Foi com uma boa dose de expectativa e curiosidade que fui ao Curitiba Master Hall ver a volta de Moby à capital paranaense em 21/04, pleno feriado de Tiradentes. Na véspera a tour brasileira tinha abraçado Porto Alegre e, dias antes, Brasília. Mas... volta de Moby em Curitiba, como assim? Bem, há 17 anos atrás - maio de 1993 pra ser mais exato - ele fez uma apresentação naquela que foi a primeira rave da cidade com os mascarados do hardcore techno Altern 8 e os DJs Mark Kamins e Mau Mau, evento cujo nome era L&M Music / The Dance Party. E esse fato-quase-lenda vai render um post aqui em breve.
Provavelmente uma minoria daqueles que estiveram nessa rave num galpão no Jardim Social foram, como eu, rever o produtor novaiorquino. E essa foi uma percepção que tive já no começo da noite: o público que lá estava era de uma faixa etária mais alta (o show também era para maiores de 16 anos), além de muitos insiders e figuras carimbadas da noite curitibana estarem alí se reecontrando, haja vista que a noite local vive um momento de forte estagnação e segmentação. Também dava pra notar que haviam muitos rockers misturados a fãs de eletrônica.
Mas vamos ao show em si. Não houve nenhuma banda de abertura (e nem de encerramento), o DJ Richard Weber tocava enquanto as pessoas iam chegando e se espalhando pelo Master Hall. Um espaço à frente do palco foi separado aos que tinham comprado o ingresso "premium", naquela típica divisão elitista que tem assolado algumas festas e shows de uns anos pra cá.
Às 22:35hs apagam-se as luzes e eis que entra a climática e grandiloquente "A Seated Night", música instrumental quase sinfônica de seu último álbum. As luzes de palco fazem um balé enquanto assistimos a tudo já hipnotizados.
Durante esta abertura entram ovacionados Moby e banda e já mandam ver "Extreme Ways" na sequência. Mais à frente entra "Bodyrock" e logo vem o hino clubber/raver "Go".
Dando sequência entra "Why Does My Heart...". Nesse momento a vocalista negra Joy Malcom da banda de apoio nos impressiona com seu belíssimo e afinado timbre de voz. E ela dá um show à parte em "In This World".
"Porcelain" se faz presente com a voz crua de Moby, sem os efeitos da original (e agora já posso ir feliz para casa).
Outros hits desfilam diante de nossos olhos e ouvidos: "We Are All Made Of Stars", "Natural Blues" e, para surpresa de todos, "Walk On The Wild Side" de Lou Reed, como que nos lembrando as origens underground de ambos na Grande Maçã. "Disco Lies" é uma das que mais causa gritos e passos de dança, a vocalista negra quase roubando o show. "Lift Me Up" tem também a comoção esperada, afinal é um hit recente.
E eis que entra uma versão estranha de "Honey", mais acelerada e encorpada que a original e depois é emendada com "Whole Lotta Love" de Led Zeppelin (!!!). Momento hard rocker total. "Honey" volta, agora em sua versão normal, fechando a quase jam session. E pra contrabalançar e finalizar o show "Feeling So Real" traz toda a sua artilharia jungle/hardcore nos remetendo mais uma vez o início de carreira do produtor. A essas alturas ele consegue arrancar minhas últimas reservas de energia para relembrar como foram energéticos os primeiros anos da década de 90. Ave Altern 8! Ave Prodigy!
Acabou? Não. Como um epílogo, "Thousand" soa nas caixas explodindo nas suas 1000 bpms enquanto Moby faz a sua típica performance de levantar o corpo e os braços ameaçando um stage dive (que nunca acontece) de cima de uma caixa de som no meio do palco. Tive um déja vu total daquela rave jurássica de 1993.
Saldo da noite, 23 músicas, 1h40 de show, teve "diumtudo": ambient, house, techno, trance, hardcore techno, blues, rock, disco e downtempo. Uma aula de música e ecletismo. E apesar de Moby ter em muitas de suas composições uma típica melancolia, o show foi totalmente para cima, com muito punch roqueiro (com o ótimo sound system criando um bom wall of sound), o que deve ter agradado os fãs mais recentes. Aliás uma mistura única de rock com eletrônica e blues. Passados 20 anos de carreira, a situação da música vai por esse caminho da fusão após anos de segmentação e Moby é um sobrevivente mutante daquela época.
Chamaram minha atenção também o despojamente de luzes e recursos pirotécnicos, concentrando nossos sentidos nas músicas e perfomance irreprensível dos músicos: baterista, baixista, guitarrista, tecladista e uma violoncelista, além de Mr. Little Idiot. Outro detalhe que notei no palco foram a ausência de logos, anúncios ou banners de patrocinadores. E todos os músicos (Moby incluso) portavam roupa preta básica, passando um senso de igualdade e neutralidade. Muito interessante.
A única nota desafinada no evento foi o alto preço dos ingressos, R$90 meia de estudante, enquanto que em Porto Alegre a meia entrada chegou a custar R$40. Resultado: um terço do Curitiba Master Hall vazio, que pela lógica podia ter sido preenchido se os ingressos estivessem a preços mais acessíveis. Esse foi o único empecilho que impediu muita gente de ir certamente, uma vez que o espaço, acústica, estrutura e o localização do evento são perfeitos. E fãs de Moby não faltam por aqui também.
E daqui a tour segue rumo a São Paulo (23/04) e Rio de Janeiro (24/04). Paulistas e cariocas: se joguem MUITO.
Ok, você já sabe que tem festas de pencas nos superclubes de Balneário Camboriú e Florianópolis, e é pra lá que muita gente do Brasil inteiro costuma passar a Festa do Rei Momo. Mas este ano Curitiba não morre no feriadão e temos várias dicas de festas legais, em clubes ou bares menores, inclusive no litoral catarinense. Prepare os pés, energize-se e bom carnaval underground!
Curitiba
Na quinta (11/02) o James Bar já se anima com a James Sessions e recebe Copacabana Club, Colorphonic e Denis Pedroso no som.
Na sexta (12/02) o Blues Velvet tem sua noite rocker semanal Rock' in Beats com Manolo Neto, Judy Sky, André Ferragut, Paulinha Mataninha e Mairon C. Enquanto isso no James tem a festa Alta Fidelidade com Alexandre e Claudinha.
Sábado (13/02) a noite gay deve ser a mais animada pois abrem os clubes Black Box e Cats com muita bateção de cabelo. A Cats, aliás, tem programação especial no Carnaval e deve abrir de sexta a domingo. No Blues Velvet rola a noite semanal Blues Xplosion com Space Ghost, Manolo Neto, André Ferragut, B. Tupiassú e Giovanni no som. O James tem na POP Line sua típica mistura de rock e eletrônico tocada por Luli Frank e Hermes.
E domingo (14/02) o Wonka recebe a fashionista festa TUDO! com Renan Mendes, Bogus, Alec Ventura e Ale Carninal.
Pra fechar tudo, na segunda (15/02) o James nao deve deixar serpentina sobre confete na Batalha de Ipod onde 8 equipes concorrem. Quer participar? Olha lá no blog deles.
*Atualização: Um dos poucos festivais a reunir bandas de psychobilly no Brasil, o Psycho Carnival, indo para a 11a edição neste ano. já é uma tradição nos dias de Carnaval em Curitiba. Os eventos que envolvem o PC começam na sexta (12/02) e se estendem até terça (16/02).
Balneário Camboriú / Itajaí / Porto Belo
Sexta (12/02) o Porto das Águas em Porto Belo tem a maior edição da techneira festa E-drink's com Mau Mau, San Schwarz, Aninha, Eduardo M. e Raini Rocha.
E se você estiver na região na segunda (15/02) vale uma conferida nos sets de Loco Dice e Seth Troxler no Some Festival no Green Valley e na terça (16/02) Luciano deve cozinhar pés e neurônios no Warung.
Sexta (12/02) o povo da festa Devassa é responsável pela absurda Rave Metal que tem uma legião de DJs se revezando no som. Bagunça garantida ou seu dinheiro de volta...
Domingo (13/02) no Jivago Lounge rola o Carnaval Plastique dentro do mesmo clima de balbúrdia das outras edições mensais. No som Zé Brites, Isaac Varzim, Grazy Meyer entre outros. A Devassa faz a sua festa no Bianco Lounge com Schutz, Davis, Moka, Guarizo e Barros no som.
Segunda (14/02) ainda no Jivago Lounge tem festa do povo do blog La Plage com Schutz, Isaac Varzim, Duh x Douglas e Moka no som.
E pra fechar, na terça (15/02) o Big Blue Club na Praia Mole organiza a Le Carnival que tem Daniel Kuhnem, Davis, André Victor, Gustavo Pamplona e Feof nas pick-ups.
*Atenção: a programação, line-ups, horários, preços das festas podem sofrer mudanças de última hora, por isso consulte bem sites, flyers e informativos sobre os eventos.
Lembra de Hale Bopp?
Essa faixa lançada em 1998 pelos alemães do Der Dritte Raum tocou mesmo foi em 1999/2000 neste lado do hemisfério. Lembro que uma das primeiras vezes que ouví a track foi num set do (ultra eclético) Laurent Garnier via internet discada (alta era paleozóica da rede) e o arranjo do sequenciador, a quase ausência da caixa (ou snare como dizem meus amigos produtores fanáticos), o bumbo e baixo gordos gritavam nos meus ouvidos.
Isso era o que afinal? Trance? Prog house? Techno melódico? Tudo isso misturado. E os DJs não deixaram de comprovar essa teoria, tocando-a tanto pra dar uma esfriada num set de techno mais nervoso, como pra dar um ar mais viajante num set de house voltado para vocais. Fosse onde fosse a música não passou desapercebida. Não demorou muito e Hale Bopp se tornou um clássico instantâneo da então nova cena das raves brazucas, que já entravam de cabeça na vertente psy trance.
Fosse o que fosse, até hoje observo como algumas pessoas comentam quando ela é tocada em algum set 11 anos depois de ter sido lançada. Um belo exemplo de uma música que foi tocada tanto por DJs de house, techno, trance ou psy e que ainda rende muitos passos nas pistas mundo afora. Bem que podiam sair mais músicas que unificassem a nação eletrônica. Você lembra de alguma que foi ou é (quase) unanimidade?
Curitiba, sempre foi uma cidade voltada para novas sonoridades, seja no rock ou na eletrônica. Nesta última, particularmente sempre teve forte pendores para a house e o trance (psy ou melódico). Logo, há de se supor que a vida de quem gosta de techno nunca foi muito fácil quando se trata de noites e festas.
De uma situação quando havia simplesmente só o Circus nos anos 90 (com o residente Pako fazendo as vezes de divulgador do estilo), às festas do coletivo Big Fish (no começo dos anos 00), passamos por algum agito feito pela comunidade do Techno TV nos últimos anos, ao momento atual das festas quinzenais Tech Groove (Danghai) e Lick My Sunday (JPL Café), estas bastante voltadas aos sons minimalistas e tech-houseiros.
É neste cenário que se insere o selo (e agora festa) Blackstripe Records. Capitaneado por Fabio Skonieczny que assume o nome artístico de Yallah Fingah, o selo tem ainda como sócio o DJ e produtor carioca Betek, além de Leandro Rossi que se junta na categoria de produtor. O selo já vem lançando e divulgando sua música há algum tempo e agora dá passos maiores ao disponibilizar suas produções no portal Beatport com a compilação Special Series Vol1.
Assumindo como influências o techno old-school, electrofunk e intelligent dance music, não dá pra deixar de perceber uma certa influência do techno de detroit, principalmente nas produções de Betek. Com produções de alta qualidade voltadas ao techno, tech-house e electro, percebe-se uma grande convergência no trabalho dos 3 produtores.
Audio samples da Blackstripe Records
E numa forma de comemoração pela nova fase eles fazem festa no Camden Club ainda nesta sexta. Além de Yallah Fingah e Betek, o line-up é completo com os DJs Gil Linkevick e Maykon Lima, estes já veteranos batalhadores em festas underground em Curitiba.
Mais infos:
Direto ao assunto:
- Termina no dia 20/09 o prazo para inscrições para o Jägermeister DJs Contest. Atenção aí DJs de todos os credos e etnias, essa é a hora!
- E o evento mais aguardado neste ano pelos loucos por música eletrônica em Curitiba é a reinauguração do inferninho eletrônico mais polêmico e decente que essa cidade já teve, o Club Vibe. Segundo dados informais obtidos por este blog, a reforma termina em novembro. Datas? Hummm, você vai saber aqui em primeira mão. Fique ligado.
- E o mesmo staff da Vibe está trazendo, com ou sem clube aberto, na sequência: Dave The Drummer (outubro), Marco Carola e Stephan Bodzin até o fim do ano em Curitiba. Datas, já já.
- Neste sábado (19/09) tem festa de 1 ano do simpático núcleo Vive La Musique no novo Camden Club. As atrações principais são DJ set de Boss In Drama e Killers On The Dancefloor.
- Ainda no sábado tem a festa Pla$tic no Soho Underground. A festa é ótima pedida pra quem gosta de música trash e "jogação". A bagunça é patrocinada pelo mesmo núcleo que organiza as Strike A Pose (a festa da Madonna...).
- E a nova noite de minimal techno Über no Danghai Club segue firme nesta quinta (17/09) com o uruguaio Javier Under no headline. E na semana que vem, em 25/09 tem a festa de 3 anos do núcleo de techno Tech-Gooves, que quinzenalmente tem se revezado nas noites de quinta com a Über nesse espaço relativamente novo que é o Danghai Club. A festa é em parceria com o núcleo Moving Stone.
- A Liqüe tem semana agitada: na quinta (17/09) tem os houseiros Kaskade e Sandro Horta e no sábado (19/09) é a vez de Ilan, Nyllon Live PA e Gabriel Miranda se apresentarem em noite com apoio da escola de DJs AIMEC.
- O coletivo e web rádio eletrônica Dance Paradise tem festa na quinta (17/09) no clube Wyn com os DJs Richard Weber, Fernando Bergamo e Dudu Petrelli.
- E no dia 26/09 (sexta) o Warung em Itajaí/SC tem noite house prog/minimal com o iraniano-americano Sharam (Deep Dish). Noites sem parar até lá, ufa!
Na sexta-feira (11/09/09) fomos conferir o que seria a primeira apresentação do über produtor alemão como DJ na terra dos pinhais, mais exatamente no Taboo Lounge de Curitiba.
Sabemos muito bem a capacidade de Rother por trás dos botões e faders de um estúdio, é só conferir sua extensa discografia. E como de alguns anos pra cá ele também se aventura na cabine como DJ, fomos com grandes e boas expectativas para a noite.
E ele não nos decepcionou: foram 2h.de um set com mistura de sons com texturas electro, techno e até momentos em que a levada quase deslizava na direção do quase indefinível tech-house atual. Entre algumas tracks clássicas a que mais me surpreendeu foi um rápido momento de "Oxygene" de Jean-Michel Jarre, com sua complicada batida para mixar ou dançar. Mais pro final do set mixou a sua versão turbinada de "Numbers" com "Boing Boom Tschak" do Kraftwerk. O filho homenageando os pais do electro, praticamente. Momentos como esses nunca deviam de acabar numa pista... E pra finalizar teve, óbvio mas ainda empolgante, "Father" e Back Home" dele mesmo, em versões quase dub de tão econômicas que vieram nos vocais.
Basicamente saímos com os pés arrasados, mas com a alma lavada por tanta boa música. Se quiser ter uma pequena idéia do som da noite é só dar um conferida no vídeo abaixo.
Nos próximos dias 26/04, 29/04 e 02/05, os paulistanos terão a chance de conhecer de perto o trabalho do DJ Loo Massami, que ao lado do Bo$$ in Drama e da Jô Mistinguett, é uma das melhores revelações curitibanas dos últimos anos.
Seguidor de uma linha mais "madura" do techno (sem apelações pop e sem "cabeçudices" herméticas), seus sets misturam sempre novas tendências, ótima técnica e até produções próprias. Mas é desses que se dão bem com as novas tecnologias: "o que manda hoje é a praticidade. E um ponto positivo nisso é a diminuição do puritanismo em torno do vinil e a maior aceitação do público por outras mídias. Atualmente faço meus sets com o auxílio do laptop. Digo "auxílio", pois acredito que por trás da máquina, há o homem."
Loo apresenta uma segurança surpreendente frente às pickups, apesar da pouca idade (23 anos) e do pouco tempo como DJ (pouco mais de 2 anos). E isso se deve ao fato do guri ser um daqueles "geeks" da música eletrônica, que se debruça, por horas a fio, e com enorme prazer, ao aprimoramento da sua técnica e de seu repertório com uma paciência de dar inveja ao próprio Jó.
Massami se apresenta em Sampa nos próximos dias 26, na Tostex, no D-Edge no dia 29, e na Gruta, no dia 2 de maio.
Quem quiser conhecer algumas produções do curitibano, pode dar um pulo no myspace do DJ: http://www.myspace.com/djloomassami
Defina o seu som.
Techno. Mas com influências de house, sonoridades minimalistas e o que mais me der vontade de tocar. Se é para dar uma definição, que seja "techno". Mas não me limito a tocar um único estilo, pois gosto de misturar bastante coisa e fazer experimentações.
Atualmente muita gente segue para a mistura da eletrônica com o rock, faz remixes de um monte de gente, aposta em mashups. Seu som parece ir num caminho mais "tradicional". Você acha que isso tira espaço frente a outros DJs mais "descolados"?
Aprecio bastante essa mistura de rock com música eletrônica, mas não acho que chega a tirar espaço. Sempre irá ter espaço se você faz um bom trabalho. É claro que às vezes esse espaço varia, né? Ora um pouco mais restrito, ora um pouco menos. Mas isso é normal, faz parte da dinâmica da cena.
O techno morreu? E a música eletrônica? Voltou para o gueto?
Pelo contrário.
O techno sempre foi um estilo bem característico na música eletrônica. Desde que surgiu, teve seus períodos de metamorfose e seus períodos de estagnação. Acho que atualmente se encontra em um novo período de metamorfose. Existem várias coisas interessantes e diferentes sendo lançadas a cada dia que são classificadas como "techno". E esse som é bem diferente do techno que se ouvia há 5 ou 6 anos atrás.
Outra prova dessa viveza do techno é sua crescente presença em grandes festivais de música eletrônica onde antes só se ouvia psytrance, por exemplo. E isso não acontece somente com o techno, mas sim com todos os estilos que antes eram exclusos desses festivais.
E esse significativo aumento contraria essa suposta segregação da música eletrônica, pois é fato que mais e mais pessoas estão "consumindo" música.
Você começou a tocar com CDs, já quer se aventurar a fazer sets com laptop, mas ultimamente parece ter uma predileção pelo vinil. Como isso funciona para você? Como a tecnologia influencia seu trabalho?
A preferência pelo vinil eu sempre tive, mas hoje são poucos DJs que podem se dar o luxo de tocar somente com vinil. E eu, infelizmente, não pertenço a essa parcela. Digo luxo literalmente mesmo. Primeiro pelo preço (R$35 em média se comprados no exterior) e depois por nossas políticas tributárias. Acontece com frequência a Receita Federal barrar os discos e cobrar imposto de 60% sobre o valor deles. Daí um único disco chega a custar até R$55 em média.
Até os top djs (esses sim podem se dar o luxo) estão tocando muito mais com cds ou laptop. O que manda hoje é a praticidade. E um ponto positivo nisso é a diminuição do puritanismo em torno do vinil e a maior aceitação do público por outras mídias.
Atualmente faço meus sets com o auxílio do laptop. Digo "auxílio", pois acredito que por trás da máquina, há o homem.
E confesso que até antes da adoção do laptop eu não era um dj dos mais carismáticos. Isso foi uma grande vantagem, pois passei a me ater mais no público e na interação com eles.
O propósito é a praticidade e não a comodidade. Há uma tênue diferença, mas sei que ainda existe um pensamento de que "dj que toca com laptop é dj preguiçoso" ou, "dj que toca com laptop não sabe mixar", etc...
Como disse antes, o puritanismo em torno do vinil está diminuindo, mas esses comentários ainda são uma cruz que qualquer um que toque com o auxílio do laptop vai ter que carregar.
Você já ganhou um duelo de DJs em Curitiba e agora é apontado como um dos mais promissores a despontar por aqui. Até onde quer chegar com a música?
Ohh... obrigado! =D Hahaha
Acho que todos nós temos que ter boas ambições. Comigo não é diferente. Sou ambicioso, porém parcimonioso. Daqueles do tipo "às vezes temos que dar um passo para trás, para dar dois para frente". Nunca tracei uma meta do tipo "pronto, estou realizado, pois cheguei até aqui". Meus objetivos são cumpridos diariamente. Aos pouquinhos. Acho que minha meta seria esse crescimento diário e constante.
E a produção? Você já tem algumas faixas próprias. Já mostrou para outros DJs?
Produzo há pouco mais de 1 ano.
Antes não me sentia confiante para lançar minhas produções por um selo, mas esse ano já tenho planos para isso.
Sempre mando minhas tracks para meus amigos djs e muitos deles já se propõem a tocá-las. Acho ótimo! É mais um incentivo para eu começar a lançá-las.
Que outros DJs da nova safra você apontaria como referência?
Hero Zero (SP), Paulo Tessuto (SP), Guedes (SP), Miss Lauren (PI), Gromma (Ctba), Sérgio Caos (Ctba). Todos eles são ótimos djs que estão dando boas contribuições para suas respectivas cenas.
E quanto aos antigos? Em quem você baseia seu trabalho?
Magal (SP). Além de ser uma grande referência, é um grande amigo.
O DJ Fabricio Gorpo mora em Curitiba e é fãzasso de electro-techno. Esta semana ele postou no seu blog uma variação do Techno que fica no meio do caminho rumo ao Electro. Err, ou vice-versa.
Achei bem interessante e resolvi deixar o link aqui.
Pra que gosta de Aux 88, Dynamix e outros produtores detroitianos...






