Na sexta-feira (11/09/09) fomos conferir o que seria a primeira apresentação do über produtor alemão como DJ na terra dos pinhais, mais exatamente no Taboo Lounge de Curitiba.
Sabemos muito bem a capacidade de Rother por trás dos botões e faders de um estúdio, é só conferir sua extensa discografia. E como de alguns anos pra cá ele também se aventura na cabine como DJ, fomos com grandes e boas expectativas para a noite.
E ele não nos decepcionou: foram 2h.de um set com mistura de sons com texturas electro, techno e até momentos em que a levada quase deslizava na direção do quase indefinível tech-house atual. Entre algumas tracks clássicas a que mais me surpreendeu foi um rápido momento de "Oxygene" de Jean-Michel Jarre, com sua complicada batida para mixar ou dançar. Mais pro final do set mixou a sua versão turbinada de "Numbers" com "Boing Boom Tschak" do Kraftwerk. O filho homenageando os pais do electro, praticamente. Momentos como esses nunca deviam de acabar numa pista... E pra finalizar teve, óbvio mas ainda empolgante, "Father" e Back Home" dele mesmo, em versões quase dub de tão econômicas que vieram nos vocais.
Basicamente saímos com os pés arrasados, mas com a alma lavada por tanta boa música. Se quiser ter uma pequena idéia do som da noite é só dar um conferida no vídeo abaixo.
E já que nesta semana tá rolando a SPFW, nas semanas anteriores teve o Fashion Rio (é isso?) e uma parte da mídia se dedica falar de todo esse circo que rodeia os desfiles e as novas coleções, lembrei de alguns clips clássicos que tem a ver com o tema.
Kraftwerk - The Model (1978)
Um dos hits do quarteto alemão, uma bela homenagem aos estilistas clássicos com muitas roupas dos anos 1960 e 1970. "I saw her on the cover of a magazine".
Visage - Fade To Grey (1980)
Muito carão, muita maquiagem. Drama!
Jean Paul Gaultier - How To Do That (1988)
Único single no qual o estilista francês se arriscou a cantar/declamar o que sabe fazer melhor: Extravagância. Vale notar que logo na sequência dessa coleção Madonna adotaria os famigerados sutiãs-cone de JPG.

Semana vai ter várias coisas boas no blog. Aguarde!
Enquanto isso, um playlist pra começar o arrasta-pé.
Começando com o projeto minimal-canção de Troy Pierce e Gibby Miller. Está no segundo álbum do Louderbach, Autumn.
Louderbach - Notes
O sempre eficiente Siriusmo em outra aula de Demência Sintética Inspiracional. Essa aqui é uma das faixas do mini-álbum The Uninvited Guest, que sai daqui a duas semanas. É o primeiro lançamento do selo Monkeytown, nova cria dos caras do Modselektor.
Siriusmo - High Together
Cara promissor é esse Floating Points, um inglês que mistura grooves safados, adereços de jazz-funk e uma mão abençoada de produtor. Ouve as coisas dele no MySpace
Floating Points - Love Me Like This (Nonsense Dub)
Bom, o nome de Lee Douglas é familiar para qualquer um que acompanha com atenção os embalos da nu disco. Escute esse baixo, material disco de primeira, e entenda o por quê.
Lee Douglas - New York Story
Esse aqui eu não preciso falar nada, né? Um colosso! E ganha uma relevância especial em tempos de call centers dos infernos.
Kraftwerk - The Telephone Call

Ah, o Just a Fest...
Início promissor. Radiohead no Brasil, ingressos vendidos com bastante antecedência. Organização exemplar, logo me ocorreu.
Mas essa impressão começou a mudar já na hora da compra do ingresso. R$ 200? Um roubo. No Chile, as entradas (que acabaram em dois dias de venda) custavam entre R105 e R$215. Na Argentina (com ingressos esgotados em horas) R$ 150. No México, tinha setor que custava míseros R$ 36, sendo que a entrada mais cara saía por R$ 172.
Compra pela internet? Mais pilantragem. R$ 40 a título de "taxa de conveniência". Conveniência para quem? Certamente não para o comprador. Basta dizer que caso eu quisesse que os ingressos fossem entregues em minha residência, teria que desembolsar outros R$ 8. Preferi eu mesmo pegá-los.
Dia do show, São Paulo. Ameaça de chuva. Lembranças do Claro que é Rock!, 2005. Lama e sujeira por todo o lado devido às chuvas. Sorte de todos que, dessa vez, a água ficou só na ameaça.
E ninguém avisou à produção que a longínqua região do local escolhido estaria em obras? Congestionamento monstro em pleno domingo para se chegar à Chácara do Jockey. Vencido esse percalço, mais uma facadinha no bolso. Insólitos R$ 35 para parar o carro em um morro escuro e lamacento. Apenas uma entrada e uma saída para pelo menos 5 mil veículos. Tudo de acordo com a proposta ecológica de show com compensação de carbono do Radiohead.
Hora de retirar os ingressos. O local: uma pseudobilheteria mal sinalizada há cerca de um quilômetro da entrada do show. Bem, a essa altura já devia saber que a produção do Just a Fest não tinha como objetivo facilitar a vida de ninguém. Mas pelo menos não havia fila para fazer a troca. Coisa que não podia ser dita da entrada. O único acesso para o espaço do show era para ninguém esquecer o trânsito da chegada (e serviu como um mau presságio para a saída).
Lá dentro, filas para os poucos banheiros (muito gente mijando pelos cantos) e bagunça para comprar bebidas e comida. Aliás, como se não bastasse o roubo sofrido até aqui, era preciso gastar R$ 5 por uma lata de cerva e R$ 8 por um pedaço de pizza. E que tal umas cestas de lixo? Avistei talvez umas três nas áreas de compra de alimento. E só.
E caso o fã quisesse um souvenir do show antológico, tinha camiseta a R$ 70. "Nada mais justo", me disse uma das vendedoras. "São feitas com fibra de garrafa pet". Ah, ok. Camiseta reciclada a preço de produto de grife. É desse jeito mesmo que se incentivam ações como essa.
E a saída? Todo mundo se dirigindo para o mesmo local de entrada. As saídas de emergência continuaram fechadas. Como disse um amigo, sorte que era um festival indie, que são muito "estyles" para fazer quebradeira e revolta.
Mas o pior ainda estava por vir.
Como havia pensado assim que cheguei, o caos se instaurou no "estacionamento". O pessoal que deveria coordenar a saída havia desaparecido. Carros surgiam por de trás da mais insuspeita das moitas. Pessoas dormiam enquanto aguardavam as cerca de DUAS HORAS para chegar às ruas (e esse foi o tempo que eu levei. Soube de gente que precisou de mais).
Não é possível que a produção de um evento desse tamanho cobre tanto e desrespeite tão acintosamente o público. É preciso que nós, consumidores, façamos alguma coisa. Advogados de plantão, que tipo de reclamação ou ação judicial caberia? Abaixo assinado? Procon? Não sou ingênuo a ponto de pedir boicote (até porque eu seria o primeiro a pagar para ver o Radiohead de novo), mas é preciso fazer que as pessoas responsáveis por produzir eventos no Brasil deixem de lado o fator lucro e dêem mais atenção a pequenos detalhes como o público pagante.
Sobre os shows...
O Los Heramanos é aquilo, mesmo. A diferença é que dessa vez eles nem a fim de tocar estavam.
O Kraftwerk é histórico e tal, mas esse show já cansou. Tá na hora de bolar alguma coisa nova.
Radiohead me fez chorar quando tocou Fake Plastic Trees. Certamente o melhor show que já aportou por esses lados do mundo.
Foto: Marcos Hermes/Divulgação
É claro que o assunto de hoje é Just a Fest. Apesar de eu não gostar de Los Hermanos, foi bonito ver a enorme quantidade de fãs dos caras que compareceu ao show. E fazendo jus à fama de chatos, alguns desses fãs reclamaram após a apresentação de que arranjos estavam deslocados e que as letras foram esquecidas pelos músicos em alguns momentos.
É lindo ver como o Kraftwerk toca em assuntos tão atuais na música eletrônica. Enquanto tem gente que ainda tenta descobrir se o Daft Punk ou Justice realmente tocam ao vivo, os tiozinhos alemães já diziam há muito tempo com seus robôs sobre o palco: esqueçam isso e aproveitem o espetáculo! Não faltaram referências à Bauhaus e à música concreta.
E, claro, Radiohead. Depois da resenha do meu amigo Jade Gola, não sobrou muito a dizer. Mas admito que o show superou todas minhas expectativas. Quase tive um ataque do coração com "Everything in Its Right Place" e "Reckoner". Abaixo, alguns vídeos da apresentação do ano.
Reckoner
15 Step
Everything in Its Right Place
Optimistic

Muitos fãs inclusive já cogitam a idéia de que ele encerrou de vez seus trabalhos com o Kraft e que vai se dedicar a projetos solo (mais ligados à tecnologia do que à música). Outros mais esperançosos preferem levar em consideração o fato de que Florian nunca foi muito chegado à viagens longas e que por isso decidiu a partir de agora ficar trancado na nova fase do famoso estúdio mega-secreto da banda, o Kling Klang, produzindo e inventando coisas.
Mas a polêmica acabou ganhando novos ares essa semana quando Dirk Matten, um dos mais antigos e importantes colaboradores do grupo desde os anos 70, respondeu apenas com um simples "NÃO" a algumas questões na lista de discussão oficial do Kraft:
Florian está trabalhando no novo estúdio em Meerbusch?
"Não"
Ele volta?
"Não"
A longa amizade entre Ralf e Florian terminou?
"A longa amizade entre Ralf e Florian não terminou"
Qual será o veredito? O que já sabemos por enquanto é que o Kraftwerk continua em extensa turnê até o final do ano, e que inclusive o robô com a cara de Florian que sempre aparece nos shows da banda já estampa o rosto de Stefan Pfaffe... será o fim de uma era?
Esclarecido o boato de que o Kraftwerk vinha fazer shows no Brasil em outubro!
Quem vem, na real, é Karl Bartos, membro ex-membro do lendário grupo, com seu projeto solo AudioVision. O projeto, como deixa claro o nome, é áudio-visual e, além de Bartos, traz mais dois integrantes: seu engenheiro e diretor técnico Mathias Black e seu diretor de arte Karsten Binar. Além do trio, o show conta com um estúdio móvel de TV.
Por razões mais, digamos, comerciais, o espetáculo será anunciado no Brasil como "The Legend: Karl Barthos". As datas vão rolar entre 7 e 13 de outubro. A única divulgada até agora foi mesmo a do dia 12/10, no Bar Opinião, em Porto Alegre. Locais em São Paulo e Curitiba estão em fase de negociação. As i nformações são todas da Cantareira Marketing, que organiza a turnê.
Karl descreve o que rola no palco: "Nossos shows são experiências multi-sensoriais. Mas, se você fechar os olhos, poderá ver seu próprio filme. Enquanto gravações invariavelmente definem uma 'ida', há uma comunicação natural, dos dois lados, criando uma interação público-show."
AudioVision ao vivo em 2007
Deu no jornal Zero Hora, de Porto Alegre (texto de Roger Lerina):
"Fãs de música eletrônica, plugai vossos transistores! Os pais da matéria vêm mostrar aqui em Porto Alegre com quantos bits e bytes se faz dagadaga de qualidade. O pioneiro grupo alemão KRAFTWERK volta ao país para uma turnê em outubro - e passa pela Capital no dia 12, pra brincar com seus sintetizadores e computadores no Dia da Criança lá no bar Opinião."
O Bar Opinião é uma casa de shows tradicional de Porto Alegre e já recebeu artistas que vão de Eric Clapton a Echo & the Bunnymen. O site deles diz que dia 9/10 toca por lá Nine Inch Nails.
Falei com uma amiga que conhece gente próxima da banda e seu contato disse que a informação não procede. O site do grupo só informa datas até setembro.
Perguntei sobre isso para um conhecido da EMI, gravadora do Kraftwerk no Brasil, e ele disse: "Parece que estão tentando trazer sim, mas não tem nada confirmado ainda..."
Alguém sabe alguma coisa?



