O Warung acaba de confirmar: dia 28 de janeiro, sexta-feira, Ricardo Villalobos estréia no clube. Desejo antigo da casa, o chileno vem para uma apresentação que vinha sendo aguardada há meses e que tinha sido especulada para o dia 16. Mesmo anunciada a apenas 16 dias de sua realização, deve ser uma das noites mais concorridas do verão.
Mais informações: www.warungclub.com.br
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E saiu também o line-up do Green Valley:
25.dez.sáb - Chris Lake (UK)
28.dez.ter - Pete Tong (UK)
30.dez.qui - Sharam (USA)
31.dez.sex - Norman Doray (FRA)
02.jan.dom – Roger Sanchez (USA)
05.jan.qua – Paul Oakenfold (UK)
08.jan.sáb - Santa Catarina Music
15.jan.sáb - Sander Kleinenberg (HOL)
22.jan.sáb – 2 ManyDjs – live (BEL)
29.jan.sáb – Dirty South (AUS)
05.fev.sáb - Life is a Loop Festival
12.fev.sáb - Fedde Le Grand (HOL)
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Primeiro foi o Warung quem soltou o e-flyer do verão na semana passada: destaque pro "sr.-essência-do-minimal" Richie Hawtin, recall de Michael Mayer no começo do ano (lembra do set do reveillon passado? Bem, me arrependo até hoje de ter perdido) e um Laurent Garnier Live inédito. Tem ainda o Robert Babicz e Audiofly pra brincar de pingue-pongue com os nossos neurônios...
Já o Green Valley nos brinda com Dusty Kid e Boris Brejcha no SC Music Festival em 08/01.
E agorinha chegou a notícia da apresentação do 2 Many DJs no mesmo superclub em 22/01.
Aí simmmmm...
Começamos bem 2011, não?

Em tempos de crise, até os grandes festivais do mundo têm que rebolar pra seguir na ativa. O veterano Sónar, de Barcelona, anunciou que vai voltar suas forças para um line-up mais eletrônico, e de artistas menos conhecidos. Ou seja, mais baratos.
Depois de edições com megaultra headliners (de Roisin Murphy a Chic), o festival vai enfiar os pés de volta na música eletrônica mais underground. Que delícia!
E tem mais novidade. Aliás, eu vi isso acontecer... estreia em 2009 o SónarKids, pensado para "estimular e despertar o interesse das crianças pela música eletrônica". O Sónarzinho vai rolar durante a tarde do dia 21 de junho, no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (onde todos os anos acontece a parte diurna do festival), para pequenos de 0 a 14 anos.
Confirmados para tocar pros guris estão os espanhóis DJ2D e Mala Rodríguez, além do top juntador de tribos Laurent Garnier. Tem filhos ou sobrinhos? Começa já a buscar passagens pra lá!
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
Faz tempo que tô ensaiando pra jogar um monte de música africana aqui no blog.
Mas (vergonha) foi preciso um branquelo francês para que eu colocasse em prática a ideia.
OK, não é qualquer branquelo francês. É Laurent Garnier.
Seu single novo tem uma pegada totalmente afto-jazz-psicodélica. É tipo tomar ácido em Kinshasa. É bem interessante, mas acho que requer algumas audições para se acostumar (ainda estou nessa fase).
Laurent Garnier - Gnanmankoudji
Muitos vão torcer o nariz. Para estes, tem uma versão techno-prog, bem boa também, embora um pouco longa demais pro meu gosto.
Laurent Garnier - Gnanmankoudji (Horny Monster remix)
AS FONTES
Bom, agora aos originais do afro.
Sou bem leigo nesse universo musical, mas já trombei tanta coisa boa, de tantas épocas e países diferentes, que é imposseivel ignorar.
Um dos melhores discos do ano passado, por exemplo, foi Welcome to Mali, de
Amadou & Mariam. Não é só Minha Opinião: ele pegou primeiro na lista do site Metacritic, que organiza seu ranking a partir de críticas de vários veículos dos EUA e Reino Unido.
Não é tão bom quanto seu já clássico Dimanche Au Bamako (2004), mas aí seria pedir demais.
Amadou & Mariam - Djama
MUITO ALÉM DE FELA KUTI
Tem uns selos aí que mereceiam medalhas da Unesco pelos servicos culturais que estão prestando ao desenterrar música de cair o queixo produzida na África em outras décadas: Analog Africa e Soundways.
A primeira colocou nas lojas a compilação African Scream Contest Raw & Psychedelic Afro Sounds, só com funk, psicodelia e outros grooves dos anos 70 do Togo e Benin (África ocidental, perto da Nigéria; o Benin tem um grande contingente de descendentes de ex-escravos do Brasil). É irregular, mas o que é bom é muito bom, sons e estilos que a gente conhece bem tocados com um sotaque incomum.
A amostra abaixo tem uma influência gritante (em todos os sentidos) de James Brown (apesar do baixo da introdução ser empréstimo de "Ball of Confusion", dos Temptations)
Roger Damawuzan - Wait For Me
Já a Soundways caprichou e jogou na praça três compilações de música nigeriana dos anos 70, tudo com forte influência européia-americana.
Prova de que existe todo um mundo de sons a serem explorados além do conhecido (e fantástico) Fela Kuti, o pai do afrobeat.
Anote aí:
- Nigeria Special: Modern Highlife, Afro-Sounds & Nigerian Blues 1970-1976
- Nigeria Rock Special: Psychedelic Afro-Rock & Fuzz Funk
- Nigeria Disco Funk Special: Sound of the Underground Lagos Dancefloor 1974-1979
Da terceira coletânea, segue a palinha abaixo
Jay-U Experience - Some More
ACID-AFRO
Pra fechar, um troço que sempre põe um sorriso na minha cara, cruzamento inspirado de pop africano com acid house. É de 1988. Você provavelmente já dançou.
Mory Kante - Yeke Yeke (Afro-Acid remix)
Googleie que dá pra encontrar tudo pra baixar.
Simplesmente perfeito! O francês segurou a pista entre 1h50 e 7h10. Passeou pelo house, techno, jazz, rock, disco... Não me lembro de nenhuma outra ocasião com tanta gente junto dançando até aquela hora no Warung.
Curte um pouco aí:
O homem está de volta. Presença amada e indispensável no roteiro brasileiro desde que ele se apresentou numa inesquecível noite no Hell's Club (o dos anos 90, não o atual), Laurent Garnier inicia hoje em festa no clube Clash (Barra Funda - SP) mais uma mini-tour brasileira.
Além da festa em São Paulo, ele se apresenta em Itajaí (SC), na festa final de aniversário dos seis anos do Warung e sábado na edição unificada do Creamfields Brasil 2008, em Belo Horizonte.
Os sets devem ser aquela já conhecida mistura de Laurent. Ele que parece se sentir a vontade no Brasil, terra de seu parceiro Marky (o remix dele para "Butterfly" entrou na coletânea Retrospective, algo simbólico), e terra onde ele lasca, para a alegria de muitos e o terror de alguns, techno com funk carioca.
As infos da festa no Clash estão aqui, as do Warung aqui e do Creamfields BH aqui.
Sabe aquela lendária passagem do DJ Laurent Garnier pelo Brasil em 1995, quando ele tocou no Rio e em São Paulo no Latino, Sound Factory/Penha e teve também a histórica apresentação no after Hell's Club? Aquela mesma à qual todos que testemunharam um ou vários desses sets até hoje dizem que a cena eletrônica de Sampa, e porque não dizer, do Brasil deu uma virada.
Sou um desses privilegiados, que nessa época se abalou de Curitiba numa sexta-feira de julho (ou será junho? Memória clubber é tão volátil...) daquele ano e posso afirmar traquilamente que esse foi um daqueles momentos em que você tem a certeza que está na pista certa, ouvindo o DJ certo com o público certo. Daí dizer que "last decade a DJ saved my life" pode soar exagero, mas não é. Não pra mim.
Pois esse momento ficou registrado no livro que fala da biografia de L. Garnier, escrito pelo jornalista David Brun-Lambert e lançado na França em 2003. Além de contar os porquês, como se jogou na profissão de DJ e depois produtor musical, também fala de tudo o que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos desde o final dos anos 80 até os anos 00. Destaque total pro começo no lendário clube Haçienda em Manchester, a primeira viagem a Detroit e encontro com seus DJ heroes, a ponte Detroit-Paris, o french touch, a gestação de vários singles e álbuns... Uma história melhor que a outra.
Lí a versão espanhola que ganhei de uma grande amiga e não resistí de transcrever aqui a passagem dele pelas terras tupiniquins, e aliás, bem que alguma editora nacional podia fazer um favor a todos nós e lançar esse livro no Brasil:
"Em 1995, a Europa não era mais um mercado a conquistar e nossos esforços se concentraram na conquista de novos territórios. Eu viajava cada vez mais longe, me comprometia com tours internacionais de vários meses e visitava México, Hong Kong, Brasil ou Austrália. As viagens a esses países que, em geral, começavam a descobrir as pulsações techno colocaram emoção no dia-a-dia do DJ e me permitiram relembrar, como se fosse necessário, as razões pelas quais exercia esse ofício.
Durante a gira de quatro dias que realizei pelo Brasil descobrí as diferenças de identidade e cultura que enfrentavam o Rio de Janeiro e São Paulo. As origens daquela rivalidade eram profundas. Em poucas palavras, o modo de vida despreocupado da comunidade carioca contrariava a hiperatividade paulista. Através do prisma dos clubes, aquele antagonismo se traduzia em um amor profundo pela house no Rio e numa veneração absoluta pelo techno em São Paulo. No Brasil existia uma cena eletrônica dirigida pelos DJs Mau Mau e Marky.
Em São Paulo após noites de histeria pura, os promoters vieram me dizer: "você ainda não viu nada! No domingo, no Hell's Club a loucura será absoluta". O Hell's era uma instituição underground, um after decadente que abría suas portas às cinco da madrugada e aspirava ser o ponto de encontro dos amantes das sensações fortes. Alí descobri um público muito jovem, com corpo cheio de piercings, tatuagens e cicatrizes que refletiam a violência da sua cidade. Como aquela menina de uma beleza perturbadora que tinha a cabeça raspada e o corpo totalmente coberto de tatuagens.
O Hell's oferecia um espaço amplo, de dois andares e era coroado por dois arcos em sombras. Na escuridão podia-se esbarrar em travestís, vadios, ravers e membros de gangues. Na penumbra distinguia-se as silhuetas dos rude boys (SIC) que chegavam para provar as delícias das drag-queens a uns poucos metros da pista. A cabine do DJ estava no primeiro andar e de lá só dava pra enxergar por uma fresta da parede. Foi então que começou uma manobra estranha: vários grupos de drag-queens foram entrando na cabine pra tirarem fotos comigo, visivelmente orgulhosas de serem imortalizadas junto a um DJ europeu.
Naquele lugar havia algo tremendamente excitante. Decidi tocar uma sessão de booty-house de Chicago e o ambiente se transformou. Os gângsters (SIC), travecos e caras perfurados rugiam na pista. As travestís se exibiam sentadas nos pufes e poltronas do clube, os abraços eram violentos, e a cada virada que tocava, desde a altura da cabine se sentia crecer uma onda de prazer tão intensa, tão quente, que comparado com aquele jogo brutal as loucuras do Quadrant Park (Liverpool) pareciam brincadeira de criança.
Saí do Hell's nas primeiras horas da tarde. Rendido, feliz, de braço dado com duas drag-queens que não se aguentavam em pé. Uns rude boys tatuados dos pés à cabeça insistiam em carregar minhas cases de disco enquanto as drags brigavam entre si pra me acompanhar no hotel... "


