O post anterior do blog, onde o Bernardo relata e exalta o movimentado fim de semana do underground carioca, fez com que Vivian Caccuri (autora do nosso vizinho Ataque-Ataque) levantasse uma dúvida interessante, sempre discutida em botecos e portas de noitada, mas que como toda boa filosofia de boteco, nunca termina num consenso entre os participantes.
Eu também sempre me questiono sobre o que é ou o que não é a cena "underground" da cidade. Se ela existe ou não.
Mas pensando no Rio, a cidade-berço da Rede Globo, qualquer movimento cultural que vive em paralelo a isso é underground. O mainstream tá aqui. O underground também. Mas todos em nichos cada vez mais heterogêneos e conexos, tudo fica muito confuso.
Obviamente o denominado underground carioca de hoje não é trangressor e reto como era na origem da contracultura em 60 e 70. O mundo também não. O sistema a ser rompido não é tão claro e concreto como era antes. É até mais sedutor e flexível.
Às vezes, por ver que muita gente que frequenta essa cena segue o rótulo por modismo, porque é cool ou por motivos nada coincidentes com o "princípios underground" - se é que eles existem - a confusão se forma.
O interesse claramente comercial de patrocinadores e fornecedores no público que consome o chamado underground também desacredita. Mas essa é a tão sonhada profissionalização, não é? A Indústria do Entretenimento?
Underground pra mim é a cultura que corre com objetivos alheios aos da cultura dominante. Sem ceder aos caprichos da POPularização em detrimento da qualidade (no caso musical) e da diversão.
E pra você?

Entre as atrações, shows do Jupiter Maçã e dos esporrentos suíços do Young Gods e debates com figuras de destaque do nosso jornalismo cultural como Ana Maria Bahiana, Luiz Carlos Maciel, Rogério de Campos (editor da Conrad), Xico Sá e Arthur Veríssimo.
O mais interessante é a programação de filmes que, além dos manjados-mas-sempre-bons-de ver Blow Up e Easy Rider, tem raridades como The Hippy Revolt, que mostra a moçada doida de LSD na Califórnia, em 1967, "dançando em discotecas com projeções psicodélicas sobre seus corpos" (como disse Antônio Gonçalves Filho no Estadão). Outra preciosidade é Viagem ao Mundo da Alucinação, cultíssimo de Roger Corman que procura retratar uma bad trip de LSD. Para assistir a este último, a produção do evento preparou uma sala com 80 lugares acolchoados.
O evento vai até o dia 22 de junho. Aqui você vê a programação completa dos filmes. Já aqui tem os espetáculos teatrais.
No site do SESC porém, não consegui achar a programação dos debates, mas a Folha de S. Paulo informou que "O Que é Contracultura?", com Ana Maria Bahiana, Rogério de Campos e o poeta Roberto Piva acontece no dia 16/4, às 19h30, e que "Contracultura e Multiculturalismo: A Voz Sussurrante do Oriente", com Arthur Veríssimo e os músicos Alberto Marsicano (o famoso citarista) e Sérgio Carvalho rola no dia 30/4, também às 19h30.
A contracultura é o nome que se dá para as manifestações da cultura alternativa em geral. É uma linhagem que inclui os beatniks nos anos 50, o movimento hippie/psicodélico na década seguinte (primeiro momento de popularização da contracultura) e o punk nos anos 70 e hoje prospera na internet. A música eletrônica e as raves, quando eram fenômenos underground, também foram desdobramentos da contracultura (pena que o evento no SESC tenha ignorado esse fato...)


