O diretor de um dos melhores filmes do ano passado, "Lunar", que eu falei exaustivamente aqui e que foi lançado direto em DVD, acaba de mostrar o trailer de seu novo filme, "Source Code".
Duncan Jones, também conhecido como o filho do David Bowie, ou Zowie Bowie, continua na linha ficção bizarra e esse filme novo parece uma mistura de "Matrix" com "O Dia da Marmota", sabe aquilo de nnao parar nunca e se repetir até se perder?
Pra melhorar, tem o Jake Gyllenhaal, a Michelle Monaghan e a Vera Farmiga. Mal posso esperar!
Oi.
Eu tava aqui pensando com os meus botões como diabos eu ia me apresentar pra vocês, digníssimos leitores de alto-nível do rraurl, sem parecer uma completa mané, e travei. Como é que se começa um blog? E como é que se começa um blog em português, no Brasil, quando você já está 1/4 da sua vida fora dele? (eu tenho 27 primaveras - faz as contas, cabeção).
Tem jeito não, né. Então é o seguinte:
Meu nome é Thais. Também sou conhecida no mundo virtual como glittah (apelido da adolescência que não desgrudou mais. Purpurina com sotaque britânico. Pode rir.) Moro em Londres faz uns bons anos, desde que vim estudar jornalismo e não voltei mais. Enquanto o diploma não serviu pra grandes coisas, eu caí - não, despenquei - no mundo pirado da moda britânica e, como diria uma amiga escritora igualmente pirada, "obecequei". De hobbie virou freela que virou trampo que virou o ar que eu respiro.
E é sobre isso que eu vou escrever nesse blog.
Mas calma, não entra em pânico ainda (nem faz cara de tédio, você aí no fundo). Eu não gosto de moda. Moda é chato. Eu
gosto de roupas. E idéias. E a maneira como uma simples peça pode expressar uma maneira interessante de ver as coisas, uma referência, uma perspectiva de vida - isso SIM
é legal. E música tem tudo a ver com isso. Você consegue imaginar a Björk sem o vestido de cisne, ou a pintura tribal do Volta no rosto? Ou David Bowie sem o androginismo (nem sei se existe essa palavra) da época do Ziggy Satrdust? Ou, mais perto de casa, Lovefoxxx sem o macacão de paetês? Ahm... Roberto Carlos sem o blazer branco?
E é isso que a gente aqui (the royal we) se interessa - não tem como ignorar estando na terra do céu cinzento. Porque foi aqui que a Viv Westwood botou um alfinete no nariz da rainha numa camiseta inventando o punk, e continua, 30 anos depois, chocando o público ao lado da babe plastificada Pamela Anderson na campanha de verão 2009. Aqui que a super model Agyness Deyn causou um furor mundial indo pros castings de Doc Martens, colete de couro e leggings fluorescentes, e aqui que Beth Ditto, a gordinha vocalista do Gossip, posou nua na capa da super revista LOVE e lançou uma coleção avant-garde pra tamanhos maiores. Gareth Pugh, McQueen, Galliano, a lista de quem desafia os padrões convencionais é longa e estabelecida. Não tem convenção, não tem tradicionalismo, não tem MEDO. Rebeldia (conflito, choque, discordância, colisão - CLASH) é a filosofia que inspira quem faz moda no Reino Unido sempre - e a gente vai tentar manter o espírito aqui nesse espaço, thank you very much. Regras, meu amigo, servem pra ser quebradas.
Então assim, frases que você certamente não vai encontrar por aqui são "acho que não combina" e "não tenho coragem". Pelo contrário: se tiver algum trend que a senhora aí de casa estiver achando "ai feio, não combina, não tenho coragem", esse blog vai aprovar. Não, não: esse blog vai APLAUDIR. Porque rebeldia e vanguarda não precisa necessariamente ser inacessível e viver num palco ou num vídeo clip - e não precisa pertencer a uma tribo pra isso. É tudo inspiração.
Agora, se ainda assim você quiser ganhar dica de moda sensível, sobre pretinho básico, terninho chic, o que comprar na liquidação, conversa com a Glória Kalil ou com a, whatsherface, Ana Maria Braga. Aqui tá valendo tudo.
Stay tuned.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.

Oaaa! A moça chegou cheia de farpas prontas para ocupar manchetes. A música dela pode ser boa, mas as idéias... tsk, tsk.
Pelo amor de Martin Luther King Jr. (cuja morte completa 40 anos no dia 4/4)! Desde que Elvis começou a rebolar e cantar que nem negro (aliás, desde antes, considerando a quantidade de sambistas e jazzistas brancos que existiram), a música popular tem sido uma saudável putaria interracial, ainda bem. Brancos cantam soul, noruegueses fazem disco, brasileiros tocam jazz, africanos tocam rock, franceses fazem heavy metal eletrônico e indianos imitam Michael Jackson.
Estelle acha que o soul é "a MINHA música" o que é realmente deprimente. Talvez Estelle deveria avisar ao seu produtor Will.I.Am para parar de samplear branquelos franceses e guitarristas de surf rock da Califórnia.
Brancos vem cantando soul há quatro décadas com ótimos resultados, reconhecidos até pelos seus irmãos "de cor", para usar um horrível termo das antigas.
Nos anos 60 tivemos, por exemplo, Dusty Springfield e Joe Cocker. Você já deve ter ouvido "Son Of A Preacher Man", de Dusty, que está na trilha de Pulp Fiction. Se não ouviu, ouça e constate como essa gravação tem mais pulmão, alma e verdade do que muito disco lançado com o selo da Motown ou da Stax. Foi nessa época, aliás, que surgiu o termo "blue-eyed soul", para definir artistas brancos que cantavam com a mesma intensidade e emoção que seus equivalentes negros.
Dusty Springfield - Son Of A Preacher Man
Na década seguinte, o alvíssimo David Bowie rumou em direção à Philadelphia para gravar um de seus melhores álbuns, Young Americans, banhado em soul e R&B. Tanto convenceu que Bowie chegou em primeiro lugar na parada black americana em 1975 e se apresentou no famoso programa Soul Train, para onde iam os artistas negros de sucesso.
Nos anos 80, a inglesa Alison Moyet provou, solo e com seu grupo Yazoo (que está voltando esse ano), que soar "negona", blues, soul ou seja lá o que for, não tem nada a ver com cor da pele. E, alguns anos atrás, tivemos um garotão de Brighton, que deve usar FPS 50 quando vai à praia, dando um show de "negritude" no microfone: Jamie Lidell.
Jamie Lidell - Multiply
Estelle diz que "não há uma pessoa negra na mídia cantando soul". Há sim, Estelle. Já ouviu falar em Alicia Keys, Beyonce, Leona Lewis, Ashanti, Kelly Rowland ou Rihanna? Até onde eu sei, elas cantam R&B/soul, pelo menos é isso que vem escrito na embalagem.
Embalagem é um termo apropriado para muitas dessas mocas, aliás. O problema com a maioria das cantoras "black" que inundam a mídia é que o que elas cantam é uma margarina sonora muito da processada cuja super-produção e clichês trataram de limar qualquer resquício de autenticidade e alma.
Ashanti - The Way That I Love You
Foi por isso que quando surgiu Amy Winehouse, uma branca inglesa cantando das profundezas do coração, todo mundo parou, prestou atenção e gostou. E aí lembrou: "ah, mas isso é soul né?" Pelo menos, era a idéia que muita gente tinha de como deveria soar o soul, totalmente diferente do insosso som de muitos artistas negros americanos.
Em tempos de Barack Obama, o discurso segregacionista de Estelle soa datado e feio.




