Não é pequena a lista de grandes marcas que fazem sucesso fora do Brasil e, ao chegar no país, fracassam ou ficam em posição bem distante da que usufruem fora daqui. No mercado da música eletrônica, o festival Creamfields parecia já ter entrado nessa lista: chegou ao país em 2004 com uma versão pequena chamada Cream Brasil, e entre 2005 e 2009 teve edições em diferentes formatos em cidades como Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Seria exagerado dizer que todas fracassaram, mas a verdade é que todas elas ficaram muito longe do que os tradicionais Creamfields inglês ou argentino são - festivais imensos e consolidados como espaço para muitos e diferentes estilos.
Depois de uma lacuna em 2010, em 2011 a marca insistiu no país ao promover uma edição no verão catarinense. Com line-up e local longe de serem unanimidades, uma das semanas mais chuvosas dos últimos tempos na véspera do festival parecia ser o que faltava para mais um insucesso. Entretanto, contrariando todas as previsões - inclusive a do tempo - o Creamfields de Florianópolis foi bem organizado, encheu, teve excelentes apresentações e praticamente não viu chuva.
A organização do festival foi muito boa: estacionamento e acessos amplos, muitos bares, sistema de som de ótima qualidade e um bom posicionamento da tenda Cream que fez com que não vazasse som entre os dois espaços da festa chamaram atenção. O capricho nas projeções no palco principal e do video-mapping da tenda se destacou também. Talvez o único problema do festival tenha sido a ausência de um estacionamento extra e a ordem dos artistas no palco principal: Hernan Cattaneo e Etienne de Crency fazendo sets entre Felguk e Erick Morillo expôs uma falta de sensibilidade que irritou até mesmo os artistas. Ainda assim Hernan e Etienne tiveram competência para fazer sets compatíveis com a empolgação do palco principal.
O melhor do festival, em termos musicais, ficou reservado para a tenda Cream. A sequencia Raresh, Guy Gerber e Loco Dice parecia promissora e se mostrou excelente. Três artistas que, cada um a sua maneira, vêm se mantendo naquele pelotão de frente da música eletrônica não apelativa, tocaram para uma tenda cheia, mas não lotada, e o que se viu foram 6 horas de música dignas de qualquer bom festival do mundo. Gui Boratto encerrou mas não empolgou o público - ao que parece, também em virtude do horário para o qual foi escalado.
O melhor de tudo foi ver um festival cheio de pessoas dispostas a se divertir e conhecer novos artistas. O fato da tenda Cream ter enchido entre os sets de Raresh e Loco Dice mostra que a organização pode investir, sem medo, em atrações menos comerciais como as que dominaram o palco principal, ou até mesmo em mais uma tenda no futuro. Segundo a organização do festival, em 2012 a segunda edição do evento já está garantida. Parece que finalmente o Creamfields encontrou a sua casa certa no Brasil.
twitter.com/joaoanzolin





