Momento nostalgia bateu aqui. Conheci o carioca Beto Pedroza nos bastidores do RMC 2011 há alguns semanas atrás e achei muito legal que o cara está aprontando edits de clássicos da new wave para tocar em suas gigs. Mesmo sendo um DJ há poucos anos, Pedroza passa longe de ser um new face no pedaço, ele foi sócio do legendário clube Dr Smith, que marcou a cena da capital carioca de 1990 a 1996 abrindo portas do Rio para verdadeiros pioneiros como Armand Van Helden, Tony Humpries, Josh Wink, Little Louie Vega e Laurent Garnier.
Beto está articulando uma festa comemorativa de 20 anos do clube Dr Smith para 2011, mas não tem planos de reabrir o clube. “Há a possibilidade de abrir outro clube, apesar da grande dificuldade de legalização de novas casas, o que na minha opinião é uma das grandes dificuldades de se trabalhar no Rio. O que vemos são clubes antigos (já legalizados) reabrindo com outro nome. Além disso no Rio hoje em dia todos são vips. As pessoas gostam de reclamar que não tem opções mas quando surge algo legal, só vão se convidadas. Ou seja é muito difícil bancar um clube no Rio. Para os saudosistas faremos uma grande festa em breve”.
BETO PEDROZA - TOP 10 DR SMITH
Dee-Lite – Groove is in the Heart
KLF – 3 am eternal
Snap! – Mary Had A Little Boy
Technotronic – Pump Up The Jam
Danny Tenaglia – Bottom Heavy
Bizarre Inc – Playing With Knives
Harddrive – Deep Inside
DHS – House of God
Jaydee – Plastic Dreams
Ralphi Rosario – You Used To Hold Me
Felipe Venâncio e Edinho eram os residentes do clubinho que servia 400 pessoas em Botafogo, Mau Mau e Renato Lopes faziam a ponte regularmente. Reza a lenda que toda uma geração carioca passou pela cabine do Dr Smith. “Mauricio Lopes em começo de carreira (fazia a luz do Felipe), o grande Jose Roberto Mahr, figura importantíssima, Markinhos Meskita, Lc Ambient, Ricardo NS e vários outros”, comenta Beto.
Quem estava no lugar e no momento certo vivenciou cenas memoráveis dentro do Dr. Smith, que cumpriu papel de formação de público para a música eletrônica no Rio. “Musicalmente uma das coisas mais marcantes foi o set de Laurent Garnier, tínhamos uma cena fortíssima de house, e o techno havia acabado de chegar e por algum motivo ou você gostava de um ou de outro. Laurent fez uma noite memorável, tocando de tudo, agradando a todos e acabando com esta besteira. Outro fato que me marcou muito foi a ultima noite, um clube inteiro chorando e as pessoas arrancando partes da decoração como lembrança”.
Ma Personal Jesus (Beto's Uber extended edit) by Beto Pedroza
Patrick Hernandez-Born 2B Alive(Beto's obviously Born 2B Alive Edit) by Beto Pedroza
Beto também já foi curador de tendas eletrônicas de diversos festivais, apadrinhou para as pistas seu irmão João Paulo, que é ótimo DJ de house e juntos comandam os decks de vez em quando, estão produzindo e mantém o selo Quebra-Coco Media.
Ninguém fica parado na história, não é mesmo?
O post anterior do blog, onde o Bernardo relata e exalta o movimentado fim de semana do underground carioca, fez com que Vivian Caccuri (autora do nosso vizinho Ataque-Ataque) levantasse uma dúvida interessante, sempre discutida em botecos e portas de noitada, mas que como toda boa filosofia de boteco, nunca termina num consenso entre os participantes.
Eu também sempre me questiono sobre o que é ou o que não é a cena "underground" da cidade. Se ela existe ou não.
Mas pensando no Rio, a cidade-berço da Rede Globo, qualquer movimento cultural que vive em paralelo a isso é underground. O mainstream tá aqui. O underground também. Mas todos em nichos cada vez mais heterogêneos e conexos, tudo fica muito confuso.
Obviamente o denominado underground carioca de hoje não é trangressor e reto como era na origem da contracultura em 60 e 70. O mundo também não. O sistema a ser rompido não é tão claro e concreto como era antes. É até mais sedutor e flexível.
Às vezes, por ver que muita gente que frequenta essa cena segue o rótulo por modismo, porque é cool ou por motivos nada coincidentes com o "princípios underground" - se é que eles existem - a confusão se forma.
O interesse claramente comercial de patrocinadores e fornecedores no público que consome o chamado underground também desacredita. Mas essa é a tão sonhada profissionalização, não é? A Indústria do Entretenimento?
Underground pra mim é a cultura que corre com objetivos alheios aos da cultura dominante. Sem ceder aos caprichos da POPularização em detrimento da qualidade (no caso musical) e da diversão.
E pra você?
vídeo enviado por Rictones
Mais um novo exemplo de como o funk carioca já virou uma forma de discurso que caiu no gosto de pessoas que não esperávamos. Pessach (Paulinho) Rosenbaum fez um funk com motivos da religião judaica (a saída do Egito para ser mais preciso). Tudo muito bem humorado e super certinho.
Pessach foi esperto usando a palavra "gueto" para validar o uso do funk como uma voz das "minorias". Só não vamos achar que a música da "favela" é uma música de "minoria"...as áreas mais pobres do Brasil já produziram mega sucessos como a banda Calypso, que rapidamente se espalhou pelo Brasil.
Impossível não lembrar de Matisyahu, que faz uma bela mestiçagem de rastafari com judaísmo, cantando reggae com letras que contam histórias do povo judaico.
Suco natural + sampler MPC + stop motion + funk carioca = um comercial sensacional!

Os 80 minutos do documentário Favela On Blast não passam, voam. O filme sobre funk carioca que o DJ americano Diplo produziu e co-dirigiu, com direção do mineiro Leandro Hbl, estreou na Mostra de Cinema de São Paulo para pouca gente. Mas, certamente, quem viu não só se divertiu muito como saiu da sala com uma mensagem: o funk carioca independe de modinhas para sobreviver.
Passa longe de Favela On Blast a glamurização da pobreza ou da violência, clichê recorrente em documentários que retratam gente pobre. O filme adentra os morros cariocas onde o funk é mais presente como um convidado bem-vindo e não um intruso e mostra, através de personagens fortes, como o som é feito, em que é baseado e, em seguida, como é consumido.
Como numa mixagem perfeita, com passagens suaves de um tema para o outro, você é apresentado a figuraças como o MC Pana, que conta a odisséia que foi produzir seu primeiro "cripe" - este, segundo ele, foi parar na internet e rendeu "não sei quantas mil cópias" (?).
Ou o MC Colibri, uma espécie de Don Juan do funk carioca, que migrou do samba para o batidão e subiu de vida, a ponto de ser proprietário de uma senhora casa. Ou ainda o MC Gorila, que mandou fazer uma corrente pesando 1,7 kg, em que pendura um pingente com "o corpo do Hulk e cabeça de macaco". E tem ainda entrevistas e trechos de shows com nomes mais conhecidos, como Deize Tigrona, Sanny Pitbull, DJ Marlboro e Mr. Catra.
O filme não se esquiva de temas pesados, como a violência policial, a banalização do sexo e o tráfico de drogas na favela. Mas mostra esse cotidiano com a mesma naturalidade com que os moradores a encaram - não deixa de ser assustadora essa tranquilidade diante do caos, mas esse não é o ponto aqui.
Costurando o filme todo estão crianças, muitas, magrelas e espertíssimas. Não dá pra não fazer um "nhóóó" vendo aquela molecada feliz da vida, cantando, celebrando a vida, mesmo descalças e usando shortinhos puídos.
Com edição esperta, sensibilidade, bom humor e incrível intimidade com o tema, Favela On Blast merece muito mais do que ser classificado apenas como "o filme do Diplo", como eu fiz logo acima no título. Se vai entrar no circuito comercial, eu duvido muito. Tomara que saia logo em DVD e faça uma bela carreira na gringa.
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
Um dos filmes mais bacanas de música dessa 32ª Mostra de SP é Favela Bolada (Favela on Blast), o documentário que Diplo e o cineasta mineiro Leandro HBL estão fazendo desde 2005/2006, e já noticiamos aqui mais de uma vez (leia entrevista com Leandro, de 2006).
Assista, e participe. Nós, claro, vamos resenhar o filme. Confira as sessões, e lembre-se que a compra de ingressos antecipados da mostra só vale no dia da sessão, a partir do meio-dia.
28/out - terça-feira - 21h30
Espaço Unibanco Augusta 3
29/out - quarta-feira - 19h00
IG Cine
30/out - quinta-feira - 21h10
Unibanco Arteplex 4
Infos completas aqui.
Veja o teaser do filme publicado na página de Cinema do UOL.

Outro filme bacana que a gente recomenda é Steak, dirigdo por Quentin Dupieux, francês mais conhecido por Mr. Oizo. SebastiAn e Sébastien Tellier (esse até atua) participam da trilha ao lado de Mr. Oizo. O filme é uma comédia bizarra que se passa em 2016, e que fala dos padrões de beleza de então. Imperdível.
No convite que recebemos para o filme, por e-mail, uma revelação: "A inclusão desse filme na Mostra era parte de um plano maior no qual Mr. Oizo viria a São Paulo para apresentar pessoalmente seu próprio filme, e para tocar na festa de abertura da Mostra (16/out), além de fazer uma mini-tour num clube em São Paulo e em outros lugares do Brasil (...) Mas por motivo de força maior a viagem foi cancelada de última semana. Mr. Oizo virá para tocar no Brasil em 2009 dentro das celebrações do Ano da França no Brasil."
29/out - quarta-feira - 17h40
CineSesc
30/10 - quinta-feira - 18h10
HSBC Belas Artes
Infos completas aqui.


