Oi.
Eu tava aqui pensando com os meus botões como diabos eu ia me apresentar pra vocês, digníssimos leitores de alto-nível do rraurl, sem parecer uma completa mané, e travei. Como é que se começa um blog? E como é que se começa um blog em português, no Brasil, quando você já está 1/4 da sua vida fora dele? (eu tenho 27 primaveras - faz as contas, cabeção).
Tem jeito não, né. Então é o seguinte:
Meu nome é Thais. Também sou conhecida no mundo virtual como glittah (apelido da adolescência que não desgrudou mais. Purpurina com sotaque britânico. Pode rir.) Moro em Londres faz uns bons anos, desde que vim estudar jornalismo e não voltei mais. Enquanto o diploma não serviu pra grandes coisas, eu caí - não, despenquei - no mundo pirado da moda britânica e, como diria uma amiga escritora igualmente pirada, "obecequei". De hobbie virou freela que virou trampo que virou o ar que eu respiro.
E é sobre isso que eu vou escrever nesse blog.
Mas calma, não entra em pânico ainda (nem faz cara de tédio, você aí no fundo). Eu não gosto de moda. Moda é chato. Eu
gosto de roupas. E idéias. E a maneira como uma simples peça pode expressar uma maneira interessante de ver as coisas, uma referência, uma perspectiva de vida - isso SIM
é legal. E música tem tudo a ver com isso. Você consegue imaginar a Björk sem o vestido de cisne, ou a pintura tribal do Volta no rosto? Ou David Bowie sem o androginismo (nem sei se existe essa palavra) da época do Ziggy Satrdust? Ou, mais perto de casa, Lovefoxxx sem o macacão de paetês? Ahm... Roberto Carlos sem o blazer branco?
E é isso que a gente aqui (the royal we) se interessa - não tem como ignorar estando na terra do céu cinzento. Porque foi aqui que a Viv Westwood botou um alfinete no nariz da rainha numa camiseta inventando o punk, e continua, 30 anos depois, chocando o público ao lado da babe plastificada Pamela Anderson na campanha de verão 2009. Aqui que a super model Agyness Deyn causou um furor mundial indo pros castings de Doc Martens, colete de couro e leggings fluorescentes, e aqui que Beth Ditto, a gordinha vocalista do Gossip, posou nua na capa da super revista LOVE e lançou uma coleção avant-garde pra tamanhos maiores. Gareth Pugh, McQueen, Galliano, a lista de quem desafia os padrões convencionais é longa e estabelecida. Não tem convenção, não tem tradicionalismo, não tem MEDO. Rebeldia (conflito, choque, discordância, colisão - CLASH) é a filosofia que inspira quem faz moda no Reino Unido sempre - e a gente vai tentar manter o espírito aqui nesse espaço, thank you very much. Regras, meu amigo, servem pra ser quebradas.
Então assim, frases que você certamente não vai encontrar por aqui são "acho que não combina" e "não tenho coragem". Pelo contrário: se tiver algum trend que a senhora aí de casa estiver achando "ai feio, não combina, não tenho coragem", esse blog vai aprovar. Não, não: esse blog vai APLAUDIR. Porque rebeldia e vanguarda não precisa necessariamente ser inacessível e viver num palco ou num vídeo clip - e não precisa pertencer a uma tribo pra isso. É tudo inspiração.
Agora, se ainda assim você quiser ganhar dica de moda sensível, sobre pretinho básico, terninho chic, o que comprar na liquidação, conversa com a Glória Kalil ou com a, whatsherface, Ana Maria Braga. Aqui tá valendo tudo.
Stay tuned.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.




