Fato difícil de acontecer esse: uma banda de rock de qualidade estar no Brasil e ainda passar por Curitiba, haja vista a falta de espaços para apresentação das mesmas ou falta de quem se mobilize para trazê-las pra cá. Nesse quesito lugares como Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Recife têm sido mais felizes.
Dito isso, vale assitir ao show dos ingleses Fugiya & Miyagi nesta quinta no bar Era Só O Que Faltava. Se você gosta de rock moderno influenciado por eletrônica, krautrock e synthpop, tudo junto e misturado, vale a saída de casa.
A noite tem ainda os DJs Guga Azevedo e Camila Cornelssen fechando o line-up.
Dá uma olhada nesse clip interessante da banda:
O grupo de synthpop inglês OMD já anunciou planos para um novo álbum, History of Modern, que será lançado pela 100% Records e já tem data de lançamento marcada: 20 de setembro deste ano.
Ao longo de seu auge na década de 80, o Orchestral Manoeuvres in the Dark (nome completo do grupo) sempre apresentou uma música pop atmosférica, abusando dos teclados, como pode ser ouvido em Architecture and Morality e em singles como "Enola Gay". Inúmeros músicos hoje em dia, de Terre Thaemlitz a James Murphy do LCD Soundsystem, consideram a banda como uma influência. Embora tenham ficado juntos ao longo das últimas duas décadas, a banda mudou muito sua formação e não lança um álbum desde 1996, fazendo History of Modern o primeiro disco em 14 anos.
O novo álbum estará disponível em cinco formatos diferentes: CD, CD de luxo, duplo LP, digital e box set, que contará com obras de arte de Peter Saville, o homem por trás dos famosos desenhos do OMD, Joy Division e Roxy Music. Comentando sobre o novo material, a banda diz: "Nós realmente gostavíamos de fazer algo que pensamos soar extremamente atual, mas também é parte do som que estamos satisfeitos em criar e inventar há 30 anos."
Tracklist
01. New Babies: New Toys
02. If You Want It
03. History of Modern (Part I)
04. History of Modern (Part II)
05. Sometimes
06. RFWK
07. New Holy Ground
08. The Future, the Past, and Forever After
09. Sister Mary Says
10. Pulse
11. Green
12. Bondage of Fate
13. The Right Side?
Confira algumas músicas novas:
...e umas "velhas":
Timing é tudo nessa vida. Por exemplo: alguém arriscar a trazer uma
banda como os Midnight Juggernauts nesse Brasil escasso de gente
disposta a correr riscos soa ousadia ou excentricidade. Mas não. Eles
representam fortemente aquela tendência em que o rock já nasce com
matizes eletrônicas e o que era pra ser uma banda eletrônica veio ao
mundo com roupagem rocker. Acrescente a esse híbrido cores
synth-espaciais e temos o sabor da novidade assolando nossos ouvidos e
players pelos últimos 2 anos.
Dito isso, foi com grande surpresa que recebí a notícia da vinda dos Juggernautas a São Paulo em 24/04. Não havia como deixar de conferir ao vivo essa banda que é uma das melhores coisas que Austrália vem exportando nos últimos anos ao lado de Cut Copy e Empire Of The Sun (além de outras bandas que se encaixam na onda synth-rock).
Ao show, então. Após a adequada abertura dos Funhell DJs, que prepararam a pista com sons mais suaves e alguns hits do nu synthpop, entram os 3 músicos do MJ pontualíssimos às 3h. E pra nossa surpresa detonaram já de primeira o maior hit da banda "Shadows".
Na sequência emendam com "So Many Frequencies". Depois entra o novo single "Vital Signs" que ainda deve sair no seu segundo álbum "The Crystal Axis". Mais euforia para tudo descambar em "Tombstone" que levantou mais ainda os fãs que a essa hora já gritavam as letras dos hits do primeiro álbum "Dystopia". Pra dar uma esfriada tocaram uma faixa nova que segue o mesmo clima agitado e rocker das 4 primeiras músicas. Continuando na trilha das músicas novas tocam a ótima "This New Technology". Param e agradecem a todos, estão felizes pela primeira vez no Brasil, pedem para que todos levantem os braços (no que obedecemos quais ovelhas felizes) e tiram uma foto da pista. Ainda no meio do show o baterista joga as baquetas ao público, descem do palco pra tocar no meio dos fãs no gargarejo, interagem no microfone, trocam de lugar entre os dois synths vintage Moog e Korg e o baixo. E tocam "Road To Recovery" para causarem mais pandemônio.
Depois vem "Ending Of An Era" com "Into The Galaxy", que para minha surpresa foi uma das que mais levantou o público (afinal nunca dei muita bola pra esta faixa). E saem para um intervalo. Voltam, tocam "Nine Lives" e uma última instrumental com participação de alguém do gargarejo tocando tom-tons da bateria com a banda e... fim de show. 11 músicas em 1 hora.
No meu ver esse foi outro timing perfeito pois a banda não possui tantas músicas (e nem tantos hits) para segurar um show maior, pois daí sempre há o perigo de cair no tédio seja pela irrelevância de algumas composições, seja pelo desconhecimento (do público) do material novo. Ficou o gostinho de "quero mais".
Acertaram ao abrirem o show com o hit principal, pois cumprida essa obrigação, passamos a prestar mais atenção em tudo o que veio depois (se bem que fiquei com uma desconfiança que eles fechariam com "Shadows" de novo, o que não aconteceu). Ao vivo banda ainda dispara todos os arpegios dos sintetizadores que dão o ar característico de um certo Giorgio Moroder, mas predominaram o punch e a sujeira do rock, mostrando assim os novos caminhos que a banda vai trilhar no seu aguardado segundo álbum. Em alguns momentos a viajeira quase caía no prog rock. Quase. E como nem tudo é perfeito, faço minhas ressalvas apenas ao volume das vozes que muitas vezes ficaram abaixo ou no mesmo volume dos instrumentos, confundindo-se com estes.
O ano começou bem, e depois disso posso afirmar um dia que peguei o show duma grande banda quando esta ainda não era mainstream (orgulho máximo de todo hipster/indie cafona). Ou não, como diria Caê.
E será que já dá pra começar a sonhar com Hot Chip ou Cut Copy no Brasil em 2010?
Mais do show do Midnight Juggernauts aqui.
(Foto e vídeos: Leonardo Wandresen)
Já falamos sobre os docs Maestro (história dos DJs e clubs da era da disco em NY) e Synth Britannia (a história das primeiras e mais influentes bandas de synthpop no Reino Unido) aqui no blog e no Rraurl. Nesta semana descobri que ambos receberam versões legendadas em espanhol. Não é exatamente o ideal para falantes do português, mas melhora consideravelmente a compreensão de ambos. Para fãs de todos os estilos de música.


