O já tradicional evento anual que reúne o clima de grandes festivais na capital paranaense está pronto para decolar. Serão 5 espaços diferentes nesta edição nos quais 3 grandes stages para as atrações eletrônicas (TribalTech, TribalTrance e TribalSession), 1 stage para bandas (Organic Beat) e o espaço para projeção audiovisual (Cinetech).
Some a isso o bacaníssimo laser show dos holandeses da Laser Beam Factory (que roubaram a cena na edição de 2009), um inédito palco com um incrível vídeo mapping, uma mostra exclusiva de artes visuais alternativa no Lounge Lúdico, além de um promissor tempo seco e ensolarado, e temos toda uma expectativa de cenário perfeito para festas ao ar livre.
Os headliners este ano são Green Velvet, Satoshie Tomiie, Technasia, Valentino Kanzyani, Sascha Funke, Wehbba, Eskimo, Tristan, Psynema, Céu, Pedra Branca, Stop Play Moon, Bonde do Rolê e Lovefoxxx.
Com início às 16h do sábado, o festival tem previsão para encerramento às 14h do domingo. Na sequência postaremos fotos e cobertura da TT (abreviação corrente entre os festeiros locais).
Antes de mais nada, esta é a descrição de uma parte do festival Tribaltech 2009 em Curitiba no dia 22/08, uma vez que o mesmo começou meio dia do sábado e acabou às 07:30 da manhã do domingo, e este que vos escreve chegou lá às 19h. e saiu bem antes do final.
Com uma sensação térmica de 5º C graças a um vento que vinha da Serra do Mar ao lado, o habitual espaço de raves na Fazenda Heimari em Quatro Barras (ao lado de Curitiba) estava tomado pela multidão. Segundo a organização passaram por lá aproximadamente 12 mil pessoas. Um bom número haja vista a instabilidade do tempo nos dias anteriores, com frente fria dando seu "olá" habitual na capital paranaense, além do fato de que o surto da gripe A afugentou uma parte do público-alvo do festival.
E a música?
Bem, pra começar, acabei esquecendo do DJ set de Marc Romboy na tenda Black Tarj Club pois era exatamente no horário o qual entrei e, no meio da confusão da chegada, perdí o set que mais estava curioso para ouvir e dançar. Acabei circulando pela tenda 3Plus/DJ Mag, tomada pelos fãs de Gui Boratto que já ia em mais da metade do horário de seu sempre competente DJ-Live P.A.
Na sequência fui ver como as bandas de rock se saíam na tenda Organic Beat e foi aí que deu pra ver claramente o outro público que o festival queria agregar a esta edição: o povo das bandas ao vivo. No palco, B Negão e Os Seletores de Frequência em performance de não deixar microfone sobre pedestal. Logo na sequência veio o Cordel do Fogo Encantado que, pela agitação causada desde a sua entrada, era um dos mais aguardados. Meio hippie, meio MPB, com direito a cover de Cio da Terra de Milton Nascimento (oi?). Definitivamente não a minha praia, hora de sair correndo pro Main Stage e ver o que Tim Healey aprontava. Electrohouse bombator, com direito a remakes de MGMT ("Kids") e Placebo ("Every Me, Every You"). Ah bom, agora bem mais a minha cara. Resta saber o que pensaram disso os ravers que antes curtiram os ultra-bombators Sesto Sento, X-Noize, Gataka e Vibe Tribe.
Movido por uma curiosidade antiga, voltei à tenda Organic Beat a tempo de pegar o show do grupo de chill-eletrônico-hindu Pedra Branca. Não me arrependí. A banda é extremamente entrosada, com bons músicos (no qual se destaca um tocador de cítara indiana). Cada música tinha direito a dançarinos que se revezavam em coreografias diferentes umas das outras, dando uma fluidez a um espetáculo que poderia entediar, mas ao contrário, enchia os olhos. Definitivamente um dos melhores momentos da Tribaltech na minha humilde opinião. Findo o show, entra a Nação Zumbi e nos tira do transe com mais quebradeira no palco: hora de ver como as coisas iam nos outros espaços.
Próxima escala da noite: Catz´N Dogz na Black Tarj Club. Esse era o espaço que mais tinha cara e temperatura de um clubinho. Em forma de túnel transparente, era a tenda mais deslocada do conjunto da festa, mas não menos cheia. Nesse momento acabo encontrando muitos amigos e conhecidos, repetindo umas das melhores cenas de um evento desse porte, que é encontrar as pessoas ao acaso. E a dupla de "Cães & Gatos" também acabaram se revelando pra mim, que nunca tinha ouvido falar antes, como uma grata surpresa pela mistura animada de várias nuances modernas da house music. Mais um highlight pra noite.
De estruturas, lasers e pipocas
Provavelmente a maior infra-estrutura de festivais já vista por estas bandas, com 4 tendas funcionando com som muitíssimo bem equalizados e altos, bares e banheiros sem as tradicionais filas. E claro, bungee jump para os mais destemidos.
O espaço Cinetech era uma tenda menor e transparente com muitas poltronas e sofás para apreciar os vídeos que passaram pelo crivo de um concurso feito pela organização do festival e eram projetados non-stop. Uma pena o áudio não funcionar, o que poderia também não ser um bom negócio, uma vez que este espaço se localizava exatamente entra os dois maiores e mais barulhentos stages da festa, daí aquele mix de sons onde você nunca consegue acompanhar nenhuma das duas fontes sonoras. E pra lembrar ainda que alí era um cinema dizem que em algumas horas tinha até pipoca grátis pra geral...
E embora possa soar deja-vu total, no Main Stage um sistema de 3 canhões lasers com cores e desenhos inéditos às minhas retinas (e olha que eu tenho achado laser tão anos 90...), complementados pelo grave gorducho que ia bem longe davam a cara final que um festival de tal porte deve ter: o de encher os olhos e ouvidos.
Vale destacar também que a Tribaltech não tem grandes patrocinadores, e por isso mesmo o visual da festa não ficou comprometido por marcas, logos ou símbolos que às vezes são o tiro pela culatra publicitário: em vez de vender um produto, estraga a decoração.
Epílogo
Vencido pelo cansaço, saí à 01h da madrugada com o DJ Chris Lake entrando no palco que insistia em nos impressionar ao longe com raios-laser dignos de um ovni pousado no meio de um campo enevoado na Serra do Mar.
Na última semana começamos uma fase nova aqui no blog: os videos.
A idéia é aumentar este tipo de conteúdo, e a primeira matéria foi uma entrevista com o Jeje, que para quem não conhece, é o produtor responsável pelas festas Tribaltech e XXXPerience em Curitiba. Além de produtor, Jeje também é DJ, e na conversa abaixo trocou uma idéia com o blog sobre sua história, as festas, a noite de Curitiba e os planos pro futuro.
A ver!
Parte I
Parte II

Com organização irreprensível e animação geral, deu-se a aguardada edição anual da festa Tribaltech na fazenda Heimari em Curitiba. Organizada pela T2 Eventos do DJ Jejê (que também organiza as edições locais das XXXperience e Tribe) a festa já tem um ótimo histórico desde que foi organizada pela primeira vez em 2005. Esta foi a quarta edição, que bateu os recordes de público para festas eletrônicas no Paraná.
Ano passado já tínhamos dado um review aqui no blog e, com uma bem azeitada máquina de marketing, a festa criou grande expectativa. As principais atrações foram Wrecked Machines, Dimitri Nakov, Headroom e X-Dream na ala do psy trance, enquanto que Anthony Rother, Audiojack, Oliver Klein, Boris Brejcha, Trick & Kubic e Gui Boratto fizeram as vezes da ala house/techno/electro.
Praticamente um mini-festival, a TT este ano teve um grande palco (Main Stage) na área geral e duas tendas - Lado B e DJ Mag - na área Backstage. O line-up das duas tendas tinha atrações locais e nacionais em sua maioria, com Gui Boratto, Fabrício Peçanha e Gabe como headliners. Começou às 10h do sábado e encerrou às 06h do domingo (24/08) totalizando assim 18 horas de agito.
O palco principal teve dois momentos diferentes: durante o dia e até às 10 da noite apresentaram-se os projetos de Psy Trance, a maioria live p.as. Com uma apresentação bastante energética, o agora "clássico" projeto de tech-trance X-Dream (da dupla de alemães Marcus Christian Maichel e Jan Müller), teve como destaque uma vocalista (Ariel) que mandou bem na presença de palco. Ficou claro pra mim (que não sou chegado e nem entendo muito de trance psicodélico) que eles sabem muito bem o que estão fazendo. Afinal o projeto X-Dream tem 18 (!) anos de estrada.
Na sequência Anthony Rother (foto) entrou com sua parafernália de synths, sequenciadores e bateria eletrônica, e como bem observado por um colega, nenhum laptop ou computador à vista. Interessante. Como era de se esperar, o produtor alemão fez uma boa apresentação ao vivo onde alternou momentos da batida reta do techno com os breaks do electro-techno. Via-se no rosto de alguns da multidão que não sabiam do que se tratava e alguns claramente entediados (Curitiba, na geral, não é muito chegada às batidas quebradas), mas vários fãs e frequentadores mais antigos da noite se deleitavam no gargarejo. E alguns ainda se acabando nos baixos gordíssimos que saíam do sound system poderoso do Main Stage. Pra ficar surdo e com as pernas bambas. Rother abriu o show com "Back Home" e encerrou 1h20m depois com o hit "Father".
Outro momento aguardado foi de Gui Boratto na tenda DJ Mag. Devidamente preparada pela DJ Aninha a tenda foi se enchendo até atingir a capacidade máxima no horário do autor de "Beautiful Life", que estava escrito num estandarte gigante carregado no meio do público. Como esperado, ele encerrou seu apresentação ao vivo com essa música. Gritos de euforia e aplausos encerraram este show.
Na avaliação geral, esta foi uma das melhores festas ao ar livre já realizadas em Curitiba. Ajudou o tempo nublado, porém estável durante o dia, o local (um descampado com grama e um pequeno bosque perto da Serra do Mar, com fácil acesso pela rodovia BR- 277) onde já vem acontecendo várias festas open airs. À noite quando se acenderam todas as luzes do palco e os leds do sistema de luzes no meio do público a festa adquiriu um clima diferente do dia. Ponto também para a grande diversidade de público, notava-se claramente que haviam pessoas de todas as classes sociais, sexuais e estilos musicais. Pessoas fantasiadas, pára-quedistas, freaks e descamisados circulavam pela imensa área tanto do Main Stage como do Back Stage o tempo inteiro. O único senão foi o vento gelado que soprou à noite, mas isso lá intimida curitibano?
Trick & Kubic no Main Stage
Fotos: Raul Aguilera




