Eu juro que eu tento não ser uma daquelas pessoas que moram fora e acha que tudo o que acontece no Brasil é ruim. JURO. Mas fica difícil manter o espírito fraternal quando um dos eventos fashion mais interessantes do mundo vai pro Rio de Janeiro e vira uma ODE ao mau-gosto.
A começar pelo line-up de artistas, que mais parece uma paródia de uma premiação americana de 10 anos atrás: Mariah Carey, Sean P. Puff Daddy Combs (é assim que ele se chama agora, não?), Ja Rule, Ciara, Estelle... O povo do RnB continua essa luta fervorosa pra conseguir a aprovação do universo fashion - e sem a presença dos mais disciplinados deles, Kanye West e Rihanna, o evento virou um desfile de estereótipos cansados.
As provas?
Mariah Carey, estourando dentro um vestido dois tamanhos menores e QUASE dando uma de Janet Jackson no Super Bowl, foi a trilha sonora do desfile da Calvin Klein, uma marca famosa pelo minimalismo sofisticado. Não seria mais apropriado unir a diva do RnB com o templo da opulência fashion que é a Versace? Não - nesse caso, o escolhido foi o multi-talentoso Daddy Combs.
E olha que inteligente: Sean Puff resolveu RESSUCITAR seu hit mais famoso (eu não podia usar outra palavra), aquele em homenagem ao rapper assassinado Notorious B.I.G., pra honrar outro assassinado injustamente, o estilista Giani Versace. Que bonito né? Donatella deve ter chorado cristais Swarovsky.
A preguiça criativa se espalhou pra tudo que é lado, até em quem a gente sempre mantém a fé: Marc Jacobs mandou pra passarela sua coleção retrasada, a de outono/inverno baseada nos anos 80 que todo mundo vestiu e já cansou (agora o último grito é os anos 90 lembra?), e Grace Jones, a única esperança de emprestar um resquício de credenciais COOL ao evento, nem se deu ao trabalho de mudar a performance que fez na versão britânica do evento em...2003!
No red carpet, as celebs brazucas reforçaram aquela imagem de Hollywood de terceiro mundo, sem o benefício de uma stylist: muita pele a mostra, curvas e bronzeados em excesso. Nem Alessandra Ambrósio, que mora em LA e já frequentou eventos suficientes pra saber como as coisam funcionam, escapou da maldição carioca e posou em look off-duty de barriga de fora. As que OUSARAM não parecer excessivamente sexy, foram TÃO comportadas que pareciam ter 20 anos a mais. Narcisa Tamborideguy, Mariana Ximenes, Carolina Ferraz, e Princesa Paola usaram modelitos mais apropriados pra uma reunião de senhoras de condomínio.
E isso é SÓ o que eu consegui ver na cobertura fantástica que rolou online - NOT. No site oficial do evento os vídeos travam, as fotos distorcem, e tem mais ênfase no Latino e uma tal de Mirela (é homem ou mulher?) do que nos desfiles e nas roupas em si. Pobre dos estilistas brasileiros, que esperavam uma divulgação internacional maior (afinal Jacobs, Donatella e Ricardo Tisci devem estar se lixando; eles já tem mídia suficiente).
Tenho certeza que os desfiles brasileiros foram excelentes - do pouco que eu vi teve arranjos de pena fenomenais nas cabeças das modelos da Lenny, que mostrou swimwear moderna e sexy sem ser apelativa ou vulgar, e coordenações de cores vivas no show do André Lima. O resto, só Deus sabe.
Então a gente fica no aguardo. Ou não. Deixa pra Katylene se divertir, porque ela vai ter material aí pra uma semana de posts.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.











