Nunca fui até Campo Grande. Mas seria um prazer ter conhecido a formação de uma escola da música eletrônica brasileira em suas origens. A marca D-Edge celebra 12 anos esta semana com gig do Sven Vath no clubinho que virou clubão nos ultimos anos.
O D-Edge veio para São Paulo em 2003 com uma bagagem pós Mato Grosso do Sul que eu eu e mais paulistanos ainda não entendiamos muito bem... Bastou abrir as portas em sua primeira noite na Al. Olga na Zona Oeste, que o frio na barrida cresceu. O extinto Stereo Club havia se transformado radicalmente em um "monstro" sinestésico com o trato de Muti Randolph e uma curadoria musical impecável.
Me lembro até hoje da sensação de ter 17 anos e pisar na noite de abertura do estabelecimento que viria a ser "O" box cultural da cena de DJs não só de Sampa. Eu estava no terceiro ano do ensino médio num mundo diurno careta pra caramba, comprando meus primeiros discos de vinil. Escutei e vi de perto atrações inovadoras como Luke Solomon, Mark Farina, Justin Harris, DJ Heather e todos aqueles que me apresentaram a uma pegada "infernal" do house "freaky" daquele momento tão importante para minha carreira.
Simplesmente as gigs destes DJs mudaram a minha vida, experiências únicas ouvidas na noite experimentalmente moderna Freak Chic. Durante esse Review de 12 anos do Marmita Sônica, ouça os sons que foram a cara do D-Edge segundo minha vivência.
Bati cartão nas sextas-feiras mais geniais de minha jornada musical plugado na condução groovy de Luiz Pareto e Renato Ratier, e passei a cultivar um amor intenso pelos samples radicais de caras como os que fundaram a Classic Music Company nos anos 1990, entre outros.
Acompanhei a safra minimal de Colônia a Detroit, debutei nesta fase como DJ em uma Mothership na qual eu celebrei aniverásio de 19 anos e tocava minimal funk na linha do Duplex 100. "Tremi" na base ao soltar as primeiras tracks, pois a responsa na cabine do D-Edge é sempre muito grande. O som é fiel em todo canto, não dá pra vacilar.
Hoje, sou muito feliz em lembrar das viradas que já fiz na mesma cabine em noites distintas como Crew, Paradise, Cio 80's, Afternoon Skol Beats, Freak Chic e Mothership.
Já como repórter no Nokia Trends Web e posteriormente no Portal Skol Beats ao lado dos amigos Clau Assef e Coy Freitas, continuei tomando a caixa preta como pesquisa de campo. Todos não perdiamos atrações internacionais quando podiamos. Assim, pude entrevistar artistas internacionais que jamais teria o mesmo acesso se não fosse pela gig no clubinho: Miss Kittin, Superpitcher, Matias Aguayo, Luke Solomon, entre muitos outros.
Ouvi dizer que já foram mais de 700 o número de "gringos". Quantos festivais abasteceriam?
Boas lembranças são também o live de tech-house rasgado com timbre "sujos" de Mattew Dear na sua melhor fase após debutar o álbum "Leave Luck To Heaven" pela Gosthly; o techno espacial, instrospectivo e terapêutico na residência de Daniel UM ao lado do tech-funk do Mau Mau. E o impulso mais recente da disco em mutações tão interessantes quanto Spacel, Micro, Nu, Dark em mais uma empreitada conceitual.
Os primeiros namoros com a Kompakt em momento histórico quando a música eletrônica mundial ganhava uma dieta minimalista em suas produções de pista e até comerciais.
Parabéns ao time que faz do D-Edge o clube noturno que dá tanta satisfação de ser brasileiro quando você investe uma grana pra chegar na noite de Berlim e sentir uma energia muitíssimo parecida com essa aqui da Barra Funda.
Parabéns pelos 12 anos da marca! Keep going!
Já espero comprar as passagens pro Rio e Curitiba no próximo ano. Aposto que a "experiência D-Edge" promete em qualquer destino!
+ Informações da festa de 12 anos aqui.
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