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DJ vs DJ
10.11.10 11:41Deixe seu comentário

Durante visita ao velho continente o DJ Brunno Mello bateu um papo com a também DJ carioca Kammy, que agora reside por lá. O papo que rolou na conferência ADE (Amsterdam Dance Event) você confere abaixo:

 

 

kammy

 

 

Brunno: O que vc faz na Holanda? Se não me engano, está casadona aí, não? Tem tocado por aí? Produzido?



 Kammy:  Eu vim pra cá a principio para estudar e como meu namorado (o DJ e produtor inglês Chris Littlewood) mora aqui, acabei optando por me mudar esse ano. Na real esse ano dei um tempo de gigs desde abril  pois como eu estava correndo o meu processo de residência aqui, não era permitido trabalhar e deixar o país.  Finalmente consegui todos meus documentos e agora estou indo ao Brasil em novembro. Nunca fiquei tanto tempo sem tocar e longe do Brasil , dessa vez tem quase 1 ano que estou fora. Por um outro lado, estou me dedicando bastante a prática musical em estudio e aprofundando meu conhecimento em hardware, a forma com a qual eu mais me identifiquei para produzir.
djkammy

 

Brunno: Como se deu o contato para o trampo no ADE Next? O que vc fazia exatamente? Tem alguma fotinho de registro?


   Kammy: O contato para o trabalho no ADE Next veio pela escola em qual estudei chamada SAE (School of Audio Engineering). O SAE todo ano tem um envolvimento com o ADE, esse ano eles fizeram o ADE LAB : DOCTOR'S SURGERY by SAE, 3 experts em softwares chamados  Doctor Ableton Live, Doctor Logic e Doctor Cubase a sua disposição para tirar todas suas dúvidas e marcar consultas.  Eu fui a hostess do laboratório e indicava os médicos adequados para os pacientes (risos).



images_GX9R

Brunno: Vai voltar (um dia) para o Brasil? Ou tá difícil?

 

Voltar para o Brasil, sempre!  Todo ano quero ir pelo menos de 2 a 3 vezes ai. Mas residir ai por enquanto está fora dos planos porque acabei de me mudar. Mas tudo é possivel, eu amo o Rio. Quem sabe num futuro proximo?

 

 

Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
DJ vs DJ: Johnny
18.08.10 13:476 comentários

João Carlos da Cruz, mais conhecido como Johnny, é o convidado da vez. Um dos artistas da nova geração paulista em maior destaque, Johnny leva muito a sério o que faz. 

 

Na entrevista abaixo, ele responde as perguntas durante sua tour na Europa e fala sobre a label VoyageINC, nujazz e modismos rodeando a disco e house music.

 

johnny

 

Fale um pouco sobre sua formação musical? Como foi ter estudado no conservatório Villa Lobos?

 

Eu comecei a estudar no Villa Lobos quando tinha cerca de 11 ou 12 anos. Lá foi bacana porque me deu uma base musical boa, mas na época eu não fazia nada relacionado a música eletronica, apenas tocava guitarra em bandas de rock. A paixão pela e-music foi algo que surgiu uns 3 anos depois. Lá era um curso bem forte, toda semana tinha aula de teoria musical, percepção, rítmica e a prática, na qual você escolhia um instrumento para aprender.

 

Você é um dos novos entusiastas do NuJazz. Como conheceu o estilo?

Tem algum produtor brasileiro que venha fazendo um bom trabalho nessa vertente?

 

Apesar de não tocar muito NuJazz hoje em dia, com exceção dos chill outs em festas e festivais, ele foi a minha porta de entrada na música eletronica. No colegial, o Felippe (que mais tarde seria o primeiro a entrar na crew da Voyage) me mostrou uma fita com algumas músicas do Saint Germain e logo de cara me apaixonei pelo estilo e comecei a pesquisar mais sobre a e-music. Quanto a produtores brasileiros de NuJazz, o que vejo são alguns artistas bastante influenciados pela linha como Trotter, Koala (projeto novo do Felippe em parceria com o guitarrista André Arnoni). O Gil Duarte com o Sistema Asimov também tem feito um trabalho que dá pra sentir uma influência, entre outros. Mas sinceramente, já estou bem desatualizado do que tem rolado disso no Brasil, ultimamente tenho focado minha pesquisa totalmente para o Deep/Tech House e muito Nudisco também. Mantenho o set de Nujazz atualizado, mas a maioria das tracks são lançamentos de artistas que já conheço.

 

Night Drive by Johnny Voyage 

 

E a Voyage, conta um pouco da história desse projeto?

 

A Voyage nasceu em 2007 quando eu e o Gustavo Miranda nos conhecemos na faculdade e resolvemos montar o projeto. Começamos em algumas casas menores na cidade, e em julho de 2008 fizemos a primeira noite na Livraria da Esquina. Desde a primeira edição lá foi um tremendo sucesso, pois a festa trazia uma proposta totalmente nova para São Paulo. Decidimos incluir em uma noite, tudo que mais gostamos da música eletrônica, de forma organizada e crescente ao longo da noite. Ou seja, quem chegava cedo com o lugar ainda meio vazio, podia ouvir muito Nujazz e outros ritmos mais suaves para tomar um primeiro drink enquanto a pista começava a encher. Em seguida a noite começava a ferver com muito Funk/Disco e House, até de manhã cedo.

 

Com o passar do tempo, fomos descobrindo outros Djs e produtores com muito potencial, mas pouco conhecidos na cena e começamos a traze-los para a crew da Voyage. E foram tantos, incluindo artistas internacionais, que decidimos começar a nossa agência de artistas, deixando uma opcão para clubs e organizadores de festas levarem cada parte separadamente do que rolava na festa (não só os djs, mas as exposições, vjs, performances, etc) ou tudo junto. Pode-se conferir o cast no site da VoyageINC (www.voyageinc.com.br). Em menos de 1 ano que começamos a agência, muitos clubs de ponta como Hot Hot e Vegas já contam com festas da VoyageINC, além de outros representantes terem se interessado pela idéia e formato de festa da Voyage em outras cidades e estados, o que nos levou a expandir a festa para esses novos lugares como o interior de São Paulo (em Nova Odessa), Maringá-PR, e agora o Rio de Janeiro também terá a Voyage bimestralmente no Fosfobox - a estréia é dia 24 de setembro.

 

Pelas festas já passaram grandes nomes internacionais, que trouxemos pela agência como o Neighbour, Manuel Sahagun, Bjorn Wilke, Jazzy Eyewear entre outros. E foi aproveitando a passagem do Sahagun no último mês de junho que aproveitamos para lançar também a gravadora VoyageINC Records. Esse trabalho ainda é novo, mas estamos desenvolvendo cada vez mais, nos próximos dias já teremos lançado o segundo EP.

 

Deep2tech by Johnny Voyage 

 

Como anda a tour na Europa? Por quais paises já passou, por quais ainda vai passar e as suas impressões da viagem até o momento?

 

Na verdade ela mal começou, mas já posso dizer que está maravilhoso. Na sexta passada tive minha primeira apresentação fora do Brasil em Stuttgart na Alemanha e foi sensacional, eu mesmo não esperava por tanto já que ninguém me conhecia por aqui. No dia seguinte mal deu tempo de descansar e tive que ir para Munich me apresentar em outro club lá e foi bem bacana também. Agora estou em Berlim aproveitando pra comprar muitos discos e no sábado (21) toco em Londres. Em seguida toco na noite de aniversário do Cafe del Mar dia 25 na Espanha e em Marbella (também na Espanha) dia 28. Depois ainda tenho 2 apresentações em Portugal, uma em Leiria e a última em Lisboa no dia 11 de setembro para em seguida retornar ao Brasil e já começar a cuidar da Voyage 3 anos que acontece em outubro, além da primeira edição no Rio que também estou muito animado.

 

 

Pra finalizar manda um recado pros leitores da coluna.

 

Acho que o melhor recado é para as pessoas sempre estarem abertas a música eletrônica, seja qual for o estilo. Cada vez mais percebo que as melhores músicas são aquelas que pode-se encaixar em um Dj set de várias formas, sem rótulos.

Sinto que no Brasil rola uma certa hipocrisia por parte não só de uma parcela do público, mas de muitos artistas também. Pessoas que há 2 anos atrás diziam que a Disco e a House eram algo totalmente brega, hoje em dia se esbaldam com essas linhas de som pois está cada vez mais forte e criando um certo modismo também, que em pouco tempo vai estar muito maior, não só devido a iniciativa da Voyage, mas de outros núcleos espalhados pelo país. E eu realmente espero que isso ocorra de uma forma positiva, e não totalmente banalizada como aconteceu com outras 'tribos' da música eletrônica e que, de certa forma, acabou destruindo todo um ideal que grandes artistas se esforçaram para construir.

 

Então o recado é esse, saiba ter senso crítico, abra a cabeça para o que te agrada (sem ir no embalo dos modismos) e tente sempre ir na raiz daquilo do que você está ouvindo para saber o real o significado de determinada música, independente do estilo.

Categoria: DJ versus DJ
Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
DJ VS DJ: Rodrigo Nickel
28.07.10 15:401 comentário

Comece falando um pouco da época em que você se mudou para Portugal, onde l_86ed30684bc6419b84839b681aae56accomeçou sua carreira e foi residente do after-hours Break-Fast. Como foi essa história?

 

Eu fui morar em Lisboa em 1992. Um dos meus irmãos já morava lá havia algum tempo, fui para estudar e acabei ficando quase 15 anos. O primeiro contato com os clubs foi logo na minha primeira semana na cidade, quando conheci o lendário Alcântara-Mar nos seus áureos tempos. Também tive a felicidade de conhecer o extinto Locomia na praia de Santa Eulália em Albufeira no Algarve, sul do país que foi um marco na cena de lá. Portugal vive intensamente a música eletrônica com vários clubs ótimos e festivais de responsa e me deu a chance de ver muito artistas bons e interessantes. O fato de estar por lá também me proporcionou a facilidade de viajar um pouco mais e acabei conhecendo Ibiza e também Koh Phangan na Tailândia, conhecida principalmente pela Fullmoon Party porém qualquer lua é motivo de festa na ilha.

 

Comecei a tocar e quase simultaneamente organizar algumas festas e o after hours Break-Fast foi a última e mais expressiva delas que começou em 2005 comigo e com o australiano Chris Meehan como residentes, acontecia todos sábados e domingos de manhã e tocou muita gente como Chris Lake, Beckers, Asher Jones, Kasey Taylor, Steve Parry, Karlos Elizondo, Andre Absolut, Tobias Beyer além de tops locais como John-e do Stereo Addiction ou Kaesar e os brasileiros Magal e Oscar Bueno. O club havia sido vendido e eu acabei vindo para o Brasil em janeiro de 2006 e ficando por aqui, porem o after funciona no club Europa até hoje sob a direção do Gustavo, a outra metade do Stereo Addiction.

 

Como anda a cena Curitibana na sua opinião?

 

Felizmente o club que é ícone da cidade e esteve fechado por quase 2 anos reabriu. A Vibe está totalmente remodelada e seus line ups estão exemplares, semanalmente com nomes como Thomas Schumacher, Guillaume & The Coutu Dummonts, Audiojack ou Marc Romboy. Tem ainda o Danghai que acaba de comemorar seu primeiro ano de existência e também recebe artistas internacionais com frequência e clubs como a Lique, Awake e Wyn que têm propostas mais mainstream mas tambem fazem a sua parte na cena local. Sem falar na Tribaltech, dita por muitos a melhor open air do país, que vem para o seu segundo ano no formato multicultural (com lives, Dj´s, bandas, cinema, etc) com 2 edições sendo uma em São Paulo. A cidade tem muita gente boa, desde produtores como Rodrigo Carreira, Larski, Alex Dias, Malcon Costa e Gabriel Boni, djs como Daniel Costa, Hugo Miyamura, Gromma, Rolldabeetz, labels como a Synk, iNminimax, ADS, enfim tudo que é necessário para fazer uma cena local crescer e a qualidade da galera daqui é conhecida já há muito tempo por todos.

 

Você produz algumas festas como a Decibel que já aconteceu em varias cidades e a Lick My Sunday junto com a dj Aninha, residente do mega clube Warung. Conte um pouco da história dessas duas festas.

 

A Decibel eu comecei aqui em Curitiba em junho de 2007, acontecia semanalmente no Soho Bar e funcionava basicamente com a cena local e amigos e seguiu nesse formato até o final daquele ano quando o italiano Edoardo Marvaso tocou para fecharmos o ano. Em 2008 mudamos nossa residência para a Vibe e vieram as primeiras edições em outras cidades, totalizando quase 60 edições passando por clubs como o Deputamadre em BH, a extinta Circuit em Florianópolis ou a Bielle em Cascavel e recebendo nomes como o uruguaio Gustavo Bravetti que é soundesigner oficial da Native Instruments, Kanio, Gaz James, o argentino Tommy Jacobbs que era residente da Cocoon em Ibiza, Sam Fraser ou Kore entre outros. A Lick My Sunday é um projeto diferente, sem pretensões que inicialmente acontecia todo domingo no JPL Bar e era mais como um ponto de encontro da galera para escutar música de qualidade naquele dia que nunca há o que fazer. Também passaram pela cabine alguns brazucas como os cariocas Bernardo Campos, Trieb e Ricardo Estrela, Laurent F do D-edge e o sueco Chris Llopis. Atualmente o projeto está em stand by procurando um novo espaço.

 

 

E a sua label Origami, quando vai ser lançada e qual sua expectativa do projeto ? 

 

A label finalmente está prestes a ser lançada, um ano de trabalho mas acho que valeu a pena a espera. Minha expectativa são as melhores possíveis, eu confio plenamente no trabalho de todos artistas envolvidos que são a maioria grandes amigos meus. O primeiro release será um tema original fruto da parceria do produtor paulista Propulse com o Dj mineiro Paulo Jardim e que contará com um remix do inglês King Roc. Podem esperar uma label consistente e que irá agradar a muitos.

 

Você já viajou muito para tocar e se apresentou em festas conceituadas, em clubs como D-edge, Vegas, Deputamadre e grandes festivais como Tribaltech e Universo Paralelo. Qual a sua pista favorita, clubs fechados ou festas open air?

 

Clubs. Sempre!!! Porque o chão é lisinho e não dá dor nas costas depois dançar horas!! (risos). O meu background é todo de uma cena club, urbana e apesar de hoje em dia o som que toca nos clubs poder ser ouvido nos festivais, eu continuo preferindo o bom e velho inferninho de preferência sem janelas !!! 

 

Pra finalizar manda um recado pros leitores da coluna DJ vs DJ.

 

Quero dizer para todos que a Decibel está voltando em breve não somente aqui em Curitiba como iremos voltar com o nosso circuito itinerante e que fiquem atentos as novidades da Origami que além de seus lançamentos também fará algumas label parties pelo país.

Categoria: DJ versus DJ
Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
DJ vs DJ
22.07.10 18:012 comentários

l_2367712ca2224f8ca11a6ee3300d80f3Vamos começar pelo inicio. Como conheceu a música eletrônica, especificamente o techno?

 

Conheci em meados dos anos 90. Comecei frequentando festas e pesquisando, logo em seguida já estava discotecando. Eu tocava House, Drum N' Bass e Techno.

 

Como vê a cena de techno hoje em dia ?

 

Vejo as coisas se acertando num bom nível por aqui. Depois de um momento conturbado na cena, que tivemos em relação as raves e drogas. Penso que agora tudo vem se normalizando novamente. Já na gringa sempre caminhou bem. Penso que com mais organização as coisas irão bem por aqui também.

 

Vi que em 2006 você fez uma tour com o rapper Xis, intitulada: "Introduzindo o groove na cidade". Como era o formato das apresentações e como foi a experiência de misturar techno e rap ao mesmo tempo?

 

O formato era bem simples: dois toca discos, um mixer, um microfone e as vezes Kaos Pad, como se fosse uma apresentacao de Rap. A experiência foi legal. Criava uma sensação diferente nas pessoas ver dois artistas de gêneros diferentes fazendo aquilo. Sempre tivemos vontade de ter feito isso, o feedback foi o melhor possível .

 

E hoje em dia, qual o formato de suas apresentaçoes ao vivo?

 

l_c4221cd0f31b4db98d506cabb2beb37cEu aderi o formato digital, hoje uso o Traktor Scratch ou Serato e as vezes CD também.

 

Você já tocou no Rio de Janeiro antes?  Qual sua expectativa para tocar no Dama de Ferro, um dos clubes de música eletrônica mais tradicionais do Rio?

 

Sim, toquei algumas vezes no rio. Adoro a cidade e os amigos que fiz ai. Já no Dama de Ferro nunca toquei, mas sempre ouvi boas coisas do club. Sempre tive vontade de tocar!  Estou ansioso. Espero rever os amigos para que a noite seja maravilhosa!


Snoop toca sábado na Do Hauze, no Dama de Ferro.

Categoria: DJ versus DJ
Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
DJ vs DJ: Flutuance
05.07.10 21:521 comentário

FlutuanceComo e quando foi formado o Flutuance?

 

Flutuance surgiu em 2001 quando eu (Leonardo Torha) e Bruno Mascotte nos conhecemos, começamos a bater um papo sobre música eletrônica e vimos que o nosso gosto musical era muito parecido. Como já havíamos nossos trabalhos separados, decidimos criar o Flutuance somente para tocar as tracks chamadas lado B, buscando levar para a pista de dança aquilo além do que o público já conhecia, mas que acreditávamos que seria um bom som para curtir tanto nas festas quanto nos clubs que nós nos apresentávamos. A partir deste momento começamos então receber muitos convites para apresentar o Flutuance e então decidimos nos dedicar somente ao Flutuance e investirmos juntos em produção musical.

 

Daniel Marques & Marcello V.O.R - Down on Me (Flutuance rmx)  

 

Quais programas vocês tem usado para produzir música e como é o formato do live?

 

Para a produção usamos como programa matriz Logic pro 9, usamos Ableton Live 8 como slave no Logic e a pouco tempo temos usado Cubase também. Usamos também Hardwares, Softwares e Samples na produção. No formato Live basicamente usamos Ableton Live 8, Controlador Midi disparando samples e controlando efeitos e mais um sintetizador para complementar a nossa apresentação

 

 

Vocês tem uma track chamada Subway to Villa Lobos School, junto com o também produtor carioca Glitter. Qual a importância de terem estudado numa escola de música e como isso influenciou o som de vocês?

 

Na verdade a faixa Subway To Villa Lobos School é de nossa autoria e convidamos o Glitter para remixa-lá. Lançamos a música no nosso próprio selo, a Diamond Clash records.E a idéia da música surgiu pois íamos para a Villa Lobos de metrô e sempre escutávamos música clássica nos auto falantes das estações. Estudar na Villa Lobos teve uma importância enorme, pois foi onde realmente começamos a pensar como músicos. Nenhum de nós teve formação musical e só tínhamos contato com música apenas como ouvintes mesmo. Quando nos tornamos dj´s, a vontade de produzir veio também e para produzir música acreditamos ser fundamental saber sobre música. Então decidimos a nos matricular na escola no curso de piano e depois do segundo período Bruno mudou o seu curso para o instrumento Baixo.

 

Flutuance and Glitter -The Chicken Of the Devil 

 

Vocês costumam a se apresentar com frequência em festas abertas (open air). Como vêem as mudanças nesse tipo de festa desde que começaram a tocar?

 

As mudanças significativas começaram a ocorrer no início de 2005, onde muitos djs migraram para o som da cena club e apartir daí começaram a introduzir vertentes clubs nas festas open air. Hoje, os eventos de grande porte misturam quase todas as vertentes de música eletrônica e geralmente contam com duas pistas ou mais. Onde os maiores stages ficam voltados aos estilos de som mais main stream e os menores stages para as vertentes mais undergrounds.

 

Por quais estados o Flutuance já passou?

 

Já nos apresentamos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e também no Distrito Federal.

 

O label Diamond Clash vem crescendo e varios releases são de artistas nacionais. Citem uma aposta da produção musical brazuka na visão de vocês.

 

O Brasil hoje já conta com inúmeros artistas com projeção internacional e com certeza é um dos países que mais vem contribuindo com novos artistas de qualidade para a cena eletrônica. E apontaríamos não somente um, mas pelo menos três grandes apostas que são: Dirtyloud, Dreamtime & Olliver Mach e Luthier.

 

A dupla se apresenta nessa sexta-feira na festa Fosfobase no clube Fosfobox.

 

Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
DJ vs DJ - Rafael RM2
28.06.10 20:085 comentários

rm2_2

Rafael RM2 completou 15 anos de profissão em 2010. Um feito e tanto num mercado em que muitos desistem no meio do caminho ou levam a coisa apenas como um hobby.

 

Na entrevista abaixo, RM2 nos conta um pouco de sua história. Do Garage House, passando pelo "Jamantismo", até os dias de hoje com o Indie Dance.

 

- Você se lembra a primeira vez que escutou música eletrônica?

 

No movimento New Wave, em meio a década de 80. Lembro da banda Sigue Sigue Sputnik, “Love Missile”, e um remix enorme de “Walk Like an Egyptian”, do grupo Bangles. Também o álbum ‘Substance’, do New Order. Essas músicas naquele tempo não eram classificadas como “eletrônico” e eram tocadas em hi-fi’s (festas de playground), meio a explosão do rock nacional que acontecia por aqui. Não tinha idade suficiente para ir a clubes noturnos dançar.

 

- E a primeira gig?

 

Costumei dizer que comecei a tocar em 95’, no 1º after-hours do Rio, na Underbang, com DJ Ricardo NS. Ficava em Botafogo, mais próximo ao Humaitá, no antigo consulado da China. Mas na verdade fiz equipe de som e comprava discos por volta de 89, com 13 anos e fazia as festas do condomínio onde morava com um soundsystem 3x1, um mixer Tarkus Ap-2, mais uma pick-up D-20, da Gradiente, e uma caixa amplificada. E luzes com pastilhas (para piscar). Tocava continuamente por 5 ou 6 horas, montava e desmontava tudo sozinho, fora uns 100 discos que levava. Chegava em casa exausto.

 

- Recentemente ouvi um set seu de Garage House, você se apresentava em festas do estilo?

 

Nesse período eu não tocava tanto. Havia me mudado da zona norte do Rio para a zona sul e estava começando a ver pessoas e clubes que faziam a noite acontecer por aqui. Mas ainda assim comprava discos do estilo. Minha maior referência ao Garage foi através dos programas de rádio do DJ Marcelo “Memê” Mansur:  Festa da Cidade e RPC Megamix. O próprio Memê as vezes me convidava a ir ao estúdio da rádio para assistir o programa ao vivo. Bom que nos programas informava-se bastante sobre os produtores de Garage House. Não posso deixar de lembrar também do DJ Felipe Venâncio, nas festas “Elevation” e “Até que enfim é sexta-feira”, no clube Dr. Smith. Foi onde tive meu primeiro contato com o que chamamos de música underground.

 

DJ RM2 - Garage House Set 

 

 

rm2

- E a fase do "Jamantismo"? Comente um pouco sobre essa fase marcante no Rio de Janeiro

 

(Risos) Era o termo que usávamos para definir um house desengonçado, mas cheio de groove. Não era o Garage, e sim o Funky House e Deep house, vindos da Europa, Chicago e São Francisco (USA). Ouve um movimento bacana no Brasil e, principalmente, no Rio de Janeiro. Ficamos conhecidos por ter uma ‘cena’ de Chicago House. Não era grande, mas tocávamos bastante em outras cidades brasileiras. Surgiu o projeto “Jamanta”, de Dudu Marote e Rafael ‘Droors’, que tiveram músicas lançadas pelo selo do DJ Derrick Carter: “Classic “. Foi uma boa fase carioca. Sentíamos que as pessoas queriam sair para ouvir a música.

 

DJ RM2 - Jamantismo 3 pickups. 

 

 

- E hoje em dia, qual o estilo de som que não sai da sua case?

 

O House. Este é o estilo eletrônico mais democrático que existe. É o que recebe mais influências exteriores (não necessariamente do eletrônico) e assim fica dificil estagnar.

Hoje em dia está agregado ao rock e ao pop sem soar 'baba'. E por sua facilidade de acompanhar o rítimo, o House ainda é procurado por públicos variados nas pistas de dança.


- Quais seus produtores favoritos? 

 

Atuais: Mickey Moonlight, Greenskeepers, Honey Clawns, Claude Vonstroke, Tomboy, Siriusmo, Matias Aguayo, Abe Duque, Azari & III, Joakim, Horse Meat Disco, Who made Who, Solomun, Pollyester, Captain Comatose, Lo-Fi-FnK…

Antigos: Frankie Knuckles, Masters at Work, Larry Levan, Todd Terry, Jellybean, Joey Negro, Silk Hurley, Shep Pettibone, I:Cube, Morgan Geist, Derrick Carter, Luke Solomon, Orbital, Chemical Brothers, DJ Hell, Ian Pooley, Moodyman, GusGus, Green Velvet, Giorgio Moroder, Greg Wilson e muitos outros…

 

- Como você ve as mudanças na cena nesses 15 anos de profissão?

 

Muita coisa mudou mesmo. Acho que no Rio o público de eletrônico tornou-se mais jovem, enquanto nos anos 80 e início de 90 você via o grupo dos mais experientes sempre freqüentando e fazendo acontecer. Em São Paulo isso ainda continua. Este é o segredo da noite paulistana funcionar tão bem. Pessoas que trabalham na noite levam o profissionalismo mais a sério, pela experiência, e até por conta da concorrência também. Acho que só vamos fortificar a cena do Rio no momento em que todos os interessados trabalharem juntos. Tanto os produtores e remixers, para se fazer uma cena musical consistente;  quanto os donos de clubes e promoters exigindo as condições necessárias para se trabalhar; e o público, pagando a entrada (lista amiga? Grande invenção!) e dando atenção ao line-up da festa que vai, com bons DJs. Sempre caímos na conversa de cidade praiana não ser a cidade onde a noite acontece. Mas podíamos ter noites proporcionalmente menores, porém boas, se todos os que citei cooperassem.

 

- Pra finalizar fale um pouco dos seus projetos presentes e futuros

 

Recentemente fiz minha retrospectiva destes 15 anos como Dj, chamada “RM2 – 12 HORAS”. Está hospedado no site http://soundcloud.com/rafaelrm2 . São 10 podcasts com várias fases de discotecagem, incluindo o “Garage House” que foi citado na entrevista. O mais recente é o “Indie Dance”, onde toco essa fusão de Rock/Pop com House Music. Hoje em dia chamada de Indie Dance (Indie = alternativo).

 

Valeu a entrevista! Esta iniciativa ajuda o público a se informar e ficar mais interessado ao que eles participam.

 

Rafael RM2 toca na festa Bordel, essa quinta, no La Cueva e sábado na festa PIMP no Pista 3.

Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
Dj vs Dj - Schutz
19.09.09 09:54Deixe seu comentário

O que é o Beco?

 

O Beco é o club underground que nasceu em 2005 com a proposta de festas rock e eletrônica, tocando o que tinha de mais novo da época e vivenciou junto a volta do rock as pistas do mundo. Nasceu em um velho casarão de 2 andares, hoje é uma das maiores produtoras do estado, que movimenta 3 casas noturnas, o Cabaret do Beco com produções de uma galera antenada da cidade, o Porão do Beco como o palco das bandas gaúchas e das grandes festas da cidade que movimenta cerca de 5000 pessoas por mês na média e recentemente o Beco Diskoclub que é pra ser a casa eletrônica com projetos de electro, maximal, nu rave, indie dance. e também temos o maior festival de bandas independentes a GIG ROCK.

 


Como anda a cena Electrorock no Sul?

 

Crescendo e se auto-afirmando, o electrorock se tornou o maior parceiro das festas rock e nessa mistura que foi o responsável do crescimento que as nossas festas tiveram ao longo dos 2 anos, festas bombadas, e o espaço nas mídias que acabou conquistando. Como o programa LADO BECO na IPANEMA FM 94.9 onde sempre apresento um set inédito de 2 horas e que era um horario tradicional de música eletrônica, Prog, House da cidade, foi uma grande conquista para levar o electrorock a cada vez mais gente. E ainda no ano passado tivemos uma noite exclusiva ao electrorock no maior festival do sul do país, o Planeta Atlântida, com o Palco Beco. Acho que estamos trilhando um bom caminho.

 

Conta um pouco de como foi o show do CSS que voce organizou em 2005?


Foi um marco do ínicio dessa cena. A banda, grande desconhecida de muitos, chegou e surpreendeu a galera com um show perfeito numa reconhecida casa de strip tease de Porto Alegre. Dali em diante, trilhamos um caminho de sempre interagir com o que tinha de mais bacana surgindo na cena electrorocker nacional.

 

Em 2008 você tocou no planeta Atlantida, no palco Kzuka. Qual a diferença entre tocar num palco para milhares de pessoas e tocar num Club para 300 pessoas?

 

Pode ser clichê mas literalmente cada um tem suas vantagens e desvantagens. A proximidade da galera faz falta, de sentir um clubinho pulsar, mas em um mega evento a estrutura faz diferença, soundsystem, e ver uma massa curtir o que tu está fazendo é indescritivel igualmente. Espero sempre poder fazer os dois, mais e mais.

 

Fala um pouco da sua extinta festa, a Orgasmo. 

 

A Orgasmo é uma das pioneiras e ainda faz muita falta a cena. Fazia parte das festas do saudoso Club Neo, começamos com uma proposta despretenciosa, muito influenciada pelas festas do electroclash, gigolo records e tal, e acabamos acompanhando o que vinha rolando no mundo e o rock se fazendo cada vez mais presente. E nisso, também tivemos o prazer de contar com inúmeros convidados que fizeram história como Css, Bonde do Rolê, djs Magal, Spavieri, Glaucia ++ e o pai do electroclash Larry Tee.

 

E espero que a galera pinte lá no Dama neste sábado com aquele espirito rocker mas de um jeito muito eletrônico! Let's Rock!

-

 

Schutz toca nesse sábado no Dama de Ferro na festa Hauze n Roll.

Nomes para lista amiga no e-mail: dohauze@gmail.com

Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn
DJ Vs. DJ - Nepal
04.09.09 14:143 comentários

NepalO release do DJ Nepal começa assim: Uma diversidade de grooves e vertentes que compõem o mosaico de referências dos seus sets atuais, reconhecido por suas seleções ecléticas e inovadoras passeando por muitas variações de house, nu disco, acid, electro.

 

Tão interessante quanto seus sets, Nepal foi o meu primeiro convidado para a minha coluna DJ VS DJ. Abaixo ele conta sobre o Apavoramento, a Banda Bife, tour na Europa e sobre a arte de encontrar e manipular o groove:

 

Quem ou o que te influenciou a seguir a carreira de DJ?


Foi algo meio natural. Desde dos tempos de  moleque lá em Nikiti (Niterói), eu era a referência musical de muitos amigos da escola. Muitas vezes requisitado para animar as festinhas de playground, pois sempre gostei muito de música e comprava muitos discos. Dae quando comecei a vir sair aqui no RJ, fazia parte de um grupo de amigos muito interessados por música. Pra tu vê, saíamos de Nikiti pra curtir as noites na Dr.Smith, ouvia muito o Edinho e Venâncio, na época os residentes da casa. Mais foi mesmo depois de uma viagem à Nova Iorque que tive o contato com a cultura de DJ bem de perto. Voltando ao Brasil de mala cheia de músicas, comecei então a discotecar. Era 1996 na extinta Zoeira da Lapa, eu misturava hip-hop com batidas eletrônicas de breaks e electro. Dá até um filme, a historia do menino de Nikiti que gostava de música... O resto é que fui me aperfeiçoando e aprendendo mais e mais a cada dia. É um trabalho de relação humana, convivo com o ser humano e tento domesticá-lo e aliviar suas tensões, transportá-lo ao mundo da diversão através da música como em uma terapia de pista (risos). Parece brincadeira, mas esse é nosso trampo Bernardo!

 

Conta um pouco do que é o o seu coletivo, o Apavoramento.

O Apavoramento é uma junção de amigos que gostam muito do que fazem e acreditam em novas formas de mostrar seu trabalho no mercado. Hoje, o Apavoramento tem dois braços, um mais comercial e outro mais artístico. Fazemos vídeos para tv, cinema, publicidade, cenários interactivos, vídeo clips e trilhas. Um pouco de tudo ligado à mídia digital, além das apresentações de live áudio-visual. Apresentações que nos renderam até participações em festivais e tour européia. Também apresentações em museus, festivais de musica, e até na Bienal de arte de SP e na SP-ARTE (maior feira de artes plásticas da América Latina). Como você vê, é um trabalho diversificado de formatos e plataformas de apresentação.

 

Como é essa historia de fazer trilhas para desfiles?

 

Acho legal, pois é sempre um trabalho de pesquisa e uma nova forma de mostrar seu trabalho. O mais natural do trabalho da trilha de desfile acaba sendo o trabalho do dj atual, né? A pesquisa e o  garimpo de música. Além da troca de referências entre você e o cliente, isso pode até te render um novo universo que você ainda não conhece. Você acaba aprendendo muito também quando faz.

 

E a Banda Bife? Fala um pouco sobre esse projeto.

Esse é um projeto novo de sons mais groove, uma espécie de banda de sons dos anos 70 turbinados com timbres atuais. Fazemos músicas próprias com muita referência ao som funk e soul dos anos 70 que amo! O disco do Bife sai esse ano sem falta, pois não quero deixar passar.

 

Você já fez uma tour pela Europa. Por quais países passou e como foi a experiência?

 

Já fiz e foi muito legal! Toquei na Espanha (Barcelona), Portugal (Porto e Lisboa ) e Inglaterra (Londres). Foi uma ótima experiência, vi de perto algumas coisas que ainda eram lendas pra mim. Hoje acredito que a experiência de intercâmbio é muito boa nem que seja só pra conhecer outra cultura, ir a festivais, ver de perto clubes e DJ's etc. já vale.


ABRAÇOS A TODOS.
MUITA MÚSICA NAS NOSSAS VIDAS SEMPRE NOS DESPERTA SENSAÇÕES!!!!!!!!
NEPAL

Blog Do Nepal: http://artedogroove.wordpress.com/

 

Tanto o DJ Nepal, quanto eu, junto com o Pedro Mezzonato no projeto Jack Hostel, tocamos sábado na festa Electrodama no Dama de Ferro. Mais infos e nomes para a lista amiga no post Convites para o Electrodama!.

Bernardo Campos
Bernardo Campos (bernardo @ molotov21.com)
Do Hauzinnn