Perdoem-NOS a falta de posts regulares, queridos 9 fãs do blog, mas em tempos de fashion weeks e recessão, não nos resta alternativa a não ser trabalhar pra pagar as contas. Aquela história de "quero meu hype em roupa" sempre vira um tiro pela culatra - afinal, não dá pra sair gritando "FAÇA BOM APRUVEITO QUE O MEU É ZERO" quando a companhia de gás bater na porta berrando "JOGA O QUE É MEU PEDROOOO" - dá? Então.
Mas a tempestade passou, e estamos voltando com a nossa programação normal.
Browseando (palavra aportuguesada - todo expatriado que se preza tem as suas: parkear, cancelação, experenciar.... e por aí vai) as fotos dos desfiles recentes de Nova York, Londres e Milão, já percebemos imediatamente que depois de uma invasão dos anos 80 nas últimas estações, nada mais óbvio do que um interesse súbito e avassalador na década seguinte, os anos 90.
Se você, como eu, também pensa que os anos 90 foram tipo ONTEM, vai se acostumando por que já deu tempo suficiente pra começar os revivals no universo fashion - e não estamos falando de grunge, que já está dando o ar da graça nas ruas faz horas com camisas de flanela e jeans rasgados. Estamos falando dos anos 90 dos vídeos do George Michael, da Madonna de Blond Ambition, da época que modelo era mulherão e não esqueleto vivo (público masculino, vai preparando o ÔLA).
E dessa época, a lingerie visível - como havíamos falado a alguns posts atrás - vai definitivamente marcar presença no verão que vem (não o verão de vocês claro. País de terceiro mundo que se preza tem um hiato de 2 estações dentro do calendário fashion). Principalmente aquela peça tão famosa nos anos 90: o bustier. Marc fez, Alexander fez, Cavalli fez, B&B fez, Moschino, Louise 1 e Louise 2 fizeram - só que em vez de umbigo de fora, como era comum na década passada, no séculO XXI é praticamente um REQUERIMENTO botar a peça por cima de tudo.








As bloggers, claro, estão a frente do jogo faz alguns meses - o que faz pensar naquela velha pergunta do ovo e da galinha. Quem veio primeiro?





Como diz minha amiga Lê, "acho bem" - uma coisa rebelde, mas democrático. Vai *pegar*?
(imagens via style.com e chictopia.com)
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Deconstruction, um dos selos mais conhecidos dos anos 90, vai voltar. Fundado em 1987 por Mike Pickering (ex-Quando Quango e depois do M-People), o label colheu uma porção de sucessos até seu fim em 2001.
Entre seus artistas estavam Sasha, Black Box, Lionrock, K-Klass, M-People, N-Joi, Dave Clarke, Way Out West e Kylie Minogue. Saiu de tudo por ali, hardcore techno, italo-house, techno sério, house vocal, prog, trance, afinal o Deconstruction nunca foi um selo de gueto e sim uma proposta comercial ambiciosa, especialmente depois de 93, quando foi comprado pela BMG.
É Pickering que está por trás da jogada outra vez. Ele, que começou a vida como DJ, é hoje vice-presidente de A&R (departamento artístico) da Sony britânica.
A nova encarnação da Deconstruction vai relançar clássicos de seu catálogo, começando por "Xpander", do Sasha, que ganhará remixes "atuais". Artistas novos também serão recrutados para a operação.
Para marcar a ocasião, Bate-Estaca oferece a você um especial com as mais mais da Deconstruction. Afaste as cadeiras.
Black Box - Ride On Time (1989)
No vídeo quem está no microfone é a modelo Katrin Quinol. Mas, como ficou bem conhecido na época, a voz pertence à magnífica Loleatta Holloway. Sampleada sem permissão, a diva disco foi aos tribunais. A música do Black Box foi um Giga-hit na época.
K-Klass - Rhythm Is A Mystery (1991)
Bassheads - Is There Anybody Out There (1991)
Felix - Don't You Want Me (1992)
Apresentação no programa de sucessos da TV inglesa Top of the Pops. Felix tinha só 17 anos quando a música ficou em número 6 na parada pop britânica, para você ver como estavam dissolvidas as barreiras entre mainstream e pista de dança naquele tempo no Reino Unido. Como era de praxe no programa, é tudo dublado e fingido, com direito a Felix fazendo scratches frenéticos quando a música nem tem esse som.
M-People - Moving On Up (Roger Sanchez Gospel Revival Mix) (1993)
De'Lacy - Hideaway (1995)
N-Joi - Anthem (1991)
Mais uma no Top of the Pops.
Usura - Open Your Mind (1993)
Vocal "Open Your Mind", de Vingador do Futuro e melodia de "New Gold Dream", dos Simple Minds.
Lionrock - Carnival (Are You Willing To Testify) (1994)
Projeto do DJ Justin Robertson que fez barulho na década passada. Tem sample de "Kick Out the Jams", do proto-punk MC5.
Dave Clarke - Storm (1995)
Way Out West - The Gift (1996)
Sasha - Expander (1999)
Ah, e não estávamos nós aqui outro dia jogando conversa fora sobre hip house, euro house e outros gêneros que recebem olhadas tortas dos guardiões do "cool" e "hype"?
Eis que Eric Prydz, um homem que não se acanha nem em fazer versão electro-house de Pink Floyd, entra em cena meio que para assinar embaixo de tudo.
Já ouviu o novo single do seu projeto Pryda? Tem uma faixa (ótima) chamada "Lift" que no ato me lembrou de um daqueles houses festivos dos anos 90. Mais exatamente, do hitaço (na Europa pelo menos; a mim, particularmente, lembra after hours de domingo à tarde em Londres) de 96 do Ken Doh. Raras vezes pianos voaram tão perto das nuvens como nessa faixa.
Pryda - Lift
Ken Doh - Nagasaki (I Need a Lover Tonight)

Tem a new rave e toda aquela fanfarra fluorescente. Tem os fãs de Daft Punk, como Justice e Digitalism, atuais bibelôs da mídia. Tem a febre do picote, do retalhamento frenético de produtores como Duke Dumont, Yuksek e Sinden, cuja semente é a edição ríspida e imprevisível de Aphex Twin lá atrás em "Windowlicker" (de 99).
Tem também a faixa "This is the Way", do Curves, pelo selo Institubes, que eu jurava ter sido gravada em 1993. Seu estilo não está tão longe do gênero populista conhecido como bassline house, que é nada mais que um update do speed garage dos anos 90 (o speed garage foi o predecessor do UK garage e do 2-step).
Tem o álbum do Burial, Untrue , que parece ser um Blue Lines, do Massive Attack, para esta década. E, claro, tem a própria estética dubstep, que ao aliar dub e derivados viajantes de música eletrônica, traz uma proposta similar (menos a tensão urbanóide) a que grupos como The Orb, Banco de Gaia e Rockers Hi-Fi apresentaram no começo da década passada.
E ainda tem o tal do "neo-trance", onde gente como Oliver Koletzki e Guy Gerber resgata arranjos e timbres dos primórdios do trance, de selos como Eye Q e MFS.
E tem a minha parte favorita: os pianos! "Remember Love", do Nôze, "My Piano", do Hot Chip, "Hearts on Fire", do Cut Copy, o remix do Herve para "Lick It", do Larry Tee, são algumas das faixas do ano passado que revitalizaram esse instrumento tão caro para a dance music. O piano teve seu apogeu no começo dos anos 90, sendo usado e abusado por todo o espectro da música eletrônica de então, do garage ao hardcore, do trance ao progressivo.
Então, muitos pianos em 2008 por favor. São mais que bem-vindos. Como inspiração aí vão cinco trechos de pianos clássicos do passado. Você sabe de que músicas são?
O PRIMEIRO que acertar ganha dois pares de VIPs para a próxima Discology vs Quebrada no Vegas. Respostas nos comments.
Cinco pianos clássicos do passado



