavam nos meus ouvidos.

 

Isso era o que afinal? Trance? Prog house? Techno melódico? Tudo isso misturado. E os DJs não deixaram de comprovar essa teoria, tocando-a tanto pra dar uma esfriada num set de techno mais nervoso, como pra dar um ar mais viajante num set de house voltado para vocais. Fosse onde fosse a música não passou desapercebida. Não demorou muito e Hale Bopp se tornou um clássico instantâneo da então nova cena das raves brazucas, que já entravam de cabeça na vertente psy trance.

 

Fosse o que fosse, até hoje observo como algumas pessoas comentam quando ela é tocada em algum set 11 anos depois de ter sido lançada. Um belo exemplo de uma música que foi tocada tanto por DJs de house, techno, trance ou psy e que ainda rende muitos passos nas pistas mundo afora. Bem que podiam sair mais músicas que unificassem a nação eletrônica. Você lembra de alguma que foi ou é (quase) unanimidade?

 

Raul Aguilera
Raul Aguilera (djraulaguilera @ gmail.com)
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[Soundscoop] Dragões da sorte
05.11.08 11:357 comentários

O Lucky Dragons vem da Califórnia, e faz um tipo orgânico de trance. É como se alguém tivesse dado um sintetizador a um xamã apache, ou algo assim. Se você gosta do som psicodélico de bandas como Yeasayer ou Wooden Shjips, as músicas do grupo devem lhe agradar. Abaixo, o vídeo de "Morning Ritual" (sim, LSD é brincadeira para esses caras).

 

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil (marcvs @ rraurl.com)
twitter.com/marcvs