Deu na página do The Magician no Facebook: teremos set do eclético DJ pela primeira vez no Brasil. Vai ser no último fim de semana de março e pelo que consta, toca em São Paulo no Josephine e na Vibe em Curitiba respectivamente nos dias 25 e 26.
Ex-metade do ótimo projeto Aeroplane, Stephen Fasano tornou-se O Mágico em julho de 2010, quando deixou o nome Aeroplane para o ex-parceiro musical Vito Deluca que logo depois lançou o álbum de estreia "We Can't Fly", um bom disco do ano que passou.
Mas afinal por que ele acabou ganhando destaque depois disso? Eu diria que Stephen Fasano não deixou a peteca cair ao gravar mensalmente um set melhor que o outro e, disponibilizando pra todos no Soundcloud, fez correr um boca a boca entre os fãs do projeto Aeroplane e dos novos ares da nu disco. Misturando baixas bpms com pop, disco, eletrônica, house, clássicos de disco/synthpop e até pitadas de rock, abriu os horizontes pra algo que parecia ser fechado só nas levadas da nu disco. No final das contas é um pop eletrônico pra cantar e dançar, muito melódico quase a ponto de ser meloso. Ok, tem seus momentos de sacarina sim e eu gosto.
Timing é tudo nessa vida. Por exemplo: alguém arriscar a trazer uma
banda como os Midnight Juggernauts nesse Brasil escasso de gente
disposta a correr riscos soa ousadia ou excentricidade. Mas não. Eles
representam fortemente aquela tendência em que o rock já nasce com
matizes eletrônicas e o que era pra ser uma banda eletrônica veio ao
mundo com roupagem rocker. Acrescente a esse híbrido cores
synth-espaciais e temos o sabor da novidade assolando nossos ouvidos e
players pelos últimos 2 anos.
Dito isso, foi com grande surpresa que recebí a notícia da vinda dos Juggernautas a São Paulo em 24/04. Não havia como deixar de conferir ao vivo essa banda que é uma das melhores coisas que Austrália vem exportando nos últimos anos ao lado de Cut Copy e Empire Of The Sun (além de outras bandas que se encaixam na onda synth-rock).
Ao show, então. Após a adequada abertura dos Funhell DJs, que prepararam a pista com sons mais suaves e alguns hits do nu synthpop, entram os 3 músicos do MJ pontualíssimos às 3h. E pra nossa surpresa detonaram já de primeira o maior hit da banda "Shadows".
Na sequência emendam com "So Many Frequencies". Depois entra o novo single "Vital Signs" que ainda deve sair no seu segundo álbum "The Crystal Axis". Mais euforia para tudo descambar em "Tombstone" que levantou mais ainda os fãs que a essa hora já gritavam as letras dos hits do primeiro álbum "Dystopia". Pra dar uma esfriada tocaram uma faixa nova que segue o mesmo clima agitado e rocker das 4 primeiras músicas. Continuando na trilha das músicas novas tocam a ótima "This New Technology". Param e agradecem a todos, estão felizes pela primeira vez no Brasil, pedem para que todos levantem os braços (no que obedecemos quais ovelhas felizes) e tiram uma foto da pista. Ainda no meio do show o baterista joga as baquetas ao público, descem do palco pra tocar no meio dos fãs no gargarejo, interagem no microfone, trocam de lugar entre os dois synths vintage Moog e Korg e o baixo. E tocam "Road To Recovery" para causarem mais pandemônio.
Depois vem "Ending Of An Era" com "Into The Galaxy", que para minha surpresa foi uma das que mais levantou o público (afinal nunca dei muita bola pra esta faixa). E saem para um intervalo. Voltam, tocam "Nine Lives" e uma última instrumental com participação de alguém do gargarejo tocando tom-tons da bateria com a banda e... fim de show. 11 músicas em 1 hora.
No meu ver esse foi outro timing perfeito pois a banda não possui tantas músicas (e nem tantos hits) para segurar um show maior, pois daí sempre há o perigo de cair no tédio seja pela irrelevância de algumas composições, seja pelo desconhecimento (do público) do material novo. Ficou o gostinho de "quero mais".
Acertaram ao abrirem o show com o hit principal, pois cumprida essa obrigação, passamos a prestar mais atenção em tudo o que veio depois (se bem que fiquei com uma desconfiança que eles fechariam com "Shadows" de novo, o que não aconteceu). Ao vivo banda ainda dispara todos os arpegios dos sintetizadores que dão o ar característico de um certo Giorgio Moroder, mas predominaram o punch e a sujeira do rock, mostrando assim os novos caminhos que a banda vai trilhar no seu aguardado segundo álbum. Em alguns momentos a viajeira quase caía no prog rock. Quase. E como nem tudo é perfeito, faço minhas ressalvas apenas ao volume das vozes que muitas vezes ficaram abaixo ou no mesmo volume dos instrumentos, confundindo-se com estes.
O ano começou bem, e depois disso posso afirmar um dia que peguei o show duma grande banda quando esta ainda não era mainstream (orgulho máximo de todo hipster/indie cafona). Ou não, como diria Caê.
E será que já dá pra começar a sonhar com Hot Chip ou Cut Copy no Brasil em 2010?
Mais do show do Midnight Juggernauts aqui.
(Foto e vídeos: Leonardo Wandresen)



