O litoral de Santa Catarina continua a atrair grandes marcas de entretenimento e aos poucos vai se consolidando como principal pólo da música eletrônica no país (e no continente): após a chegada do clube Pacha a Florianópolis em 2008 e do Creamfields neste ano (e com a sua próxima edição confirmada para janeiro de 2012), outra marca forte no meio acaba de anunciar planos para a região.
O clube Space, um dos mais tradicionais de Ibiza (foto), promete para setembro de 2012 a inauguração de sua filial brasileira. Em outubro deste ano deve acontecer evento oficial anunciando os detalhes da chegada da marca espanhola. O que se sabe, por enquanto, é que a Space catarinense ficará em Balneário Camboriú.
Rumores dão conta, também, de que outro clube de Ibiza, o Amnesia, também teria planos para a região. No entanto, não há nenhuma informação oficial sobre isto.
Timing é tudo nessa vida. Por exemplo: alguém arriscar a trazer uma
banda como os Midnight Juggernauts nesse Brasil escasso de gente
disposta a correr riscos soa ousadia ou excentricidade. Mas não. Eles
representam fortemente aquela tendência em que o rock já nasce com
matizes eletrônicas e o que era pra ser uma banda eletrônica veio ao
mundo com roupagem rocker. Acrescente a esse híbrido cores
synth-espaciais e temos o sabor da novidade assolando nossos ouvidos e
players pelos últimos 2 anos.
Dito isso, foi com grande surpresa que recebí a notícia da vinda dos Juggernautas a São Paulo em 24/04. Não havia como deixar de conferir ao vivo essa banda que é uma das melhores coisas que Austrália vem exportando nos últimos anos ao lado de Cut Copy e Empire Of The Sun (além de outras bandas que se encaixam na onda synth-rock).
Ao show, então. Após a adequada abertura dos Funhell DJs, que prepararam a pista com sons mais suaves e alguns hits do nu synthpop, entram os 3 músicos do MJ pontualíssimos às 3h. E pra nossa surpresa detonaram já de primeira o maior hit da banda "Shadows".
Na sequência emendam com "So Many Frequencies". Depois entra o novo single "Vital Signs" que ainda deve sair no seu segundo álbum "The Crystal Axis". Mais euforia para tudo descambar em "Tombstone" que levantou mais ainda os fãs que a essa hora já gritavam as letras dos hits do primeiro álbum "Dystopia". Pra dar uma esfriada tocaram uma faixa nova que segue o mesmo clima agitado e rocker das 4 primeiras músicas. Continuando na trilha das músicas novas tocam a ótima "This New Technology". Param e agradecem a todos, estão felizes pela primeira vez no Brasil, pedem para que todos levantem os braços (no que obedecemos quais ovelhas felizes) e tiram uma foto da pista. Ainda no meio do show o baterista joga as baquetas ao público, descem do palco pra tocar no meio dos fãs no gargarejo, interagem no microfone, trocam de lugar entre os dois synths vintage Moog e Korg e o baixo. E tocam "Road To Recovery" para causarem mais pandemônio.
Depois vem "Ending Of An Era" com "Into The Galaxy", que para minha surpresa foi uma das que mais levantou o público (afinal nunca dei muita bola pra esta faixa). E saem para um intervalo. Voltam, tocam "Nine Lives" e uma última instrumental com participação de alguém do gargarejo tocando tom-tons da bateria com a banda e... fim de show. 11 músicas em 1 hora.
No meu ver esse foi outro timing perfeito pois a banda não possui tantas músicas (e nem tantos hits) para segurar um show maior, pois daí sempre há o perigo de cair no tédio seja pela irrelevância de algumas composições, seja pelo desconhecimento (do público) do material novo. Ficou o gostinho de "quero mais".
Acertaram ao abrirem o show com o hit principal, pois cumprida essa obrigação, passamos a prestar mais atenção em tudo o que veio depois (se bem que fiquei com uma desconfiança que eles fechariam com "Shadows" de novo, o que não aconteceu). Ao vivo banda ainda dispara todos os arpegios dos sintetizadores que dão o ar característico de um certo Giorgio Moroder, mas predominaram o punch e a sujeira do rock, mostrando assim os novos caminhos que a banda vai trilhar no seu aguardado segundo álbum. Em alguns momentos a viajeira quase caía no prog rock. Quase. E como nem tudo é perfeito, faço minhas ressalvas apenas ao volume das vozes que muitas vezes ficaram abaixo ou no mesmo volume dos instrumentos, confundindo-se com estes.
O ano começou bem, e depois disso posso afirmar um dia que peguei o show duma grande banda quando esta ainda não era mainstream (orgulho máximo de todo hipster/indie cafona). Ou não, como diria Caê.
E será que já dá pra começar a sonhar com Hot Chip ou Cut Copy no Brasil em 2010?
Mais do show do Midnight Juggernauts aqui.
(Foto e vídeos: Leonardo Wandresen)

Ainda me recuperando da festa de arromba que foi o sexto aniversário da Discology (falando sério, sem querer puxar a brasa, mas foi uma das melhores festas dos últimos anos, depois posto vídeos e fotos), quero aproveitar e falar do novo projeto de um cara com uma mega-bagagem musical.
Toda primeira segunda-feira do mês, o DJ Magal promove a noite Discommend no Volt (bar dos mesmos donos do Vegas, rua Haddock Lobo, 40). O horário é das 21h à uma da manhã. A ideia são sets bem ecléticos, mostrando a diversidade de influências do DJ.
"Não existe aquele compromisso com pista. Ideal para tocar as coisas que eu sempre tive vontade de tocar e que foram muito importantes na minha carreira. Com 25 anos de pista, muita gente nao sabe de onde vim e nem o que ja passou pelas minhas mãos. Nessa noite eu toco disco, new wave, pós-punk, EBM, acid house...", conta Magal.
O set da edição de junho do projeto ficou tão bom, mas tão bom, que vai ser transmitido pelo programa do Tim Sweeney, o Beats In Space. Vai ao ar nesta terça, 7 de julho.
Se quiser baixar o set vai aqui.
E aqui vai o tracklist do set:
1-My Blood Valantine - Soon ( Andy Weatherall Mix )
2-Force Dimension - All Sistens Out
3-Clik Clik - Awake And Watching
4-Justified Ancients Of Mumu Mumu - ???
5-Nairobi And The Awesome Foursome - Funk Soul Makossa
6-Society - Love It - ( A Couldcut Mix )
7-James Ray And The Performance - Mexico Sundown Blues
8-Major Problem - Acid Queen
9-Nitzer Ebb - Shame ( Willian Orbit Mix )
10-Yaz - State Farm
11-Clock DVA - Sound Mirror
12-Clock DVA - The Hacker
13-Johnny Thunders And Patti Palladin - Crawfish
14-Cris And Cosey - Exotika
15-Liaisons Dangereuses - Peut etre... pas
Minha teoria é a seguinte: ouvir música velha eletrônica muitas vezes é como ouvir música nova.
A história do rock já foi passada e repassada tantas zilhões de vezes por artigos, revistas, livros, coleções, enciclopédias, programas de TV e especiais de rádio que a probabilidade de algo ter passado despercebido a esse constante e detalhado estudo é muito remota. Da mais secundárias das bandas de garagem dos anos 60 à mais insignificante banda new wave, tudo já foi devidamente analisado.
Dance music/música eletrônica é outra história. É um passado mal registrado, mal conhecido e mal compreendido, salvo nobilíssimas exceções. É um passado de singles de 500 cópias de projetos que nem chegaram a lançar álbum e que raramente viram a luz do dia.
E é por isso que tem tanta gente dedicada a escarafunchar essas cidades perdidas de música antiga. Coisa que tantas vezes prova ser mais divertida e interessante (e surpreendente) do que conferir os últimos charts de tech-house.
Nada contra descobrir o novo que saiu esta semana. Eu adoro ouvir e descobrir o novo. Mas nos anos 00, a busca frenética e fanática pelo novo deixou de ser o dogma que era nessa cena nos anos 80 e 90. Este blog acredita piamente nisso. E alguns dos DJs que mais respeito nos dias de hoje também.
Enfim, uma intro digna de progressive house para "reafirmar nossa missão" (como diz o pessoal de firma) e para chegar em...
ARPADYS
Esse pessoal da França é do tempo em que os primeiros posters de Luke Skywalker começaram a aparecer nos quartos da molecada. Do tempo em que heroínas do espaço se vestiam de branco esvoaçante e usavam botas de cano alto prateadas com pistola combinando.
O Arpadys foi tirado do limbo recentemente pelos incansáveis missionários disco Bill Brewster e Frank Broughton (o livro mais conhecido deles aqui; o ótimo podcast que Bill acaba de fazer para o Resident Advisor aqui). Brewster e Broughton, jornalistas e DJs, colocaram os caras para se apresentar ao vivo pela primeira vez na história. Será na festa Cargo, em Londres, dia 30 de abril.
Arpadys - Funky Bass
Em 1977, eles lançaram um álbum que foi para o altar da space disco clássica, chamado Arpadys e que contém as faixas que coloquei aqui. Uma cópia original em vinil vale umas 300 libras (cerca de R$ 1.300,00)
Arpadys - Monkey Star
Arpadys - Mystery Rock
Aprecie cada timbre e efeito. Sabendo como eram essas coisas nessa época, cada um deve ter demorado semanas pra ficar bom. Os grooves são disco music de propulsão, com linhas de baixo infalíveis. Funky e transcedental de verdade.
Acaba de sair a coletânea Vol 1 Spacial French Disco 1975-79, pelo selo Tubetracks, reunindo faixas do Arpadys e de outros projetos envolvendo seus músicos.
O pessoal do Arpadys fazia parte do cast da gravadora Tele Music, que no fim do ano passado teve faixas remixadas pela elite da nu-disco. Outra empreitada de Brewster e Broughton.
Outro detalhe importante é que dois membros do Arpadys fizeram o projeto Voyage, que tem uma música que você certamente já dançou com um sorriso no rosto.
Voyage - Souvenirs
Quer fazer amizade?
Eles estão na primeira leva contratada pelo Death From Abroad, o braço da DFA para artistas não-americanOs. Merecidamente! Através de suas produções, remixes e lançamentos do seu selo Tiny Sticks, a dupla é uma peça-chave no movimento mundial que mantém viva a tradição da disco music torta e viajante. Aí vai uma palinha do som deles:
Seu remix para "Love Is in the Air", do The Juan MacLean
"Black Jub" (com base que remete a "Chicago Bus Stop", do Salsoul Orchestra)



