Como se não bastasse uma agenda cheia de apresentações pelo Brasil, ainda mais em tempos com gig até no BBB10, o Roots Rock Revolution cai no funk. O duo de Mexicano e Fábio Smeli tem largado o seu combo básico (laptop + controlador MIDI) em função de uma ótima iniciativa, a festa de grooves oldschool Dig It?.
Todo mês no Vegas Club desde novembro, o RRR faz DJ-sets ao estilo clássico, com CDJs e toca-discos e recebe um time pesado para brindar os primórdios da música de pista. A Dig It? é uma filha caçula da Discology, festa de garimpo e cunho jornalístico onde a pesquisa do discotecário fala mais alto do que a roupa que ele usa.
Desse jeito largadão, despido de moda e tendências, o RRR se destaca apontando suas influências para os seguidores da CREW. Trocam o batidão do ghetto-tech e do baile funk em prol de um rebolado diferente. E, que está se comprovando, não menos animado.
Nas vésperas de um live em Belo Horizonte, a dupla respondeu nossa entrevista, já com a cabeça na terça-feira, dia 19, quando recebe o imperdível set de disco do Database e o faro-fino Benjamin Ferreira na próxima Dig It?.
ENTREVISTA
Marmita Sônica - Quando e como vocês decidiram que o RRR deveria ter uma noite de grooves vintage em São Paulo?
Mexicano - O Vegas deu oportunidade e abraçamos. São vertentes musicais que sempre admiramos e temos como influência e que fica dificil de tocar na CREW ou na It's Alive. A oportunidade de mostrar isso em uma festa veio em boa hora.
Fábio - Os grooves sempre foram influência para nós, desde muleque eu ouvia com meu pai discos de gente como Stevie Wonder, Ray Charles, Kool and The Gang e Earth Wind and Fire. Poder fazer uma festa pra tocar essas coisas é demais!
Marmita Sônica - Os grooves orgânicos estão em ascenção através de movimentos como o nu-disco. Como que a cena de breakbeats e mash-ups tem assimilado as velharias do funk?
Mexicano - Os mash-ups mais legais com certeza são aqueles que usam um break antigo, ou funk com alguma coisa mais nova. Meio que fundindo influência com a cria.
Fábio - O breakbeat está totalmente ligado a cultura do funk/soul/hip-hop, surgiu e evoluiu a partir dele.
Marmita Sônica - Mas no Brasil, o funk que predomina é o carioca. Como tem sido mostrar o funk genuíno para a galera new rave que é adepta ao baile funk?
Mexicano e Fábio - Na real, o público da Dig it? é bem variado, muita gente ja vai na festa por gostar da proposta sonora, e claro que vão várias pessoas que nos acompanham na CREW e acabam se divertindo. Afinal, a proposta acima de tudo é dançar e se divertir.
Marmita Sônica - Escolham duas faixas que representam bem o espírito da Dig It?
Mexicano:
Kurtis Blow- The Breaks
Paid In Full - Eric B. & Rakim
Fábio:
Midnight Star - Midas Touch
Sequence - Funk You Up
Marmita Sônica - Vocês tiveram uma banda de rock chamada Dialética, no começo dos anos 2000. Como se deu a evolução musical de vocês desde que terminaram o projeto em 2004?
Mexicano - Na época do fim do Dialética a sonoridade da banda já tava tomando outros rumos devido a todo mundo estar ouvindo coisas novas. Com o término da banda, eu e o Fábio passamos a frequentar festas de música eletrônica e hip hop, e deixando um pouco de ir nas costumeiras festas de rock. Nunca deixamos de gostar de rock, o rock é nossa veia e sem ele nada disso teria acontecido.
Fábio - A evolução foi natural, começou no rock e aos poucos a gente foi amadurecendo e agregando outras vertentes e estilos musicais.
Marmita Sônica - Quais serão os próximos convidados da Dig It?, já pode adiantar algum?
Mexicano e Fábio - A gente tem uma galera em mente pra chamar, tipo o Renato Cohen que tem um set de disco incrível. Já vimos o DJ Nuts tocando uns grooves brasileiros, set absurdo de bom. O Damn Funk é um gringo que acompanhamos e tem tudo a ver com a festa, além do Chromeo que é sonho!
Direto ao assunto:
- Termina no dia 20/09 o prazo para inscrições para o Jägermeister DJs Contest. Atenção aí DJs de todos os credos e etnias, essa é a hora!
- E o evento mais aguardado neste ano pelos loucos por música eletrônica em Curitiba é a reinauguração do inferninho eletrônico mais polêmico e decente que essa cidade já teve, o Club Vibe. Segundo dados informais obtidos por este blog, a reforma termina em novembro. Datas? Hummm, você vai saber aqui em primeira mão. Fique ligado.
- E o mesmo staff da Vibe está trazendo, com ou sem clube aberto, na sequência: Dave The Drummer (outubro), Marco Carola e Stephan Bodzin até o fim do ano em Curitiba. Datas, já já.
- Neste sábado (19/09) tem festa de 1 ano do simpático núcleo Vive La Musique no novo Camden Club. As atrações principais são DJ set de Boss In Drama e Killers On The Dancefloor.
- Ainda no sábado tem a festa Pla$tic no Soho Underground. A festa é ótima pedida pra quem gosta de música trash e "jogação". A bagunça é patrocinada pelo mesmo núcleo que organiza as Strike A Pose (a festa da Madonna...).
- E a nova noite de minimal techno Über no Danghai Club segue firme nesta quinta (17/09) com o uruguaio Javier Under no headline. E na semana que vem, em 25/09 tem a festa de 3 anos do núcleo de techno Tech-Gooves, que quinzenalmente tem se revezado nas noites de quinta com a Über nesse espaço relativamente novo que é o Danghai Club. A festa é em parceria com o núcleo Moving Stone.
- A Liqüe tem semana agitada: na quinta (17/09) tem os houseiros Kaskade e Sandro Horta e no sábado (19/09) é a vez de Ilan, Nyllon Live PA e Gabriel Miranda se apresentarem em noite com apoio da escola de DJs AIMEC.
- O coletivo e web rádio eletrônica Dance Paradise tem festa na quinta (17/09) no clube Wyn com os DJs Richard Weber, Fernando Bergamo e Dudu Petrelli.
- E no dia 26/09 (sexta) o Warung em Itajaí/SC tem noite house prog/minimal com o iraniano-americano Sharam (Deep Dish). Noites sem parar até lá, ufa!




