.::musicness::.
Anotações musicais sem sentido
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
fãs
rss
Você pode assinar o feed desse blog pra saber assim que ele for atualizado.
Feed 
* copie e cole para assinar com outro reader
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Add to Technorati Favorites
A eletrônica chegou lá...
14.04.11 14:53

Recentemente o site Gizmodo publicou um ótimo texto que atende pelo título “Tudo é maravilhoso hoje e ninguém está feliz”. Aconselho quem ainda não leu a matéria que o faça o quanto antes ou assista ao vídeo abaixo, mas, pra quem está com preguiça, me arrisco a fazer um breve resumo. Em poucas palavras, o que se diz é que mesmo vivendo em uma época em que temos absolutamente tudo à nossa mão – em boa parte graças às facilidades tecnológicas – todos estão insatisfeitos, reclamando e achando tudo ruim, como que ignorando (e até subestimando) o real valor disso tudo.

 


O paradoxo é real e vale uma análise mais detalhada. Ocorre que de tanto ler textos com a temática “o pop está eletrônico de vez” nos mais diferentes meios brasileiros  ou estrangeiros, acabei concluindo que ele se aplica, também, ao mundo da música, e mais especificamente ainda, ao nicho eletrônico dela.


É chover no molhado afirmar que desde que o hip-hop norte americano abraçou de vez produtores eletrônicos manjados e a bagagem que eles possuíam, sim, o pop se tornou uma espécie de releitura de hits que a gente escutava há 10 anos atrás nas pistas.


Mas, sejamos sinceros: isto realmente pode ser considerado ruim como alguns propõem? Claro que pra quem freqüenta clubes e já escutou (e dançou) estas estruturas e elementos à exaustão nos últimos 15 anos, o som de um Black Eyed Peas soa perto da insuportabilidade. Mas pras gerações nascidas dos anos 90 pra frente isto é tão novo quanto para o grande público norte americano, que já teve contato com isso em algumas ocasiões (Madonna produzida por Stuart Price é um exemplo emblemático), mas só agora aderiu em massa à esta proposta.


A verdade é que a música eletrônica nunca foi tão grande quanto é hoje mesmo se analisada somente nos seus redutos tradicionais, e ainda assim, surpreendentemente ninguém parece estar feliz com isso. Quando na história DJs que fazem sonoridades consideradas “não comerciais” foram tantos e ganharam tão bem? Hawtin, Villalobos, Luciano, Sven Vath são algumas figuras que ganham bastante mesmo sendo completamente desconhecidos do grande público e fazendo um trabalho rotulado por muitos como “underground”. Novidades não faltam também, e o menino prodígio novo “future-DJ-heroe” Nicolas Jaar é uma das evidências de que ainda há muita coisa boa e nova sendo feita. Penso que sim, isto deve ser comemorado e visto como uma fase única.


No Brasil a insatisfação é recorrente também, mas quando tivemos tantos clubes no país? Ou quando houve tantos veículos e ferramentas de comunicação (programas de rádio, blogs, revistas, sites, etc) específicos? Um circuito de clubes completo que, apesar de dominado por propostas muitas vezes quase apelativas de tão comerciais, ainda assim possui do outro lado tantas opções espalhadas por diversas cidades que possibilitam trazer simplesmente qualquer artista pra cá. De novo, penso que a lógica recomenda uma satisfação com isso.


Este estágio é bem diferente daquele de não muito tempo atrás. Raves proibidas e demonizadas (ok, isto ainda acontece), comemorações mil quando vinha um grande DJ, circuito de clubes restrito à poucas cidades e uma “cena” que era quase de gueto. A cartilha do romantismo musical apregoa que sim, estes tempos que eram bons - mas criticar tudo quando se parece ter finalmente chegado “lá” soa mais como chatice do que saudosismo.

 

Se a eletrônica lá atrás quis crescer e ficar grande e hoje e quer sair de vez do campo dos estereótipos, o seu público vai ter que se acostumar aos ônus e aos bônus disso. Esta fase "adulta" traz, sim, os seus incovenientes. Mas é difícil acreditar que eles realmente serão capazes de se sobrepor aos benefícios.


João Anzolin
João Anzolin
twitter.com/joaoanzolin
comentários
15 comentários
Jade Augusto Gola
Matou a pau, Anzolin. Ter esse pensamento tranquilo e pleno de que não há "crises" constantes significa envelhecer bem, coisa que talvez não esteja acontecendo com quem olha o momento atual com tristeza

;)
Eugenio C
Eugenio C(27.04.11)
0AprovadoQueima
Apesar de tudo, temos inumeros exemplos de djs que alcancaram posicoes desejadas, e hoje exercem forte influencia (alem de musical, comercial) em varias partes do mundo.
O mainstream e' importante sim! Ele e' a porta de entrada para o que alguns chamam de "publico virgem". O crescimento do dito "underground" (nao so' a musica, mas as diversas influencias anexadas a ela) tem relacao direta com o comercial. Uma especie de "uma mao lava a outra".

Rodrigo Tutini
Rodrigo Tutini(22.04.11)
4AprovadoQueima
a e-music vai mt bem, mas o rraurl ta quase parando!!! raras atualizaçoes... o q ta rolando? ja escrevi perguntando pra redaçao, faz dias, mas não me responderam...
q tal uma reportagem explicando esse fato?
Rodrigo SM
Rodrigo SM(20.04.11)
1AprovadoQueima
Engraçado. Andei pensando muito nisso, e não cheguei a muitas conclusões. Uma só: quem tá nisso faz tempo tá ficando velho, e não tem aparecido nada de novo nos últimos anos, seja de idéia de festa, seja de som. Resta saber o que fazer, agora que nosso estilo de vida e nossa música são tidos como aceitáveis.
E, antes de negativarem, não tô dizendo que não tem nada de BOM. Que isso tem de sobra.
God-Dog
God-Dog(19.04.11)
1AprovadoQueima
é só um padrão que se repete: a música underground de uma geração é a comercial da proxima. Pra tá tudo maravilha! kkkkkkkk