O DJ e promoter Denis Pedroso fala sobre a festa INMWT (In New Music We Trust) no James, uma das mais fervidas de Curitiba.
Quantos anos você tem? Há quanto tempo existe a INMWT? Comecou como DJ nessa festa?
Tenho 30 anos e a INMWT existe desde 2005. Comecei discotecando na Quarta Rock do James, a convite dos djs de lá, que não aguentavam mais eu entregando CDs pra eles tocarem as músicas novas que eu pesquisava. Na época, o som, nesse segmento, girava em torno dos anos 80 e 90.
O que você toca?
Depende da festa. Não sou DJ, tecnicamente falando, então aposto em repertório. Portanto, dependendo do lugar que eu toque, levo um repertório que, a princípio, outros não exploram (não pra ser diferente, apenas, mas pra oferecer outras possibilidades. O espírito do projeto INMWT é meio esse). Se a festa comporta novidades, então acabo mandando coisas que pesquiso e não ouço sendo tocadas por aí. Se me dão liberdade total e o espaço recebe bem, então a sonoridade que curto mandar é eletro rock com hip hop, aquela mistura mais maximal, no sentido de diversidade sonora, batidas e transições.
Quantos anos tem a festa?
Ela completa 6 anos, agora em setembro (2011).
Quais as melhores edições até agora? Teve alguma particularmente memorável?
A festa passou por diferentes fases. Quando comento no Twitter que cada edição é uma surpresa, isso é real, pois não há Djs residentes e os sets sempre mudam. A única regra é tocar música dos 00's em diante. Nesses quase 6 anos, passamos por diferentes fases e tipos de público, então a sonoridade mudou bastante. No começo, era indie rock, anos depois estava bem eletrônica. Hoje, a festa vai mais na linha maximal, misturando as sonoridades, e o eletrônico deixado de lado (por exemplo, dificilmente se tocará faixas com 5 minutos e sem nenhum vocal. Isso se deveu mais em relação à resposta do público, com isso o critério pra chamar convidados mudou também).
No começo do no passado, mudei novamente o rumo da fetsa, tornando-a ainda mais eclética ainda e com aquela pegada maximal que gosto de pôr em meus sets. A resposta do público foi excelente e desde então tivemos ótimas edições. Em Novembro, quando recebemos os sets da Killing the Dance X 4e20, a coisa toda estava bem estabelecida já e assim a festa virou uma grande confraternização. Porém, esta última edição, em que veio tocar o Ricardo Bizafra (Fone Dourado/BH) e tivemos ainda os curitibanos DJ Feiges (Reboot) e o Ale Dantas (do James), a interação do público com os Djs e a resposta na pista foi até então nunca vista. O clima de confraternização e o caráter eclético dos sets enriqueceu o evento, por isso certamente tomarei esta última como parâmetro, para a partir dela procurar sempre, apesar de cada edição ser diferente, manter essa clima que rolou.
Vocês fazem flyer? Qual a importância da internet e redes sociais pra divulgarem os eventos?
No começo, fazíamo flyers e cartazes, que eu distribuía no circuito mais alternativo da cidade. Com o tempo, tudo migrou pra plataforma virtual, além do que fomos criando um público fiel e até quem não vai à festa sabe quando ela rola e como é que funciona.
Portanto, a importância das redes sociais, hoje, é enorme nesse trabalho de divulgação (e, mais ainda, de promoção do projeto INMWT como um todo) das edições e os convidados (temos o Blog também, que de certo modo mantém o público conectado). Mas estamos sempre aprimorando esse trabalho de pré e também de pós. Agora, com o Facebook e os recursos que eles cada vez mais implementam, a coisa toda tem crescido em importância, não apenas como divulga, mas também esse outro lado da promoção do projeto e da marca (do INMWT, mas do James, também).
Saiba mais:
Blog: http://www.innewmusicwetrust.com.br
Twitter: http://twitter.com/inmwt
Facebook: http://www.facebook.com/innewmusicwetrust
Recentemente o site Gizmodo publicou um ótimo texto que atende pelo título “Tudo é maravilhoso hoje e ninguém está feliz”. Aconselho quem ainda não leu a matéria que o faça o quanto antes ou assista ao vídeo abaixo, mas, pra quem está com preguiça, me arrisco a fazer um breve resumo. Em poucas palavras, o que se diz é que mesmo vivendo em uma época em que temos absolutamente tudo à nossa mão – em boa parte graças às facilidades tecnológicas – todos estão insatisfeitos, reclamando e achando tudo ruim, como que ignorando (e até subestimando) o real valor disso tudo.
O paradoxo é real e vale uma análise mais detalhada. Ocorre que de tanto ler textos com a temática “o pop está eletrônico de vez” nos mais diferentes meios brasileiros ou estrangeiros, acabei concluindo que ele se aplica, também, ao mundo da música, e mais especificamente ainda, ao nicho eletrônico dela.
É chover no molhado afirmar que desde que o hip-hop norte americano abraçou de vez produtores eletrônicos manjados e a bagagem que eles possuíam, sim, o pop se tornou uma espécie de releitura de hits que a gente escutava há 10 anos atrás nas pistas.
Mas, sejamos sinceros: isto realmente pode ser considerado ruim como alguns propõem? Claro que pra quem freqüenta clubes e já escutou (e dançou) estas estruturas e elementos à exaustão nos últimos 15 anos, o som de um Black Eyed Peas soa perto da insuportabilidade. Mas pras gerações nascidas dos anos 90 pra frente isto é tão novo quanto para o grande público norte americano, que já teve contato com isso em algumas ocasiões (Madonna produzida por Stuart Price é um exemplo emblemático), mas só agora aderiu em massa à esta proposta.
A verdade é que a música eletrônica nunca foi tão grande quanto é hoje mesmo se analisada somente nos seus redutos tradicionais, e ainda assim, surpreendentemente ninguém parece estar feliz com isso. Quando na história DJs que fazem sonoridades consideradas “não comerciais” foram tantos e ganharam tão bem? Hawtin, Villalobos, Luciano, Sven Vath são algumas figuras que ganham bastante mesmo sendo completamente desconhecidos do grande público e fazendo um trabalho rotulado por muitos como “underground”. Novidades não faltam também, e o menino prodígio novo “future-DJ-heroe” Nicolas Jaar é uma das evidências de que ainda há muita coisa boa e nova sendo feita. Penso que sim, isto deve ser comemorado e visto como uma fase única.
No Brasil a insatisfação é recorrente também, mas quando tivemos tantos clubes no país? Ou quando houve tantos veículos e ferramentas de comunicação (programas de rádio, blogs, revistas, sites, etc) específicos? Um circuito de clubes completo que, apesar de dominado por propostas muitas vezes quase apelativas de tão comerciais, ainda assim possui do outro lado tantas opções espalhadas por diversas cidades que possibilitam trazer simplesmente qualquer artista pra cá. De novo, penso que a lógica recomenda uma satisfação com isso.
Este estágio é bem diferente daquele de não muito tempo atrás. Raves proibidas e demonizadas (ok, isto ainda acontece), comemorações mil quando vinha um grande DJ, circuito de clubes restrito à poucas cidades e uma “cena” que era quase de gueto. A cartilha do romantismo musical apregoa que sim, estes tempos que eram bons - mas criticar tudo quando se parece ter finalmente chegado “lá” soa mais como chatice do que saudosismo.
Se a eletrônica lá atrás quis crescer e ficar grande e hoje e quer sair de vez do campo dos estereótipos, o seu público vai ter que se acostumar aos ônus e aos bônus disso. Esta fase "adulta" traz, sim, os seus incovenientes. Mas é difícil acreditar que eles realmente serão capazes de se sobrepor aos benefícios.
Clubes de compra se tornaram uma febre no Brasil (e no mundo) nos últimos anos. O sistema de reunir grupos de pessoas para ganhar descontos ou simplesmente comprar tickets que garantem vantagens em estabelecimentos se mostrou bom tanto para comerciantes, que viram uma oportunidade de incrementar vendas de dias/produtos/serviços relativamente fracos, como para consumidores, que muitas vezes pagam menos da metade do preço para usufruir disso.
A última novidade no gênero atende pelo nome de Vipe Clube e é dedicada a um nicho específico: a música eletrônica. Idealizado pelas agências de DJs 3Plus e DJCom, pela agência de webdesign Go2 e pelo DJ, produtor e empresário curitibano Ilan Kriger, o site pretende ser um portal de comercialização de ingressos, pacotes, combos, cursos e tudo que diga respeito ao mercado da cena eletrônica. Clubes como Warung, revistas como Mixmag e a Rio Music Conference já participam do portal, que entrou no ar esta semana.
Outra ferramenta possível e bem mais interessante do Vipe Clube é a chamada "Todos por 1". Inspirada no site www.queremos.com.br, que em 2010 conseguiu viabilizar shows no Rio de Janeiro, a idéia é concentrar em um só local iniciativas para realização de eventos. O sistema é o mesmo: vender cotas que garantam a realização da festa.
Conheça: www.vipeclube.com.br
Com a curadoria da Christ DJ Academy, o 4o Encontro Fnac de Música Eletrônica promove semana cuja temática é a música eletrônica nos seu mais diversos aspectos.
Com intenção de debater desde a volta do vinil como mídia para discotecagem (palestra de Christian Sperandio, segunda 21/09)) a como manter um selo de música, haverá ainda palestra dos organizadores do Bazar Lúdica (Débora Mello e Felipe Pedroso) falando de moda ligada ao tema principal (sexta, 25/09).
Outros destaques são a palestra com Thomas Chiaverini, autor do livro Festa Infinita - O Entorpecente Mundo das Raves (quinta, 24/09) e o debate "Cenário Eletrônico Curitibano" com os representantes dos principais clubs da noite de Curitiba (quarta, 23/09).
As informações completas com programação e horários você encontra aqui.

Yo! Sábado tem festa na Vibe para "inaugurar" a página do Myspace e a página oficial do Ourgang FM - banda do amigo André Sakr juntamente com o DJ e vocalista Alec Bang e com o baixista Tile Douglas (os três "marrentos" em pose de Beastie Boys da foto acima). Para os não iniciados, eles fizeram parte da ESS, uma das bandas paranaenses de maior "rodagem" no cenário independente nacional.
O Ourgang fez apenas um show para definir a formação (foi na Digital Rock, em outubro do ano passado). Agora, depois de quase um ano de produção silenciosa, a banda jura que tem uma coleção de músicas, de onde extraiu 13 faixas, que começam a ser lançadas a partir de 26/07, de forma gratuita, sempre pela internet.
O som? Eu vi o show e já ouvi uma demo, mas deixo a definição pro André, dono da bagaça:
"Pop pra dançar. É musica eletrônica, mas com arranjo, melodia, tocada com instrumentos de verdade. Vai da levada oitentista ao New Romantic, tem muitos elementos e timbragem analógica agora que conseguimos comprar uns sintetizadores de verdade lá fora. As primeiras músicas foram feitas somente no computador. Vai ser bacana perceber essa diferença."
Sobre a estética da banda:
"O foco é no som. Quando houver estrutura pra montar tudo que queremos, é claro que vamos montar. Mas se precisar tocar no chão sem nada a gente toca e se diverte a valer também. A Banzai [produtora] sacou logo de início o conceito e comprou a idéia. Eles estão produzindo os vídeos e sempre ajudam a dar alguns rumos na produção."
Diferença da discotecagem e do ao vivo:
"Na discotecagem a gente separa um monte de clássicos, bases novas e idéias que temos de remixes, levamos tudo em CDR e vinil junto com um sintetizador, microfones e um laptop com algumas coisas nossas. Assim a gente molda a pista de acordo com o clima na hora e consegue dar uma cara de set de radio ao vivo. Fica bem dinâmico e o público assimila bem. Ao vivo é banda mesmo. Bateria acústica, baixo, guitarra, sintetizadores, vocais. Tem bases do live rodando junto, tem bem mais peso e interação. Os sets são legais, mas o que a gente gosta mesmo é tocar ao vivo."
Para o segundo semestre, estão previsto o lançamento de um video-clipe e de um single. O vídeo será produzido em stop-motion (quadro a quadro) a partir de pinturas de rua realizadas umas sobre as outras, com direção e produção do Antenado Crew da Banzai Studio. O single, "Eddie Murphy", virá acompanhado de remixes do prodígio curitibano Boss in Drama e de outros convidados especiais. A agenda da banda já aponta para shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Brasília e Porto Alegre.
Festa
Sábado (26/07), a Vibe recebe o projeto Rockindahouse (do amigo e co-blogueiro Raul Aguilera), com o DJ ZEGON e seu internacional projeto N.A.S.A. Ele tem a missão de preparar o público para o Ourgang FM. Estendem a pista até o dia raiar os DJs e mentores da festa Raul Aguilera e Digão Underdog.
Lista (válida até 02h00) : rockindahouseparty@gmail.com
Foto: Márcia Bley






