
Imagine um híbrido entre o som perturbador do Flying Lotus e as paisagens sonhadoras do Quiet Village. A soma Lynchiana resulta em algo bem próximo às músicas de Lemurian, último álbum do Lone. O projeto é fruto das elucubrações de Matt Cutler e não soaria deslocado na trilha sonora de Inland Empire.
As melodias das faixas são como raios de sol tentando atravessar o bloqueio de nuvens carregadas. Beleza ofuscada por uma reverberação mística, assim como um passeio pela Mulholland Drive do diretor de Veludo Azul.

Após a guinada pop de Roisinha Murphy, o sumiço do Massive Attack e o mergulho industrial do Portishead, muita gente colocou uma pedra sobre o trip hop. Mas acredite, há artistas soprando vida sobre a dissidência psicodélica do hip hop (ainda que por um viés bem mais futurista à la Scott Herren), como o Flying Lotus.
O rapaz, nascido na Califórnia, lançou seu segundo álbum, Los Angeles, em junho pela Warp, e estrelou festivais bacanas como o catalão Sónar. Entre minhas preferidas do disco está "GNG BNG", cheia de reviravoltas e tropeços embriagados.
O álbum reúne algumas participações especiais, como a dos vocais melancólicos de Gonja Sufi. Se você estiver à procura de uma sessão de psicoterapia musical, Los Angeles é uma boa pedida.



