O beat mais sexy da cidade de Bristol se mostra como o estilo a ressurgir na próxima década. Através de novos trabalhos dos grupos como Portishead e Massive Attack, o Trip Hop reaparece do jeitinho que era antes: conceitual, cheio de referências estéticas e marcado pela sensualidade peculiar à mais fina "fuck music".
O Portishead, que demorou 11 anos pra finalizar seu terceiro álbum (Third, 2008), surpreendeu a todos ao afirmar que já está em estúdio gravando o quarto disco. Um dos três pilares do Portish, Geoff Barrow (que também trabalhou no Massive Attack), afirma porém que este novo trabalho não deverá ser lançado por vias tradicionais/físicas, mas apenas em formato digital. De qualquer forma, ouviremos novidades cantadas pela sensualíssima voz de Beth Gibbons sob beats quebrados já em 2010.
Já o Massive Attack lançou recentemente pela Virgin Records "The Splitting The Atom", EP Promo com quatro singles que serve como uma espécie de teaser de seu novo LP, com lançamento previsto pra Fevereiro do próximo ano. Já dá pra sentir o gostinho do que vem por aí, principalmente após o hiato criativo de três anos sem nenhuma novidade.
O termo Trip Hop foi criado pela revista Mixmag em 1990 pra definir o álbum Maxinquaye, do artista Tricky porém antes de ser nomeado o estilo já se desenvolvia no underground britânico como uma alternativa downtempo, jazzística e viajante do hip hop. Influênciado por estéticas tão diferentes como a do grafitti e a de filmes noir, este rótulo pode ser aplicado a artistas tão distintos quanto Morcheeba, Sneaker Pimps, Lovage e Gotan Project.
O Trip Hop Brazuca como movimento ainda engatinha, porém tem iniciativas isoladas bem interessantes como Macunaíma Ópera Tupi por Iara Rennó;
Claudia Dorei, com o que ela chama de "Trip Hop Solar" é a artista nacional do gênero que mais me agrada.
O grupo inglês Smoke City é liderado pela brasileira Nina Miranda, que canta também em português. Confiram a mistura no belíssimo vídeo de Underwater Love
Quem também se aventura no gênero é a cantora Céu.
Pesquisando e escrevendo este post, até me imaginei inserido nessa temática film noir, bebendo martinis e fumando charutos (se a lei anti-fumo deixar) num loungezinho elegante, ao som desse jazz lisérigico ritmado por batidas quebradas. Tá faltando um warm up do estilo por aqui, não acham?

O parto foi longo, mas o bebê finalmente veio ao mundo. Hoje é o lançamento oficial de Sixteen Billion Drum Kicks, primeiro álbum de Renato Cohen.
O disco vem cheio de coisa boa: techno, bastante claro, house, batidas quebradas, jazz, samba (mas não do jeito que você imagina) e disco music.
Disco music, claro. Cohen também está obcecado pela "boa música de todas as épocas" ("o movimento sem nome", como disse Greg Wilson), que, em meio a mesmice eletrônica atual, é para onde está migrando grande parte dos DJs com fome de música de qualidade. Ele tem passado muito tempo em Londres, indo a festas como Disco Bloodbath e apreciando DJs como Loud E e Daniele Baldelli.
Abaixo duas amostras do álbum.
Renato Cohen - Jaxx
E tem essa divertida versão jazz daquela música que sacudiu o começo dos anos 00, em parceria com Bocato, o veteano do trombone.
Renato Cohen e Bocato - Pontape Jazz
O Lunatic Jazz é um selo de house brasileiro que vem se firmando no mercado internacional com bons lançamentos. Eu mandei algumas perguntas para o velho amigo Jota Wagner sobre as alegrias e agruras de se manter um selo independente em terras tupininquins.
Ele aproveita e fala um pouco também do recente aniversário de sete anos da Colors, a festa que mantém com o irmão Wander A e que agora faz parte da programação do Vegas.
Que tipos de músicas saem pela Lunatic Jazz?
A linha artística do Lunatic Jazz é house underground, apesar de a "ultra segmentação" facilitar um novo selo formar sua marca, preferi manter as coisas no velho estilo dos selos independentes classicos: musica boa, bem feita, trazendo algo de diferente em sua construção, mesmo que isso signifique poucas vendas. No catálogo tempos faixas dos produtores Joe Silva, Anhangüera, Rafael Accorsi e minhas.
Dá muito trabalho ter um selo? Qual a parte mais chata e a mais legal?
Dá pra seguir duas linhas. Você pode ir pelo lado menos trabalhoso, que é contratar distribuidoras e outros facilitadores que, apesar de achatarem os ganhos que já são pequenos, fazem a música chegar a mais lugares.
O outro caminho é ser uma pessoa de alma estritamente empreendedora e se dedicar 100% a todas as etapas do processo mesmo, como licenciamento, publishing, toda a promoção para a imprensa... mas este definitivamente não é o meu caso. Quem sabe não consiga um sócio com este perfil no futuro!
Sobre o melhor e o pior de se rodar um selo, a parte mais legal é ver as músicas nos charts e sets de outros DJs. A mais chata é a rotina burocrática que todo negócio demanda, de contratos e tudo o mais. É um porre necessário.
Tem muita gente que grava umas bases e acha que está fazendo música e já quer lançar. Que dicas você dá pra quem estiver afim de te mandar músicas e ser ouvido?
Quando você está começando a produzir, você não tem ouvido nem pra perceber quando a música está mal feita, alem do fato de ser difícil julgar um trabalho que você mesmo criou. A saída possível e mandar para bons DJs e produtores, que entendam muito do assinto e topem dar um feedback sincero sobre o que está ouvindo.
Uma dica importante: escutem as críticas e não lancem uma música no mercado na pressa, só pra botar no release que tem discografia. Lançar música mal feita é dar um tiro no pé, pois joga uma pá de terra em cima de um nome. No mercado musical, geralmente se a pessoa escutou uma música e não gostou, não vai se interessar em ouví-lo novamente. Dito isso, estamos abertos a receber e ouvir demos e não estamos nem um pouco preocupados em diferenciar grandes nomes de novos talentos desde que, obviamente, o material seja bom.
E a Colors, quais foram as festas mais legais dos sete anos?
A Colors de sete anos, sexta passada (4/7), foi incrível, muito elogiada. A de janeiro, em que dividimos a pista com a dupla da Rebel Waltz, Murray Richardson e Stuart Patterson, foi tambem inesquecível. Estamos pilhados com esta nova fase no Vegas, muito excitados mesmo. Com o suporte que o clube está nos dando vamos conseguir fazer coisas inimagináveis para a house underground brasileira. Ficamos felizes que o público dividiu esta alegria conosco.
Quais os próximos passos tanto para Colors como para Lunatic Jazz?
Em agosto começamos a Lunatic Jazz Sessions, uma festa dedicada ao conceito artístico do selo em um lugar pequeno que vai permitir ao DJ fazer o máximo de experimentalistmo. Tambem vamos cumprir nossa agenda de lançamentos que já está negociada até o final de 2008 e lançar uma compilação com remixes de nomes internacionais como Asad Rizvi, Funky Transport, Bobby & Klein, Joe Silva e mais alguns bons nomes que estão afim mas ainda não deram a confirmação final, por isso não podem ser anunciados.
Em relação à Colors , estamos preparando uma agenda de convidados especiais até o final do ano, vamos visitar Belo Horizonte e Curitiba em breve, além de algumas outras cidades legais até o fim do ano.
Em música, assim como na contabilidade da sua pessoa jurídica, chegar ao simples com facilidade não é tarefa pra qualquer um. A paulistana Eliete Mejorado e o mineiro Bruno Verner se mudaram para Londres de mala e cuia em 2002. Viveram muita coisa, entraram no circuito underground da cidade, participaram ativamente da onda funk que assolou Londres, foram a cara do Brasil no Barbican Center, mantiveram programa de rádio na Resonance FM, umas das estações mais ecléticas e undergrounds do Reino Unido (seu slogan é "London's first art radio station").
Enfim, depois de tanto chão, Eli e Bruno chegaram ao simples. Digo isso por causa desta música nova (e do vídeo caseiro também), "Entertainment Number 249".
É pop, simples, bonito, tem riff grudento, refrão que gruda. "Entertain me like there's no tomorrow... is there?". Acho chique e acho simples pra caramba.
A nada boba gravadora Soul Jazz, uma das mais finas garimpeiras de sons legais do mundo todo, vai lançar o trabalho novo da dupla no final de abril, o disco "Let Your X's Be Your Y's". Pelo Soul Jazz, o Tetine já lançou a (ótima) compilação "The Sexual Life of The Savages", coletânea com bandas do cenário paulistano dos anos 80, e o autoral "A História da Garça".
Tetine é simples assim.

Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
"Ninguém pode mais negar que seus clubes se tornaram ponto de fornecedores de drogas".
"Frequentemente fazem uso de maconha ou alguma outra droga para ocultar a monotonia de suas vidas e o bate-estaca sem fim da sua música noite após noite."
"Temos encontrado muito tráfico entre os envolvidos com essa música e não estou falando dos bons músicos mas daqueles que tocam esse tipo de música."
Os comentários acima se referem ao tipo de música mais perseguido pelos arautos da moral dos anos 30: o jazz. As duas primeiras são de jornais e a terceira é de um relatório de Harry Anslinger, chefão da comissão anti-drogas do governo americano que era linha duríssima e resolveu que o jazz era o bode expidatório perfeiro para sua cruzada moralista.
Já viu esse filme né? A cada década ele tem remake, só muda a trilha sonora.
Os extratos foram tirados do excelente livro Waiting for the Man - The Story of Drugs and Popular Music, de Harry Shapiro. Infelizmente, só tem em inglês. Mas vale a pena ler ser você domina o idioma.
É claro que maconha e heroína corriam solto entre os músicos de jazz, mas não entre todos. Além disso, a música (a mais popular da época) passou longe de transformar a juventude americana em milhões de drogados. Na verdade, o consumo de heroína nos EUA foi caindo até a virada dos anos 50 o que prova que os músicos só faziam mal a si mesmos.
No mesmo livro, um psiquiatra que tratou do genial (e junkíssimo) Charlie Parker disse que se não fosse a música, ele seria apenas um potencial doente mental, abandonado num hospital, esquecido por todos.
Uma palhinha de Charlie Parker (quem começa é Coleman Hawkins)
Josh Hartnet, o bonitinho de "Dália Negra" e "Black Hawk Down", está escalado para interpretar Chet Baker no filme "The Prince of Cool".
Fã confesso de jazz, o ator conta que nunca tinha dado muita bola para as composições de Baker até ler sua história - o jazzista faz parte da galeria de malditos do estilo, era viciado em heroína e morreu em ciscunstâncias não muito claras em 1988, aos 58 anos.
O projeto ainda não saiu do papel, mas foi confirmado por Hartnett em entrevista no Festival de Sundance - reza a lenda que o galãzinho carrega o iPod com canções de Chet Baker para manter a inspiração.


