Há quase dois anos entrevistei o Troy Pierce juntamente com o publicitário Gianni Cara e o DJ João Fernandes para o extinto site Contracena, projeto que tínhamos com nosso amigo (DJ, produtor, programador e afins) Jan Seidl e que de certa forma faz parte do DNA do Molotov21.
No Rio pra tocar na festa FASE (joint venture dos clubs paulistas Vegas e D-Ege com a festa carioca Moo), tiramos o DJ da piscina do Sofitel, onde bebia caipirinhas e apreciava bikinis, e o levamos para o saguão do hotel onde ele pode destilar solicitamente um pouquinho de sua marra característica.
Confiram!
M21: Nós Sabemos que você começou a escutar música eletrônica muito cedo. Como foi a sua primeira experiência com ela?
Troy Pierce: Não teve um momento em especial na minha vida em que encontrei a música eletrônica. Foi tudo acontecendo normalmente. Antes eu ouvia metal e comecei a freqüentar os clubs, ver os djs e aí comecei a me interessar. Não foi algo que eu tenha encontrado e dito: "Nossa! Que diferente!", foi realmente muito natural.
M21: Você viveu dez anos de sua vida em Nova York, mas em 2004 se mudou para Berlim. Você acredita que essa mudança foi de grande importância para a sua carreira? Qual ao grande diferencial de Berlim para Nova York em relação à cena eletrônica?
Troy Pierce: Com certeza Berlim foi fundamental para minha carreira. Em Nova York a cena de música eletrônica é muito pequena, diferente da de Berlin. Lá o que eles realmente gostam é daqueles hip-hops com os caras bebendo champagne, falando de dinheiro enquanto as mulheres ficam rebolando. E os melhores clubs de lá são focados neste estilo. Se não tivesse me mudado pra Berlim, não teria toda essa facilidade de tocar nos melhores clubs do mundo e viajar pela Europa.
M21: O minimal está em constante crescimento na cena. O que você acha sobre este tipo de popularização da vertente que está acontecendo no Brasil e no mundo?
Troy Pierce: Para mim isso é muito bom, pois esse é o tipo de música que eu toco e ouço, e agora as pessoas estão cada vez mais conhecendo esta vertente. Antigamente as pessoas ouviam minha música e pensa: - Mas que cara estranho! Hoje é tudo mais normal. Quando algo é bom, não tem porque deixá-lo escondido.
M21: O "The Geometry E.P." produzido juntamente a Magda e Marc Houle e inserido no projeto "Run Stop Restore" foi muito importante para alavancar sua carreira. Conte-nos sobre esta experiência com esses dois grandes artistas?
Troy Pierce: É engraçado as pessoas virem sempre falar sobre este projeto e quando falam no nome da Magda ou do Marc Houle todos falam OH!! Mas a verdade é que eles são meus amigos, então pra mim é mais do que natural trabalhar com eles.
Este projeto "Run Stop Restore" foi algo bem interessante que fizemos juntos, mas estávamos cada um em uma cidade. Eu estava em Nova York, Magda em Berlim e o Marc Houle no Canada. Cada um fazia suas tracks e mandava para os outros. A parte boa disso é que não precisávamos ficar no estúdio, discutindo horas sobre o que cada um preferia fazer nas produções.
M21: E Não foi difícil trabalhar assim?
Troy Pierce: Na verdade foi até um facilitador pra mim, pois cada um trabalha no seu timing. O Marc Houle, por exemplo, produz 10 tracks no mesmo tempo em que eu produziria uma.
M21: Você é um dos pioneiros em utilizar o Final Scratch em DJs sets. Como você vê a importância da tecnologia para a música eletrônica?
Troy Pierce: Eu acredito que a tecnologia só facilite a vida dos artistas. Através dela você pode trabalhar mais em cima do seu som. Além disso ela ajuda a divulgar os nossos trabalhos, pois com nossas músicas na internet as pessoas não precisam sair de casa e ir à uma loja especializada para poder ouvir música eletrônica.
M21: Você teve a honra de produzir um remix para o Depeche Mode. Como foi isso?
Troy Pierce: É, até que foi legal. Mas foi uma coisa pouco pessoal e mais profissional mesmo, já que eu não era um grande fã da banda. Aliás foram eles mesmos que vieram me pedir para fazer o remix. Não fiquei emocionado porque o som deles nunca fez muito a minha cabeça, prefiro algo como Cybertron (Detroit electro). Hoje eu posso dizer que curto mais Depeche Mode do que na época em que fiz o remix.
M21: Em 2007 a DJMag mais uma vez promoveu a votação dos 50 melhores clubs do mundo, eleita pelos próprios DJs. Você votou em algum club? O club de Berlin Berghain/Panorama ficou na sexta posição, fale-nos um pouco sobre ele.
Troy Pierce: Não não.... Eu não costumo participar deste tipo de votação. Berghain/Panorama é um lugar meio sombrio, muito louco, mas não gosto muito. Lá toca muito Hard Techno é "supergay", o que pra ser sincero não faz muito a minha cabeça.
M21: Mas se fosse escolher algum club, qual você elegeria o melhor?
Troy Pierce: O melhor é difícil, mas concerteza Tenex, em Florença, na Itália é um dos que eu mais gosto.
M21: Como é tocar para o publico brasileiro?
Troy Pierce: A última vez que estive no Rio foi há 2 anos atrás numa edição muito pequena da festa Moo, que foi muito legal, porém era bem selecionada. Já em São Paulo toquei na D-Edge e lá é diferente de qualquer lugar do mundo! Muito cheio, com o público bastante animado!
M21: Para finalizar, deixe um recado para o público brasileiro:
Troy Pierce: Hmm…. Não sei muito o que dizer, escreve alguma coisa aí que vocês achem que vá ficar divertido.
UPDATE: Killers no Rio e em São Paulo
O site da Rolling Stone brasileira confirmou duas apresentações da banda de Brandon Flowers. O grupo, que já esteve por aqui no Tim Festival 2007, vem para apresentações baseadas no disco mais recente, Day & Age. Em São Paulo rola na Arena Anhembi em 21 de novembro e no Rio de Janeiro é no Arena HSBC no dia 24. Ainda não está no calendário online dos locais dos shows (aqui e aqui), mas o myspace da banda aponta um punhado de datas próximas na América do Sul.
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UPDATE: Beirut no Auditório TIM
Outra banda confirmada para o segundo semestre paulistano: o Beirut toca em 8 de setembro no Auditório TIM. Ainda não tem nenhuma informação sobre venda de ingressos ou outras datas, mas considerando o sucesso que a banda faz entre o povo indie local e a música que foi trilha sonora de minisérie da Globo (lembra de Capitu?), pode ser que os 800 locais disponíveis no Auditório não seja suficiente.
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O sempre animado segundo semestre paulistano começa a ganhar contornos. Além das já anunciadas bandas e DJs do Madame Satã Fest, a manhã de hoje trouxe notícias como uma possível vinda do duo inglês Ting Tings (via portal Vírgula, citando uma fonte extra-oficial ligada à gravadora).
Já o Popload Gig, que teve estréia esse último fim-de-semana no Clash Club, mostrou no telão as datas da segunda edição: é 15 de agosto no Rio e dia 17 de agosto em São Paulo, e tem a banda bacana do ano Friendly Fires como atração principal.
Mas antes disso tudo tem as belas vozes do Jens Lekman no Studio SP (dia 13 de junho em SP e mais datas em Porto Alegre, Curitiba e Recife, veja aqui) e Coralie Clement no SESC Pompéia.
E não é só isso! Os fãs do Depeche Mode já podem ver as datas dos shows da banda no Brasil no site oficial. É 22 (Rio) e 24 (SP) de outubro, logo após passagens por Bogotá, Lima, Santiago e Buenos Aires.
E, lá na frente, em janeiro de 2010, o país deve receber etapa da tour mundial do disco novo do Metallica, segundo assessoria da Universal Music.
Para todos os gostos, mesmo.
UPDATE
Saiu no site da banda os nomes dos locais dos shows:
Rio de Janeiro, 22 de outubro, Citibank Hall
São Paulo, 24 de outubro, Anhembi
Os ingressos começam a ser vendidos em 14 de agosto, fique de olho no site da Ticketmaster.

E mais uma novela finalmente acaba, e fãs do Depeche Mode já podem respirar sossegados. A banda acaba de soltar em seu site oficial as datas da perna sulamericana de sua turnê.
08/out - San Jose (Costa Rica)
10/out - Bogotá (Colombia)
13/out - Lima (Peru)
15/out - Santiago (Chile)
17/out - Buenos Aires (Argentina)
22/out - Rio de Janeiro (Brasil)
24/out - São Paulo (Brasil)
Segundo o site, os ingressos começam a ser vendidos a partir de 15/julho.

"No último dia 12 de maio, o vocalista Dave Gahan sofreu uma crise de gastroenterite, que levou a uma hospitalização de emergência e ao cancelamento do show em Atenas. Enquanto no hospital testes médicos revelaram um tumor maligno de baixo risco na bexiga, que foi removido em uma cirurgia bem-sucedida. Por ordens médicas, ele deve repousar e se recuperar até início de junho" diz o comunicado.
Um grupo de apoio a portadores de câncer de bexiga descreveu esse como um dos tumores mais fáceis de prevenir, tendo o consumo de tabaco como causa principal, mas com chance de reaparecimento de cerca de 80%. A American Cancer Society estima que existam cerca de 600.000 sobreviventes de câncer de bexiga nos EUA (dado de 2006).
Começo de ano é sempre aquela boataria de quem que pode vir nos próximos meses. No caso do Scissor Sisters, a boataria se confirmou: a banda toca no encerramento do festival de teatro de Curitiba, provavelmente no dia 29 de março. Não foi divulgado local, preço, etc, mas logo o site oficial do evento informa: www.festivaldecuritiba.com.br. Ao que parece, São Paulo também tem data.
Já o Depeche Mode passa pelo Brasil no fim de outubro, diz a última edição da Rolling Stone brasileira. O problema, neste caso, é que ano após ano boatos colocam a banda no Brasil, o que não rola há apenas 15 anos. Resta, como sempre, torcer...

Estar numa cabine de som tocando em um clube ou pista cheios intimida a maior parte das pessoas que se deparam pela primeira vez com um setup cheio de botões e luzes. Além disso, tem as dezenas ou centenas de rostos que fitam vidrados cada movimento que o DJ faz.
Mas existem aqueles profissionais dos decks que já se acostumaram com isso. Ou que na verdade, adoram estar nessa situação, em que o poder de seduzir uma massa de pessoas vira uma espécie de estimulante poderoso. É mais ou menos igual o que experimenta uma banda de sucesso num palco.
E é na hora em que uma faixa entra na seqüência da outra que podemos descobrir muito da personalidade e da cultura musical de quem está conduzindo o público. Esse pode ser um momento de total empolgação ou de puro coitus interruptus.
Neste último caso existem alguns DJs em que por falta de imaginação, criatividade, preguiça, desinformação ou tudo isso junto, manda aquele hit que a gente viu nascer, crescer, morrer, renascer como zumbi, deteriorar-se até se tornar um fantasma que nos assombra por anos. Todo mundo com aqueles sapatos gastos nas pistas entende isso.
Até a molecada de 15 anos já provou da sensação de dejá vu que essas músicas causam na hora em que a viagem musical flui causando deleite na mente distraída do(a) dançarino(a) e de repente... lá vem aquela música manjada em sua 7.ª versão desde que foi lançada há cinco, dez anos atrás.
E que músicas seriam essas? O .::musicness::. fez uma listagem rápida de algumas dessas famigeradas faixas que não agüentamos mais ouvir em nenhuma versão e pede: será que elas não podiam ser esquecidas por, pelo menos, uns 30 anos?
- Eurythmics - "Sweet dreams"
- Depeche Mode - "Enjoy the silence"
- Donna Summer - "I feel love"
- Lorenna McKennit - "The Silence"
- Underworld - "Born Slippy" (imbatível!)
- Jaydee - "Plastic Dreams"
- Fragma - "Toca's Miracle"
- White Stripes - "Seven Nation Army"
- Blur - "Song 2"
- New Order - Qualquer uma delas
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Íamos incluir ainda "Hey Boy Hey Girl", do Chemical Brothers, mas aí o Soulwax aparece com esse remix aí abaixo que, definitivamente, mostra como se faz para repaginar um antigo clássico indigesto (o link da faixa é via Popload, do Lúcio Ribeiro).
Chemical Brothers - "Hey Boy, Hey Girl (Soulwax Remix)"
PS - Esse post surgiu por iniciativa do co-autor do blog, Raul Aguilera, que redigiu quase todo o texto (especialmente as partes que falam da excitação em comandar as pick-ups). Mas depois de um papo de bar entre ele, eu e o outro co-autor, o João Anzolin, entraram, claro, alguns pitacos nossos.
Foto: William bigChill
A volta do New Kids on the Block vai render mais espaço na internet e alguns oitentistas vão preferir saber mais sobre o filme da vida do Falco. Mas, para mim, a notícia de que o magnífico Yazoo vai se reunir para shows foi coisa infinitamente mais empolgante.
Momento mítico do synth-pop, a junção da cantora de blues e soul Alison Moyet com o gênio eletrônico Vince Clarke (que foi da primeira formação do Depeche Mode) rendeu pelo menos dois marcos gigantescos da pista de dança, "Situation" e "Don't Go" (remixados e sampleados até não poder mais). Se você nunca ouviu essas, precisa urgentemente sair mais de casa. Olha o vídeo de "Don't Go" aí:
Mas tem mais coisa boa espalhada pelos seus dois únicos álbuns, Upstairs At Eric's (resenhado anos atrás em Tesouros pelo parceiro Benjamin Ferreira) e You and Me Both, lançados em 82 e 83 respectivamente. A parceria se desfez em 1983, com Alison seguindo carreira solo e Clarke formando o Erasure. Mas nenhum dos dois jamais conseguiria atingir a perfeição dos trabalhos mais inspirados do Yazoo (conhecido nos EUA como Yaz).
A nova turnê do Yazoo rola no Reino Unido no meio do ano, começando em Glasgow em 4 de junho e terminando em Londres no dia 18. Uma caixa com quatro CDs será lançada um pouco antes da turnê com todas suas músicas mais versões remasterizadas, lados B, remixes e um DVD com entrevistas e clipes.
Para aguçar o paladar, aí vai uma versão crua de "Situation" (a que todo mundo conhece é, na real, um remix de François Kevorkian) e a versão 12" de "State Farm".
Yazoo - Situation (versão crua)
Yazoo - State Farm (12" mix)
Que comecem as promessas de início de ano. The Cure e Depeche Mode por aqui em 2007? Podem começar a acender suas velas e separar o klenex de bolso. Deu na Mônica Bergamo hoje que estão sendo negociados show para o fim do ano. Agora é torcer, mas eu só acredito com o ingresso na mão. ;)


