Quem for na Campus Party poderá acompanhar a programação de VJs na zona de Criatividade, área de Vídeo.
"É um espaço onde as pessoas podem se encontrar para trocar experiências sobre vídeo. O foco é o compartilhamento de conhecimento", conta VJ pixel, um dos coordenadores da área.
Há projetor e tela disponíveis na bancada de vídeo para quem quiser brincar com suas imagens. Também é possível levar equipamento próprio.
Na sexta-feira, 29.01, às 18h00, acontece o encontro do VJBR, com a presença de VJs de diferentes estados, para troca de idéias e projeções nas paredes do evento, que por coincidência, estão apropriadamente forradas com lycra branca.
A programação da área de Criatividade também inclui painel sobre VJing, oficinas de vídeo, VJing, Blender, Processing e outros.
Veja os horários na Agenda do site da Campus Party 2010: www.campus-party.com.br.
Quem não estiver no evento, pode acompanhar online a transmissão ao vivo através deste link: http://tv.campus-party.org.
Você pode escolher a área que quer ver. Para assistir a programação de VJs basta entrar no canal "2 - Video, Foto e Design".
O Surfluz é uma mesa que permite desenhar no telão usando luz infravermelha. As imagens são animadas e aparecem no telão em tempo real, podendo ser mixadas às imagens do VJ e permitindo a participação do público.
O aparato foi construído pelo VJ pixel, no estilo "Criei, tive como" (alusão ao Creative Commons), utilizando apenas ferramentas open source.
pixel, assim com letra minúscula, é apenas um pedacinho de um jpeg, como ele mesmo diz. Ou seja, um componente de uma cena formada por diversos outros elementos. Esta metáfora também traduz a filosofia de seu trabalho, onde a criatividade é agregativa, ou seja, realizada em conjunto por diversas pessoas, colaborativamente, visando sempre o avanço das ferramentas e as disponibilizando para que a comunidade possa dar continuidade à evolução do conhecimento.
Desta maneira, ficam à disposição da criatividade livre, diversos recursos, desde softwares até hardware, como o Arduino. E já há muita gente construindo coisas bem divertidas com estes.
O VJ pixel está presente em diversos eventos esta semana na Campus Party. Quem se interessa em aprender mais sobre edição de vídeo e Vjing em software livre pode colar lá nesta sexta, às 14h00, para uma oficina sobre o LiVES, ministrada por ele e por Garbiel Salsaman.
Na sexta-feira ele faz palestra sobre o software. Aqui, ele explica de onde veio e como funciona toda essa história da mesa na entrevista abaixo, feita por gtalk, levemente adaptada ao estilo blog.
Bete: Quando você começou a fazer o Surfluz?
pixel: Comecei há aproximadamente três meses. Na verdade, ela ainda não está terminada. Estou testando várias possibilidades. A intenção é fazer um instrumento que permita que um VJ faça uma performance 'habitual', e ao mesmo tempo tenha mais flexibilidade de criação. Esse vídeo foi feito em outubro, logo quando comecei as experiências.
Bete: Você desenvolveu sozinho ou com mais alguém?
pixel: A pesquisa foi desenvolvida com ajuda de algumas pessoas. O Tiago Pimentel, com quem trabalhei no Casa Brasil (projeto de inclusão digital), e o Caio Luna (VJ do Desconstrução). Foi o Tiago que teve a sacada de usar aplicações em Processing. Eu estava pesquisando interfaces há uns meses e conversei bastante sobre o assunto.
A proposta é pensar em interfaces inusitadas, como usar um joystick de Playstation para controlar um software de edição de vídeo. Não é grande novidade, a diferença é que esse recurso poderá ser utilizado por milhares de pessoas assim que for incorporado ao LiVES. Acho que vai ser o primeiro programa de VJ que terá um recurso interno para utilização de joystick como controlador, mas não tenho certeza. Durante a pesquisa, acabei me deparando com o Wii e passei a pesquisar várias possibilidades de interfaces mediadas pelo Wiimote.
Inclusive, quando estava pesquisando essas interfaces mediadas pelo Wiimote, me deparei com a Linux Electronic Whiteboard, que é uma versão livre pro projeto do Johnny Chung Lee, e passei a fazer experiências com ele usando vários softwares. O Tiago me mostrou que era interessante fazer com Processing e como ficava bom com o Yellowtail. Então devo a ele um grande salto na pesquisa. O Caio me chamou pra levar a instalação pra uma festa que ele estava produzindo em Brasília e me ajudou construir a interface pra apresentar. Foi onde saiu esse vídeo.
Bete: Então, me explica a caixa. O que tem nela?
pixel: Caixa? Tela?
Bete: Sim, onde as pessoas passam o dedo pra desenhar, como chama?
pixel: Não é desenhado com o dedo, e sim com uma luz infravermelha.
Bete: A luz pega o movimento? Como faz?
pixel: Já viu sobre led throwing? Eu construí uns LEDs como aqueles.
Deixa eu pegar um link: http://vercodigofonte.blogspot.com/2006/02/led-throwing-action.html.
Eu me inspirei na maneira que eles constrõem os LEDs para arremessar. Tem gente que adapta canetas de verdade, como aqueles hidrocores Piloto, utilizando uma bateria, LED e um interruptor. Mas eu simplifiquei fazendo o interruptor rusticamente e utilizando apenas a bateria e o LED.
Bete: Teve que programar alguma coisa? No Processing ou outro?
pixel: Eu fiz modificações no Yellowtail pequenas, beeeeem pequenas.
Bete: Esse Yellowtail, o que é?
pixel: É um software escrito em Processing. Atualmente, a Surfluz usa só ele no Processing, mas já pesquisei outros softwares. A intenção é criar alguns também.
Bete: :)
pixel: Mas quero ver o que já existe primeiro. Uma das grandes vantagens do software livre é não ter que reinventar a roda. Além disso, é interessante. No lugar de ficar criando projetos novos, fortalecer outros já existentes, o que prefiro fazer. Tem gente que cria projetos do zero, parecidos com outros, para poder ter autoria, dizer que fez. Não é meu caso.
As pessoas normalmente perguntam: foi você que fez? O que você fez daí? Eu gosto de dizer que apenas juntei as peças. No Surfluz foi o que fiz. Juntei diversos softwares, fiz modificações e o mais importante, vou distribuir minhas modificações (avanços?) para a comunidade de volta. O controlador do LiVES com joystick veio do Surfluz. Eu o fiz junto com o Salsaman e testei, ainda testo, exaustivamente. Ele faz parte do Surfluz, na verdade, talvez não esteja funcionando bem, pois as pessoas correm pra tela e esquecem o controle, e olha que é beeeem divertido brincar com ele.
Bete: Mas o que faz o controle? A luz surfa. E o controle?
pixel: uhauhauhauauha
Bete: ahisuhaiushau
pixel: O Surfluz é composto de três elementos. Um deles é um computador com o LiVES, que é um software livre de VJing com o qual colaboro no desenvolvimento (testando, propondo recursos e traduzindo). O controle serve para controlar o LiVES. O LiVES dá a textura da imagem ou do fundo. O outro elemento é um computador que roda o Linux Whiteboard e o Processing. Ele é responsável por captar os movimentos do mouse e transformar em imagem. O terceiro elemento é um mixer de vídeo que junta as imagens dos dois, que são duas fontes de vídeo que podem criar uma composição de qualquer maneira que o mixer permitir. As maneiras que acho mais interessante são: A) usar a imagem que vem do LiVES como textura nos desenhos dentro deles. B) usar as imagens do LiVES como fundo dos desenhos.
Bete: Aí o público pode mexer? Como é a usabilidade? As pessoas pegam fácil?
pixel: Podem mexer no joystick, desenhar na tela, ou operar o mixer, como preferirem.
Olha o Yellowtail: http://processing.org/exhibition/works/yellowtail/index.html. Aí risca ele com o mouse apertando o botão esquerdo. Eu fiz modificações pra parecer melhor numa resolução maior em tela fullscreen. As pessoas pegam fácil a usabilidade. O joystick é um instrumento já conhecido e fácil de usar, então as pessoas vão mexendo aleatoriamente até entenderem o que os botões fazem. Na tela, a maior dificuldade, é entenderem que precisam apertar o fundo dos LEDs. Mas isso faz uma coisa legal, cria uma rede social, as pessoas vão ensinando umas às outras a usar. Estou pensando em fazer canetas "tradicionais" pra ajudar as pessoas a entenderem o que fazer. Tira um pouco da simplicidade, adicionando mais elementos. Gosto de fazer as coisas simples, para que as pessoas saibam que elas podem fazer em casa, desmistificar a metodologia. Por isso, essa pesquisa toda faz parte da MetaReciclagem.
Bete: O que dá pra controlar com os botões?
pixel: O joystick tem botões pra mudar de vídeo. Um pra "subir" o vídeo, outro pra "descer". Tem um botão pra pausar e despausar o vídeo, um pra limpar todos os efeitos, pra correr o vídeo pra "frente" e "trás", pra aumentar e diminuir a velocidade e botões de efeitos (finalmente descobri uma utilidade pra todos aqueles botões do controle do Playstation). Tem gente que fica brincando só um minutinho, tem gente que fica 10 minutos e volta. Teve um cara que ficou mais de meia hora. Ele ia e voltava o tempo todo. Tirou várias fotos e filmou um monte. Minhas 'canetas' parecem com essa só que com luz infravermelha:
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Bete: A luzinhaaaaaaaaa, que fofa. Dá pra fazer com mais de uma luzinha ao mesmo tempo?
pixel: No momento não porque a luz funciona como mouse, mas quero escrever um programa que faça com toque. Aí podem ser usados vários dedos de uma vez e várias mãos, várias pessoas, pés, também nariz... Com cuidado, rola até com cotovelo. Viu o primeiro vídeo que mandei? Que é na parede?
pixel: Tiago é o cara que passa entre os segundos 23 e 25 do vídeo.



