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Deputado quer DJ com curso reconhecido
19.03.08 16:00

Imagina a cena: o figuraça Peter Hook desembarca no Brasil para realizar um de seus tosquícimos, porém concorridos, DJs sets. Mas aí algum oficial da lei aborda o baixista do New Order e avisa: senhor, no Brasil, só exerce a profissão de disc-jóquei quem tem curso oficialmente reconhecido.

 

brizola.jpgPode parecer surreal dizer a um dos integrantes da banda que ajudou a definir o que conhecemos por música eletrônica que ele não pode se apresentar como DJ no País, mas se o Projeto de Lei 2631/07, do deputado Brizola Neto (PDT-RJ), que tramita na Câmara, for aprovado, essa será uma situação que pode vir a acontecer.

 

Segundo reportagem da Agência Câmara, o objetivo do deputado (na foto aí ao lado) é regulamentar a profissão dos disc-jóqueis (DJ) e video-jóqueis (VJ). Pela proposta, só poderão exercer as atividades profissionais habilitados por cursos profissionalizantes oficialmente reconhecidos.

 

A matéria afirma que, segundo o deputado, só no estado do Rio de Janeiro há mais de 100 mil profissionais e a maioria ganha a vida de maneira informal, sem direitos trabalhistas e com remuneração menor, (a matéria não define o que o parlamentar tem por "menor").

 

O texto vai além e define como atribuições de DJs e VJs a animação de festas populares, shows, eventos e espetáculos; as improvisações para divertir o público, bem como as apresentações de programas de músicas eletrônicas; os comentários e locuções de publicidades para rádio, televisão, cinema e internet; e a operação e o monitoramento dos sistemas de sonorização, gravação, edição e mixagem de discos, fitas, vídeos e filmes para a criação de novas versões.

 

O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 

Bem, não sou DJ, mas acho essa uma discussão para lá de pertinente. Ainda mais porque, vira e mexe, dou uma de "animador de festas". Cabem diversas perguntas sobre a proposta: DJ seriam apenas os profissionais ou quem faz uma discotecagem eventual? Esses seriam impedidos de se apresentar?

 

A idéia do Brizola Neto parece ser consolidar para a classe uma das conquistas históricas do partido do avô: os direitos trabalhistas. O problema é que, da mesma forma que acontece em diversas outras áreas, o nobre deputado, por mais bem intencionado que esteja, parece desconhecer os meandros da profissão e da noite brasileira. Basta ver a falta de detalhamento da proposta no site da Câmara.

 

Sou partidário da regulamentação do setor e do pagamento e tratamento justo aos DJs e VJs. Mas cobrar curso de todos iria incorrer em dois problemas. O primeiro seria a extrema dificuldade de fiscalização da lei. Não imagino uma forma adequada e funcional para que todas as pessoas que se apresentarem como DJ no Brasil tenham como garantir seu background educacional. O segundo aconteceria apenas se o primeiro entrave fosse resolvido: com uma mão de obra que, mesmo não precisando, fosse obrigada a procurar por cursos específicos notoriamente bem dispendiosos, os donos de clubes e promotores se veriam loucos com os preços que seriam cobrados.

 

Outra dificuldade seria a "oficialização" dos cursos, como quer a proposta. A cargo de que órgão ficaria esse trabalho? Do MEC? E quais critérios seriam usados para oficializar os cursos? DJs de rock precisam de curso para trocar de um CD para o outro? A meu modo de ver, a proposta carece ainda de muito embasamento e discussão.

 

Talvez uma saída seria a criação de uma associação ou um sindicato para o setor. Mas baseado nas experiências de outras profissões e de entidades de classe como a Ordem dos Músicos, poderia se criar tantos entraves burocráticos e obrigações para empregadores que também encareceriam as apresentações. Além disso, fatalmente instituições desse tipo pregariam o fim de sets e apresentações de não associados ou filiados, fora a velha conversa de reserva de mercado local que dificultaria a contratação de extrangeiros e DJs de outros estados.

 

A polêmica está lançada. Durante a semana, o blog tentará trazer opiniões de DJs e promotores, e quem sabe, até do próprio deputado, para melhorar a discussão.

 


Diogo Dreyer
Diogo Dreyer
comentários
7 comentários
Alexandre Chahin
1AprovadoQueima
só espero que seja verdade isso que valorizem o DJ no Brasil meu sonho e de mtos DJS que tenhamos o nossos direitos trabalhistas aqui no Brasil pq o DJ aqui é tratado como lixo agora fora do Pais tem DJ que tem seu proprio avião e tem seus direitos trabalhistas e é tratado como uma estrela é complicado isso.
Alicia Moreno
Alicia Moreno(29.09.08)
0AprovadoQueima
INFELIZMENTE AS PESSOAS SE ESQUECEM QUE ESTA LEI ESTA AÍ POR QUE FOI REIVINDICADA APENAS POR DJS QUE DEPOIS DE MUITOS ENCONTROS EM VÁRIOS ESTADOS ENCAMINHARAM PROPOSTAS PARA O GOVERNO QUE ESTA "LAPIDANDO" O TEXTO INICIAL. GENTE VAMOS NOS INFORMAR ANTES DE POLEMIZAR.
Cj Hal
Cj Hal(24.03.08)
0AprovadoQueima
E mais, criação de sindicato é outra coisa que obviamente vai dar merda. por varios motivos:
1 - Cartel. Quem tem costa mais quente e cargo mais alto, vai favorecer quem quer. Imagine uma casa abrindo, tendo que verificar se o Dj é sindicalizado, e por outro lado, o sindicato sabendo que uma casa vai abrir começar a pressionar a mesma pra por tal DJ. Só vai faltar toninho do PT no meio.

2- o coitado do DJ iniciante e "profissional" mal entrou num suposto mercado e nem tem onde tocar (e possivelmente nem vai, vide comentario 1) e ja vai estar pagando pro sindicato...

Enfim, como tudo na republica da banania, tentando fazer algo "certo" do jeito errado.

Minha opinião.
Cj Hal
Cj Hal(24.03.08)
0AprovadoQueima
Ai vão fazer um Ecade da vida pra Djs e amanha o cara está pagando imposto pelas musicas que toca. O país de quinta categoria que usa as leis somente para atrapalhar... Não vai ser uma lei que vai regulamentar o emprego, fazer Dj trabalhar em CLT. Se fosse assim, não existira camelô no país e todo mundo trabalharia de carteira assinada.

Outra é essa do " cursos profissionalizantes oficialmente reconhecidos" Seria interessante ver quem teria propriedade para auferir tal reconhecimento. Seria interessante também ver como seria reconhecida uma festa, evento e etc para se cobrar a presença de um DJ "profissional", ou corremos o risco de ser presos tocando na festa do amigo.
gugas
gugas(23.03.08)
0AprovadoQueima
Nem a profissão de designer é regulamentada ainda no Brasil (e não é em muitos países). Estes deputados estão de brincadeira com a gente. Basta ver a questão da ingerência nas TVs por assinatura através do Projeto de Lei 29/07 (www.liberdadenatv.com.br).