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O que Ibiza (ainda) tem a dizer
05.06.12 21:49

No fim de Maio Ibiza recebeu a quinta edição da IMS - International Music Summit. A proposta da conferência é ser o "equivalente ao TED da música eletrônica", reunindo nomes de diversas frentes da indústria musical para palestras, debates e mesas de discussão. Durante quatro dias foi possível ver e ouvir representantes de gigantes como YouTube, Twitter, EMI, assim como gigantes por si como Giorgio Moroder, Nile Rodgers e Carl Cox.

 

 

No video acima é possível conferir um resumo de todo o evento, e no canal oficial da IMS no YouTube estão disponíveis muitas das palestars na íntegra. Vale (muito) a pena ver a bem-humorada e impressionante história de Nile Rodgers sobre o começo da sua carreira e detalhes de bastidores daquele que foi um momento crucial para a então embrionária disco music.

 

Algumas conclusões rápidas dos quatro dias de evento (e também das "openings", festas de abertura da temporada de verão na ilha) você confere abaixo. Porque sim, Ibiza pode não ser a mesma, mas ainda é o ponto nevrálgico onde a Europa se encontra ao redor da música eletrônica - e isto provavelmente não vai mudar nunca.

 

1) Pode se acostumar com a designação EDM (abreviação para Electronic Dance Music): é esse o nome atribuído hoje a dance music ou música eletrônica;

 

2) A redescoberta da música eletrônica (ok, da EDM) pelos norte-americanos é a maior revolução do gênero desde a sua própria concepção: novos artistas, novos estilos, novas formas de comunicação, e principalmente, um novo público (tratado mais como um mercado consumidor). A princípio tudo isto é muito bem visto, mas não há dúvidas de que o processo de transformação significa quebrar paradigmas - e com isto, conceitos, ideias e consequentente, hábitos antigos. A nova geração apaixonada por EDM é muito diferente daquela que fez as coisas até aqui: não precisa necessariamente frequentar clubes para adorar seus artistas (o YouTube faz esta função) e não tem o menor interesse em saber sobre Kraftwerk, Detroit ou qualquer coisa pré-Skrillex ou Deadmau5...

 

3)  Os festivais não vão parar de crescer (no mundo inteiro). As explicações são várias, mas a mais convincente é a de que a "experiência" de um evento de grande porte é cada vez mais atraente para o público do que aquela semanal e rotineira de ir a clubes e bares. James Barton, fundador do Cream e do festival Creamfields, falou sobre a venda da marca para a gigante Live Nation (grupo que controla mais de 100 espaços de shows e eventos ao redor do mundo e que surgiu de uma fusão envolvendo a Ticketmaster). O britânico segue como CEO da marca, e a previsão é que nos próximos anos o Creamfields multiplique em muitas vezes sua atuação, principalmente nas Américas;

 

4) Palavras de Nile Rodgers: "a inveja é o maior motor da música". O raciocínio sincero do lendário cabeça da banda Chic é certeiro: músicos são movidos em boa parte pela inveja que sentem do trabalho de outros músicos, e isto não deve ser motivo de vergonha. Esta "inveja saudável" é o maior combustível que os leva a criar mais e melhor;

 

5) Nile Rodgers e Giorgio Moroder confirmaram, sem maiores detalhes, que estão trabalhando no novo álbum do Daft Punk;

 

6) Os mercados emergentes também o são no assunto entretenimento: India, Mexico e Brasil são alguns dos países na mira de marcas globais e temas recorrentes de discussões em torno de potenciais e oportunidades;

 

7) É unanimidade ouvir que o Dubstep (ou o pós-Dubstep) é a grande "tendência" nos últimos anos. Mas o gênero definitivamente não casa com a atmosfera baleárica (assim como não pegou no Brasil ainda) e são raras as noites dedicadas ao estilo na ilha. No entanto, o rock parece cada vez mais presente e flertando com os DJs: seja no line-up do (super inglês) clube Ibiza Rocks ou de festivais como o Ibiza123, que irá apresentar uma curiosa união entre Luciano e Lenny Kravitz no palco.

 

8) A Prefeitura de Ibiza participou da conferência e anunciou a proposta de construiur um museu dedicado à história musical da ilha. Alô "autoridades" brasileiras, vamos tomar a ideia como exemplo e valorizar música eletrônica como expressão cultural de vez?

 

9) "Party Non Stop", de Pirupa, foi o hit absoluto das openings (abaixo Loco Dice tocando a faixa no festival Time Warp). E anote este nome: Apollonia, novo projeto formado por Shonky, Dan Ghenacia e Dyed Soundorom. É provável que você ainda escute falar bastante nele nos próximos meses...

 

 

 


João Anzolin
João Anzolin
twitter.com/joaoanzolin
comentários
1 comentários
gui xavier
gui xavier(30.07.12)
0AprovadoQueima
Òtemo!