"Príncipe da Pérsia" é um filme que eu vi por acaso ano passado. Não porque não ouvi falar dele obviamente. O dinheiro gasto em marketing, promoção e lançamento de um filme desses daria pra fazer alguns outros baratinhos.
Esse "Príncipe..." é o tipo de filme que eu não vejo no cinema, ao menos se sou pego no meio de um temporal sem ter nenhuma outra opção, o que foi meu caso.
E saí do cinema sem entender direito porque um filme desses é feito. A história é besta demais, o roteiro é fraquinho demais. Baseado num game, não segurou na telona.
O filme não pára, é um monte de perseguição em deserto, em cidadezinha árabe antiga, em meio feiras de rua, com comida voando, com escravos, com adagas, tudo que a gente já viu um milhão de vezes antes.
Nem o elenco salva: claro que Jake Gyllenhaal tá ótimo, bonitão e fortão, mas o resto? Nem o Ben Kingsley de olho preto se salva.
Esse é aquele tipo de filme que é quase todo feito em fundo verde e você onde rios de dinheiro foram gastos pra colocarem aqueles cenários "lindos" de coisas que não existem.
Mega preguiça. Fuja!
E sinto pena do cinema atual com esse monte de filme porcaria de high school americana. E nem tô falando dos filmes da Disney com o Zac Efron e cia, mas mesmo o super valorizado "Meninas Malvadas" que eu acho fraquíssimo, principalmente se comparado a esse clássico de 1989 "Heathers - Atração Mortal".
Em tempos idos de politicamente incorreto, onde era ok fazer piada com gordos e gays sem caírem matando, o filme conta a história das tais Heathers, que são as meninas populares de uma escola americana e que ditam as regras do que é certo e errado.
Nessa escola tem uma menina que, mesmo amiga das Heathers, circula por outros círculos o que é impensável nesse caso. E ela é a Winona Ryder antes de tudo, já mostrando a que veio. Até que aparece na escola um aluno novo vivido por Christian Slater, um punk;bad boy (de outrora) bem retardadão que se une a Winona e começa uma limpa pela escola.
De novo, lembrem-se que é um filme de 1989, sem papas nas línguas e com um roteiro muito bom, dirigido por Michal Lehman, o cara que fez o melhor filme do Bruce Willis na minha opinião, o fracasso "Hudons Hawk - O Falcão Está a Solta" e que hoje em dia dirige as melhores séries americanas, como "True Blood" e "Californication".
Voltando a "Heathers", o bom de assistir esses filmes é pensar na "ingenuidade" de tempos passados ou como eu prefiro, pensar em como hoje em dia a gente está cada vez pior e achando que tudo tem uma segunda intenção ou um podre. Em 1989, fazer um filme que o casal de adolescentes mata seus "rivais" com veneno, explodindo e ainda por cima deixando cartas de suicídio forjadas dizendo que são gays, era uma coisa obviamente que fora do padrão, mas hoje em dia é algo absolutamente impensável. Que pena.
Eu sou um filho do "Tron". É um dos filmes que mudou a minha adolescência, um daqueles que me chocou quando eu vi no cinema lá nos idos de 1982 !
Lembro bem das referências ao filme por toda a década de 80, da música aos figurinos, da direção de arte aos letreiros. E eu ficava feliz na minha adolescência sem internets quando descobria alguma dessas referências perdidas por aí.
Fui ver "Tron: O Legado", a continuação, e fiquei mega bem impressionado. Todo mundo falando mal da história, mas é bacana, na pegada de zen-cabecismo de Matrix, onde um Jeff Bridges preso por 30 anos dentro dos computadores acaba virando Deus, meditando, vivendo numa "caverna de gelo" (super man?), filosofando e terminando uma discussão com seu filho pra meditar porque, como ele mesmo diz: "you are messing with my zen".
E o que o Jeff Bridges tá bem no filme! Impressionante! Eu sou fã do cara desde sempre, "King Kong", "Starman" e aquele "Tron" marcaram (de novo) os meus primeiros anos cinéfilos. E o ator com cara de bobo virou um gênio: nesse novo filme ele faz um guru meio chapado meio "dude" mas que na hora do vamos ver, quebra tudo.
Aliás, o elenco do filme é bem bacana e os destaques pra mim são a Olivia Wilde, que finalmente sai de "House" e vai virar gente grande no cinema, além do inglês Michael Sheen que cada vez vai dando as caras como um grande ator de personagem.
A trilha é um capítulo a parte: os "robôs" (por isso foram escolhidos?) Daft Punk criaram e executaram com maestria uma música que num ano fértil como 2010, acaba se sobressaindo junto com a trilha do Trent Reznor pro "A Rede Social" e a do Clint Mansell pro "Cisne Negro", na minha opinião as 3 melhores do ano. Sempre tenho em mente o Hitchcock dizendo que o segredo de uma boa trilha não é colocar a música no lugar certo mas sim saber deixar os silêncios no filme.
E o bacana é que os próprios Daft Punk aparecem um monte no filme, numa festinha bem animada na hora da virada do filme.
O legal de ver esse novo Tron é pensar que isso que a gente vê hoje é provavelmente o que os caras quiseram fazer em 1982 e não tinham como: todos os efeitos especiais, os CGIs, tudo é absurdo. E u fico pensando no falastrão James Cameron dizendo que esperou 20 anos pra fazer o seu Avatar porque esperava pela tecnologia pra conseguir o que ele queria e penso no povo da Disney fazendo esse Tron e deixando todo mundo muito bem impressionado. Demais!
Assista. Não é com certeza um filme que vá mudar sua vida, e nem pretende, mas pra um moleque de 13 anos de idade, acostumado com toda essa tecnologia e velocidade bizarra de hoje em dia, certeza que esse Tron vai marcar no melhor dos sentidos além de divertir muito! Ah, e se puder, 3D no IMax é obrigatório pela sutileza do 3D: chega de coisa saindo da tela, a gente quer mais profundidade mesmo!
Depois de muita especulação, finalmente podemos ouvir as músicas do Daft Punk que vão fazer parte da trilha sonora do filme Tron Legacy! Realmente, os caras são fodas demais, só ouvindo mesmo pra sentir a maestria.
Você pode ouvir seis dessas canções aqui.
Veja o trailer do longa:
Nada na vida é por acaso. Nem no cinema, como devemos esperar. Sempre tem alguma coisa por trás, uma “hidden agenda” que na maioria das vezes fode com tudo.
Lembram-se do Dogma, aquele movimento dinamarquês de onde surgiu o Lars Von Trier, que pregava fazer o filme com naturalidade, usando video e não película mais um monte de regras? Foi uma ação da Sony pra lançar sua nova camera portátil. Os caras bancaram todos os filmes iniciais da história toda. E depois, se você quisesse fazer um filme nos preceitos do Dogma, não era só seguir as regras, tinha que se inscrever e pagar uma boladinha pra ter o certificado deles.
Com o 3D foi a mesma coisa. Não voltaram a fazer filmes pra serem vistos com os incômodos óculos porque é bacana: os filmes em 3D são impossíveis de serem pirateados e vendidos nos camelôs das periferias das cidades grandes. Claro, depois da versao 2D liberada, do dvd vendido, os filmes caem na piratatira, mas até então, milhões de dólares já foram garantidos nas bilheterias mundo afora.
Motivos como esses me deixam com pés atrás, mas o 3D em especial foi me pegando de jeito e hoje em dia sou total entusiasta da parada, a ponto de já ter produzido esse ano 3 trabalhos em 3D na produtora e com possibilidade de um grande a ser aprovado.Mas não vou falar de mim, quero falar de “Alice” do Tim Burton.
Demorei pra assistir porque queria ver no Imax, numa sessão sossegada, sem a molecada gritando e me foi absolutamente prazeroso. Todos os poréns do filme, como ter sido produzido pela Disney, o que limitaria um monte de doideira, passam despercebidos.
Sou fã do Burton, sou fã (muito) do livro Alice no País das Maravilhas e acho que a junção dos dois seria só superada por uma versão (que era meu sonho de consumo) do (outro) doidão Terry Gilliam. Mas Burton fez bonito, deixou Alice mais velha, mais safada (no melhor dos sentidos) e nos deu um país das maravilhas bem punk mesmo.
Aquela história que todo mundo conhece, da menina que segue um Coelho, cai num buraco e entra num mundo estranho está no filme, mas de uma forma um pouco diferente, como esperaríamos de um cara como o diretor. Mas apesar disso, ele não fugiu muito do original, claro que guardadas as devidas proporções de uma adaptação de um livro para o cinema.
O coelho, o chapeleiro, o dodô, a lagarta, o ratinho, a rainha de copas, a rainha boa, os monstrous, as cartas de baralho, os jogos, as lutas, tudo está no longo filme, que por mim poderia ter mais meia hora ainda que eu nem sentiria.
Falar da fotografia, da direção de arte, dos figurinos, do elenco, é chover no molhado: como em todo filme do Tim Burton, a estética é irrepreensível.
Pra mim, o grande destaque do filme é Johnny Depp, o chapeleiro doidão e noiado e triste que é o braço direito de Alice pelo underland, e não wonderlnad como ela achava que fosse (uma das grandes coisas do filme essa explicação). O cara, do alto dos seus quase 50 anos de idade, mantém aquele ar de ator atemporal, que pode ter tantos anos quantos ele quiser e nos faz acreditar em todo e qualquer jesto ou olhar ou palavra que profira.
Exageros (meus e do filme) à parte, “Alice” já é o sexto filme a alcançar mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria. Isso sendo lançado poucos meses depois de “Avatar” que é um dos outros dessa lista exígua.
Ponto pro Tim Burton. Sorte nossa.
Uma atrocidade artística aconteceu há dois dias em Londres: um painel que satirizava a família real britânica foi quase que completamente apagado por funcionários da prefeitura local sem a autorização da dona do imóvel, que chorou ao ver a obra ser destruída aos poucos.
A prefeitura londrina dá versões diferentes sobre o fato. Enquanto alguns membros afirmam que houve um equívoco por parte dos agentes ao pensarem se tratar de pichação, outros dizem que a obra foi removida após cartas e reclamações de moradores.
Ao tentar impedir esse vandalismo oficial, uma multidão causou grande tumulto. Em vão.
Banksy mantém sua identidade oficial secreta e é considerado o maior artista de rua do mundo. Além dos protestos em forma de arte (ou seria arte em forma de protesto?), o inglês tem no curriculum façanhas como substituir 500 CDs de Paris Hilton por adulterados em lojas de Londres e erguer uma estátua de um prisioneiro de Guantánamo em um parque da Disney.

Guetos, meus amigos, nada mais que guetos.
Uma rápida olhada nas paradas dance/eletrônicas da Billboard dessa semana serve para nos trazer de volta ao duro concreto da realidade.
Veja a lista de "electronic albums". Sabe quem está limpando a banca? Walt Disney.
Os espertos que hoje comandam o império fundado em Mickey Mouse e Pato Donald resolveram lançar álbuns de remixes para as trilhas de seus sucessos televisivos adolescentes. As pistas (?) americanas agradeceram : High School Musical 2 Non-Stop Dance está em quinto nessa parada e Hannah Montana 2 Non-Stop Dance ocupa o privilegiado primeiro lugar.
Aí tem, em segundo, uma coletânea de farofa, Ultra Dance, com uma loira de micro-biquini na capa, e, em terceiro, uma coletânea mixada pelo DJ Skribble.
Skribble veio do hip hop e da MTV americana e aparece todo faceiro de blazer e camiseta no seu site. Ele até tem momentos de credibilidade no seu CV (remixes para Jungle Brothers e Missy Elliott) e uma técnica espetacular, mas não se iluda: a seleção da coletânea é baba-hop tipo Fergie e Christina Aguilera.
E não é que tem dedo de Valdisnei aqui também? Pois em 2005, Skribble assinou um megamix para o álbum Disneyremixmania. Se tiver saco, aí vai o clipe:
Incrível então é ver que M.I.A. conseguiu emplacar seu álbum Kala no quatro lugar, em meio ao pântano baboso.
Já na parada de "Hot Dance Singles" temos, vá lá, "A&E", do Goldfrapp, em primeiro, e a motivadora "Every Day Is Exactly the Same", do Nine Inch Nails (alguém dança isso?), mas são os únicos lampejos de qualidade no topo da lista.
Porque logo ali temos o bizarro Puscifer (isso mesmo, um trocadilho dus infernus, como diria a Clau, juntando xoxota e o chifrudo).
O Puscifer é um grupo americano que pensa bastante naquilo que a mulher tem entre as pernas. Eles tem um álbum chamado V Is For Vagina e a faixa que está na parada em questão é "Cuntry Boner" ("cunt" é, literalmente, buceta; "boner" é ereção; tire suas conclusões sobre o que o título quer dizer). Bonito não?
E que mais? Tirando uma faixa do Justice aqui, uma Janet Jackson ali, um pouco de Van Dyk e Sinclar acolá, o grosso (hey, Puscifer, sacou?) consiste de moças bem-escovadas como Tanika Turner, Cascada, Sarah Atereth e Idina Menzel, que parecem saídas de uma capa de coletânea de poperô ou daqueles flyers de Ibiza onde a atração principal é o Erick Morillo.
E ainda tem os electro-emo. Ghostland Observatory e Metro Station, muito prazer. Se Deus for bondoso, em breve NÃO estarão numa pista perto de você.



