"Amor e Outras Drogas" é um filme que começa mal, parece meio amadorístico até, e vai engrenando e ganhando forças e se transforma numa ótima comédia romântica com um casal de protagonistas de dar inveja.
Jake Gyllenhaal é um representante de indústria farmacêutica, desses que ficam empurrando remédios novos pros médicos, que um dia num acaso ridículo conhece a personagem de Anne Hathaway, um mulher de 26 anos com mal de Parkinson.
Ele fica interessado nela, vai atrás e eles começam a ter uma relação de "amigos que fazem sexo" por decisão dela. Ela não quer envolvimento e diz que o sexo entre eles é ótimo, então que fique.
Só que ninguém manda no coração, né, e ele vai se apaixonando pelo jeitão livre dela, pela criatividade, pelo jeito que ela ajuda velhinhos a irem ao Canadá comprarem remédios que não conseguem nos EUA. E ela se assusta, porque ciente de sua condição não quer ser um fardo pra ninguém.
O casal Jake e Anne parece que nasceu pra esse filme: pelados e lindos quase que o filme todo, a química é visível e muitos pontos pra ela, Anne Hathaway que a cada filme que faz se mostra uma atriz versátil, carismática e. o melhor de tudo, crível!
De novo, o filme é ótimo, apesar do roteiro meio bizarro que se passa em 1993, época em que foi lançado o Viagra e usa a metáfora do vendedor de drogas que encontra a mais forte de todas, o amor! E quando encontra, passa mal, acha que está morrendo e não sabe o que está acontecendo por nunca ter sentido nada parecido antes.
Apesar disso tudo, e do final meio que esperado, o filme tem um momento de melancolia e tristeza lindo, ponto para o diretor que em ótimos detalhes mostra a que veio.
Tudo bem que esta discussão já está mais do que batida, mas se depender de mim bateremos quantas vezes mais forem necessárias.
O gancho da vez é a briga comprada na Câmara Federal pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP) que insiste em uma revisão emergencial da política antidrogas do país. Teixeira já se reuniu com o presidente FHC, o ministro Tarso Genro, propôs reunião à Polícia Federal, discursou na câmara e constantemente publica em seu site e twitter matérias que embasam sua posição.
Os argumentos são muitos e o maior deles é uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça, cujos números revelam que a maioria dos presos é constituida por réus primários, que foram presos sozinhos, com pouca quantidade de drogas e não tem associação com o crime organizado.
“Nós pegamos todo o aparato policial para prender, todo o aparato judicial para julgar e administramos a prisão de todas as pessoas em penas pesadas. Minha pergunta é: é essa a preocupação que a sociedade tem? Me parece que não. A sociedade está preocupada com o grande traficante e a violência do tráfico”, explica o deputado.
A quem tiver interesse (e quem não tem?), o discurso do deputado no Plenário Nacional feito no último mês.
O tráfico de droga representa a segundo maior incidência de condenações nos presídios brasileiros, com 69.049 presos, atrás somente de roubo qualificado. O estudo da secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça foi feito em parceria com a Universidade de Brasília e Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre março de 2008 e julho de 2009. Os pesquisadores analisaram 1.074 acórdãos ou sentenças, nos Tribunais de Justiça do Rio e Brasília, além de Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. No total, o estudo do Ministério da Justiça apurou que 55% dos presos são réus primários
Imagine se aparecesse um vídeo com o governador José Serra ou Aécio Neves curtindo uma rave muitos anos atrás. Pois aconteceu o equivalente na Inglaterra. Surgiram imagens de uma rave de 1988 onde aparece um rapaz que seria hoje o líder do Partido Conservador (oposição) do país, David Cameron.
O partido de Cameron se apressou em negar que o rapaz no vídeo não é o político. O suposto David Cameron aparece aos 13 segundos, de cabelo comprido e sorrisão estampado no rosto.
O vídeo foi divulgado pelo blogueiro conservador Guido Fawkes, cujo nome verdadeiro é Paul Staines. Staines foi assessor de imprensa da rave Sunrise entre 88 e 89.
Não é a primeira vez que o nome de Cameron é envolvido em polêmica. Em 2007, surgiu a notícia de que ele quase foi expulso de Eton (a mais famosa escola da elite inglesa) depois que um colega o denunciou por fumar maconha.
LIBERDADE DE FESTEJAR
Staines é ligado ao Partido Conservador inglês desde o final dos anos 80. Ajudou a fundar a campanha Liberdade de Festejar, em prol das raves, numa conferência do partido. Também participou de grupos lobistas ligados ao partido para assuntos mais "sérios" como direitos humanos e o livre mercado. Hoje seu blog é um dos mais importantes da área política no Reino Unido.
Ele conta que tem "boas memórias de tomar LSD e MDMA puro e dançar hipnotizado." Também já disse que seria uma boa ideia salpicar de ácido a bebida nas reuniões de políticos de Partido Conservador.
Tanto ele como David Cameron, se é que era ele no vídeo, são exemplos da geração que pirou o cabeção nos tempos da acid house e que hoje está no centro do poder do Reino Unido.
CARETEANDO
No Brasil ainda não deu tempo de algo equivalente acontecer, já que as raves explodiram aqui muitos anos depois.
Mas já temos muitos exemplos de caras que certamente fizeram suas doideiras quando mais novo e que hoje estão nas altas esferas do executivo e legislativo.
Em tese, pessoas com essa experiência poderiam significar o avanço de uma compreensão e tolerância maior com relação à diversidade cultural e a causas como a legalização das drogas, só pra ficar em dois exemplos com relação bem direta. Políticos assim talvez não pensem que festas de música eletrônica são o inferno sobre a terra, como é a opinião de tantos por aí.
Na prática, não é bem assim. Os casos são raros. Temos, por exemplo, Fernando Gabeira e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que faz pouco aderiu à causa de legalização da maconha (mesmo assim duvido que ele apareça na Marcha da Maconha que rola domingo).
E não é só porque muita gente "careteia" depois que fica mais velha. Tem muito mais a ver com o fato de que o mundão lá fora nem sempre tem a opinião mais progressista. Na hora de pedir seu voto, é mais sensato deixar os temas polêmicos bem guardadinhos na gaveta.
(trechos tirados de matéria que fiz para o site virgula.com)
Mais pessoas morrem no mundo devido à reações ao consumo de amendoim do que em decorrência do consumo de ecstasy.
É com esta comparação grosseira, mas embasada em fatos, que a revista inglesa New Scientist abre uma das duas matérias publicadas em sua última edição abordando os comprimidos a base de MDMA.
Basicamente, a publicação baseia-se no fato de que são cada vez menos claros os alegados efeitos danosos de longo prazo do ecstasy, principalmente quando o seu consumo com fins recreativos já data de mais de 20 anos.
A reportagem menciona o Conselho Consultivo sobre o Abuso de Drogas (ACMD), instituição não governamental britânica que aconselha o governo local a respeito de entorpecentes e que, baseada em estudos recentes, "rebaixou" o ecstasy de uma droga "classe a" (periculosa como a heróina) para "classe b", ao lado da maconha.
A matéria cita, ainda, estudos que sustentam que os danos à memória e sintomas depressivos, comumente associados ao consumo do MDMA, não apresentam índices expressivamente maiores nos consumidores da substância, alertando, no entanto, para os danos do consumo excessivo, bem como à possibilidade de que novos estudos ainda venham a demonstrar efeitos maléficos da droga.
Independentemente das conclusões a que estudos do gênero possam levar, seria ótimo se autoridades federais, estaduais e municipais percebessem que já há algum tempo o mundo enxerga as drogas de um modo geral como assunto de saúde pública, e que nesta qualidade merece discussão aberta e livre de tabus caso se deseje enfrentar a questão com eficácia.
Links:
http://www.newscientist.com/article/mg20126954.500-ecstasys-longterm-effects-revealed.html?page=
http://www.newscientist.com/article/mg20126953.300-editorial-drugs-drive-politicians-out-of-their-minds.html
http://drugs.homeoffice.gov.uk/drugs-laws/acmd/
Lembra da Marcha da Maconha, que em 2008 ganhou projeção nacional e foi vetada em várias cidades pelas autoridades, inclusive São Paulo? Pois bem, o site da Marcha continua online e ativo, e encontros sobre o apaixonante e polêmico tema maconha/legalização ocorrerão no Fórum Social Mundial de Belém do Pará, que acontece até este fim de semana no norte do país.
As atividades da Marcha ocorrerão junto com o Movimento Nacional pela Legalização das Drogas (MNLD) no sábado, dia 31/jan. Eis a programação.
12h - Debate sobre a legalização das drogas (atividade do MNLD e da juventude do PT).
14h - Oficina - Marcha da Maconha: como organizar na sua cidade.
15h - PASSEATA PELA LEGALIZAÇÃO DA MACONHA!!!
Mais informações aqui.

Em países mais avançados, falar sobre a questão das drogas sem partir para a ignorância ou ver demônios é normal. O tema consegue ser tratado em tons diferentes do preto e do branco.
Por exemplo, quando se fala de usuários, os retratos são bem mais realistas e diversos do que o triplo chavão junkie/perdedor/bandido.
(Um bom exemplo é este obituário sobre o pai do LSD, Albert Hoffman, que descreve uma de suas experiências lisérgicas como "maravilhosa, com imagens 'abrindo e fechando em círculos e espirais, explodindo em fontes coloridas'". Saiu na The Economist, umas das revistas de economia e negócios mais respeitadas do mundo. Não dá pra imaginar algo assim saindo na Exame).
Aqui, na terra do Cidade Alerta e do blog do Reinaldo Azevedo, onde até bebedouro em balada rende polêmica, ainda falta muito pra chegar nisso.
MUITA INFORMAÇÃO
Semana retrasada, foi dado um enorme passo numa direção mais inteligente. O site do jornal O Globo, isso mesmo d' O Globo, lançou um blog sobre drogas onde o assunto é abordado de forma madura e sensata. Tem uma dose sadia de opinião, mas o que dá autoridade mesmo para a empreitada são quantidades maciças de informação.
O ÚLTIMO TABU
Um dos primeiros posts do blog Sobre Drogas, intitulado "O último tabu", abre com a frase: "As drogas existem desde que o mundo é mundo." Depois vem um resumo da proposta do blog:
"A discussão franca sobre o problema das drogas talvez seja, hoje, o último grande tabu da nossa sociedade. Este blog, se não tem nem de longe a pretensão de derrubá-lo, espera pelo menos ajudar a encará-lo. Quer jogar uma luz sobre possíveis soluções, e ajudar a distinguir fato e preconceito. E quer, principalmente, agregar a seu redor a comunidade interessada em enriquecer a discussão sobre o assunto."
"Uma comunidade que, dentro e fora da internet, poderá contribuir - aí sim, com muito mais eficiência - para o princípio de um processo de modernização das políticas públicas sobre o tema."
PESQUISA
Enquanto isso, no dia 2/11, a versão impressa d' O Globo publicou uma extensa pesquisa sobre consumo de drogas na noite do Rio. Alguns dos resultados: 35% dos entrevistados na noite admitiu que já usou algum tipo de droga; 44% dos pais sabem; 71% dos usuários compra com facilidade; 73.3% tem rendimento familiar mensal acima de dez salários mínimos.
Na pesquisa, o ecstasy aparece como a segunda droga ilícita mais usada, depois da maconha (a cocaína vem em terceiro).
No dia seguinte à publicação da pesquisa, o jornal escreveu um editorial onde questiona a eficácia da política de repressão defendida pela ONU e por tantos governos do mundo. Chega perto de defender a descriminalização.
O Globo mandou muito bem: mais luz, menos obscurantismo. É o único caminho.
O DJ inglês de drum'n'bass Grooverider foi preso em novembro passado em Dubai por uma quantidade ínfima de maconha. Foi condenado à quatro anos e agora passa seus dias em condições subhumanas (na real, nada diferente de uma típica prisão brasileira). Dizem que seus gastos com advogados já o levaram quase à falência.
Quem esteve na mesma situação foi o produtor de TV inglês Cat Le-Huy, que é gerente de tecnologia da Endemol inglesa, que produz o Big Brother de lá. Le-Huy teve um pouco mais de sorte e só ficou preso no inferno árabe por 40 dias. A acusação contra ele, de portar 0.03 gramas de haxixe, acabou sendo retirada.
Ele agora pretende começar uma campanha para libertar outros estrangeiros presos nos Emirados Árabes. A seguir algumas coisas que Le-Huy contou sobre a prisão na "maravilhosa" Dubai.
NOVE GRINGOS POR DIA
"Uma porcentagem muito pequena deles era culpada de tentar trazer algo para dentro do país e eram, em grande parte, inocentes. Estas pessoas trancadas numa prisão estrangeira, estão perdendo coisas em suas vidas como seus empregos e o suas obrigações bancárias. Durante o festival de compras de Dubai, recebíamos uma média de nove estrangeiros por dia."
PEDÓFILO
"A maior parte não eram criminosos de verdade, mas tinha um pedófilo. Tínhamos dois garotos, um de 15 e outro de 17, mas eles não eram mantidos longe dele. Tomávamos conta deles mas uma noite ele chutou abaixo a porta da cela de outro cara, foi bem perturbador."
HIV
"Havia medo de HIV e hepatite na prisão. Demoravam para separar os doentes do resto. Eles também drogavam pessoas. Um cara chegou e ele gritava dia e noite, deixando todo mundo acordado. Ele simplesmente se deitava na própria urina e fezes. Eles o jogaram na solitária até melhorar e ele contou que os guardas o injetaram com alguma coisa."
IMUNDÍCIE
"Os banheiros eram absolutamente imundos, as privadas sempre transbordando. Rolou também um surto de salmonella, mas a prisão negava que estivesse acontecendo."
LEITURA CONFISCADA
"Os prisioneiras também tinham que lidar com guardas que mudavam as regras de acordo com seu humor. Às vezes, eram forçados a ficar horas na chuva enquanto suas celas eram vasculhadas ou material de leitura era confiscado."
"Só tínhamos para ler o que outros prisioneiros haviam deixado para trás, escondido."

"A quantidade de droga encontrada não seria visível a olho nu e pesa menos que um grão de açúcar", publicou o jornal londrino Evening Standard, segundo conta Jonty Skrufff em seu boletim semanal Skrufff News.
Alguns anos atrás, Dallas Austin, produtor de R&B americano, foi preso em Dubai com um grama de cocaína e ecstasy. Graças às suas boas conexões, ele conseguiu a intervenção de um político americano e dos músicos Lionel Richie e Quincy Jones no caso e acabou sendo deportado. Apesar de usar o mesmo advogado que Dallas, Grooverider não teve a mesma sorte.
TOLERÂNCIA ZERO
É fato conhecido que os países islâmicos são extremamente severos com relação a drogas. A Arábia Saudita, por exemplo, costuma aplicar a pena de morte em casos de posse e tráfico. Os Emirados Árabes chegam a distorções absurdas em sua política de tolerância zero. Sem falar que as condições prisionais são brutais e sub-humanas.
Na internet tem vários casos. Uma mulher inglesa ficou detida por dois meses e meio porque um teste de urina detectou um analgésico controlado nos Emirados (que ela usava para alivar dores nas costas). Nesse tempo, ela não viu a luz do dia e chegou a ficar oito horas presa a uma corrente com os braços para cima. Um americano que trabalhava como oficial anti-narcóticos para as Nações Unidas foi pego com vestígios de haxixe. Segundo ele, eram resíduos que ficaram de seu contínuo manuseio de drogas quando trabalhava na sua função no Afeganistão. Mesmo assim, foi condenado a quatro anos.
MENTALIDADE MEDIEVAL
Um executivo da Endemol UK, que faz o Big Brother inglês, também se encontra detido em Dubai no momento sem acusação formal. Ele foi preso por portar um remédio que no Reino Unido é legal e não precisa de receita. O produtor foi interrogado, revistado minuciosamente e teve sua urina testada. Também foi obrigado a assinar papéis em árabe que não sabia ler.
Um caso especialmente aterrorizante foi o de um adolescente francês sequestrado e estuprado por quatro homens. Ele não só foi desencorajado pelas autoridades a registrar queixa como também ameaçado de prisão por "atividades homossexuais".
Dubai tem gasto muito dinheiro para promover seu turismo e uma imagem de cidade moderna e desenvolvida (a companhia aérea Emirates recentemente iniciou vôos São Paulo-Dubai). Não se engane. A verdade é que esse símbolo do novorriquismo petrolífero é um lugar de mentalidade medieval, autoritária e desumana. Deve ser evitado a todo custo (detalhe: até passageiros em trânsito no aeroporto de Dubai podem ser detidos).


