
Com o lançamento do disco do Animal Collective ficou claro que 2009 será mais um ano bom para a nova safra de bandas psicodélicas. O gênero se reciclou nos últimos anos com o surgimento de grupos como o MGMT, além de outros artistas que adicionam IDM e noise à fórmula lisérgica. Da lista, outro nome deve manter o ácido efervescendo neste ano: o Yeasayer.
O grupo, que lançou o fantástico All Hour Cymbals em 2007, está em estúdio novamente (acompanhe aqui o blog deles), segundo noticiou o blog Stereogum. A novidade é bem vinda para fãs da sonoridade alucinada dos rapazes norte-americanos. Se eles continuarem na mesma linha, podemos esperar por músicas com altas dosagens de psicodelia étnica, acompanhadas por mensagens de paz e amor.
O Turzi também deve lançar seu novo disco em breve. Quando os entrevistei para o Rraurl, no ano passado, a banda estava passando temporadas em um vilarejo no interior da França (abastecidos com muitas ideias) para gravar B, sequencia lógica do ótimo A.
Por fim, Black Moth Super Rainbow também lança um disco no dia 26 de maio. Vai se chamar Eating Us, e sai pela Graveface Records.
Falando neles, o ótimo trabalho solo de um de seus integrantes, o Tobacco, passou despercebido por muita gente. Para quem gosta de congêneres de bandas como Fuck Buttons, cheias de rajadas de sintetizadores, o trabalho do rapaz é mais que recomendado. O vídeo de "Street Trash" é ótimo (lembra o de "Hustler", do Simian Mobile Disco) e merece a menção.
De todo esse revival, só torcemos para que cheguem ao fim as faixas coloridas na cabeça, com as quais neo-hippies infestaram clubes e festivais no ano passado. 2008 mostrou que esse é um dos elementos que podem continuar descansando nos anos 60.
CURTAS
O Tobacco também assinou recentemente um podcast para a XLR8R. Já ouviram? É bem esquisito.
Mudando (só um pouco) de assunto, estou ansioso pelo show do Radiohead + Kraftwerk. :)
Ah, e vazaram os novos álbuns do Art Brut e do Fischerspooner. Além, é claro, do novo Royksopp, Junior.
Quem já ouviu a nova compilação Tabloid, da Kitsuné, assinada pelo Phoenix?
E para finalizar falando em em PSY, vejam só. Os tech-head brasileiros estão aos poucos mordendo a língua em relação às new raves brasileiras. Há!
To pesquisando um monte de new rave / synth pop / hip-hop de 78-82 e achei essa foto maravilhosa:

Tina Weymouth (Talking Heads / Tom Tom Club) e Grandmaster Flash em NYC, 1981
E resolvi mandar uns clássicos!
Tom Tom Club - Wordy Rappinghood (12" edit)
Gwen Guthrie - Seventh Heaven (Larry Levan Mix)
New Muzik - Warp
Gary Numan - Metal
The Clash - Outside Broadcast
Sugarhill Gang - Rapper's Delight
Grandmaster Flash - White Lines (Don't Don't Do It)
Men Without Hats - The Safety Dance
Sophie St. Laurent - Sex Appeal

Usando bandas como Arcade Fire, Pavement e Decemberists, o crítico não se conforma como "o ritmo passou a ser descartado [justamente] numa expressão artística que nasceu como uma celebração das possibilidades do ritmo". Em outras palavras, o rock havia perdido seu elo com a música negra, com o groove e a com a emoção à flor da pele. Frere-Jones arremata, declarando que o rock optou pela "fraqueza e pela monotonia, confundindo isso com autenticidade e significância."
Essa falta de groove no rock certamente explica minha enorme preguiça com 90% das bandas desse gênero dos últimos dez anos (15, na real, lembrei que detesto grunge no geral). E, se o rock está com esse problema, me solidarizo com o colega escriba. Porque na dance music de 2007 estivemos passando por esse mesmo problema da falta de groove.
Sempre teve música eletrônica ou de pista "sem groove", ou seja, absolutamente cortada da raiz de música negra que foi a sua matriz rítmica: EBM, hard techno, psy-trance e gabba são alguns exemplos bem conhecidos. Mas esse ano, dois dos gêneros mais em evidência na mídia e nas pistas se caracterizaram por erradicar qualquer exercício rítmico que fosse um pouco mais maleável que uma colher de pau ou um poste de concreto. As metáforas já entregam: é o minimal techno e o electro-rock-noise-new rave.
Exemplares recentes de faixas de Bruno Pronsato, Pheek, Marc Houle, Gaiser e Barem

Na outra ponta, temos o barulho das serras elétricas e das furadeiras tentando compor uma levada que é como alguém marchando com paralelepípedos presos nos pés. Pense em certas faixas de Justice, Yuksek, Erol Alkan e DatA. E Boyz Noise: alguém já tentou ouvir seu álbum inteiro? É exaustivo. O remix do Soulwax para "Standing in the Way of Control", do Gossip, é um exemplo primoroso de excesso da estética barulhenta: toda a força soul e o balanço pontudo do original acabam soterrados por distorção e sons picotados ad infinitum.
Como reflexão para 2008, vale o que já dizia o Chic, em "Everybody Dance": "And it don't mean a thing if it ain't got that swing." (e não significa nada se não tiver aquele suingue."
A nova compilação da Kitsuné sai no dia 11 de junho. Berço de toda essa história de new-rave, a famosa gravadora francesa de electro/rock é casa de bandas como Klaxons, Digitalism, Simian Mobile Disco e the Gossip. Entre os nomes que aparecem nessa nova coletânea estão Crystal Castles, Foals e Hadouken!
A edição anterior foi lançada no fim de novembro do ano passado. O disco vinha com hits como "Zdarlight" do Digitalism, "Standing In The Way Of Control" do Gossip e "Gravity's Rainbow" do Klaxons.
Para a ira dos new ravers roots, agora ficou mais fácil de seguir a moda disseminada pela mídia inglesa. Segundo o Sunday Times, grandes redes de lojas de roupas como Dorothy Perkins e Miss Selfridges vão ter suas novas coleções inspiradas na tal da New Rave. Pode esperar muita fluorescência, estampas bizarras e acessórios infantis.
Do jeito que a coisa está, não vai espantar se a C&A lançar uma coleção com Smilies estampados e bonés do Pateta.
E pra que ainda não entendeu muito bem essa estética pastilhada, o clipe da música "Rave Dave" do grupo inglês Trash Fashion é muito didático. Confira aí.


