Mais pessoas morrem no mundo devido à reações ao consumo de amendoim do que em decorrência do consumo de ecstasy.
É com esta comparação grosseira, mas embasada em fatos, que a revista inglesa New Scientist abre uma das duas matérias publicadas em sua última edição abordando os comprimidos a base de MDMA.
Basicamente, a publicação baseia-se no fato de que são cada vez menos claros os alegados efeitos danosos de longo prazo do ecstasy, principalmente quando o seu consumo com fins recreativos já data de mais de 20 anos.
A reportagem menciona o Conselho Consultivo sobre o Abuso de Drogas (ACMD), instituição não governamental britânica que aconselha o governo local a respeito de entorpecentes e que, baseada em estudos recentes, "rebaixou" o ecstasy de uma droga "classe a" (periculosa como a heróina) para "classe b", ao lado da maconha.
A matéria cita, ainda, estudos que sustentam que os danos à memória e sintomas depressivos, comumente associados ao consumo do MDMA, não apresentam índices expressivamente maiores nos consumidores da substância, alertando, no entanto, para os danos do consumo excessivo, bem como à possibilidade de que novos estudos ainda venham a demonstrar efeitos maléficos da droga.
Independentemente das conclusões a que estudos do gênero possam levar, seria ótimo se autoridades federais, estaduais e municipais percebessem que já há algum tempo o mundo enxerga as drogas de um modo geral como assunto de saúde pública, e que nesta qualidade merece discussão aberta e livre de tabus caso se deseje enfrentar a questão com eficácia.
Links:
http://www.newscientist.com/article/mg20126954.500-ecstasys-longterm-effects-revealed.html?page=
http://www.newscientist.com/article/mg20126953.300-editorial-drugs-drive-politicians-out-of-their-minds.html
http://drugs.homeoffice.gov.uk/drugs-laws/acmd/


