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Claudia Dorei acaba de finalizar novo álbum. "One" marca o nascimento de sua alcunha misteriosa Malika. Com letras em inglês e timbre vocal inusitado ao estilo CocoRosie, a cantora/compositora/trompetista se transforma.
Querida no cenário nacional pelo trip hop cool e bem produzido de "Respire" (2009), a carioca envereda agora pelo dubstep intimista e soulful. Malika aposta em letras de protesto, atitude e #goodvibrations.
O paulistano Cavalaska (revelado aqui pelo blog Marmita Sônica), que trabalhou com ela no remix para "Solo da Paixão" de Marina Lima, é o responsável pela produção das 10 faixas.
Confira "One" e "Two O' Clock" da Malika que vazaram no Soundcloud do produtor.
Malika - One (original mix) by cavalaska
Autor da divertida "Cavalaska TV" no Youtube, o renomado produtor de dubstep deu um post interessante no seu blog há duas semanas. O artista disponibilizou um pack de samples recheado de wobble bass, aquele famoso grave encorpado e rasgado encontrado também no crack house. São timbres que ele usa em suas próprias músicas e além dos aqruivos de áudio, Cavalaska colocou imagens ilustrativas e dicas rápidas de produção no pacote.
O figurão que recentemente lançou o comentado EP virtual "Are You Dead?" pelo selo canadense Monkey Dub, incentiva agora o gênero em seu país. "Vamos dar um gás na produção brasileira de dubstep e afins. Assim que você fizer o seu som manda o link do SoundCloud pra mim, eu quero ouvir!!!", disse no post.
O compartilhamento "friendly" rola no estilo 'paz e amor' que é a sua cara. "Importante lembrar que se você usar o meu sample-pack nas suas produções, vc não precisa dar credito para mim.. Fo#@-se, afinal de contas, na real tamo tudo junto. Paz".
DUBSTEP x RAP NACIONAL
O skatista paulistano, que anda produzindo basslines em projetos como o Super Fruit live e a Orquestra de Laptops de Santo André, participou de ótima faixa do grupo de rap Julgados Culpados. A track lançada em julho "Alma Que Habita o Corpo" teve participação da expoente cantora de trip hop (pop) Claudia Dorei.
Em seu estúdio caseiro no bairro da Saúde, o cara tem recebido diversos MCs de rap e ragga para incrementar o dubstep nacional, como Dom Lampa e Arcanjo Ras, entre outros. O mais louco é que Cavaslaka grava os vocais de muitos deles num set-up montado no seu próprio guarda-roupas. É mole?
Cavalaska Feat Claudia Dorei & Mc Dom Lampa - Alma que Habita o Corpo (Unmastered version) by cavalaska
(Créditos foto: Elza Cohen)
O beat mais sexy da cidade de Bristol se mostra como o estilo a ressurgir na próxima década. Através de novos trabalhos dos grupos como Portishead e Massive Attack, o Trip Hop reaparece do jeitinho que era antes: conceitual, cheio de referências estéticas e marcado pela sensualidade peculiar à mais fina "fuck music".
O Portishead, que demorou 11 anos pra finalizar seu terceiro álbum (Third, 2008), surpreendeu a todos ao afirmar que já está em estúdio gravando o quarto disco. Um dos três pilares do Portish, Geoff Barrow (que também trabalhou no Massive Attack), afirma porém que este novo trabalho não deverá ser lançado por vias tradicionais/físicas, mas apenas em formato digital. De qualquer forma, ouviremos novidades cantadas pela sensualíssima voz de Beth Gibbons sob beats quebrados já em 2010.
Já o Massive Attack lançou recentemente pela Virgin Records "The Splitting The Atom", EP Promo com quatro singles que serve como uma espécie de teaser de seu novo LP, com lançamento previsto pra Fevereiro do próximo ano. Já dá pra sentir o gostinho do que vem por aí, principalmente após o hiato criativo de três anos sem nenhuma novidade.
O termo Trip Hop foi criado pela revista Mixmag em 1990 pra definir o álbum Maxinquaye, do artista Tricky porém antes de ser nomeado o estilo já se desenvolvia no underground britânico como uma alternativa downtempo, jazzística e viajante do hip hop. Influênciado por estéticas tão diferentes como a do grafitti e a de filmes noir, este rótulo pode ser aplicado a artistas tão distintos quanto Morcheeba, Sneaker Pimps, Lovage e Gotan Project.
O Trip Hop Brazuca como movimento ainda engatinha, porém tem iniciativas isoladas bem interessantes como Macunaíma Ópera Tupi por Iara Rennó;
Claudia Dorei, com o que ela chama de "Trip Hop Solar" é a artista nacional do gênero que mais me agrada.
O grupo inglês Smoke City é liderado pela brasileira Nina Miranda, que canta também em português. Confiram a mistura no belíssimo vídeo de Underwater Love
Quem também se aventura no gênero é a cantora Céu.
Pesquisando e escrevendo este post, até me imaginei inserido nessa temática film noir, bebendo martinis e fumando charutos (se a lei anti-fumo deixar) num loungezinho elegante, ao som desse jazz lisérigico ritmado por batidas quebradas. Tá faltando um warm up do estilo por aqui, não acham?



