Se você curtiu a viagem sonora do primeiro encontro entre Burial e Four Tet em 2009, embarque na nova jornada dub dos ingleses. "Ego" e "Mirror", que foram ouvidas ineditamente ontem no programa de Four Tet na Rinse FM, conta com a participação vocal de ninguém menos que Thom Yorke, ele que vem quente com o recente lançamento do oitavo álbum do Radiohead.
É, 2011 começou.
É, não tem jeito, por mais que eu tente eu acho a Sofia, filha do Coppola, só a filha do cara mesmo.
Ela é pop, ela é casada com o cara do Phoenix, ela faz clipe pros Chemical Brothers, ela coloca um all star no meio dos sapatos da Marie Antoinette, ela faz o Bill Murray cantar num karaokê japa, mas o "conjunto da obra" sempre deixa a desejar.
Pra mim ela é a pobre menina rica, que só reclama, melancólica meio chata.
Em seu mais recente filme, "Um Lugar Qualquer", ela faz questão de deixar isso mais claro ainda.
Seja pelo protragonista Johnny Marco, um ator de filmes de ação que mora no lendário Chateau Marmont em LA e vive a vida quase que vegetando, mesmo quando 2 gêmeas strippers fazem showzinho pra ele em seu quarto e quando elas acabam ele está dormindo.
Seja pela filha do protagonista, uma menina linda que vê pouco o pai super star e sofre muito por isso.
É a Sofia sofrendo muito!
Quem ouve muito Radiohead ou quem esteja saindo da adolescência, vai adorar o filme de longos planos, de muito silêncio, de fotografia linda, mas sem o menor carisma.
Sabe aquelas fotos lindas de publicidade que você adora e vira a página rapidinho da revista por não ter nenhuma "relação" com aquilo tão apuradinho? Pra mim esse é o cinema da Sofia, um cinema que ela encontra par com o do Walter Salles, um cinema que deve muito a publicidade mas ainda fica refém dessa estética e não se sobressai.
Mas a Sofia vai continuar fazendo filmes, os hypezinhos vão continuar rolando, a galerinha antenada vai achar que ela é malucona por tudo isso e o mundo gira e a lusitana roda.
Em setembro de 2009, um grupo de fãs da banda Radiohead se reuniu com um simples objetivo: registrar, de todos ângulos possíveis, uma performance do grupo inglês em Praga.
A brincadeira acabou se tornando um longa metragem de um show, que terá o nome de Live in Praha e pode ser ouvido ou baixado de graça, aqui. São 25 músicas, não é pouca coisa não!
Confira um "trailer" do filme:
Fonte: http://filtermagazine.com/

Ah, o Just a Fest...
Início promissor. Radiohead no Brasil, ingressos vendidos com bastante antecedência. Organização exemplar, logo me ocorreu.
Mas essa impressão começou a mudar já na hora da compra do ingresso. R$ 200? Um roubo. No Chile, as entradas (que acabaram em dois dias de venda) custavam entre R105 e R$215. Na Argentina (com ingressos esgotados em horas) R$ 150. No México, tinha setor que custava míseros R$ 36, sendo que a entrada mais cara saía por R$ 172.
Compra pela internet? Mais pilantragem. R$ 40 a título de "taxa de conveniência". Conveniência para quem? Certamente não para o comprador. Basta dizer que caso eu quisesse que os ingressos fossem entregues em minha residência, teria que desembolsar outros R$ 8. Preferi eu mesmo pegá-los.
Dia do show, São Paulo. Ameaça de chuva. Lembranças do Claro que é Rock!, 2005. Lama e sujeira por todo o lado devido às chuvas. Sorte de todos que, dessa vez, a água ficou só na ameaça.
E ninguém avisou à produção que a longínqua região do local escolhido estaria em obras? Congestionamento monstro em pleno domingo para se chegar à Chácara do Jockey. Vencido esse percalço, mais uma facadinha no bolso. Insólitos R$ 35 para parar o carro em um morro escuro e lamacento. Apenas uma entrada e uma saída para pelo menos 5 mil veículos. Tudo de acordo com a proposta ecológica de show com compensação de carbono do Radiohead.
Hora de retirar os ingressos. O local: uma pseudobilheteria mal sinalizada há cerca de um quilômetro da entrada do show. Bem, a essa altura já devia saber que a produção do Just a Fest não tinha como objetivo facilitar a vida de ninguém. Mas pelo menos não havia fila para fazer a troca. Coisa que não podia ser dita da entrada. O único acesso para o espaço do show era para ninguém esquecer o trânsito da chegada (e serviu como um mau presságio para a saída).
Lá dentro, filas para os poucos banheiros (muito gente mijando pelos cantos) e bagunça para comprar bebidas e comida. Aliás, como se não bastasse o roubo sofrido até aqui, era preciso gastar R$ 5 por uma lata de cerva e R$ 8 por um pedaço de pizza. E que tal umas cestas de lixo? Avistei talvez umas três nas áreas de compra de alimento. E só.
E caso o fã quisesse um souvenir do show antológico, tinha camiseta a R$ 70. "Nada mais justo", me disse uma das vendedoras. "São feitas com fibra de garrafa pet". Ah, ok. Camiseta reciclada a preço de produto de grife. É desse jeito mesmo que se incentivam ações como essa.
E a saída? Todo mundo se dirigindo para o mesmo local de entrada. As saídas de emergência continuaram fechadas. Como disse um amigo, sorte que era um festival indie, que são muito "estyles" para fazer quebradeira e revolta.
Mas o pior ainda estava por vir.
Como havia pensado assim que cheguei, o caos se instaurou no "estacionamento". O pessoal que deveria coordenar a saída havia desaparecido. Carros surgiam por de trás da mais insuspeita das moitas. Pessoas dormiam enquanto aguardavam as cerca de DUAS HORAS para chegar às ruas (e esse foi o tempo que eu levei. Soube de gente que precisou de mais).
Não é possível que a produção de um evento desse tamanho cobre tanto e desrespeite tão acintosamente o público. É preciso que nós, consumidores, façamos alguma coisa. Advogados de plantão, que tipo de reclamação ou ação judicial caberia? Abaixo assinado? Procon? Não sou ingênuo a ponto de pedir boicote (até porque eu seria o primeiro a pagar para ver o Radiohead de novo), mas é preciso fazer que as pessoas responsáveis por produzir eventos no Brasil deixem de lado o fator lucro e dêem mais atenção a pequenos detalhes como o público pagante.
Sobre os shows...
O Los Heramanos é aquilo, mesmo. A diferença é que dessa vez eles nem a fim de tocar estavam.
O Kraftwerk é histórico e tal, mas esse show já cansou. Tá na hora de bolar alguma coisa nova.
Radiohead me fez chorar quando tocou Fake Plastic Trees. Certamente o melhor show que já aportou por esses lados do mundo.
Foto: Marcos Hermes/Divulgação
É claro que o assunto de hoje é Just a Fest. Apesar de eu não gostar de Los Hermanos, foi bonito ver a enorme quantidade de fãs dos caras que compareceu ao show. E fazendo jus à fama de chatos, alguns desses fãs reclamaram após a apresentação de que arranjos estavam deslocados e que as letras foram esquecidas pelos músicos em alguns momentos.
É lindo ver como o Kraftwerk toca em assuntos tão atuais na música eletrônica. Enquanto tem gente que ainda tenta descobrir se o Daft Punk ou Justice realmente tocam ao vivo, os tiozinhos alemães já diziam há muito tempo com seus robôs sobre o palco: esqueçam isso e aproveitem o espetáculo! Não faltaram referências à Bauhaus e à música concreta.
E, claro, Radiohead. Depois da resenha do meu amigo Jade Gola, não sobrou muito a dizer. Mas admito que o show superou todas minhas expectativas. Quase tive um ataque do coração com "Everything in Its Right Place" e "Reckoner". Abaixo, alguns vídeos da apresentação do ano.
Reckoner
15 Step
Everything in Its Right Place
Optimistic

Rodrigo Amarante certamente não é o músico mais importante da sua geração, mas alguma coisa nesse carioca de 32 anos garante que toda a banda em que se meta vá para frente. Tanto que apenas 18 meses após a pausa dada ao Los Hermanos, colhe o sucesso inesperado de seu "projeto paralelo", o Little Joy.
A nova banda - que acaba de lançar um disco homônimo - é fruto de uma experiência de Amarante com o baterista do Strokes, Fabrizio Moretti, e com a norte-americana Binki Shapiro. "A gente não se reuniu imaginando ou projetando nada. Foi exatamente o contrário. A gente só queria fazer música pelo prazer de fazer música com qualidade e pela oportunidade de trabalhar com pessoas com idéias parecidas", esclarece Rodrigo em uma rápida entrevista por telefone durante uma passagem de som para o show em Belo Horizonte no último dia 30.
O Little Joy começou a ser concebido após um encontro entre os dois brasileiros em um festival em Portugal em 2006, mas só foi possível depois do stand by dado ao Los Hermanos, em 2007, quando Amarante se mudou de mala e cuia para Los Angeles, e os três começaram a fazer música "entre amigos".
Mas apesar da despretensão do Little Joy, o sucesso do projeto entusiasmou os participantes de tal maneira que eles já fazem planos de continuidade para depois da parada que a banda será obrigada a fazer para que Moretti participe da gravação e divulgação do novo disco do Strokes, o que deve acontecer em março. "Os três querem dar continuidade, já que a receptividade do disco e a turnê estão sendo tão legais", diz.
Não é a primeira vez que Amarante se surpreende com um projeto paralelo. Em 2002, no auge do sucesso do Los Hermanos, ele participou da big band Orquestra Imperial, que também experimentou um sucesso acima das expectativas dos participantes.
Sobre os dois shows do Los Hermanos no festival Just a Fest, juntamente com o Radiohead, em março, Amarante entristece os fanáticos fãs da banda garantindo se tratar apenas de duas apresentações. "Não temos planos de voltar ainda."
Leia trechos da entrevista:
Como você vê a repercussão do Little Joy, uma banda que teoricamente seria um projeto paralelo seu e do Fab Moretti?
Acho maravilhoso. Tudo o que está acontecendo com o Little Joy foi surpreendente. Estamos muito felizes. Não imaginava que a banda pudesse ficar tão falada e requisitada.
Fale um pouco do começo da banda. Quando vocês se reuniram, o que tinham em mente?
A gente não se reuniu imaginando ou projetando nada. Foi exatamente o contrário. A gente só queria fazer música pelo prazer de fazer música com qualidade e pela oportunidade de trabalhar com pessoas com idéias parecidas. A gente não faz música pensando qual o sucesso que vai fazer ou qual a repercussão que vai ter. Isso acontece naturalmente mais para frente. É um "esperar para ver", não dá para perder tempo projetando. A gente está super feliz de fazer esse disco e realizar essa turnê. O que vem além disso é bônus.
Como aconteceu o processo de composição das músicas e das letras? Certamente você fez as letras em português...
Não fiquei cerceado à essa parte, não. Fizemos o trabalho todo em conjunto, de composição e de arranjo. A maior parte das letras foi feita pela Fabrizio, mas fiz letras inteiras em inglês, como How to hang a Warhol.
O Los Hermanos faz um show no Just a Fest, juntamente com o Radiohead em março. Isso significa uma volta da banda ou é apenas ou show?
É só um show... Não temos planos de voltar ainda. Continua o stand by por tempo indefinido.
E o Little Joy? Vocês já fazem planos para uma nova reunião ou estão apenas pensando na turnê...
Estamos fazendo planos para continuar. Os três querem dar continuidade, já que a receptividade do disco e a turnê estão sendo tão legais. Mas não sabemos exatamente como vai ser. O Fabrizio volta ao estúdio logo depois da turnê para fazer o novo disco do Strokes, daí ele terá divulgação, turnê e tudo aquilo. E eu tenho o Los Hermanos. Mas queremos continuar por mais que nossas agendas estejam concorridas.
O nome da banda é uma homenagem a um bar que os três frequentavam, é isso?
É um bar na esquina perto de onde nós três morávamos em Los Angeles, na Portia Street. Nós tínhamos montado um estúdio em casa, e por causa disso, passamos a frequentar muito o bar. Porque quando você faz da casa o trabalho, quando se quer relaxar, precisa ir a outro lugar. Resolvemos que seria uma homenagem justa.
A pressa é inimiga da perfeição? O ditado acabou se confirmando para quem estava de cabelo em pé pra conseguir comprar ingressos para o aguardado show do Radiohead, e mais ainda pra quem passou por um verdadeiro pesadelo para comprar os da Madonna no dia em que ambos foram postos à venda.
No caso do Radiohead, o burburinho começou logo que as datas nacionais foram divulgadas. De repente, um "BUY NOW" apareceu escrito ao lado das datas brasileiras no site do grupo, e imediatamente uma multidão foi lá comprar o tal ingresso. Poucos minutos depois outra mensagem - desta vez "SOLD OUT" - fez com que rumores de que não era mais possível comprá-los pegasse fogo no Twitter e no Orkut. Todo mundo gritando desesperado.
Mas era tudo um mal entendido. Na realidade, os ingressos esgotados eram apenas os que faziam parte da cota que estava a venda no site da banda antecipadamente. A venda oficial começou no site ingresso.com.br uma hora e meia antes do anunciado nos jornais e, mesmo assim, foi moleza durante toda a noite: a maioria das pessoas conseguia comprar tudo em questão de dez minutos. Quem preferiu ir nas bilheterias, saiu de lá com os ingressos nas mãos em menos tempo ainda. Parecia que estávamos no primeiro mundo, ainda mais com a previsão de que, esgotados os ingressos do concorrido show em São Paulo (mais de metade dos tickets já teriam sido vendidos), outra data seria anunciada para os paulistanos.

ANSIEDADE OU DESORGANIZAÇÃO?
Já o caso da Madonna foi uma verdadeira piada de mal gosto. Poucas semanas depois da tragédia que foram os primeiros dias de venda dos ingressos, a T4F liberou consecutivamente vários lotes para todos os setores, e era até mesmo possível comprar os cobiçados ingressos de pista VIP por telefone em apenas quinze minutos. Até hoje alguns ingressos (arquibancadas, pista e outros) ainda estão disponíveis.
Mas o caso é que não podemos nem acusar o público brasileiro que frequenta shows de ser apressado demais: a venda de ingressos no país tem um triste passado de caos em termos de desorganização, e quem quer muito ver um show concorrido precisa mesmo ficar esperto. Quem não se lembra do fiasco que foi a venda dos ingressos do U2 em 2006, onde as doze unidades do Pão De Açucar (oi??) não conseguiram dar conta do volume de fãs (e cambistas) que tentavam comprá-los e uma confusão generalizada tomou conta da cidade?
É uma pena que um país que se gaba tanto de ter o sistema de eleição política mais eficiente do mundo ainda estar apenas engatinhando em termos de uma simples venda de ingressos para shows. Quem sabe um dia o tempo arruma tudo.
Em seus dois últimos filmes, o gênio Robert Altman tinha sempre por perto um cara magrelo dando dicas (se é que isso fosse necessário) de onde colocar a câmera, de enquadramentos em relação a cenário e direção de arte. Era um assistente de direção, co-diretor, diretor de arte informal. Esse cara era o Paul Thomas Anderson, direto do filme americano mais importante dos anos 90, "Magnolia". Só essa informação, do discípulo aconselhar o mestre, já é suficiente pra entendermos a importância e a relevância desse diretor que filma pouco, mas quando lança um filme, deixa todo mundo de quatro.
Claro que seu mais novo petardo, "Sangue Negro", não poderia ser diferente. Mais uma vez ele faz um filme sobre obsessões, ódio, culpa, quase um filme católico, com morte, sangue, pai e filho (com a sombra de um espírito santo sempre rondando).
Altman em vários de seus filmes criava planos-sequência memoráveis, aqueles planos longos que sem corte, sem edição, com a ação acontecendo initerruptamente e a câmera passeando no meio dela. Anderson não faz esses planos como seu mestre, mas sempre em seus filmes cria situações de planos que não esperamos e que são quase como sonhos ou como se acontecessem fora do filme como em Magnolia quando o elenco todo canta a música linda de Aimee Mann. Nesse "Sangue Negro", ele inicia o filme com silêncio total, contando a história através das imagens em movimento e de seus ruídos, sem uma palavra, só gritos e gemidos. É como se fosse um filme a parte, uma outra experiência. E o clima ali criado já nos mostra o que vem pela frente nas próximas duas horas.
Daniel Day Lewis, o melhor e maior ator vivo, é um explorador de prata e ouro nos EUA que acaba achando petróleo e com uma ganância sem precedente e com um faro ímpar, vai comprando todas as terras da região da baixa califórnia e criando um império de ouro e sangue. Ele mente, engana, manipula, é um homem tão obcecado que larga até seu filho no meio de um acidente pra tentar salvar um poço de petróleo. Usa seu filho, que não o é, pra ter uma fachada de homem de família, já que vai lidar com famílias pobres e modestas do interior com um "oceano de óleo" sob seus pés, sem saberem que o tem.
Outro destaque do filme é Paul Dano, o pastor fanático e ambicioso que vende as teras do pai sem saber da riqueza real dessas e acaba tentando criar um império com sua igreja e seus cultos de exorcismos como vemos direto nas tvs ainda hoje. O contraponto do personagem de Daniel Day Lewis, ao mesmo tempo que seu espelho, o pastor sempre presente é quase que uma cruz que o poderoso Lewis carrega e tenta não mostrar o quanto sofre por isso.
Nessa história, quanto mais ele tem, mais ele quer. Mais terra, mais óleo, mais dinheiro, mais desconfiança, mais poder. Ele brinca com tudo e com todos, brinca com a religião, com os fanáticos que encontra pela frente, manipula, faz o que quer e o que pode pra atingir seus objetivos. Já falaram que esse filme é a versão petrolífera de Cidadão Kane, mas eu ainda acho que "Sangue Negro" é quase uma versão da Bíblia, ou pelo menos dos 10 Mandamentos, de tanta culpa que flui pelo filme, tanto quanto petróleo.
PT Anderson é um diretor que sabe exatamente o que está fazendo e como está fazendo. Não sendo tão prolífico, por filmar pouco, ele é o tipo de cara que quando vai filmar, deve fazer tudo do jeito que foi milimetricamente planejado e só pára de filmar quando atinge o objetivo. E a gente enxerga essa perfeição toda na tela. Nível Kubrick, Hitchcock, obcecado e perfeccionista ao extremo.
O filme acaba sendo quase um filme de terror, com Lewis como o monstro que inferniza e martiriza a gente e a terra por onde passa, deixando um rastro de sangue mesmo.
Sequências memoráveis como o batismo de uma torre de petróleo onde ele descarta a ajuda do pastor local renegando o "deus" deles e tomando as rédeas do destino (trágico, claro) dali pra frente, ou a sequência que ele re-encontra seu filho depois de o mandar pra uma escola interna, num plano geral gigantesco, não dando a menor importância à reação do pai nem do filho, mostrando que isso é o que menos importa, porque a gente já sabe o que vem dali. Anda duas sequências memoráveis, o discurso final do pai e do filho já adulto, na sala do pai, quando o pai o renega (de novo!) é de tirar o fôlego.
E a sequência final na sala de boliche já fica pra história do cinema como uma das melhores decupagens de todos so tempos, com o maior clima de desespero, terror e drama, não necessariamente nessa ordem, onde o poder e a manipulação dão o tom de quem manda, quem pode e quem obedece, ou a síntese do pdoer do dinheiro sobre qualquer outra coisa, o pai de todos. Nessa sequência aparece a frase que já virou clássica, onde ele Lewis", explica o que ele faz com uma comparação com o milk shake.
Daniel Day Lewis
Tudo isso "adornado" pela direção de arte perfeita, pela fotografia esplendorosa escura, de muito contra luz e muito preto-petróleo e com destaque para a trilha impecável de Jonny Greenwood, o guitarrista do Radiohead, que criou canções/temas à altura de um filme que tem que ser visto e re-visto.
"Open Spaces", Jonny Greenwood
"Power Lands", Jonny Greenwood
Uma aula de como contar uma história, que já foi reconhecido pra início de conversa em Berlim, onde ganhou os prêmios de direção, ator ,trilha e contribuição artística.
E o melhor de tudo ainda é ao final da sessão discutir o filme e ouvir opiniões tão relevantes e interessantes que me fazem ter certeza disso tudo que eu escrevi. E dessa vez nem era o Gil Bárbara ao meu lado!



