Deu na página do The Magician no Facebook: teremos set do eclético DJ pela primeira vez no Brasil. Vai ser no último fim de semana de março e pelo que consta, toca em São Paulo no Josephine e na Vibe em Curitiba respectivamente nos dias 25 e 26.
Ex-metade do ótimo projeto Aeroplane, Stephen Fasano tornou-se O Mágico em julho de 2010, quando deixou o nome Aeroplane para o ex-parceiro musical Vito Deluca que logo depois lançou o álbum de estreia "We Can't Fly", um bom disco do ano que passou.
Mas afinal por que ele acabou ganhando destaque depois disso? Eu diria que Stephen Fasano não deixou a peteca cair ao gravar mensalmente um set melhor que o outro e, disponibilizando pra todos no Soundcloud, fez correr um boca a boca entre os fãs do projeto Aeroplane e dos novos ares da nu disco. Misturando baixas bpms com pop, disco, eletrônica, house, clássicos de disco/synthpop e até pitadas de rock, abriu os horizontes pra algo que parecia ser fechado só nas levadas da nu disco. No final das contas é um pop eletrônico pra cantar e dançar, muito melódico quase a ponto de ser meloso. Ok, tem seus momentos de sacarina sim e eu gosto.
Essa matéria do Fantástico deve ter ido ao ar em 1978, auge da onda disco no mundo inteiro. Em imagens de qualidade rara a locução explica o que é a disco music para o público brasileiro das sonolentas noites de domingo.
Com takes de um concurso de dança disco no Rio (com juri estrelado e tudo), imagens da entrada e do interior do mítico Studio 54 por Hélio Costa (!), artistas gravando música no estúdio, tudo aqui é puro deleite. Vale assistir esse mini-doc até o final onde didaticamente é explicado porque a disco music veio pra ficar e suas qualidades anti-estresse. É fantástico!
Foi com uma boa dose de expectativa e curiosidade que fui ao Curitiba Master Hall ver a volta de Moby à capital paranaense em 21/04, pleno feriado de Tiradentes. Na véspera a tour brasileira tinha abraçado Porto Alegre e, dias antes, Brasília. Mas... volta de Moby em Curitiba, como assim? Bem, há 17 anos atrás - maio de 1993 pra ser mais exato - ele fez uma apresentação naquela que foi a primeira rave da cidade com os mascarados do hardcore techno Altern 8 e os DJs Mark Kamins e Mau Mau, evento cujo nome era L&M Music / The Dance Party. E esse fato-quase-lenda vai render um post aqui em breve.
Provavelmente uma minoria daqueles que estiveram nessa rave num galpão no Jardim Social foram, como eu, rever o produtor novaiorquino. E essa foi uma percepção que tive já no começo da noite: o público que lá estava era de uma faixa etária mais alta (o show também era para maiores de 16 anos), além de muitos insiders e figuras carimbadas da noite curitibana estarem alí se reecontrando, haja vista que a noite local vive um momento de forte estagnação e segmentação. Também dava pra notar que haviam muitos rockers misturados a fãs de eletrônica.
Mas vamos ao show em si. Não houve nenhuma banda de abertura (e nem de encerramento), o DJ Richard Weber tocava enquanto as pessoas iam chegando e se espalhando pelo Master Hall. Um espaço à frente do palco foi separado aos que tinham comprado o ingresso "premium", naquela típica divisão elitista que tem assolado algumas festas e shows de uns anos pra cá.
Às 22:35hs apagam-se as luzes e eis que entra a climática e grandiloquente "A Seated Night", música instrumental quase sinfônica de seu último álbum. As luzes de palco fazem um balé enquanto assistimos a tudo já hipnotizados.
Durante esta abertura entram ovacionados Moby e banda e já mandam ver "Extreme Ways" na sequência. Mais à frente entra "Bodyrock" e logo vem o hino clubber/raver "Go".
Dando sequência entra "Why Does My Heart...". Nesse momento a vocalista negra Joy Malcom da banda de apoio nos impressiona com seu belíssimo e afinado timbre de voz. E ela dá um show à parte em "In This World".
"Porcelain" se faz presente com a voz crua de Moby, sem os efeitos da original (e agora já posso ir feliz para casa).
Outros hits desfilam diante de nossos olhos e ouvidos: "We Are All Made Of Stars", "Natural Blues" e, para surpresa de todos, "Walk On The Wild Side" de Lou Reed, como que nos lembrando as origens underground de ambos na Grande Maçã. "Disco Lies" é uma das que mais causa gritos e passos de dança, a vocalista negra quase roubando o show. "Lift Me Up" tem também a comoção esperada, afinal é um hit recente.
E eis que entra uma versão estranha de "Honey", mais acelerada e encorpada que a original e depois é emendada com "Whole Lotta Love" de Led Zeppelin (!!!). Momento hard rocker total. "Honey" volta, agora em sua versão normal, fechando a quase jam session. E pra contrabalançar e finalizar o show "Feeling So Real" traz toda a sua artilharia jungle/hardcore nos remetendo mais uma vez o início de carreira do produtor. A essas alturas ele consegue arrancar minhas últimas reservas de energia para relembrar como foram energéticos os primeiros anos da década de 90. Ave Altern 8! Ave Prodigy!
Acabou? Não. Como um epílogo, "Thousand" soa nas caixas explodindo nas suas 1000 bpms enquanto Moby faz a sua típica performance de levantar o corpo e os braços ameaçando um stage dive (que nunca acontece) de cima de uma caixa de som no meio do palco. Tive um déja vu total daquela rave jurássica de 1993.
Saldo da noite, 23 músicas, 1h40 de show, teve "diumtudo": ambient, house, techno, trance, hardcore techno, blues, rock, disco e downtempo. Uma aula de música e ecletismo. E apesar de Moby ter em muitas de suas composições uma típica melancolia, o show foi totalmente para cima, com muito punch roqueiro (com o ótimo sound system criando um bom wall of sound), o que deve ter agradado os fãs mais recentes. Aliás uma mistura única de rock com eletrônica e blues. Passados 20 anos de carreira, a situação da música vai por esse caminho da fusão após anos de segmentação e Moby é um sobrevivente mutante daquela época.
Chamaram minha atenção também o despojamente de luzes e recursos pirotécnicos, concentrando nossos sentidos nas músicas e perfomance irreprensível dos músicos: baterista, baixista, guitarrista, tecladista e uma violoncelista, além de Mr. Little Idiot. Outro detalhe que notei no palco foram a ausência de logos, anúncios ou banners de patrocinadores. E todos os músicos (Moby incluso) portavam roupa preta básica, passando um senso de igualdade e neutralidade. Muito interessante.
A única nota desafinada no evento foi o alto preço dos ingressos, R$90 meia de estudante, enquanto que em Porto Alegre a meia entrada chegou a custar R$40. Resultado: um terço do Curitiba Master Hall vazio, que pela lógica podia ter sido preenchido se os ingressos estivessem a preços mais acessíveis. Esse foi o único empecilho que impediu muita gente de ir certamente, uma vez que o espaço, acústica, estrutura e o localização do evento são perfeitos. E fãs de Moby não faltam por aqui também.
E daqui a tour segue rumo a São Paulo (23/04) e Rio de Janeiro (24/04). Paulistas e cariocas: se joguem MUITO.
Já falamos sobre os docs Maestro (história dos DJs e clubs da era da disco em NY) e Synth Britannia (a história das primeiras e mais influentes bandas de synthpop no Reino Unido) aqui no blog e no Rraurl. Nesta semana descobri que ambos receberam versões legendadas em espanhol. Não é exatamente o ideal para falantes do português, mas melhora consideravelmente a compreensão de ambos. Para fãs de todos os estilos de música.
A amiga e colaboradora informal deste espaço Andrea Greca passou uns dias em Barcelona e Londres e voltou animada. Em Londres esteve no festival Lovebox organizado pelo Groove Armada e ferveu nas pistas da Secretsundaze, do super-combo Disco Bloodbath & Horse Meat Disco que como o nome já diz, são dedicados à, erm, disco. Com belas fotos (até em P/B clicadas por Nick Ensing) e mais informações quentes do que rola numa das inúmeras cenas da inner London.
E de quebra ainda relata o novo fenômeno dos afters em barcos na chacoalhante Ibiza, após o gongo que as autoridades locais deram nos mais afoitos por uma pista pós-pós-tudo. Bafom, né?
James Murphy e Pat Mahoney voltam ao Brasil em outubro. Eba! O líder e o baterista do LCD Soundsystem se apresentam no Rio de Janeiro no dia 3. A gig faz parte da tour mundial da dupla como DJs, batizada de "three month Special Disco Version".
"As pessoas ouvem a palavra ‘disco' e pensam em calças boca de sino e That'70s Show. Não, não, não. Queremos mostrar que a disco é o tipo de música que realmente liberta quem sabe aonde ir. O Special Disco Version é o ‘You Should Be Dancin' do The Bee Gees. Não a original, mas sim, o release dub nunca lançado. Esse é o real deal. [essa expressão fica melhor sem tradução]", diz James Murphy no release mandado para a imprensa gringa.
Segundo o texto, dia 3 é a única data agendada para o Brasil. O release não traz informações do local. Alguém sabe de mais detalhes?
UPDATE: Então, como o pessoal solucionou ali nos comentários, a festa será dia 3 de outubro mesmo, mas não no Rio como fala o Stereogum, mas em São Paulo, na festa de 3 anos do Vegas. Eu que não havia ligado as festas e as datas. Sorry! Mais infos, aqui.
Pegando carona no post da Clau Assef sobre a lendária Wendy Carlos, descobrí meio ao acaso meses atrás essa pérola que é a Amanda Lear.
Saca só: supõem-se que ela nasceu em Hong Kong entre 1939 e 1946, filha de pai franco-inglês e mãe russa (ou mongol-chinesa ou vietnamita, ou francesa ou inglesa) ela cresceu no sul da França. Depois foi estudar belas artes em Paris e Londres, virou namorada de Brian Jones dos Stones. De volta a Paris desfilou para vários estilistas, entre eles Paco Rabanne, Yves Saint Laurent e Coco Channel.
Na sequência conheceu Salvador Dalí, que iria dar novo rumo a sua vida: tornou-se musa do pintor espanhol e este virou o guru da fofa. E segundo ela mesma conta, foi ele quem deu todas as sacadas de marketing e controvérsia que iriam acompanhá-la nos anos 70 e 80.
Após ter um caso com (o já casado) David Bowie, este deu uma força pra ela se tornar cantora de Disco Music. E Amanda se tornou celebridade na Europa. E junto com a fama veio a grande pergunta: o que ela era? Por causa de sua altura, linhas masculinas no rosto e uma voz de contralto suspeita, muita gente podia jurar que "ela" era "ele". Transexual ou intersexual, ela posou em 1977 pra Playboy para que "todos pudessem ver que sou uma mulher como outra qualquer" nas palavras da diva.
De qualquer forma, junto com a polêmica, vieram a música (cosmic disco de primeira em alguns momentos) e os clips. Ah, os clips...
Amanda Lear - Follow Me (atenção na letra!)
Amanda Lear - Tomorrow
A dúvida permanece... "Ela" já foi "ele"?




