Andy Warhol é o cara. Entre seus grandes feitos, destaco a descoberta de Basquiat e do Velvet Underground. Mas nada tão significativo como elevar ao status de arte produtos e ícones do nosso dia-a-dia.
Warhol basicamente chegou pro mundo e disse que um mero produto comercial do cotidiano era símbolo da nova ordem mundial e que o fetichismo da compra ditado pelo capitalismo selvagem, também podia ser visto como arte. Gritou: "Hey you bastards! Arte não é só aquele quadro velho e fora do contexto de nossas vidas. Arte pode ser qualquer coisa. A arte faz parte de nossas vidas!" E foi com a quebra deste distanciamento entre arte e público, com uma guaribada de técnicas de reprodução, regada a cores vibrantes e releituras, que surge pro mundo a Pop Art.
Mr. America é a maior exposição de Andy Warhol que o Brasil já viu e conta com 169 obras que retratam todos os aspectos da carreira do maior nome da arte pop. É como uma retrospectiva da carreira do artista que pode ser vista em 26 pinturas, 58 gravuras, 39 trabalhos fotográficos, duas instalações e 44 filmes experimentais. Tudo isso na Pinacoteca de São Paulo - um espaço excelente, aliás - começando no dia 20 de Março e terminando em 23 de Maio.
Nascido Andrew Warhola, desde muito novo Andy viveu inserido no sistema de mercado. Essa percepção desde a infãncia, quando acompanhava os irmãos trabalharem com o comércio em um mercado de Pittsburgh, foi fundamental para sua visão de mundo refletida em seus trabalhos. Com 30 anos, no fim dos anos 50, já era um dos mais bem pagos ilustradores de revista e de publicidade em New York.
A transição de seu produto para arte - justamente mostrando a arte como produto e vice-versa - aconteceu naturalmente nos anos 60, assim Warhol se tornou o propulsor da Pop Art, que tem como outros ícones Roy Lichtenstein e Jasper Johns.
A partir daí, Andy fez da cultura pop sua vida até os limites. Vivia intensamente a noite novaiorquina, virou manager de bandas, apresentador de programas, garoto-propaganda, dono de revista, autor de filmes, livros e dono do Factory, um estúdio de arte que também funcionava como ponto de encontro de personalidades como Mick Jagger e Bob Dylan, modelos, traficantes e drag queens.
Ver Mr. America é ver o ponto de vista de uma geração que até hoje influencia o mundo.
Exposição de Andy Warhol
Estação Pinatoteca
largo General Osório, 66, Luz, São Paulo
Terça a Domingo de 10h a 17h30
De 20 de Março a 23 de Maio
O post anterior do blog, onde o Bernardo relata e exalta o movimentado fim de semana do underground carioca, fez com que Vivian Caccuri (autora do nosso vizinho Ataque-Ataque) levantasse uma dúvida interessante, sempre discutida em botecos e portas de noitada, mas que como toda boa filosofia de boteco, nunca termina num consenso entre os participantes.
Eu também sempre me questiono sobre o que é ou o que não é a cena "underground" da cidade. Se ela existe ou não.
Mas pensando no Rio, a cidade-berço da Rede Globo, qualquer movimento cultural que vive em paralelo a isso é underground. O mainstream tá aqui. O underground também. Mas todos em nichos cada vez mais heterogêneos e conexos, tudo fica muito confuso.
Obviamente o denominado underground carioca de hoje não é trangressor e reto como era na origem da contracultura em 60 e 70. O mundo também não. O sistema a ser rompido não é tão claro e concreto como era antes. É até mais sedutor e flexível.
Às vezes, por ver que muita gente que frequenta essa cena segue o rótulo por modismo, porque é cool ou por motivos nada coincidentes com o "princípios underground" - se é que eles existem - a confusão se forma.
O interesse claramente comercial de patrocinadores e fornecedores no público que consome o chamado underground também desacredita. Mas essa é a tão sonhada profissionalização, não é? A Indústria do Entretenimento?
Underground pra mim é a cultura que corre com objetivos alheios aos da cultura dominante. Sem ceder aos caprichos da POPularização em detrimento da qualidade (no caso musical) e da diversão.
E pra você?



